21 abril 2008

Humanistas à custa de quem?

A moralidade e a legitimidade do lucro são muitas vezes postas em causa. Numa coisa todos concordamos, o Estado não existe para dar lucro, não faz sentido. Para as restantes entidades parece que o lucro é legítimo. Mas será que as instituições que perseguem fins próprios do Estado, por exemplo as chamadas IPSS, moralmente devem ter lucro?
Uma boa gestão pressuporia que estas instituições mantivessem ou incrementassem o seu valor patrimonial somente através de donativos voluntários destinados a esse efeito específico. Tudo o que fossem subsídios do Estado, donativos para a manutenção deveria ser utilizado para esse fim.
Ninguém deveria receber subsídios para os meter na conta bancária. Aliás deveria ser utilizada uma conta bancária para cada fim e, quando se justificasse, feita a contabilidade analítica. Existe uma grande promiscuidade na gestão de fundos públicos por parte de algumas instituições privadas. Por mais que se diga que estas gerem melhor não estou de todo convencido.
Há instituições que se apropriam indevidamente de subsídios do Estado, que exigem dos apoiados jóias indevidas (Verdadeiro acaso, ao escrever estas linhas está a noticiar na RTP1 um caso destes na Santa Casa de Misericórdia de Santo Tirso). Infelizmente a Segurança Social não controla a movimentação de utentes que se verifica por exemplo nos centros de dia, subsidiando por protocolos desactualizados. Paga refeições que ninguém come.
Periodicamente a imprensa aborda um caso ou outro mas a cultura reinante é permissiva porque se entende que tirar ao Estado não é pecado, pelo menos quando a sua gestão é entregue a discípulos de uma qualquer religião. A religião não tem culpa pelos prosélitos que tem, mas não pode servir de capa a quem dela se serve.
Não podemos relativizar tudo, nem partir do princípio que dum lado estão os bons e do outro estão os maus. Há quem se sinta gratificado por ajudar, mas é necessário saber quem é que no fim sai ajudado, se é o utente se é a instituição. Esta constatação que nada tem a ver com aproveitamentos pessoais, parte do princípio que, sendo nós imperfeitos, podemos instituir sistema perfeitos, ou pelo menos mais perfeitos do que o somatório daquilo que em nós se pode entender como perfeito.
É fácil pedir rigor aos outros, difícil é praticá-lo. São fáceis as lições de humanismo, mas este não tem que ser contabilizado em qualquer conta de deve e haver. Façamos sim o débito/haver da ajuda que é dada num conjunto de situações semelhantes, porque isto de andar a dizer que tudo dá prejuizo não me convence a mim.

20 abril 2008

Em estado de nojo por entre armadinhas e novelos

O homem está em estado de nojo. Vai estar vigilante, não vai andar por aí, mas sim vai estar aí mesmo. E tanto é verdade que já veio dizer: Vai ganhar quem ele apoiar, e quem ele apoiar não vai ser mais do que uma segunda escolha. Isto é, a primeira escolha só pode ser ele.
Filipe Meneses quer ser o pai e colocar na liderança alguém que seja um pau mandado. Normalmente estas coisas são ao contrário. Alguém que marcou um regime e por qualquer impossibilidade delega noutro uma liderança temporária. Mas este Filipe não tem uma herança para deixar, não tem nem um conjunto de ideias, uma ideologia, nem um conjunto de práticas com aplicação comprovada, uma política.
Filipe Meneses quer que alguém faça aquilo que ele não conseguiu fazer, sem que se saiba propriamente o quê. Quem será que se sujeitará a esse papel de ser um joguete na mão de alguém tão inconstante como ele? Ou o seu propósito será mesmo o de que não apareça ninguém que lhe queira agarrar o facho e ele possa ressurgir como a única solução?
O futuro do PSD está cheio de armadilhas destas. Todos se julgam senhores de uma coutada qualquer, mas este agora ultrapassa tudo e julga-se senhor quase do reino. Filipe convence-se que tem as bases na sua mão, isto é, os autarcas. Para isso já lhes deu uns rebuçados, negou-se a apoiar a Lei Eleitoral que o PSD tinha apoiado. Filipe apoia-se na parte mais desregrada, desordenada, empírica e porque não corrupta da política.
Mas além das armadilhas, o PSD está cheio de novelos. O mais famoso é o Santana Lopes/Filipe Meneses. Mas também nesta caso o Filipe parece querer ganhar ascendente, retirando a Santana o seu próprio espaço de manobra. Até que ponto este se conformará a ser aguadeiro de quem é manifestamente mais fraco do que ele mesmo?

19 abril 2008

A ansiedade psicopata do PSD

Não é fácil pôr aquela máquina, o PSD, a trabalhar para aquilo que seria pressuposto ser a razão da sua existência, o interesse nacional. Claro que nem todos podemos ter o mesmo entendimento sobre esse interesse, mas seria expectável que os seus principais dirigentes soubessem o que querem.
O mal do PSD, aquilo que leva muito boa da sua gente a perder as estribeiras, a ir por caminhos ínvios, é a ansiedade com que vêm as próximas eleições legislativas. A maioria dos seus militantes está pronta a vender tudo, inclusive a alma, por ganhar essas eleições.
O afastamento do poder faz perder a cabeça a muito boa gente. A doutrina política do PSD é a gestão corrente dos interesses do Estado, casuisticamente, oportunistamente, clientelarmente. Aleivosamente os seus dirigentes mais aguerridos falam de falta de liberdade de falar quando o seu problema é não saber dizer nada de jeito.
O que incomoda o PSD, todos os seus actuais, possíveis e imagináveis dirigentes é o que lhes mostra o afastamento do poder. Essa falta de liberdade que não existe, a não ser para os malcriados e verbalmente destravados que proliferam nas suas hostes, é um sinal de quem sente que tem uma falta visceral de poder.
A quem não falta poder é ao JJ, súmula de tudo aquilo que no PSD é mais execrável, detestável e odioso. Esse até pode chamar louco ao Aguiar Branco e a qualquer outro que lhe apareça e não pense como ele. E todos se vergam despudoradamente perante tão insolente figura.

18 abril 2008

Que sucessão para estes demagogos do PSD

Inesperadamente Filipe Meneses convocou eleições directas para a direcção do PSD. A sua posição era insustentável face à impossibilidade prática de atingir os seus próprios objectivos. Colocou a fasquia alta mas deixa também para os outros a fasquia à mesma altura.
Filipe Meneses não tinha condições para agregar à sua volta tantos barões quantos os necessários para ofuscar aqueles que se quiseram pôr desde logo em oposição a si. O seu grupo mais próximo de apoiantes era da mais baixa qualidade.
Independentemente de a manutenção de Filipe Meneses poder ser a garantia da vitória de José Sócrates, a verdade é que o País se livrou de viver uma situação de esquizofrenia colectiva, que em nada lhe era favorável. Quem vier a seguir que queira manter este clima de uma ansiedade doentia que destoa com o sentimento mais geral da população, está de igual modo condenado ao fracasso.
A população pode ter razões de queixa, pode sentir que há coisas que poderiam ser feitas de modo um pouco diferente, mas decerto que já não acredita em demagogos da estirpe deste grupo que se congregou à volta de Filipe Meneses.
Pelo que se vê, pelo exemplo de alguns que se colocam na rampa de lançamento como António Borges, parece que não devemos ter esperança. O mesmo afã na tentativa de destruir o trabalho da governação vai continuar. O PSD profundo está refém desta forma primitiva de fazer política.

17 abril 2008

O divórcio não é garantia nem perca de direitos do casamento

A problemática casamento/divórcio é normalmente abordada com muita hipocrisia permitindo que se confundam os vários aspectos da questão dando-lhes mais ou menos importância ou omitindo alguns conforme o interesse da perspectiva que se quer defender.
Se considerarmos a família como uma instituição que deve ser favorecida na sociedade e o casamento como a única forma que o Estado tem para conseguir esse objectivo, então o facto de duas pessoas se entenderem sobre uma vida em comum até pode ser considerado irrelevante.
No entanto o Estado não tem que criar novas formas de relacionamento entre as pessoas, tão só de analisar as implicações das relações que se criam e regulamentá-las de modo a prevenir efeitos negativos nas relações sociais. E isto parece levar a que a família seja cada vez mais vista como uma questão que se cruza com a do casamento sem se confundir com ele.
No fundo não se pode considerar o casamento como a resolução de todos os males, como podendo comportar todas as regras que tornem a família assim constituída como inabalável. Nem o facto de ser mais ou menos facilitado o divórcio não deve constituir uma forma de esvaziar o casamento.
O que interessa é legislar para o normal das pessoas. Aqueles que têm situações de grande desafogo vêm normalmente estas questões na comparação das vantagens e desvantagens que o casamento possa ter em relação às uniões de facto. Aqueles, normalmente os mais novos, que estão a começar a assumir obrigações sociais também assim procedem.
No entanto é bom que assim seja e que se não queira misturar tudo, igualar tudo, fazer das formalidades um aspecto folclórico em que embarcamos ou não. Nas suas implicações sociais as uniões de facto não podem ser ignoradas, mas não podem comportar pretensos direitos que poderiam ser garantidos por outras vias.
Os casamentos não podem acabar como as uniões de facto. Para que isso aconteça, para garantir direitos adquiridos, tem que se cumprir algumas regras, sem que seja necessário determinar culpados, isto é, sem que a culpa seja considerada para efeito do ganho ou perca de direitos.

16 abril 2008

Menos poeira precisa-se!

A vida privada de José Sócrates tem sido motivo de um interesse mórbido, até sem paralelo em Portugal. Sócrates suscita ódios de muitos camafeus e talvez isso justifique tudo para essas pessoas. Numa nova tentativa para denegrir Sócrates veio agora a lume, pela voz verrinosa de um social-democrata, um pretenso favorecimento a uma amiga pessoal do primeiro-ministro.
O caso é apresentado com contornos de um compadrio rebuscado, com a ponta do cordel puxada por uma jornalista do Diário de Notícias e com Sócrates na outra ponta, algures na sombra, por trás da RTP2. Os sociais-democratas sabem bem como estas coisas se fazem, só que neste caso a especulação os conduziu ao erro.
Infelizmente nem que acertassem não lucrariam grande coisa com a denúncia. A nossa sociedade tem o compadrio embrenhado na sua alma. Mete-se cunha para garantir o justo e o legal, como se mete para ultrapassar e prejudicar os outros. Pela impunidade com que isto se faz, passou a ser aceite que se dê aos amigos os bons empregos, até mesmo que se venha a poder utilizar a chantagem para conseguir favores de todo o tipo.
Pela vulgaridade qualquer denúncia há-de beliscar sempre um amigo, um correligionário, um contribuinte para a nossa bolsa pelo que o melhor é deitar poeira para cima. Estas denúncias despropositadas não ajudam nada a alterar este estado de coisas, antes pelo contrário. Teriam que vir de gente acima de qualquer suspeita, mas esses não aparecem na televisão.

15 abril 2008

Menos irascibilidade precisa-se!

João Jardim está a tornar-se de todo irascível. Quando há uns tempos se virava apenas para o continente, insultando-o e acusando-o de todos os males, agora já não tolera muitos daqueles que diz defender. Se paternalmente lhes chamava até aqui ingratos agora chama-lhes loucos.
João Jardim de modo algum aceita que lhe não agradeçam o simples facto de existir. É natural que, quanto mais próximo estiver do seu fim físico se sinta com cada vez maior necessidade de exaltação da sua imagem. Este tipo de pessoas sofre até à urna pela falta de um clone.
Com a oposição mais activa nas suas ilhas, João Jardim tem dificuldade de se abstrair do ruído de fundo, da contestação que atrás de si se desenvolve. Habituado a ocupar todo o palco mediático, deslumbrado com a sua própria obra, maravilhado com a sua possibilidade de dizer tudo, hipnotizado pelo poder que absolutizou, as palavras saem-lhe fluentes com a certeza da impunidade que a sua caricata figura suscita.
Só a seriedade das posições do Primeiro-Ministro e do Presidente da República, e os protestos de quem não é louco como ele, podem ajudar a melhorar este estado de coisas. Pode ser que João Jardim, que está hoje mais perto do burlão do que do palhaço sério, olhe um dia para o espelho e opte por inverter a sua marcha descendente para a degradação.
A comunicação social pode ajudar muito neste aspecto porque por ela passa o que a sociedade coloca na distinção entre o burlesco e a javardice. A comunicação social deveria fazer a clara demarcação entre o que é o riso saudável, comunicativo, que até deve ser incentivado e o riso mórbido, negro, que muitas vezes aceitamos, mesmo a contra-gosto, porque nos não é dirigido, mas que deve ser sempre repudiado.

14 abril 2008

Mais moderação precisa-se!

São características do sindicalismo comunista os bruscos amortecimentos, os súbitos afrouxamentos, os entendimentos imprevistos. Há que consolidar a retaguarda e as conquistas, não arriscar tudo, não esticar demasiado a corda, aprender com as lições da história.
O sindicalismo estava de tal maneira desacreditado que sair da crise sem correr demasiados riscos parece ser a sua única estratégia. No geral o sindicalismo não tem conseguido grandes avanços. No caso específico dos professores é certo que os conseguiu há uns anos atrás mas sem que a população veja melhorias no ensino, a propósito do qual surgiram todas as suas reivindicações.
Para cúmulo, tendo conseguido vantagens materiais inimagináveis noutros sectores, os sindicatos viram os seus associados virarem-lhes as costas, as cotas dos sindicalizados a diminuir, o governo a reduzir-lhes o número daqueles que, a desculpa da actividade sindical, se puderam dedicar a tempo inteiro à subversão do sistema escolar.
Os sindicatos viram-se na necessidade de repensar a sua acção, de tentar dinamizar o sector, de assumir reivindicações mais mobilizadoras. Mas o entusiasmo súbito que provocaram não deve ter tido expressão prática na cotização e na aproximação dos professores à actividade sindical. Os paradoxos mantêm-se.
Este processo reivindicativo terá antes ajudado a que franjas marginais de professores, baseados numa aparente facilidade de mobilização, ganhem ânimo e queiram prosseguir a mesma saga irresponsável e desonesta. Mas os professores sabem que esta gente é boa quando tem um objectivo específico mas terrivelmente prejudicial por os pretender instrumentalizar para além da actividade sindical.
Os sindicatos sabem que facilmente conseguirão retomar as rédeas, que esses sectores radicais se caracterizam por constituírem manifestações gangrenosas localizadas. Os sindicatos apostam numa maior credibilidade da sua actuação, na consolidação dos ganhos que foram adquirindo, numa imagem de respeitabilidade, porque também está em jogo a sua própria sobrevivência.

13 abril 2008

Menos moralidade precisa-se!

As instituições privadas que albergam jovens são atacadas, como o são os funcionários públicos que desempenham as mesmas missões. A discussão de qual a solução mais barata para o erário público é velha e não é fácil de ser abordada em todas as suas implicações. Deixemo-la por agora.
Se porém o Estado transfere a sua responsabilidade no crescimento ou mesmo na recuperação dos jovens que, por um motivo ou outro, não podem viver em ambiente familiar, convirá saber se coloca todas as suas disponibilidades ao dispor dos privados para que eles não falhem na sua missão. Se tal se verifica, convirá saber se são bem aplicadas.
Facilmente podemos partir do princípio que o Estado não dá dinheiro a mais. Todos dizemos que o Estado dá pouco e muitos prometem mais, mas todos estamos obrigados a sermos rigorosos. Se os privados aceitam o encargo, têm que o cumprir em todas as suas implicações e deixar de se desculpabilizarem pela exiguidade de verbas.
A Santa Casa da Misericórdia de Ponte de Lima está a falhar no cumprimento das suas obrigações, isto parece evidente, mas a solução preconizada por Daniel Campelo, Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima, não é de modo algum legítima. Parece-me que, garantida a boa aplicação dos dinheiros do Estado Central, lhe não ficaria mal ajudar naquela missão espinhosa.
Quanto às palavras de Abel Batista, Presidente da Assembleia Municipal de Ponte de Lima, revelam um bom discípulo de Paulo Portas na utilização da moralidade como arma política. Mas num político nós nunca sabemos a verdadeira ideia de fundo sobre uma questão. De qualquer maneira não creio que a ideia de Campelo seja queimar estas crianças, embora saibamos que à esquerda e à direita há pessoas que pensam assim.

12 abril 2008

Mais humanismo precisa-se!

Em Ponte de Lima entende-se que há um grupo de jovens internados nas antigas Oficinas de S. José, hoje administradas pela S.C. da Misericórdia de Ponte de Lima, que lá não deveriam estar. São casos problemáticos, oriundos de outras regiões do País e que para aqui vêm mercê de um acordo da Santa Casa com a Segurança Social e Serviços de Reinserção Social.
Na recente reunião da Assembleia Municipal de Ponte de Lima realizada a 11-04-2008 o Presidente da Câmara, Daniel Campelo deu voz oficial àquele sentimento de rejeição, aliás já por ele manifestado em casos parecidos, sem contestação visível. Porém desta vez o Presidente da Assembleia Municipal, Abel Batista, no prosseguimento da sua demarcação da gestão de Daniel Campelo, entendeu dar um puxão de orelhas a este, apelidando a sua atitude de falta de humanismo e de apoio à inserção social dos jovens, sendo sinal de um bairrismo despropositado, duma visão estreita.
Teoricamente todos deveremos estar com esta posição de Abel Batista mas o que Daniel Campelo não quis revelar é a falta de condições da Santa Casa para albergar jovens naquelas condições, sem instalações adequadas, sem técnicos de acção social preparados, sem vigilantes, sem um acompanhamento dos jovens dentro e fora das instalações, permitindo que eles sejam acusados de se violentarem uns aos outros e de praticarem pequenos delitos dentro do burgo.
Por mais que digam que este serviço é bem executado por privados, que estes não têm fins lucrativos, que o Estado gastaria mais e faria pior custa-me a acreditar, maugrado a relatividade existente nestas coisas. Querermos ser mais humanistas uns do que os outros é uma discussão sem nexo, quando se deveria estudar a razão última das coisas acontecerem assim. E verificar se a Santa Casa em vez de prestar um serviço de qualidade não estará apenas preocupada com o lucro, como tem sido seu apanágio.

11 abril 2008

Mais rigor precisa-se!

Em Portugal criou-se uma situação bizarra que permite que os dirigentes sociais-democratas andem a dizer que Sócrates não está a cumprir os seus compromissos. Ora nem os sociais-democratas são os fiéis depositários de quaisquer garantias que o sistema desse a quem vote por compromissos, nem a base social de apoio socialista, a não ser umas franjas, o que é natural, deixou de acreditar em Sócrates.
Embora muitos perguntem para que se faz eleições, não há dúvida em que todos os princípios democráticos dão razão a Sócrates. Seria impensável que, por Sócrates dizer que não iria aumentar os impostos, os não aumentasse quando isso era imperioso pelas mais diferentes razões, incluindo pelos acordos estabelecidos no âmbito da Comunidade Europeia.
Seria impensável também convocar eleições ou um referendo nacional para esse efeito. Ninguém gosta de mais impostos, poucos se convencem da sua imprescindibilidade, mas todos querem apoio do Estado. A base social de apoio de Sócrates poderá é quer mais apoio do Estado, politicas sociais mais activas, pelo que na sua maioria não é propriamente contra a existência de impostos. Pode é contestar a sua distribuição e falta de rigor na sua aplicação.
Se a direita económica, a mais racional e prática, aceita o sistema de impostos, porque é que a esquerda os não há-de aceitar, já que sem eles não há sistema possível de política social e redistributiva. A política de impostos só deve ser contestada pela esquerda quando ela constituir um entrave efectivo ao desenvolvimento económico. Isto é, a direita será a primeira a rejeitá-la quando isso se verificar. Empenhemo-nos antes no rigor da sua aplicação.

10 abril 2008

Mais república precisa-se!

Se os políticos se fizessem com um método de ensino, com uma forma, qual bolo metido ao forno, estávamos arranjados. A monarquia não foi mais do que a tentativa de formar uma classe dirigente a partir de um grupo de pessoas que faziam parte de uma raça vencedora. As várias monarquias convergem todas nos métodos, a sua miscigenação é uma consequência desse facto.
A república é esta situação em que as contingências da sorte, convergindo com a contingência de outros factores mais ou menos aleatórios, determinam que qualquer um pode ambicionar ser político, isto é chegar a dar orientações políticas ou a ocupar cargos por mandato político. As contingências não são defeitos mas chamo-lhes assim por que influenciaram de modo diverso conforme o tempo e o lugar em que cada um vive.
O único defeito da república é a dificuldade de destituição de alguém que, colocado numa posição de influência, a usa de modo menos próprio para reforçar a sua posição pessoal. Há sempre quem queira utilizar a posição adquirida para fins menos lícitos e há sempre quem queira puxar para a defesa dos seus interesses quem em princípio não está comprometido a isso.
Já que não há maneira de, quando se escolhe um político para determinado cargo, lhe definir todos os passos que ele deve dar, há que escolher em que sentido e com que amplitude ele pode legitimamente variar nas suas posições. Ou é a base social que deve ser mais respeitada ou são eventuais compromissos que devem ser mantidos mesmo que a prejudiquem.
É evidente que os compromissos envolvem factores muitas vezes imponderáveis pelo que o político deve respeitar a sua base social de apoio e responder periodicamente perante ela. Entretanto deve ter as mãos relativamente livres e agir segundo as suas convicções e pelas conclusões que vai extraindo do efeito da sua acção.

09 abril 2008

Mais certeza precisa-se!

Há muito que em Portugal se abandonou a ideia de que há que ter razão para que se defenda uma atitude, um projecto, uma política. O que é necessário é ter certezas ou pelo menos agarrarmo-nos a algum bloco de ideias que defendemos como nossas com unhas e dentes.
Essas ideias podem ser denegrir, denegrir, denegrir as ideias e acções dos outros à espera que a sorte, qualquer virar brusco de ventos permita uma nova perspectiva, uma adesão que não seja só por antipatia ao que existe. O normal seria apresentar em tempo alternativas, aqui trata-se de criar primeiro antipatia e esperar que outras ideias floresçam no lodaçal sobejante.
Porque é necessário criticar mesmo aquilo que se tem por inevitável, porque a barragem tem que ser constante e diária, à falta da possibilidade de uma demarcação clara, que as pessoas entendam facilmente, à falta de aceitação do obvio, que as pessoas podem entender ser dar o braço a torcer, os antagonistas de hoje entram facilmente no ataque pessoal.
O João Jardim que tinha tentado toda a espécie de cócegas no Sócrates, virou-se agora para o M. das Finanças. O Meneses, na sua pequenez intelectual e moral, quer-se pôr em bicos de pé e receber troco do Primeiro-Ministro. Qual cachorro sempre pronto a ladrar às pernas do transeunte não merece que alguém desça ao seu nível.
Se a nossa comunicação social tivesse personalidade, exigência na qualidade, crítica nos métodos dos que a querem utilizar, se houvesse a preocupação de nos livrar de discursos ocos, incoerentes e desconexos, faria a triagem, a selecção destas personagens em que o atrevimento é bem superior à qualificação.
A actual geração herdou uns tristes trastes na área social-democrata que os outros estão mais calados. Os profissionais da comunicação dizem que não têm melhor para apresentar e terão que os ouvir se os não puserem a dizer baboseiras todos os dias. Até quando? Tenham pena de nós!

08 abril 2008

Mais perspicácia precisa-se!

Há muito que se criou em Portugal a ideia de que o problema não reside nos actos que se praticam mas na comunicação que deles se faz. O governo tem obrigação de comunicar a sua acção de forma perceptível pelos cidadãos, simplesmente isso é levado muitas vezes ao nível do artifício para fazer passar por bom o que é mau. E até às vezes é.
De qualquer modo os meios de comunicação dos dias de hoje não são permeáveis a mensagens lineares e todo o comunicador tem que estar preparado para as fazer passar através das subtilezas da actuação daqueles meios. Não é só o problema de estes terem proprietários com objectivos próprios, terem ideias e interesses a defender mas também porque há uma forma ligeira de abordar os assuntos que valoriza o imediatismo.
O imediatismo consiste não só em ver o efeito a curto prazo mas na escolha prévia da tese que se quer provar, como se todas as acções tivessem que ter o mesmo efeito, independentemente dos seus objectivos e do plano em que se inserem. O trabalho de enquadrar qualquer acção num domínio mais vasto é das coisas mais difíceis de fazer porque exige tempo e estudo de modo a conseguir simplificar o resultado numa mensagem curta e incisiva.
Explicações muito complexas não têm aceitação na comunicação social, só raramente os seus meios dão o tempo e o espaço suficientes para que elas sejam dadas. A importância dada à comunicação deriva muito do facto de hoje não ser possível levar a discussão dos assuntos até à exaustão, de a razão nunca ser atribuída de modo absoluto a alguém.
Vamos lá, que já outra notícia vem aí e quem lê já sabe do que está à espera. Então, sinceramente, não vale a pena ler. É o que eu faço com muito blog, muito jornal, muito livro, muita rádio, muita televisão com pena de perder alguma prosa ajeitada. De alguma nova qualidade estamos nós precisados para saber escolher sem “ver”. Chamemos-lhe perspicácia, à falta de melhor.

07 abril 2008

Mais confiança precisa-se!

Uma das razões pelas quais os actos de indisciplina devem ser solucionados preferencialmente no âmbito escolar é a visibilidade que é dada à solução encontrada e que pode assim funcionar como exemplo positivo em contraponto com o exemplo negativo que é dado pelos actos não solucionados.
É bom que alguém que, pelas mais diversas razões, que as há, teve comportamentos menos apropriados, possa dar exemplo da sua correcção, que pode ser não só um melhor domínio de impulsos exibicionistas, de ascensão a lideranças, como pode ser a compreensão da ineficácia de impulsos destrutivos resultantes de um ambiente social deprimente
Embora as comunicações permitam que hoje se criem ambientes virtuais, o ambiente primordial de vida, de relacionamentos dos alunos é a escola e essa ligação visual, física, de contacto vai continuar a ser necessária para o estabelecimento de relacionamentos saudáveis e como tal deve manter a centralidade em todos os aspectos, juntamente com a família.
As experiências na escola são marcantes, tão só pela idade em que se desenvolvem, como pelo seu conteúdo, para todo o resto da vida das pessoas. Mesmo que possa ser errado, a maioria das pessoas não contesta nunca mais aquilo que aprendeu, a perspectiva pessoal que adquiriu sobre muitos dos assuntos com que vai deparando pela vida fora.
Também a desconfiança criada na escola em relação a ela mesma se transfere para desconfiança na sociedade. Substituir a inoperância da escola pela falta de agilidade da sociedade para resolver de fora os problemas que dentro dela possam surgir é agravar em muito as dificuldades de inserção social que se manifesta em quem tem percursos escolares complicados.
A escola tem que “fornecer” à sociedade pessoas confiantes em si mesmas e merecedores da confiança dos outros para que não se tornem auto excluídos.

06 abril 2008

Menos injustiça precisa-se!

É sempre difícil ter a certeza de que um determinado problema disciplinar está totalmente ultrapassado. Mas na escola, havendo um acompanhamento diário do aluno, havendo uma série de intervenientes no processo habituados e quase sempre habilitados a lidar com jovens e a aferir do seu estado psicológico para a aceitação da disciplina, tudo está mais facilitado, haja colaboração de todos os interessados.
Poderemos no entanto pôr ainda a questão, mesmo que o problema em relação a um aluno determinado esteja resolvido, e tendo em vista que a sua ocorrência criou ondas, tem sempre um efeito nefasto na disciplina colectiva, se esse aluno há-de ser responsabilizado por isso. Na verdade será mais difícil de aferir se esse efeito lateral se extinguirá simultaneamente.
O sistema normal de justiça assenta muito na necessidade de penalização de um acto qualquer pelo seu efeito de exemplaridade, isto é, parte do princípio que é preciso um castigo exemplar para quem dá um mau exemplo, para quem pratica um acto de indisciplina que se possa propagar.
O sistema normal de justiça não se fica pela eliminação da origem do mal, é um sistema persecutório, que não acredita nas possibilidades de recuperação das pessoas e que esses bons exemplos também se possam propagar, ganhar novas adesões e dar origem ao desarmadilhar de percursos que os jovens fazem muitas vezes inadvertidamente.
Sabe-se que em muitos casos a escola se demite de resolver os seus próprios problemas. Mas o sistema normal de justiça está de tal modo desacreditado, é tão injusto, tão susceptível a preconceitos e esquemas preconcebidos, pratica uma justiça tão discriminatória, tão cingida aos papéis sociais dos que dela necessitam, que o aluno é sempre tido por um elemento inconveniente numa ordem justiceira de papéis rígidos.
A escola tem que reequacionar os ensinamentos que deram origem a este tipo de justiça e tem que, até onde possa, subtrair os seus alunos a este império da maldade.

05 abril 2008

Mais abertura precisa-se!

O “exemplo supremo na vida democrática do que é um político combativo”, nas palavras daquele ilhéu Jaime Gama, o senhor João Jardim tomou agora mais uma atitude digna desse qualificativo que também serve para enobrecer quem o elogia.
O congresso do PSD-Madeira vai ser fechado à comunicação social. A não ser a mensagem inicial e final do seu chefe, o que diga-se de verdade só ocorrerá se os jornalistas não tiverem vergonha na cara, tudo o resto é para ficar secreto ou então com a versão oficial e alguma oficiosa que algum congressista mais liberal queira dar.
Não seria sequer a ocasião própria para pôr a questão da falta de isenção dos jornalistas, mas o João Jardim também não é tolo de todo para se deixar ficar só. Os jornalistas dão demasiadas vezes oportunidade para que se ponha em causa a sua falta de preparação para abordar os problemas com seriedade. O assédio a que submetem muitas vezes os políticos tem razões políticas evidentes.
Os jornalistas caem constantemente na tentação de cair na pergunta insidiosa, daquelas que eles fazem e refazem sem aceitar uma outra resposta que não seja aquela que eles previamente definiram como a que constituiria um furo informativo e os poria a receber um subsídio vitalício da sua agência ou do seu órgão de informação.
Os políticos, por seu lado, querem marcar a agenda e fogem a responder a qualquer pergunta que lhes não agrade. Também disso se tem atacado Sócrates mas é evidente que políticos em situação muito mais livres de assédio se portam muitíssimo pior. Ninguém tem o mau humor mais à flor da pele do que João Jardim e Filipe Meneses. São uns falsos alegres.

04 abril 2008

Menos diversão precisa-se!

Este líder social-democrata deverá ter confundido divergência com diversão. Para si as duas são verdadeiras porque não gosta de quem diverge de si e diverte-se à grande em ser um rapaz truculento. Quanto ao governo há local para a divergência, não haverá é para a diversão.
Meneses inventou um possível medo de divergir que teria tomado conta das hostes social-democratas. Esse medo derivaria de uns três dos seus correligionários terem sido advertidos, prejudicados ou de qualquer forma referenciados por se terem oposto insidiosamente às normas a que devem obedecer os funcionários públicos ou por terem falhado a outro qualquer dever de urbanidade e lealdade.
Para certas pessoas sem formação cívica adequada ter medo de tomar atitudes destas é um facto positivo, uma medida de higiene mental. O medo só funciona para quem subestima as regras de convivência social, se deixa facilmente condicionar por impulsos de transgressão, sem qualquer motivo lógico para tal, para quem qualquer contenção nesse domínio é tida como um grave revés no seu egocentrismo.
A Meneses não lhe ficaria mal algum medo de dizer tanta asneira, de proferir aleivosias atrás de aleivosias, de manifestar uma arrogância de todo imprópria para tanta ignorância. Vá divergindo, vá, mas dê um rumo à sua política, não ande aos zig-zag, que nós não estamos aqui para nos divertirmos, mas para julgar as suas capacidades de liderar alguma acção política benéfica para o País.

03 abril 2008

Menos desfaçatez precisa-se!

Mais um paraquedista da área social-democrata chamado António Borges quer assentar arraiais no terreno político. Despedido do banco estrangeiro em que era quadro destacado quer desculpabilizar-se com tudo o que sejam desculpas de mau pagador. Para assinalar a sua entrada resolveu deitar antecipadamente uma bomba para causar o devido efeito. Não há nada como atacar o governo pensou.
O problema é que o governo que tinha rejeitado o seu trabalho até foi o do seu partido, no seguimento da rejeição por parte da Comunidade Europeia do mesmo trabalho. Na verdade o seu destempero foi tal que até o próprio ministro da economia não respondeu devidamente quando foi confrontado com a sua falsidade de que tinha sido prejudicado por este governo.
Calhou de o acto final do seu trabalho para o governo ter decorrido depois do congresso do PSD para este atrevido e descarado querer que as pessoas concluam que foi penalizado pelas suas declarações aí proferidas de que estava pronto para enfrentar o governo. A verdade é que um contrato que só trazia prejuízo para o Estado tinha que acabar em qualquer altura e só não acabou antes porque o ministro PSD disse não querer tomar essa atitude quando o seu mandato já tinha os dias contados.
Quando tudo parece ser possível uma afirmação destas não pode ser tomada como um lapso, um erro de cálculo, mas é claramente intencional, visa desacreditar os outros, quando quem a faz se coloca afinal numa posição tão vulnerável que o melhor será procurar melhor emprego. Tanto cinismo, tanta desfaçatez não têm lugar na política.

02 abril 2008

Menos autoritarismo precisa-se!

A análise de dois fenómenos idênticos, um envolvendo alunos do ensino obrigatório e outros adultos que frequentam voluntariamente uma formação apropriada tem que ter em consideração as naturais diferenças. Se nestas idades qualquer problema que surja pode ser resolvido invocando a justiça geral porque será mais ou menos displicente o efeito da sua aplicação tardia, naquelas idades isso seria terrivelmente prejudicial.
Os problemas de disciplina têm que ser resolvidos pelos órgãos próprios e próximos, de modo rápido e com eficácia imediata. Quando os problemas ultrapassam certo limiar e entram no domínio da violência intencional e perniciosa então poderá ser de pensar em reflexos só atingíveis com sanções que os corpos próprios da escola não tenham poder para aplicar.
Despudoradamente certos sectores políticos pretendem aproveitar esta ocasião, em que se debate o problema da disciplina e violência na escola, para defender a intrusão no seu funcionamento de uma lógica justicialista de todo inadequada, que meteria todas as questões na mesma embrulhada e trataria jovens indefesos e adultos como se fossem iguais.
O meio é comum às duas partes mas cada uma vive-o de modo manifestamente diferente. As duas perspectivas têm que estar bem presentes, o que não é garantido no sistema normal de justiça. Além da idade, da maturidade, há evidentes diferenças nos objectivos que cada uma das partes tem presente, na pressão a que cada um está sujeito.
Da parte do aluno é necessário ver que o próprio ensino pode ser por ele visto como uma violência inoportuna e os próprios professores têm que reconhecer nele uma certa violência implícita. Depois é muito mais natural que na sua idade haja uma presença contínua e à flor da pele de sentimentos contraditórios, contrariamente à maior estabilidade emocional dos adultos.
Da parte do professor justifica-se a preparação para a não tomada de atitudes autoritárias, principalmente quando é só o aproveitamento que está em causa e não qualquer problema de disciplina. É suficiente mostrar a autoridade só quando está alguém pretender dispersar a atenção no ensino.

01 abril 2008

Mais equilíbrio precisa-se!

“A professora tirou-me o telemóvel, pedi-lho, ela não mo deu e comecei-lhe a chamar nomes, mas não foi nada de grave.” Estas palavras dão mesmo uma ideia do ambiente de permissividade que será possível detectar nas escolas. E o não cumprimento da disciplina é um dos motivos mais fortes do não aproveitamento escolar.
A perca da atenção nas aulas, seja pela utilização do telemóvel, mesmo que só em mensagens entre os alunos, seja pela indiferença m relação ao ensino em geral ou a uma disciplina em particular, seja pelo clima de “gozo” que se tenha criado numa turma por não reconhecimento da qualidade, do merecimento ou capacidade de domínio sobre os líderes informais de algum professor, é a razão do insucesso persistente de muitos alunos.
A actuação dos professores deve ter em vista num regime democrático a aplicação de uma disciplina adequada a criar a atenção necessária ao ensino e não mais do que isso. Se conseguirem fazer isso já estão a contribuir seriamente para que os alunos aprendam a necessidade de serem disciplinados em casa e noutras actividades que venham a exercer. Se a disciplina tiver sucesso na escola os próprios alunos a promoverão cá fora.
Mesmo que os alunos mais difíceis sejam apontados às vezes como os possíveis futuros criminosos é de tomar em conta que eles normalmente aceitam activamente a disciplina na sua actividade criminosa. O que quer dizer que a disciplina é sempre funcional. Mas o que quer também dizer que o facto de a disciplina ser aceite não é suficiente para avaliar os seus méritos.
Aqui o mérito tem que ser medido pelo progresso do aluno em regime de autoavaliação e seguindo os objectivos da escola. Não se pode pretender que a mensagem que se enquadra naqueles objectivos passa melhor com autoritarismo ou com permissividade. A mensagem passa melhor pelo exemplo de equilíbrio e pela receptividade do que pelos tiques que se adoptam.

31 março 2008

Menos combatividade precisa-se!

Dizer de alguém que é combativo não chega a ser um elogio mas uma simples constatação de um facto que só assumirá um carácter positivo se o seu resultado for benéfico para a sociedade. E podemos dar de barato que a política de João Jardim tem dado bons resultados na Madeira, maugrado a sua falta de solidariedade nacional.
Diferente é dizer que tal personagem é “um exemplo supremo na vida democrática do que é um político combativo”. Porque João Jardim na sua combatividade ultrapassa demasiado as regras que devem presidir a uma disputa democrática, atropela os direitos dos outros, utiliza uma linguagem desabrida e deselegante.
Esta atitude de Jaime Gama só se entende num assomo despropositado de uma solidariedade de ilhéu. Será que também Gama se sente injustiçado pela sua qualidade de açoriano, que pensa ter sido por tal facto que nunca chegou onde pensou talvez um dia vir a chegar? O certo é que estamos cheios de frustrados que se sentem compensados ao apoiar personagens assim.
Vendo o caso pela perspectiva da solidariedade devida àqueles que vão mantendo na Madeira a chama da democracia e que pretendem elevar a democracia a patamares de civilização de que estão arredados com João Jardim, esta atitude é traiçoeira, cobarde e profundamente injusta.
Perante isto os elogios que Sócrates ou outros governantes possam ter vindo fazer em Ponte de Lima a Daniel Campelo até podem ser visto como simples cortesia. Mas que também não são solidários, não senhor. Nem revelam informação sobre o verdadeiro estado deste concelho estagnado e retrógrado.

30 março 2008

Menos busca-de-culpa precisa-se!

Neste País será difícil encontrar alguma coisa que funcione na perfeição. Acima de tudo é difícil encontrar alguém que funcione na perfeição. Há séculos que procuramos, principalmente desde Camões, que, perdido um Sebastião, se encontre algum mentecapto e imbecil capaz de “mandar” em nós. A nossa sorte parece ser que os visionários só ganham peso depois de mortos.
A nossa suprema estupidez está em exigirmos perfeição em tudo. Não queremos dar lugar aos imperfeitos, que aliás somos a maioria e nos achamos mal. Seria bom que déssemos lugar a nós mesmos, que soubéssemos viver como somos, respeitando as nossas limitações e incongruências. Seria bom que tivéssemos a imperfeição como modelo.
Um episódio simples e trivial, no sentido a que uma irresponsável permissividade levou, que não pode ser menosprezado, também não poderá assumir qualquer carácter de exemplaridade para um outro tipo de agressividade que, essa sim, representada por outros acidentes conhecidos nas escolas em que já se terá ultrapassado o limiar da violência.
A intervenção de certas figuras do Estado só se compreende porque pensarão legitimamente que é uma boa ocasião para abordar todas as questões que tenham a ver com aproveitamento/disciplina/violência. Não podem é contribuir para a confusão ao propor medidas uniformes, muito menos para a judicialização do sistema que seria erro ainda maior.
Este episódio não pode servir para encontrar inocentes e culpados. É descabido. Nem pode servir para dissecar o destino e o perfil destas pessoas específicas. É perfeitamente abusivo. Nem pode servir para exemplo, de modo a que poder prevenir outros casos a que eventualmente se apliquem medidas mais gravosas. É injusto. É um exemplo disperso a que só se podem aplicar normas disciplinares que a ele digam respeito.

29 março 2008

Menos melindre precisa-se!

A cultura que está na base daquela manifestação de agressividade de uma aluna em relação a uma professora não é grupal senão no sentido em há outras pessoas que a partilham. Também podemos dar de barato que a aluna usa manifestações de idêntica agressividade em família e que esta não conseguiu dominar aqueles ímpetos.
Há uma série de atitudes que se tornam moda e encontram receptividade num leque alargado de alunos, e procurar encontrar razões particulares torna-se um exagero, dado que por mais exaustivo que se estudasse a situação nunca encontraremos uma razão última comum a todos eles. Estas atitudes devem ter uma abordagem diferente.
Esta cultura sem dono, que nem de rua é, que não é grupal, nos termos em que nós estamos habituados a conhecê-la, teria que ser tratada ao nível de uma diminuição drástica da sua receptividade nos jovens. Só que, à falta de um poder de antecipação da nossa parte, teremos que ficar pela busca de soluções minimizadoras dos excessos, integradoras no que possível.
Aquelas atitudes podem ser resultado da forma melindrosa como pessoas sem cultura e sem preocupações éticas abordam as situações de rotura social que manifestamente existem e nos deixam muitas vezes revoltados. Mas revolta é razão e não melindre. Se uma situação se não pode resolver pela violência também não podemos armazenar essa violência e dar-lhe essa outra forma hipócrita que é a agressividade manifestada no melindre. Mas melindre que pode ter muitas outras origens.
Em relação à cultura dos salões virtuais em que os jovens se vêm mergulhados, sem muitas hipóteses de opção, em que se cultiva o ser e o não ser, em que se enaltece o que há de mais na moda em termos de comportamentos individuais, em que se não resiste ao apelo de modelos universais mas que não têm aplicabilidade prática nos nossos universos pequenos e fechados, temos de aprender a conviver com ela.
A família é a primeira entidade responsável pela fixação de limites razoáveis aos comportamentos dos seus filhos. Só que essa razoabilidade para ser bem entendida tem que ser vista dentro da cultura perfilhada pelos filhos e não dentro da sua. E dentro da cultura dos filhos tudo se pode resolver porque nela também tem que haver tempo para o estudo, as aulas, o tempo de aprender.

28 março 2008

Menos conflitualidade precisa-se!

Estudar aquela manifestação de agressividade de uma aluna em relação a uma professora necessitaria de muito mais dados que a comunicação social não colhe ou não transmite porque isso seria entrar em aspectos pessoais e poderia ser considerado abusivo. O certo é que a questão é mesmo pessoal e sem esses dados nada feito. É pura especulação.
O mais natural é que aquela agressividade se expanda ainda mais no ambiente familiar da aluna. Ou a família é exageradamente condescendente ou então o ambiente será de permanente confrontação. A não ser que, mas isso será hipótese remota, a família consiga dominar aqueles ímpetos mas não consiga educar a aluna no sentido de se controlar noutros ambientes, quando as circunstâncias permitem um relaxamento da disciplina.
Os tempos actuais são propícios até a uma certa cumplicidade que permite que se estabeleça aquilo que para nós é uma certa permissividade, mas que vai assumindo alguma naturalidade, em geral disfarçada com uma certa afectação. Quando assim é estabelece-se uma espécie de cultura de salão que, sem atingir a afectação das camadas poderosas que viviam segregadas resulta da maneira de os fracos verem e copiarem essa realidade.
Não é só a cultura de rua que influencia os comportamentos dos jovens de hoje. Até porque esta se desenvolve cada vez em zonas suburbanas mas tem cada vez menos expressão noutras áreas habitacionais. Para se desenvolver é necessário tempo para que se formem grupos com certa estabilidade e que cultivem certos valores comuns.
Aquilo que eu designo por cultura de salão é mais informal, estabelece-se em ambientes virtuais, mas não afecta menos os comportamentos individuais, ao estabelecer também modelos apelativos para quem tem, de alguma forma, necessidade de dar satisfação a uns impulsos mais conflituais.

27 março 2008

Mais contenção precisa-se!

Quando surge um problema do género do provocado pela agressividade de uma aluna em relação a uma professora é normal andarmos uns tempos a discutir o assunto, como que a tentar dissecá-lo, resumi-lo, encontrar todas as forças que lhe estão na origem e com as conclusões de um único exemplo tirar todas as ilações que possam ser aplicadas a um universo vasto de questões.
As conclusões que vencem são as daqueles que mais depressa ocorrem ao palco mediático a dar a sua sentença. Conseguir inverter a situação e chegar a conclusões diferentes daquelas que são transmitidas pelos meios de comunicação parece ser sempre muito difícil. Uma das partes sai logo à partida condenada e reabilitá-la é moroso.
Normalmente só os bons advogados o conseguem e esses a troco de muito dinheiro. Como este não sobejará por aqui, só aparecem a dar a sua opinião aqueles que querem tirar dividendos políticos desta questão. Nesta ocasião, como a oposição foi apanhada a ocupar bastante do palco mediático teve que dar logo a sua opinião e colocou todos os alunos no banco dos réus.
Em primeiro lugar não cabe aqui fazer um julgamento sumário e determinar inocentes e culpados. Depois, não havendo que procurar culpas, deve-se analisar a questão pelo lado de quem tem mais responsabilidades, sem qualquer intuito de ligar a estas quaisquer espécie de culpas de quem se tenha eximido ou sobrevalorizado o cumprimento das suas.
A professora, à primeira vista e desconhecendo os factos que antecederam os visionados, terá cometido um erro grave ao procurar ou permitir o contacto físico com uma aluna, visto para todos os efeitos e pelos colegas como uma briga a sério, como um puxar de cabelos.
Mesmo que a professora tenha sido apanhada de surpresa pela atitude da aluna não pode reagir do mesmo modo, antes deve solicitar o apoio do corpo escolar para um solução imediata sem uso da força e deixar aos órgãos intermédios ou superiores da gestão da escola a resolução definitiva do assunto.

26 março 2008

Mais paciência precisa-se!

Na Assembleia da Republica os partidos tem a possibilidade do agendamento potestativo mas na agenda mediática não o tem. Há muita coisa que se escreve, que se diz, que nisto há que preencher jornais e também há que bulir um bocado, dar umas voltas nem que seja pelos mesmos restaurantes, que as fêveras e sardinhas só lá mais para a frente virão, para que haja umas imagens decorativas, mas cujo sumo depressa se esvai.
Na impossibilidade de imporem o que lhes apetece, os líderes políticos tem a necessidade de fazer uma aposta acertada no assunto que vai perdurar. Não é só deles que depende o efectivo agendamento. Por isso a paciência tem que ser uma qualidade que os líderes tenham também. A escolha do momento próprio para introduzir um assunto na agenda é um mérito do político.
O Filipe Meneses anda para aí a dar fogo cruzado, desgarrado, suicida. Mas quem sabe, sabe e o maestro Marcelo já está a dar-lhe uma ajuda, vamos lá a ver se com umas lições isto vai! A desvalorização que este mago da comunicação vem fazendo das intervenções de Meneses e a sua valorização nas áreas que ele sabe serem importantes para a agenda mediática é um apoio que Meneses daqui a uns tempos há-de agradecer.
Meneses vai ter nos próximos tempos uma paciência que não lhe conhecíamos, mas nem esperamos que ele seja capaz de a manter por muito tempo. Transformar Meneses num líder capaz, democrático, higiénico será tarefa para o professor Marcelo se este se convencer que ele próprio nunca chegará a primeiro-ministro, mas é capaz de abrir o caminho a terceira pessoa.

25 março 2008

Mais sinceridade precisa-se!

A um político vir desmentir o óbvio não é vantajoso, nem fica bem. Claro que também não é favorável vir dizer que há qualquer coisa na sua estratégia que está mal. Há momentos em que um político só ganha em estar calado.
Infelizmente há aí um político que tem que falar sempre, sem se preocupar muito com o local, o momento, o tema e a forma. Ou antes o tema muda conforme o que está em agenda, desde que encontre forma habilidosa, desonesta, desleal de com ele atacar o governo.
Todos aqueles que estão minimamente informados de como se faz isto da política sabe que a luta pela marcação da agenda é a principal preocupação de um líder partidário. Claro que nem sempre a pode marcar, às vezes os outros actores políticos ou até acontecimentos imprevistos trocam-lhe as voltas. São as condições particulares do momento que determinarão se um líder consegue uma boa introdução na agenda e se está ou não satisfeito com a agenda quando ela é marcada por outrem.
Quando o Filipe Meneses vem dizer que tem a sua própria agenda política, querendo dar a ideia que não lhe interessa aquela agenda que os meios de comunicação registam, está a manifestar um sentimento de despeito e quando não de derrota que não abona nada em seu favor.
Meneses até se tem deixado levar pela agenda dos outros, que ele pensa que, por serem também da oposição, lhe servem às mil maravilhas para ele. E as coisas não são assim tão simples, não se pode dizer que as suas posições sigam a mesma lógica do PC ou BE. E quando o assunto sai da agenda da maneira que não lhe agrada, o que lhe resta fazer? Calar-se, mesmo contra vontade e dizer que já não segue aquela agenda.
A primeira preocupação da oposição é que não seja o governo a marcar a agenda, mas o simples facto de ser a oposição a marcá-la não chega para dizer que toda a oposição sai vencedora. Ninguém quer perder a oportunidade de dar porrada no governo, nem que se esteja a contradizer, mas é por aí que se perde a oportunidade de marcar a tal agenda com factos positivos.

24 março 2008

Mais humanismo precisa-se!

O estatuto do aluno separa aqueles que frequentam o ensino obrigatório dos que já ultrapassaram essa fase e estão no facultativo. Presentemente a fronteira é o 9º ano de escolaridade. O aluno que frequenta o ensino obrigatório nunca pode ser expulso. Por isso todas a série de medidas correctivas, recuperadores, de inserção ou reinserção na comunidade escolar, mesmo as sancionatórias.
Os artigos seguintes descrevem aquelas medidas a que é possível recorrer para obter uma disciplina sem coação física.
A velha direita quer continuar a excluir alunos do ensino obrigatório.
Artigo 26.º
Medidas correctivas
1 — As medidas correctivas prosseguem os objectivos referidos no n.º 1 do artigo 24.º, assumindo uma natureza eminentemente cautelar.
2 — São medidas correctivas, sem prejuízo de outras que, obedecendo ao disposto no número anterior, venham a estar contempladas no regulamento interno da escola:
a) (Revogada.)
b) A ordem de saída da sala de aula, e demais locais onde se desenvolva o trabalho escolar;
c) A realização de tarefas e actividades de integração escolar, podendo, para esse efeito, ser aumentado o período de permanência obrigatória, diária ou semanal, do aluno na escola;
d) O condicionamento no acesso a certos espaços escolares, ou na utilização de certos materiais e equipamentos, sem prejuízo dos que se encontrem afectos a actividades lectivas.
e) A mudança de turma.
3 — Fora da sala de aula, qualquer professor ou funcionário não docente, tem competência para advertir o aluno, confrontando-o verbalmente com o comportamento perturbador do normal funcionamento das actividades da escola ou das relações no âmbito da comunidade educativa, alertando-o de que deve evitar tal tipo de conduta.
4 — A aplicação da medida correctiva da ordem de saída da sala de aula e demais locais onde se desenvolva o trabalho escolar, é da exclusiva competência do professor respectivo e implica a permanência do aluno na escola, competindo aquele, determinar, o período de tempo durante o qual o aluno deve permanecer fora da sala de aula, se a aplicação de tal medida correctiva acarreta ou não a marcação de falta ao aluno e quais as actividades, se for caso disso, que o aluno deve desenvolver no decurso desse período de tempo.
5 — A aplicação, e posterior execução, da medida correctiva prevista na alínea d) do n.º 2, não pode ultrapassar o período de tempo correspondente a um ano lectivo.
6 — Compete à escola, no âmbito do regulamento interno, identificar as actividades, local e período de tempo durante o qual as mesmas ocorrem e, bem assim, definir as competências e procedimentos a observar, tendo em vista a aplicação e posterior execução, da medida correctiva prevista na alínea c) do n.º 2.
7 — Obedece igualmente ao disposto no número anterior, com as devidas adaptações, a aplicação e posterior execução das medidas correctivas, previstas nas alíneas d) e e) do n.º 2.
8 — A aplicação das medidas correctivas previstas nas alíneas c), d) e e) do n.º 2 é comunicada aos pais ou ao encarregado de educação, tratando -se de aluno menor de idade.
Artigo 27.º
Medidas disciplinares sancionatórias
1 — …
2 — São medidas disciplinares sancionatórias:
a) (Revogada.)
b) A repreensão registada;
c) A suspensão da escola até 10 dias úteis;
d) A transferência de escola;
e) (Revogada.)
3 — …

23 março 2008

Menos demagogia precisa-se!

Este artigo do estatuto do aluno é a fonte da polémica. Apresentado pela direita como gerador de indisciplina, por não se ficar pelo efeito puramente disciplinar das faltas, na realidade só visa a recuperação dos alunos a quem seja possível e de modo atempado convencer da conveniência em se integrarem no normal funcionamento da escola, sem exclusões precipitadas e definitivas.
A velha direita só sabe utilizar a régua e a cana.
Artigo 22.º
Efeitos das faltas
1 — Verificada a existência de faltas dos alunos, a escola pode promover a aplicação da medida ou medidas correctivas previstas no artigo 26.º que se mostrem adequadas, considerando igualmente o que estiver contemplado no regulamento interno.
2 — Sempre que um aluno, independentemente da natureza das faltas, atinja um número total de faltas correspondente a três semanas no 1.º ciclo do ensino básico, ou ao triplo de tempos lectivos semanais, por disciplina, nos 2.º e 3.º ciclos no ensino básico, no ensino secundário e no ensino recorrente, ou, tratando -se, exclusivamente, de faltas injustificadas, duas semanas no 1.º ciclo do ensino básico ou o dobro de tempos lectivos semanais, por disciplina, nos restantes ciclos e níveis de ensino, deve realizar, logo que avaliados os efeitos da aplicação das medidas correctivas referidas no número anterior, uma prova de recuperação, na disciplina ou disciplinas em que ultrapassou aquele limite, competindo ao conselho pedagógico fixar os termos dessa realização.
3 — Quando o aluno não obtém aprovação na prova referida no número anterior, o conselho de turma pondera a justificação ou injustificação das faltas dadas, o período lectivo e o momento em que a realização da prova ocorreu e, sendo o caso, os resultados obtidos nas restantes disciplinas, podendo determinar.
a) O cumprimento de um plano de acompanhamento especial e a consequente realização de uma nova prova;
b) A retenção do aluno inserido no âmbito da escolaridade obrigatória ou a frequentar o ensino básico, a qual consiste na sua manutenção, no ano lectivo seguinte, no mesmo ano de escolaridade que frequenta;
c) A exclusão do aluno que se encontre fora da escolaridade obrigatória, a qual consiste na impossibilidade de esse aluno frequentar, até ao final do ano lectivo em curso, a disciplina ou disciplinas em relação às quais não obteve aprovação na referida prova.
4 — Com a aprovação do aluno na prova prevista no n.º 2 ou naquela a que se refere a alínea a) do n.º 3, o mesmo retoma o seu percurso escolar normal, sem prejuízo do que vier a ser decidido pela escola, em termos estritamente administrativos, relativamente ao número de faltas consideradas injustificadas.
5 — A não comparência do aluno à realização da prova de recuperação prevista no n.º 2 ou àquela que se refere a sua alínea a) do n.º 3, quando não justificada através da forma prevista do n.º 4 do artigo 19.º, determina a sua retenção ou exclusão, nos termos e para os efeitos constantes nas alíneas b) ou c) do n.º 3.

22 março 2008

Menos generalização precisa-se!

Quando se analisam casos de violência, como o reportado recentemente, a primeira ideia que ocorre ao espírito das pessoas, na sua ânsia de dissecar o problema que lhe está na origem, é perguntar se é sinal de um clima de violência generalizada, se é um caso isolado, o que parece não ser o caminho certo.
Podemos dizer com certa segurança que não é um caso esporádico, mas que, sendo sinal de violência latente, só ocorre esporadicamente. Teoricamente poderá generalizar-se a uma percentagem na área da décima, não mais. A generalização mais trivial incorre no erro de juntar àqueles capazes de desencadear um espectáculo assim aqueles capazes de gozar com o espectáculo, enquanto tal.
O bom senso recomendaria que só os primeiros fossem objecto de estudo e tomada de posição já que entrar no domínio dos outros é entrar num campo tão vasto que acabaríamos por não chegar a conclusões válidas. Neste caso só a aluna em causa deve ser objecto de observação, com a sua envolvente familiar e as suas reacções típicas no ambiente escolar. Ou já é assim insolente no ambiente familiar ou reprimida só dá azo à sua insolência no ambiente escolar.
Se houvesse, como em tempos havia, um clima de medo, os outros retrair-se-iam e não gozariam com o espectáculo. Aparentemente respeitariam mas só alguns o fariam conscientemente. Hoje que o medo não é utilizado como instrumento de educação podemos com certa segurança afirmar que ninguém de entre os alunos repudiará um bom momento de riso.
Perante um ambiente de insolência criado pela aluna e a que a professora eventualmente poderia por cobro recorrendo ao apoio da restante comunidade escolar, a atitude dos restantes alunos entra no claro domínio da cobardia, de quem quer aproveitar-se de uma situação sem contribuir para ela. Mas aqui não poderemos ir muito mais além, sem cair no perigo da generalização.
É necessário encontrar as regras sociais mais correctas que possam ser aceites genericamente e que incutam em quem as tenha que respeitar o medo pela penalização social, e não só, que se lhe aplique ou na melhor da hipóteses o respeito que a esses mesmos possam merecer aqueles outros, professores, pais, políticos, etc. que têm que dar suporte a essas normas.

21 março 2008

Mais respeito precisa-se!

As manifestações de falta de respeito nas escolas são comuns e têm razões variáveis. Muitas pessoas de gerações anteriores costumam mostrar alguma compreensão para estes actos já que o que funcionava em muitas situações no sentido de garantir o respeito era o medo.
Por isso se encontram pais a dar razão aos filhos em situações em que eles vêem arbítrio da parte da autoridade. Para que isto aconteça é necessário que os filhos sejam educados no sentido de dominar os seus caprichos, de não se deixarem arrastar por um egoísmo cego. Esses pais dão sempre razão aos filhos porque são incapazes de ver para além da sua própria experiência.
A situação como a reportada num vídeo que corre por aí não é a cultura de rua a invadir a escola, antes pelo contrário, é a cultura de salão a invadir a educação. Aquela rapariga imaginava-se na sua casa, no seu quarto, na sua sala, onde é senhora de tudo e vive um mundo particular de contactos e gostos.
Esta situação, sendo a replicação na escola do que se passa ou já terá passado incólume em casa, tem que ser tratada em primeiro lugar no contexto familiar para que possa ser compreensível e tratada no contexto escolar. Se não houver reporte nas soluções de um lado para o outro a questão fica coxa e dá origem a uma mentalidade distorcida da parte do aluno.
A cultura de salão é hoje um mal tão grave e mais vasto que a cultura de rua e tem que ser tratada também a nível global. Outrora havia uma cultura que se afirmava pela sofisticação, pelo culto do sentimento de posse, de superioridade, de “finesse”. Essas pessoas procuravam beneficiar de normas de comportamento social próprias.
Hoje a fantasia permite que se criem domínios em que a imaginação sobreleva à inteligência prática, à necessidade de respeito, mais do que de pessoas, de normas de comportamento social que já não assentam no medo mas se destinam a todos e a que todos devem obediência.

20 março 2008

Menos menosprezo precisa-se!

As forças que se digladiam no PSD e que, segundo os mais optimistas, podem levar à sua desagregação são mentalmente comparadas por Meneses às forças contestatárias do tempo de Sá Carneiro. Não terão o mesmo poder, mas para Meneses convém-lhe derrotar inimigos fortes.
A realidade é manifestamente diferente. O passado das pessoas naquela altura era pouco valorizado até para não criar controvérsias e divisões que não interessava realçar. Hoje as pessoas têm um passado de que se não podem livrar sem terem uma razão forte para tal.
Ou uma pessoa assumiu há muito ser independente e apoiar os partidos segundo as suas opções e prática ou então o mais normal será ter-se colocado de um lado da barricada e lá permanecer, muitas vezes a contra gosto. A excepção será a pessoa definitivamente descrente e que adere a outro partido.
O que caracteriza a maioria dos membros de um partido é a apatia, pelo que é fácil a alguém que tenha palco mediático e seja hiperactivo afirmar-se sem que isso diga nada sobre o seu valor ou qualidade. Quando muito dirá do pouco valor dos outros.
Mas menosprezar o valor e a qualidade dos outros só porque não têm disponibilidade para aparecer nos meios aonde se afirmam os papéis políticos é desprezível. Afirmar-se criando o deserto à sua volta não foi a estratégia de Sá Carneiro. Este criou discípulos e até herdeiros lhe não faltaram.
Meneses não manifesta qualquer respeito pelos membros do PSD, pelos que têm valor próprio derivado do seu contributo social e político. Aqueles que aderem, que não pagam cotas e a quem nada se mais pede, senão votar nas directas só servem para descredibilizar o partido. Fracos por fracos deixe-se ficar com os que tem.

19 março 2008

Mais clareza precisa-se!

No seu percurso Filipe Meneses já conseguiu alguns objectivos:
1. Ocupou a zona central do palco mediático no que se refere à direita.
2. Tornou os seus contestatários figurantes de segunda e menorizou-os.
3. Marcou a agenda política do PSD com minudências em que os seus opositores se enredam, revelam as suas fragilidades e gastam energias.
4. Descredibilizou quem não se lhe opôs no momento certo e à falta doutro tema aproveita agora aquelas minudências para tirar ilações globais.
5. Criou um corpo de fiéis que acreditam num passeio triunfal por uma alameda de ignorantes e impotentes, súbditos e subservientes.
6. Deu a ideia que a distribuição de benesses passará por ele e não tem pejo em chamar invejosos àqueles que queria a seu lado.
Porém manifesta algumas fragilidades:
1. A truculência empregue na manifestação das suas ideias não esconde a borbulhagem que o ataca.
2. O alvo da sua linguagem continua a ser só o PSD.
3. A falta de definição do que é herança e rotura com o velho PSD, porque não chega fazer propostas radicais e dizer como era bom o passado.
4. A falta de um posicionamento nítido, que as pessoas percebam, entre a social-democracia e o liberalismo militante que mais sobressai em si.
5. A escolha clara de uma linguagem para se dirigir ao povo, que não o choradinho do esquerdismo ou o radicalismo da direita.
6. A escolha do sector social alvo a privilegiar: o rural, o suburbano ou o urbano, já que o corridinho das febras e das sardinhas já não atinge todos os sectores sociais.

18 março 2008

Menos capricho precisa-se!

O dirigente da oposição tem um enorme deficit de decisão definitiva. A sua hiperactividade remete-o para a tomada permanente de decisões. Quando os assuntos sobre os quais lhe cabe decidir são poucos, não tem poder, anda aos rodopios, simula sucessivas tomadas de decisão, sem se preocupar com o seu acerto, até parar em alguma versão definitiva, porque ele assim quer.
Não haverá problema para ele se um dia tiver que voltar ao assunto, dar mais uma reviravolta à questão, reerguê-la, tomar enfim outra decisão. Aliás poderá dizer que quase todos os assuntos foram já alguma vez motivo de decisão e o mundo não avançaria se não houvesse uma repensar das questões mais problemáticas. O problema está naquilo em que se mexe.
Filipe Meneses sente-se com capacidade para mexer em tudo, embora a sua aproximação à realidade seja feita unicamente com a ajuda das suas ideias gerais, das ideias dos seus modelos estrangeiros, com o seu próprio vazio e futilidade. Um bom líder não pode ser aquele que repele as ideias dos seus correligionários e se feche num casulo no qual germina as suas larvas que depois coloca no ambiente exterior a ver se sobrevivem.
Os meninos caprichosos procedem assim. Quando tem a possibilidade de ter um orçamento de Estado atrás de si são particularmente inventivos. Todos os dias têm soluções novas. E não resistem a pô-las a todas na praça pública. Que elas sejam contraditórias entre si não lhes interessa em particular. Que este modo de agir possa causar desconfiança ou implicar custos não recuperáveis não lhes interessa.
Os meninos caprichosos também se adaptam à democracia. Quando esta não tem força, fazem por realçar o seu papel de decisores, por se apropriarem eles da força, do poder. Quando a democracia impõe regras, só assumem a responsabilidade das decisões que têm sucesso, ofuscando a origem das outras. Só têm satisfação pessoal no que podem atribuir a si mesmos.

17 março 2008

Menos arrogância precisa-se!

A oposição desunha-se a procurar uma qualquer característica pessoal que possa atribuir a José Sócrates para o desacreditar. Vasculharam o seu passado, demasiado trivial para que tenha qualquer efeito a sua utilização como arma de arremesso. Acabaram por ficar pela arrogância, uma postura que na opinião dos seus críticos terá para com o povo miúdo, mas que a realidade manifestamente nega.
Era o que faltava querer que o primeiro-ministro fosse uma pessoa subserviente para quem quer que seja. As decisões do governo são quase sempre lesivas dos interesses de alguém sem que muitas vezes se não veja quem vai ganhar com isso. Quer dizer que este governo encontra sempre mais gente contra várias da suas medidas concretas do que quem as apoie.
Isso passa-se um pouco com todos os governos. Mas quando um governo como este procura conciliar os interesses do desenvolvimento nacional com o apoio aos menos favorecidos nem sempre obtém um apoio claro destes, até porque estes entendem normalmente que esse apoio ainda lhes não chega mas também não se ouvem porque não têm palco e visibilidade suficiente.
As decisões que um governo toma são a diferentes níveis e sofrem variadas contestações, são mais ou menos apuradas e quem as põem em causa sustenta mais ou menos as suas razões. O que não se pode dizer é que a dose de capricho que possa haver numa tomada de decisão se agravou com este governo, antes pelo contrário.
Quem necessita de ser menos arrogante é a oposição e particularmente certas das suas personagens, até porque a arrogância é um sentimento de carácter pessoal, que só por liberalismo de linguagem estamos a aceitar que se aplique a um governante, enquanto tal. Quem será mais arrogante que Paulo Portas? Quem o quererá mais ser que Filipe Meneses?

16 março 2008

Menos radicalidade precisa-se!

A radicalidade imposta à política nacional, em que as posições se extremam cada vez mais, tem como efeito imediato o estreitar da base de apoio de todos os partidos em presença que ambicionam deter o poder. Os outros, sem essa preocupação imediata, aparentam estar melhor de saúde do que nunca.
O abalo provocado nas certezas, ou pelo menos na capacidade de o governo conseguir levar avante as suas reformas, resultado em muito de uma oposição interna decrépita, quase imbecil, é de molde a ser necessária uma grande força e determinação do governo para o ultrapassar.
O abalo provocado na credibilidade da oposição, que já estava seriamente abalada pela inacção do seu governo anterior, resultado em muito de velhas guerras internas entre barões partidários, dificilmente terá recuperação porque o seu actual líder gosta mesmo de viver neste ambiente de bulício permanente.
Não se vê como Filipe Meneses vai conseguir meter algum tino naquela cabeça eternamente convencida que encontrou todas as verdades e que de forma constante procura ter algumas certezas. Já que não consegue juntar todas as tropas com certeza que com a sua ambição desmedida consegue que muita gente tenha a fezada e o apoie.
Não se vê como Filipe Meneses vai conseguir gerir a já pouca disponibilidade dos outros para o ouvir, para aceitar os seus golpes baixo, altos, de todo o género que dispara em todas as direcções à procura de que, seja com medo ou não, acatem a sua liderança, lhe dêem o cheque em branco, só com o qual sabe viver.

15 março 2008

Mais razoabilidade precisa-se!

Quase toda a gente fala de uma esquizofrenia colectiva, mas poucos são aqueles que aceitam a doença em si. Cada qual faz a comparação do seu próprio estado de saúde com o daqueles que lhe estão mais próximos e é normal concluir que, se não está melhor, decerto que não está pior.
Todos temos uma pressa imensa de obter um objectivo qualquer, indefinido, nunca alcançável e que portanto nunca nos dará aquilo que deste o berço ambicionamos, ter razão. Só alguns poucos, felizardos, não precisam de realizar os seus objectivos, que também os têm, para se sentirem com razão.
Alguns ainda menos conseguirão acertar nos objectivos que definiram para a sua vida e os vão realizando, adquirindo desse modo a razão que é a causa última da sua luta constante. Mas nunca terão descanso porque sempre estarão sujeitos ao apelo de mais ambição, mais ambição.
Isto de nos quererem impingir a ideia que temos de ser eternos insatisfeitos é um tremendo erro, maior ou menor conforme a sociedade em que nos inserimos e nos transmite essa ideia de trabalharmos incansavelmente em seu favor. Porque são quase todos uns cínicos, nada dispostos a cumprir pela sua parte, é uma mensagem que só tem como destino o outro.
A nossa saúde mental e a da sociedade exigem que consigamos aplicar nas nossas ambições um modelo de razoabilidade, que não é mais do que deixar de andar permanentemente à procura de ter razão, com a exigência esquizofrénica de que ninguém tenha mais razão do que nós.
Todos nós precisamos de objectivos na vida, mas os felizardos são, como atrás se disse, aqueles que não necessitam de os ver realizados para se sentirem com razão. Se todos pensássemos desta forma, a sociedade seria muito mais razoável para todos nós.

14 março 2008

O que pode fazer um político que não se preze

O nosso principal problema, visto por aquilo que se pode entender por senso comum, é o ritmo. A nós falta-nos ritmo a nível nacional, a nível local, a todos aqueles níveis que nós gostamos de deitar abaixo, nem que seja num nível como o futebol que já pusemos nos píncaros da lua. Digamos que se há níveis a que nos portamos bem, não acreditamos que seja por muito tempo.
O melhor será sempre puxar pelo ritmo, exigir sempre mais, assim nunca ficamos mal, não é por nossa culpa que as coisas não vão para a frente. Empreguemos um ritmo infernal, quem disser que não pode que se vá embora, quem não estiver disposto a esfarrapar-se que desapareça. A maioria dos políticos talvez pense que dar à língua a um ritmo assim convence alguém. E convence.
Político que se preze, se for do governo tem que estar calado que não nos vai pedir para sairmos do nosso ritmo que nós não queremos, os professores não querem, os médicos não querem, os magistrados não querem, ninguém quer, deixem-nos sossegados.
Político que se preze, se for da oposição tem que zupar neste ritmo ronceiro do governo, arre porra que não sai do sítio, não nos dá incentivos para andarmos a um ritmo mais acelerado, não dá estímulos a ninguém, nem a professores, nem a médicos, nem a magistrados.
Político que não se preze não se deixa levar pela demagogia. Porque é que isto acontece? Como é possível ter perspectivas tão diferentes conforme o local em que nos colocamos? Se a um nível nos parece haver um ritmo certo ele pode ser transferível outro nível? Como é possível encontrar o ritmo certo? Interessará ele a alguém? Podemos copiar o ritmo de um outro País?
Político que não se preza pede-nos mais empenho na laboração e menos na contestação a qualquer aspecto mais rigoroso. Político que não se preza dá sempre à língua a um ritmo que não agrada a ninguém. E não convence.

13 março 2008

As reservas do PSD já bolem

Está visto que a malta bem-pensante do PSD está bem colocada na vida e não está para se preocupar em demasia com a vida política, mesmo que dela dependam alguns dos seus tachos. Pensarão que já tiveram o seu tempo, que agora é ocasião para nova gente.
Esta questão podia ser vista sob dois aspectos, um positivo pois era bom que os velhos não ficassem toda a vida a entupir o acesso dos novos à ribalta, outro negativo porque um acesso desregrado provoca distúrbios e dá um espectáculo triste de uma multidão ululante à procura de tacho.
E isto perturba a malta bem-pensante do PSD, mesmo que a tal multidão ululante se resuma afinal a uma direcção tão truculenta que faz barulho por milhares. O problema é que esta nova gente está cheia de velhas manhas e vejam lá que já foi buscar a Salazar aquela velha fórmula de despedir o pessoal. Só querem o palco para si.
Eles querem criar um cenário em que tudo seja novo e eles sejam os maestros que possam experimentar todos os instrumentos e sons. Os outros são espectadores e esporadicamente serão chamados ao palco para compor o cenário. Até nova ordem têm que se manter calados porque todo o ruído é maléfico.
É necessário dar a ideia do seu interesse pela política e que ele assenta numa paixão desinteressada pela coisa pública. Mas eles têm que ter um tempo para pôr ordem na sua cabeça antes que pretendam pôr a ordem na cabeça dos outros.
A malta bem-pensante do PSD bem fala, mas é porque está esquecida das armas do jogo sujo, da chantagem emocional, da utilização dos sentimentos primários de pertença e de partilha. Esta nova malta está mesmo decidida a remexer no baú da história, a desenterrar sentimentos e fantasmas e a pôr toda esta gente a bulir.

12 março 2008

O veneno começa a aparecer à luz do dia

A malta bem-pensante do PSD deixou que Meneses se engalfinhasse em Mendes e tal como dois meninos truculentos chamaram todas as atenções sobre si. No fim da briga o que perdeu fugiu, o outro ficou dono do palco.
Estava visto que, se esses bem-pensantes gostavam pouco de Mendes, demasiado envolvido na baixa política, gostavam ainda menos deste febril navegante que quer recriar os tempos de indefinição em que surgiu a figura de Sá Carneiro a tentar dar um rumo ao partido e ao País.
Mas como é possível esta gente ter sido assim apanhada se não há nisto surpresa? Por comodismo, porque ninguém com valor está para se sujar na praça pública perante políticos deste cariz?
Este novo homem do leme começa a criar os primeiros enjoos mas a sua estratégia é premeditada. Quem se não sentiu bem pode já saltar do barco. O facto de a realidade ser diferente da dos finais dos anos setenta não o preocupa minimamente porque Meneses se convenceu, como médico já desclassificado, que, havendo os mesmos sintomas se deve aplicar o mesmo tratamento adoptado noutro tempo. Tanto evoluiu a medicina para nada.
Os apoiantes de Mendes estão órfãos, como órfãos ficaram os que apoiaram os dirigentes anteriores a Sá Carneiro. Os bem-pensantes são agora convidados por Meneses para tirarem da brasa a sua sardinha enquanto vão a tempo. Não duvido que alguns vão provar do veneno.

11 março 2008

Os comunistas, a vida partidária e o ensino

Os comunistas andam a tentar afectar a vida partidária. As arruaças que fazem à porta das sedes socialistas, e mesmo que seja noutros locais onde os dirigentes socialistas se dirigem, só dizem da forma miserável para que querem que descaia a vida política.
Os comunistas não são capazes de aprender com os erros do passado. Não é a sua votação que lhes permite exigir alguma inflexão na política definida pelo governo nesta legislatura. Mas poderão manifestar o seu desagrado, só que há outras formas mais democráticas de o fazerem sentir.
Os comunistas vêem sempre os socialistas como a barreira que necessitam de deitar abaixo. Se os socialistas estão no poder tentam fazer-lhes a vida negra, convictos de que tratam melhor com um Filipe Meneses qualquer do que com quem tem uma ideia coerente e moderna para Portugal. Uma ideia socialista que privilegia a liberdade, a primeira ideia que eles põem em causa.
Porque os comunistas não negoceiam com ninguém. O seu dirigente Nogueira nos sindicatos de professores é que dirige, controla e orienta todas a acção comunista no sector mais vulnerável do Estado, a educação. Que apareça alguém que tenha sido ouvido e que se não tenha deixado somente arrastar por uma acção não apropriada para discutir o que está em causa?
Os comunistas servem-se destes “inocentes” professores para criar um clima de instabilidade, em que o efeito prático de contribuir para a criação de um corpo de privilegiados lhes não interessa. Para eles o importante é não permitir que a ensino estabilize, conseguir que as ideologias continuem a influenciar o ensino, manter uma forma de financiamento num grupo rico.

10 março 2008

A invocação dos mortos na ajuda aos vivos

Um morto deixa sempre uma herança. Ao morrer atrás de si deixou uma vida, um percurso, ideias mais ou menos avulsos, mais ou menos coerentes, mais ou menos consistentes. Um morto não tem porém a versatilidade de um vivo para sabermos a sua ideia sobre um aspecto qualquer da actualidade.
Como o morto está morto para todos os efeitos, no aspecto das ideias não há herdeiros que se possam arrogar do direito de o ser, mesmo que haja quem procure estar mais próximo do procedimento que o morto adoptaria se fosse por acaso ainda vivo. Então no seu passado temos que procurar a situação mais parecida com a actual e ver qual a atitude que o morto tomou.
Pode ter sido no princípio, no meio ou no fim, mas a verdade é que há sempre uma décalage que o próprio, se fosse vivo, se encarregaria de gerir e que nós só por aproximação poderemos imaginar. Como é evidente nunca poderemos estar seguros de ter uma interpretação coincidente.
Os mortos invocam-se para nos dar razão, o que pressupõe que consigamos convencer os outros de que a nossa maneira de ver é a mais correcta. Mas os mortos também se invocam para nos dar força, o que é uma manifestação de confiança. Quem invoca os mortos para lhe dar força fica sempre a ganhar em relação a quem os invoca para ter razão.
Os comunistas invocam Cunhal para lhes dar força. Santos Silva invoca-o para lhe dar razão. Mas Santos Silva ainda cometeu outro erro. Colocou este sacripanta do Nogueira ao lado de Cunhal. Foi a maior ajuda que lhe podia ter dado. Ter Cunhal ao seu lado sem necessidade de provar que ele lhe daria razão vai-lhe afectar positivamente o ego.

09 março 2008

A política é feita também de afectos

A política é feita de afectos, de causas e das pessoas que na nossa opinião as corporizam e estamos prontos a defender. Tudo isto deve ser obtido no fim de um processo de observação e análise a que devemos submeter a realidade. Mas estamos sempre em confronto com pessoas que não se dão a esse trabalho ou só se preocupam em obter argumentos a favor das suas ideias já pré-definidas. O diálogo torna-se difícil.
Pior ainda quando estão em causa posições de poder. Aí poderá haver negociação e se todos apelam ao diálogo é evidente que se não querem ficar por aí. Daí não ser correcto acusar alguém de falta de diálogo quando é justo termos objectivos de convencer ou forçar alguém a ceder em algum aspecto.
Por isso nós podemos dialogar e fazê-lo com base apenas nas nossas ideias ou sem estarmos a negociar pensarmos naquilo que faríamos se detivéssemos algum poder. A análise do percurso político que desejamos para o País, das ideias que vistas de um ponto de vista abstracto estamos decididos a defender ou daquelas que vistas de um ponto de vista concreto verificamos ser possível implementar no País determinarão o nosso posicionamento.
De qualquer modo quando há empenho intelectual nosso, quando verificamos que as resistências dos outros também são de natureza afectiva é perfeitamente legítimo e claramente responsável que nos empenhemos de um modo afectivo na defesa das nossas convicções.

08 março 2008

Uma luta justa, a da Ministra

Melindrados, feridos ou mesmo a sangrar os professores tem que abandonar a ideia de que são um corpo especial de funcionários públicos, com privilégios especiais, horários de trabalho mínimos, férias máximas, remunerações avantajadas. Os professores não são mais pagos para serem os agentes de defesa da ideologia do Estado. Afinal para quê o Estado precisa deles se só transmitem má educação e maus princípios.
Esta visão de conjunto, resultante da permissividade com que os professores em geral, que se diferenciam deste paradigma mas delegam a sua representação em gente de má índole, não poderá ser generalizada. Porém ninguém gosta de perder benesses e se alguém lhes diz que essas benesses são direitos está normalmente inclinado a deixar-se advogar. Esta atitude passiva ou de Maria vai com as outras não é nada inocente.
A Ministra da Educação tem sido particularmente dialogante, sendo certo que ela possui do seu lado o apoio da grande maioria da população que, por mais respeito e gratidão que possa ter pelos professores em geral, não se deixa arrastar por atitudes sentimentais quando o que está em causa não é nada daquilo que os manipuladores pretendem. Os professores é que andavam enganados sobre qual o lugar que lhes cabe na sociedade.
A Ministra luta por um melhor ensino, pela construção de condições para que ele se processe melhor, que hoje sem disciplina e organização, sem empenho e colaboração não há avanço que persista.

07 março 2008

Um professor nunca mais será visto com os mesmos olhos

As lutas que os professores desenvolveram no período democrático da nossa vida colectiva não foram de modo a se verem privados de uma certa sacralização que sempre os beneficiou. Antes do 25 de Abril de vez em quanto lá havia um professor vítima da política salazarista de controlo absoluto do ensino desenvolvido na escola. A maioria calava-se.
O professor, fosse pago por quem fosse, era visto como o portador de um saber que era essencial para que nós progredíssemos. Beneficiava sempre de um sentimento afectivo positivo mesmo quando as circunstâncias da vida nos levavam a aceitar mal a escola. Os 1750 Escudos que um professor primário recebeu durante tantos anos eram uma referência para todas as outras profissões ditas intelectuais e não se destacavam delas como hoje.
A ligação que se criou nesses tempos entre alunos e professores genericamente ainda hoje se mantém. A mais íntima será com os professores do ensino primário já que o ensino era geralmente assumido por um só professor durante pelo menos um ano, mas muitas vezes durante mesmo os quatro anos de escolaridade.
As lutas que os professores foram desenvolvendo permitiram-lhes sem grandes custos alterar significativamente o seu estatuto de modo totalmente descabido em relação à maioria dos outros sectores profissionais. Beneficiaram do alargamento do ensino a todas as camadas sociais, assenhorearam-se da condução da política educativa, entraram em autogestão.
Mas os professores não têm sabido ser humildes, não tem sabido ser solidários com a restante população, não tem sabido ser leais para quem lhes confiou uma tarefa tão nobre e daí a dessacralização que se está a operar e que vai levar a que um professor nunca mais seja visto com os mesmos olhos de antigamente.

06 março 2008

Tudo por respeito e por gosto

Os professores que se têm integrado nestas últimas manifestações espontâneas/programadas dizem-se vítimas de uma falta de respeito pelo seu papel social. Na realidade o valor desse papel deve ser avaliado sob vários ângulos e tem que ser admitido até um papel negativo, que a escola seja hoje um factor de excessiva diferenciação social e até de exclusão.
O papel social do professor em abstracto é relevante mas está hoje longe de corresponder ao investimento que é feito no ensino, seja por via do Estado ou do orçamento familiar. É perfeitamente legítimo que o Estado assim como os particulares reavaliem esse gasto e os professores portugueses têm que se convencer que isso não é para agora apenas, mas terá que ser permanente e para sempre.
Os professores não gostam que não gostem deles como se fosse obrigatório gostar. Os professores têm conseguido manter bem longe da escola essa possibilidade de serem contestados, essa avaliação de qual afinal a valia do seu trabalho. E tomavam tudo isso por respeito e por gosto. Tantos anos a viver numa redoma, num mundo fechado levou-os a serem melindrosos e quando não preguiçosos.
A falsidade tem que ser afastada da escola. Uma falsidade que é verdade não está a ser posta em causa pelo laxismo que é recomendado na avaliação dos alunos. Mas isto é a um outro nível, que terá também que ser alterado por outras vias. A falsidade que se vive na escola a nível de responsabilidade ainda está por ser posta a nú.

05 março 2008

Veneração e recompensa

Muitas vezes mais valia estar calado. Eu não falo contra o direito de qualquer um de nós de falar. Mas quando se quer atingir um objectivo conjunto com outras pessoas é natural que uns ajudam ao falar, outros prejudicam claramente. Por alguma coisa há líderes, porta vozes, assessores de imprensa e até outras mais modernas para escolher o sítio, o que se diz e a quem se diz.
Os professores que se têm integrado nestas manifestações espontâneas/programadas são de dizer coisas que não deviam, aparecem como pessoas que por qualquer coisa se melindram, que se acham acima de quaisquer críticas, que querem veneração e recompensa.
Os professores não se acham funcionários como outros quaisquer, não aceitam que são funcionários embora seja no desempenho duma função que consiste o seu trabalho. Para se ser professor seria bom mas não é necessário ter espírito de missão, debaixo do qual muitos se querem acobertar. Entre os outros funcionários públicos há muita gente que dá formação, que prepara os seus companheiros melhor que no ensino para a execução das suas tarefas.
Os professores não gostam que não gostem deles como se fosse obrigatório gostar. De certo que aos alunos não se lhes pode dar o poder de gostar ou não do professor, porque lá se iria a disciplina, mas é um desplante tremendo querer que os outros sectores sociais, os superiores hierárquicos, o governo gostem dos professores que temos.
Os nossos professores não sabem viver na rua como professores e agora que baixaram ao alcatrão das cidades, trazem à baila assuntos despropositados, põe em causa aquilo que é suposto não interessar abordar neste ambiente, aquilo que devia estar reservado para ser discutido em órgãos próprios de gestão e orientação pedagógica do ensino.
Estes professores querem-se atribuir uma importância que só os regimes que apostam em fazer o controle ideológico dos seus alunos lhes dão. Eles bem sabem que já hoje a sua importância é menor, perante o ensino modular, o ensino via Internet, e será cada vez menor perante a expansão de instrumentos de ensino que não exigem uma mediação tão constante e prolongada, quando muito um leve acompanhamento chega.

04 março 2008

Mediação não se vê, mas clarificação vai havendo

No programa Prós e Contras foi proposta uma mediação. Não haverá dúvida que esse caminho podia ser seguido sem perca da dignidade de ninguém, mas a verdade é que faltará ainda muita distância para que isso seja possível na sociedade portuguesa, onde é pela crispação que se faz a mobilização das tropas favoráveis contra as inimigas. Meneses, o PCP, os sindicatos andam a juntar tropas, não andam a esclarecer o povo.
Numa sociedade em que se sabe que o demasiado legalismo é inoperante, mas mesmo assim se exige que todas as garantias e mais algumas estejam estipuladas na lei, é difícil fazer justiça por acordo entre as partes e o que se passa na política é só um aspecto deste excessivo rigor na defesa de posições próprias que dá origem a um imobilismo revoltante.
Os últimos desenvolvimentos na discussão do problema do ensino não levarão à mediação mas já vai havendo uma clarificação nas posições assumidas quer por grupos de interesse, quer por interessados, quer por técnicos, até mesmo alguns políticos se têm visto na necessidade de intervir para que não se deixe andar e depois a sociedade venha a pagar por isso.
É hábito tentar aproveitar as divergências de opinião entre políticos do mesmo partido, mas isso só faz sentido se as opiniões forem de pessoas competentes para o efeito. E neste caso é legitimo que sejam invocadas essas opiniões. São várias as que no PSD se vêm agora afirmar contra esta aliança espúria de Meneses & Nogueira, essa firma porreira.
No PCP não há divergências mas o Jerónimo já veio dizer que não vai à manif, não viesse a ter que dar um beijo ao Filipe e andar de braço dado com a direita. Ele que tão bem recebido foi em Anadia não deveria retribuir desta maneira, mas é lá com ele.

03 março 2008

Porque estas reformas são mais formais?

O interesse político imediato está a baralhar os dados desta questão tão profunda, tão marcante, tão decisiva para o nosso futuro. Ouvi ontem dizer que uma falha desta reforma que o governo tem em marcha é não se discutir o conteúdo e só se preocupar com os aspectos formais.
O problema é que muitos dos aspectos formais desta reforma já há muito estão identificados como a causa pela qual não passam outras tentativas que já têm sido lançadas de alterar os aspectos substanciais do ensino. Esta alteração é nomeadamente formal para que os aspectos formais não impeçam uma verdadeira revolução a fazer no ensino.
Uma intervenção efectiva da sociedade, uma participação interessada, mas esclarecida, dos agentes económicos, serão mais ou menos eficazes se no aspecto formal forem correctamente definidos os seus limites. Não há qualquer eficácia numa intervenção deste tipo que não passe pela presença de pleno direito nos órgãos de decisão das escolas.
A gestão dita democrática das escolas patrocinada pelos sindicatos comunistas é uma situação anómala a nível dos organismos do Estado. Na sociedade civil não se permite que quem paga não oriente, num organismo público é o Estado que deve definir a base legal em que assenta o seu funcionamento e em casos como o ensino é perfeitamente legítimo que todos os interessados participem nesse funcionamento, sem nunca se chegar ao ponto a que se chegou de que só mandam os que têm que cumprir.
Dizer que os professores estariam sempre prontos a colaborar numa verdadeira reforma centrada nas questões que têm por base o aluno é uma falácia tão grande como pretender pôr um restaurante a funcionar sem a estrutura física e sem definição das funções de cada cozinheiro.
A organização, a disciplina, a responsabilidade e a liderança são hoje a base do sucesso em qualquer domínio da actividade humana. Embora possam defender certos direitos dos professores, os sindicatos não podem ser mais os definidores da política de ensino, nem detentores de qualquer poder que possa sabotar todas as legítimas orientações dos órgãos superiores de gestão.
Para que será esta Meneses & Nogueira, uma firma porreira?

02 março 2008

Por um ensino moderno e sem angústia

Os sindicatos arriscam aqui e agora tudo. Não haverá apelo, seja dos pais, do Presidente da República, seja de quem for que os faça parar. Os sindicatos querem readquirir uma clientela que vinham perdendo. Assentaram toda a vida democrática o seu poder sobre o domínio objectivo dos centros de decisão no sector do ensino e perdendo-os ninguém mais lhes vai dar importância.
Os sindicatos puseram-se numa encruzilhada e não vão sair dela com dignidade. A sua acção tem sido nefasta, corrosiva, mais preocupada em destruir os pressupostos ideológicos em que assentava o ensino antes do 25 de Abril do que em contribuir para a definição de outros princípios que devem servir de base para um ensino moderno e sem angústia.
A não satisfação das pessoas deve-se aos problemas económicos que afectam pais, alunos e futuros integrantes do mundo do trabalho. Mas os sindicatos ideologicamente conotados não aceitam que a economia seja claramente posta no centro do problema, não aceitam que os alunos sejam preparados em função do papel que lhes pode ser atribuído na sociedade.
Resolver aqueles problemas económicos para os sindicatos é resolver a velha questão da atribuição do poder a um partido único, capaz de pôr a economia a funcionar de pernas para baixo. A verdade é que, quando isto já não passa pela cabeça de ninguém, surge esta união contra natura entre Meneses e Nogueira que pretende que tudo fique na mesma no ensino para que aquele sonho comunista ainda seja possível.
Aquelas senhoras que aparecem na televisão a defender a sua dignidade de professores empenhados foram convencidas que todas as culpas pela ineficiência do sistema lhes foram atribuídas e que se devem manifestar por isso. Nem isto é verdade, nem ninguém pôs a questão neste ponto. Alterar o sistema é muito mais do que passar atestados de estupidez a alguém.
Ficam-se pelo Meneses & Nogueira, uma firma porreira!

01 março 2008

Meneses & Nogueira, uma firma porreira!

Esta união contra natura entre Meneses e Nogueira que pretende destruir a reforma que o PS quer fazer e de que o PSD nunca foi capaz, contribui para a manutenção de um estado parasitário de muita gente que do ensino só faz uma garantia de uma boa reforma e de um vencimento condizente.
A educação é o sector que mais ministros tem tido depois do 25 de Abril, é o sector mais contestado, que mais insucesso revela entre todos os sectores de actividade a que se dedicam os portugueses. Haverá outras razões, do foro económico, do foro familiar, da falta de uma base de apoio, mas não há dúvida que os professores têm-se habituado a navegar incólumes nestas águas, sem aceitarem as responsabilidades que manifestamente lhes cabem.
A educação é o sector que mais licenciados emprega e em que pode haver um maior entendimento pela uniformidade de habilitações e de modos de vida, maior facilidade de circulação de informação entre os seus agentes. A educação é o sector que deveria estar na vanguarda da modernidade virado única e exclusivamente para o aluno, a sua razão de existência.
Da escola espera-se uma adequada socialização da juventude, a sua preparação para os desafios do futuro, para que se não sinta desadaptada numa civilização concorrencial, para vir a, se necessário, fazer várias reconversões durante a sua vida activa.
Os professores dão uma imagem de imobilismo que contradiz tudo o que seria de esperar. Os professores deturpam a informação, não servem de exemplo para alguém, inclusive para os alunos. Os professores deixam-se manipular por outros professores sem escrúpulos que dominam sindicatos e outras associações com uma perspectiva somente economicista.
Depois do Nogueira surge agora com o maior desplante o Meneses. Meneses & Nogueira, uma firma porreira!

Aqui pode vir a falar-se de tudo. Renegam-se trivialidades, mas tudo depende da abordagem. Que se não repise o que está por de mais mastigado pelo pensamento redondo dominante. Que se abram perspectivas é o desejo. Que se sustentem pensamentos inovadores. Em Ponte de Lima, como em todo o universo humano, nada nos pode ser estranho.

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Ponte de Lima, Alto Minho, Portugal
múltiplas intervenções no espaço cívico

"Big Man" 1998 (1,83 de altura) - Obra de Mueck

"Big Man" 1998 (1,83 de altura) - Obra de Mueck
O mais perfeito retrato da solidão humana