15 maio 2008

A sabedoria, a relatividade e a confiança

Estamos habituados a tudo discutir sem que tenhamos conhecimentos suficientes para o fazer. No entanto achamos isso normal porque todas as pessoas são chamadas a opinar sobre todas as questões e ninguém gosta de passar por ignorante. Aliás, valendo em democracia o voto de um ignorante tanto como o voto de uma sábio, ou tido como tal, não poderia ser de outra maneira, todos têm o direito de discutir tudo.
Depois há um campo de análise pela objectividade em que as coisas se misturam muito de tal modo que entre opiniões e interesses não é fácil distinguir. No extremo podemos ter um sábio que age em determinado domínio pelo interesse mais mesquinho e um ignorante, até por não ter interesses específicos nessa área, que dá a mais sábia opinião.
Esta relatividade não nos pode levar a querermos ser ignorantes e a dizer que todas as opiniões são iguais, antes nos deve pôr alerta para sabermos o que está por trás da opinião de cada um. No entanto esta situação tem levado a um clima de suspeição que impõe restrições inaceitáveis à prática na actividade económica e cria desconfianças intoleráveis na vida social.
As chamadas figuras públicas, que se não podem furtar a uma certa devassa da sua vida privada e não privada, possivelmente incoerente com a do presente, já estão normalmente preparadas para isso e elas próprias dão ideia de uma permissividade que quase sempre não tem correspondência com a realidade. A devassidão é mais própria de pessoas que vivem em mundos de certo modo delimitados e com regras muito próprias.
Permanentemente estamos obrigados a pôr a questão se alguém está a falar a verdade, se não está a esconder as suas verdadeiras intenções, se tem o grau de honestidade que permita confiar nele, se acha ter o grau de impunidade que lhe permita dizer o que quer. Mas estamos ainda obrigados a não ferir susceptibilidades e não meter todos na mesma panela.
Mesmo que não queiramos, somos desconfiados, embora de modo diferente em relação a cada um. Isto impõe-nos que tenhamos a sensatez suficiente para saber a panela em que devemos meter cada pessoa que se nos depara. Quando ela não está em panela que nos agrade só temos que deixar passar. Cada qual, mesmo na Internet, só consegue uma vivência sã no mundo em que confia.

14 maio 2008

Humanistas sem carta e desumanistas encartados

Expectantes, todos nós aguardamos a explosão de ideias que os staffs dos candidatos à liderança do PSD estão a preparar para nos surpreender no dia 23. Para já andamos entre o pendor mais ou menos social-democrata, mais ou menos liberal, de cada candidato. Para já apenas uma candidata nos espantou. É que ela é humanista, nova designação que quer dar ao seu espírito caritativo, de repartidor dumas migalhas que sobrem ao capital.
No mesmo dia uns dirigentes de topo, que possivelmente deveriam estar presos, se todas as leis se cumprissem neste País, vieram barafustar contra o Ministro das Finanças porque na Comunidade se está a abordar uma forma de por cobro a esta rapinagem que está a ser feita nas empresas.
As empresas não podem ser sede de um poder absoluto, tem funções sociais a cumprir, só existem porque o Estado lhes garante a existência, porque impõe a elas, aos concorrentes, aos fornecedores, aos clientes, a toda a sociedade, regras que lhe permitem ter lucros. Os gestores não podem fazer destes lucros o que querem.
Infelizmente o capitalismo permite muita fuga de rendimentos, muito desvio de fundos da função que eles deviam desempenhar. Há emprego fictício, dado a familiares, a prostitutas, para já não falar da compra de influências, de subornos, de todas as formas de corrupção. O Estado é incapaz de controlar muitos destes actos, mas é evidente que deve pelo menos ocupar-se daquilo que é uma ostentação, um abuso, um roubo: Os salários principescos dos gestores.
A tributação fiscal será a única forma que o Estado terá para lidar com este problema e deve-a utilizar com o máximo vigor. Quando os gestores já têm as suas despesas correntes cobertas por toda a espécie de benfeitorias, levar vencimento multimilionários para casa é uma situação obscena, indecorosa, desumana.

13 maio 2008

Uma forma ignominiosa que não atinge só Ferreira Leite.

O PSD é o partido que mais facilmente recorre à ignomínia como forma de actuação política. Quando há dias Ferreira Leite disse que, como era evidente, não responderia à pergunta que lhe fizeram sobre o seu voto nas legislativas de 2005, saltaram a terreiro clamando haver sacrilégio.
Embora saibamos que houve pelo menos um destacado social-democrata que não votou em Santana Lopes, não nos custa acreditar que Ferreira Leite o fez e até teria considerado a pergunta ofensiva. No entanto os candidatos que se lhe opõe para atingir a liderança do PSD acharam que ela ao evitar ser clara na resposta mostrou que não votou em Santana.
Não vi a gravação do seu depoimento, a voz, o tom, a forma de falar que com certeza dariam uma ideia de estar a achar estranha a pergunta porque a resposta seria de tal forma óbvia. Dariam uma ideia se, caso constrangida a tomá-la, a sua atitude fosse naturalmente de repúdio, ou se, pelo contrário, seria incómoda ao ponto de lhe não responder frontalmente.
Acho abusivas as ilações tiradas por Santana Lopes de que mesmo o seu desmentido não é sincero. Tal só é possível porque Santana Lopes toma a candidata pelo seu referente. E como este o considerou como uma moeda falsa, decerto que ajudou a que ele não passasse, mesmo indicado pelo seu partido.
Estaria no seu pleníssimo direito, se eles fossem democratas e considerassem que quando se vota se deve ter em consideração o interesse do PAÍS. Mas assim eles não acharam e até acharam que ele é mentirosa e indigna de estar no seu meio e toca a requerer que ela se afasta desta disputa pela liderança.
Esta desconfiança em Manuela Ferreira Leite parece pois ser uma forma de manifestarem igual desconfiança em Cavaco Silva, que tanto desejavam arregimentado à cruzada ignominiosa que já iniciaram há muito, reveladora da sua baixeza, da falta de sólidos valores. Quem são eles para fazerem julgamentos de carácter?

12 maio 2008

O significado do baronato em política

O partido que mais transfere para o plano nacional a lógica local de fazer política é o PSD. Os seus membros, eles próprios, não rejeitam, e muitos até se acham engrandecidos, em ter um sistema assim, o baronato. Por isso aqueles que pensam ser possível alterar o sistema estão enganados, quando muito serão capazes de uma nova integração e alguma substituição.
No plano local quase todos bebem do mesmo, duma estranha noção de que fazer política é estar na política, não ser preciso grande actividade para merecer um elevado estatuto e uma audição quase obrigatória naqueles temas que mais interessam, como nomeações, carreiras, mordomias. A verdadeira política pode andar aos trambolhões que pouco interessa.
O PS também sofre dos mesmos defeitos, creio que em menor escala. Estar é tão só o suficiente para que seja “permitido” que se ponham em cheque orientações do partido em questões fulcrais inseridas em estratégias nacionais devidamente estudadas, acordadas, aceites.
Os barões locais permitem-se uma autonomia de actuação que os coloca muitas vezes em clara contradição com o que há de mais consensualizado. Veja-se a associação de municípios e aí está um domínio em que muitos barões não resistem a entrar ma chantagem mais reles, na vingança mais mesquinha, no egocentrismo mais pérfido.
Não se é barão por se estar há muito tempo num partido, por se ter uma grande influência, mas já se é por se ser arrogante, por não ter espírito negociador, por se não estar habituado a fazer cedências, por se atribuir despudoradamente a propriedade de um emblema. Estes barões, resquícios do ruralismo, têm que acabar.
Felizmente que a nível nacional o PS já vai tendo uma maneira mais urbana de fazer política.

11 maio 2008

Os políticos dos projectos voluntariosos

O pior que pode acontecer na actividade política é, por falta de quadros, se irem buscar toda a espécie de oportunistas para dar satisfação às várias exigências que o sistema político faz aos partidos sem que estes desempenhem o mínimo trabalho na preparação atempada de pessoal para esse efeito. O que é necessário é colmatar esta lacuna.
O normal é que os partidos se estejam marimbando para a criação de interesse pela política e também para o aproveitamento daquele interesse que desperta nas pessoas e que estas vão desenvolvendo sem qualquer acompanhamento, de forma egocêntrica, adornando-se com umas leituras, umas referências mais ou menos inócuas, só para dizer que se está devidamente actualizado.
Quando os partidos políticos vão buscar alguém ao campo dos independentes, ou quando se entregam a alguns recém inscritos, não raro são levados por gente que dos partidos só têm aquela noção utilitária de que é a única forma de se alcançarem a determinados patamares de poder. E são levados porque normalmente é o partido que é obrigado a dar apoio às ideais destes salvadores.
É alguém com um projecto, diz-se, voluntarioso quanto baste. Ninguém, mesmo tendo o valor de ter elaborado um bom projecto, pode ser deixado em roda livre para o pôr em prática. Até porque a realidade é quase sempre mais complexa, os poderes são mais vastos, as coisas mudam e é necessário repensar projectos e limites. Um partido não pode estar sujeito à obstinação de ninguém, seja um independente ou um seu membro.
Quando alguém substitui a política pela manipulação, quando alguém cria a adulação à sua volta em vez de convidar os seus correligionários a pensarem a política e a darem os seus contributos para ela, estamos num sistema pobre e é esta uma das razões da falta de credibilidade dos políticos. Os políticos não podem ser átomos de sabedoria auto-suficiente.

10 maio 2008

Os políticos de blague

Se há políticos cuja conta corrente com o partido e com o País apresenta um claro crédito a seu favor, há muitos mais que têm um largo débito que nunca será pago. E o que é mais escandaloso é que se escondem por vergonha ou então desavergonhados aparecem na praça pública a reclamar créditos que não possuem. São os políticos de blague.
A nossa revolução, ocorrida após décadas de forçada apatia política, mobilizou gente impreparada, gente ambiciosa, gente sem escrúpulos. Como quase tudo se tornou político, como era necessária confiança política para tudo, criou-se um clima de bajulação que fez com que os piores fossem muitas vezes os escolhidos, só por serem subservientes.
Uma democracia madura pressupõe que seja diminuto o pessoal político, aqueles que estão autorizados a agirem segundo critérios políticos, sendo que todos os outros tem que exercer a sua actividade segundo os regulamentos pré estabelecidos, com critérios o mais rígidos possível, de modo a que não seja dado cabimento às suas ideias pessoais, se as tiverem, e aos seus interesses, que normalmente têm.
Em Portugal ainda estamos cheios de reizinhos, pequenos ditadores que se apropriaram dum serviço público, duma autarquia, dum departamento. Os critérios políticos que presidiram à sua indigitação e nomeação ainda hoje inquinam as relações entre serviços e entre estes e o público. E é esta gente que quer que o sistema se mantenha, reivindicando ainda mais benesses, numa lógica de carreira política que não tem qualquer consistência.
Em Portugal precisamos de gente preparada para fazer política no governo e na oposição, que possa ser convocada para exercer cargos públicos mas não necessariamente. Além de haver lugar para os técnicos, os políticos têm de ser cada vez menos e de melhor qualidade, isto é, com uma intervenção intelectual que se não fique por simples “blagues” em conversas de tertúlia ou na blogosfera.

09 maio 2008

Os empecilhos são homens que tudo devem à política

Se verificarmos a conta corrente que muitos políticos têm com o partido e com o País chegamos à conclusão que na opinião que expressam estarão sempre em condições de beneficiar de créditos que não conseguem cobrar. Desgraçados, dão tudo ao País, ao seu partido, ao seu líder e nada recebem em troca, endividam-se e não arranjam modo de vida.
Ninguém pode pedir aos políticos que sejam beneméritos, não deve ser isso que está em causa, que fiquem prejudicados na sua vida. Se não gostarem, se não se sentirem disponíveis para trabalhar para a comunidade procurem outra vida, mas não nos chateiem. Um dia André Gonçalves Pereira disse que, sendo Ministro dos Estrangeiros de Balsemão não ganhava para os charutos, mas que o fazia por um amigo.
Como o País é feito de amigos e aquele amigo lhe pediu para servi-lo, aceita-se que indirectamente o faça. Também não são necessárias retóricas sobre a Pátria. O homem tinha forma de suportar o seu luxo porque ganhava menos de cem contos e cada remessa diária de havanos custava-lhe à volta de cinco contos nessa época. A verdade é que, se ainda tem créditos, já há muitos terá desistido de os quebrar.
Pelo contrário há outros que tudo devem à política, mas que quando atingem determinado estatuto começam a funcionar em roda livre. Isto é, não consideram que o que a política lhes deu e aquilo que a sociedade lhes pagou para chegarem aonde se encontram deve ser considerado a seu débito porque nunca lá teriam chegado sozinhos e nunca o conseguirão pagar.
Não se trata da pura contabilidade monetária que o partido comunista faz com quem o serve. Trata-se de partilhar com os que de alguma maneira colaboraram, contribuíram, apoiaram ou simplesmente pagaram as mordomias de que beneficiaram, o seu conhecimento, a sua ajuda ou, o que ás vezes não é menos importante, o seu afastamento da frente dos outros, quando se tornam apenas empecilhos de uma actividade política salutar.

08 maio 2008

A chantagem é a prostituição da política

Não sou contra o facto de os políticos terem uma conta corrente com o partido, com o País, com quem quer que achem importante ter. Mas que usem essa conta-corrente continuamente para dizerem dos créditos a seu favor que ainda não estão devidamente cobrados parece-me de uma imoralidade, de um desplante, de uma desfaçatez, de um ridículo pedante.
Ninguém, quando está convencido da justeza dos seus actos, gostará que os desvalorizem. O problema está na natureza dos créditos de que eventualmente podemos e na nossa perspectiva devemos ou não beneficiar. Se os créditos esperados são morais parece que estamos todos de acordo, mas o político tem que estar preparado para os não receber.
No entanto há políticos que estão de tal modo convencidos da sua justiça que se agarram mesmo em desespero não prescindindo de os cobrar. E aqui é que reside uma questão crucial. É que ninguém se dá ao trabalho de cobrar créditos morais. O que as pessoas defendem quase sistematicamente é a sua transformação em créditos materiais, seja através da manutenção num lugar, na progressão na carreira, em metal sonante.
Mas o problema maior está na chantagem que é feita, a que se quer dar muitas vezes um ar normal, e em que tudo se mistura, se admite trocar de género, desde que o resultado final seja favorável ao chantagista. E a chantagem mais fácil de fazer é a feita sobre os colegas de partido, que no geral apresentam as mesmas vulnerabilidades e se deixam mais levianamente “enganar”.
Claro que a população em geral também se deixa enganar. Senão a chantagem de concorrer de forma independente a uma Câmara Municipal não teria qualquer efeito, porque o que devia mas não espera ao chantagista é a marginalização. O chantagista é o prostituto da política.

07 maio 2008

Os pobrezinhos, a caridade e a falsidade

A Direita Nacional tem uma especial predilecção pelos pobrezinhos. São os pobres que lhe vão permitir ascender ao reino dos céus. Ajudar os pobres é uma tarefa tão meritória, tão meritória, como ajudar a retaguarda foi importante no tempo do movimento nacional feminino. Que então não se falava de pobreza. Éramos um País rico, senhor de um império colonial.
A lamechice nacional mete nojo. Lutem por um posto de trabalho, criem-no se puderem, dêem trabalho a quem precisa, mas não digam que resolvem as questões desta maneira asquerosa, manipuladora, que expõe toda a espécie de misérias, sejam materiais, sejam morais, perante a comunicação social e o País. Quem hoje se não sabe lamentar na televisão?
A caridade é uma das marcas da direita nacional. Para ela não se fale em solidariedade, em integração social, em igualdade no direito ao direito de ter uma dignidade idêntica, seja-se poderoso ou não. Mais do que uma situação, a pobreza é um ferrete que a direita gosta de espetar no corpo nacional. Quando está no poder farta-se de diferenciar a sociedade e de etiquetar as pessoas.
Então esta preocupação com as classes médias que se estarão a empobrecer é de ir às lágrimas. Não dizem que é por haver uma grande concentração do capital numa classe alta cada vez mais isolada do todo nacional. Não dizem que é porque as classes altas se diferenciam cada vez mais que a classe média contribui mais para a necessária solidariedade que, um pouco forçadamente é certo, pratica com as classes mais baixas.
Esta caridade ostentadora não é maneira de resolver as questões. Não há forma mais iníqua de praticar a caridade do que a caridade generalizada, à custa dos outros. A caridade é pessoal não é social. Ao menos sejam como o cónego Francisco Crespo que no D.N. de 22/04 afirmava com uma clareza meridiana: “Não podemos aceitar só pobrezinhos (num Asilo) senão não sobreviveríamos”. Estes mais necessitados, os pobres que se lixem.

06 maio 2008

A importância da Internet numa relação saudável com o universo

Os velhos têm sempre a ideia de que os jovens beneficiam de demasiadas facilidades. A maioria entende mesmo que foi criada no ambiente ideal, afora o problema da alimentação que não seria tão cuidada como hoje. A verdade é que o ambiente de uma grande maioria foi demasiado inóspito para aquilo que nós consideramos uma sensibilidade média.
O ambiente dito não apropriado dos jovens de hoje, por ser demasiado benévola com eles, não é criação de quem tenha experiência, porque se vê que então seria diferente, é antes a criação de um acaso, resultado de uma ausência de responsabilidade, produto da confluência de uma série de forças que se desenvolvem para dar solução a outros problemas e que os jovens aproveitam em seu favor.
Exemplo disto é a Internet, instrumento poderoso cujo objectivos são por de mais de elogiar, mas que tem uma utilização em muitos casos descabida. Por isso não pode deixar de se dizer, mesmo que com uma onda tão fraca, que era bom que se utilizasse a Internet para o cultivo e o culto do Belo.
Por mais inóspito que tenha sido o nosso ambiente jovem em termos de facilitar a criação de uma sensibilidade douta, estamos sempre a tempo de a cultivar, de nos prestarmos ao culto da beleza, única forma de nos relacionarmos de uma maneira saudável com o universo todo.
Se nos convencermos que o Belo nos pode surpreender, mas que nós também o podemos procurar, conseguiremos ser menos soturnos. A Internet pode desempenhar um papel de extrema importância neste domínio.

05 maio 2008

Da agricultura à sociedade industrial

Acabou o tempo da comida barata, é apresentado hoje como uma declaração inteligente. Se considerarmos este barato como o político, aquele que nos tem sido impingido desde que existe sociedade industrial, desde que as cidades cresceram sem controlo, desde que o consumismo foi elevado ao mais alto patamar da realização humana, está certo.
A primeira preocupação da sociedade industrial e dos políticos que a representam, sejam de direita ou de esquerda, desde que minimamente sensatos, tem sido a reprodução da força de trabalho, isto é, a garantia de que o povo trabalhador é bem alimentado para produzir e ter filhos que lhe dêem continuidade. O abastecimento das cidades sempre é a primeira função de qualquer governo.
Só quando a agricultura começou a produzir excedentes que pudessem ser conduzidos para as cidades é que nasceu a civilização urbana e com ela todo o progresso, mas também toda a avidez que caracteriza hoje o homem. O Oriente fértil, o Vale do Nilo, a revolução agrária da “enclosure” britânica, a introdução da batata, do milho de maçaroca e outras culturas americanas, a agro-indústria do frango de aviário, da pocilga, do estábulo deram origem a civilizações evoluídas.
Mas sempre houve avanços e recuos, progressos rápidos e desaparecimentos bruscos de civilizações. Sempre estas se fecharam dentro de si e acabaram assimiladas por outras mais atrasadas. O que hoje se impõe é que refreemos a nossa avidez para que se construa um mundo mais equilibrado em que nós não vivamos à custa de um parte do mundo que ainda tem na agricultura boa parte da sua actividade. Não queiramos que o barato do político seja a miséria de milhões.

04 maio 2008

De irracionalidade estamos plenamente cheios

A Humanidade parece encontrar-se num labirinto, tornado beco sem saída. Seguimos por um caminho e deparamos com um fim por efeito dos recursos limitados, do efeito de estufa, das coisas imprevistas. Então todos nos preocupamos em arrepiar caminho e seguir por nova via. Mas eis senão quando o mesmo problema com outra face se nos depara e nos vai retirando a esperança de prosseguir.
Por sorte algumas daquelas calamidades anunciadas estão posta definitivamente de lado. Que os medicamentos nos tornem cada vez mais dependentes parece ter sido um erro de análise que os factos vêm desmentindo continuamente. A esperança de vida aumenta, as condições em que se passa a velhice melhoram. Que os alimentos não iam chegar também parece não ser o caminho do apocalipse. O problema é agora e sempre a energia que nos ameaça esse domínio essencial.
Quer dizer que só há uma ameaça à Humanidade, ela própria, que nos prepara um fim bem menos digno. A ambição de todos os homens de esticarem os seus braços até ao infinito, de chegarem com as suas pernas ao insondável, de farejarem os odores do túmulo do universo, de olharem o esplendor das cores inimagináveis, de ouvirem o ribombar do nascimento das estrelas, de falarem com os seres voluptuosos das entranhas universais.
Ao homem não lhe chega estar, contemplar, sentir. Ao homem não lhe chega aquilo que a ambição dos outros já conseguiu, mas ir mais além. Ao homem não lhe chega ser racional, ambiciona que, quanto mais racional for, mais esplendorosas serão as suas construções que, para terem algum valor, terão que comportar dose suficiente de irracionalidade.
De irracionalidade estamos plenamente cheios. A irracionalidade de exigir aos governos, a todos os governos do mundo o máximo de progresso, o máximo gasto de energia e de condenarmos todos os malefícios que esta, aquela, aqueloutra e outra e mais outra e todas as energias directamente ou indirectamente farão ao universo.
Mas por incrível que pareça vemos mais depressa os efeitos indirectos do que os directos. A nossa esperança é que a crise alimentar, que dizem se avizinha, sirva para pensar no que está efectivamente mal e não só para a habitual lamechice nacional de querer virar todas as atenções para os pobres, com uma caridade de meia tigela. A pobreza de espírito está em todos e em especial nos ricos.

03 maio 2008

Falta o expoente maior do nosso individualismo

Em política cada qual julga estar a agir com uma racionalidade superior à do vizinho. Há políticos que gostam de obter vantagens à margem do jogo democrático, quando lhes parece que esse jogo lhes não é favorável, não é racional. Mas tudo tem limites e às vezes é melhor não esticar demasiado a corda porque o tropeção pode ser muito grande.
Daniel Campelo ter-se-á apercebido que era melhor abandonar o aliado de momento, Defensor Moura, e procurar integrar-se com o mínimo de percas neste novo percurso a fazer com os outros autarcas do Alto Minho. Não se terá rendido à democracia mas rendeu-se de certo a razões práticas que na política não são despiciendas.
Enfim a posição de Defensor Moura não tem agora qualquer suporte e de certo também os seus seguidores de Viana do Castelo já se vão apercebendo que sem haver cedências não haverá acordos e em consequência os milhões da Comunidade para este distrito que, antes de ser humilhado, se não tem apresentado com a dignidade devida.
Defensor Moura é tão só o expoente de um individualismo que tem feito que todos paguemos caro, com um atraso desmedido, a nossa incapacidade para criarmos projectos que nos unam, em que todos nos empenhemos, em que os esforços individuais criem sinergias que nos favoreçam a todos. Desta vez não temos desculpas pois quem nos humilha é um dos nossos.

02 maio 2008

Ainda não será possível ver para que lado corre a água?

Este correr de muita gente afim para a entrada de cena cria uma espectáculo triste, deprimente. Se houvesse diferenças acentuadas justificar-se-ia, mas em muitos casos não se consegue descortinar razão para tantos parecidos permanecerem em cena.
Se João Jardim quer avançar, mas só o faria se todos desistissem para ele ficar contra Ferreira Leite e depois contra Sócrates, e para já o não faz é compreensível que Santana Lopes se mantenha na corrida, mas poderia ajudar a incentivar os outros à desistência, tipo também eu desistirei se todos desistirem. Velhas amizades e cumplicidades justificariam.
Além de ficar de bem com o João, como sabe que há quem ponha liminarmente essa hipótese de lado, a sua candidatura estaria sempre garantida. Mas também não há dúvida que enfraqueceria muito a sua posição, colocar-se à priori como substituível por uma hipótese longínqua.
Não se está a ver é o papel que o João pretende ocupar. Porque é que sentiu a necessidade de fazer mais esta cena de colocar pela segunda vez os seus rivais perante a hipótese de desistência a seu favor. Não estaria ele à espera que, depois do primeiro momento de verdade no Conselho Nacional do PSD, Santana Lopes não avançasse?
Segundo este diz o João teria desistido expressamente de se candidatar. Haveria erro de interpretação, admita-se. Mas porque esta persistência em remeter uma decisão final para o último dia do prazo regimental de candidatura?
Os momentos de verdade, em que se tomam decisões irreversíveis, raramente coincidem com essas datas de calendário. Mas a verdade é que os prazos existem para que as pessoas tenham tempo para ver para que lado corre a água, e o João ainda não viu. Nós ainda não vimos.

01 maio 2008

A última oportunidade do João

Quem lhe podia dar uma oportunidade parece não estar disposto a fazê-lo. Seria útil ouvir da boca de João Jardim as propostas para a reestruturação do Estado que existe. Afinal que Estado quer, que funções lhe atribuir, que funções entregar à iniciativa individual. Nas actuais circunstâncias a sua voz confunde-se com a de todos os contestatários, como sempre tem sucedido aliás, e isso não ajuda até quem genuinamente o quer ajudar.
Mas acima de tudo penso que no PSD ninguém o quer ajudar. Todos têm vergonha dele. Querem-no afastado, lá longe nas ilhas, sem dizer as suas tradicionais baboseiras aos ouvidos das pessoas mais sensíveis. Também acho que só João Jardim se não terá apercebido disso há muitos anos. Aliás ele parece que sempre quis que lhe pagassem para não falar muito.
Muitos nunca chegam a viver o seu momento de verdade. Talvez porque hoje a esperança de vida é maior, porque os acontecimentos ocorrem a uma velocidade nunca vista, já muitos podem protelar até mais tarde esse momento. Mas sinceramente não terá corrido bem aos que têm feito isso. Expuseram-se quando já não tinham nada a mostrar de novo.
O momento de verdade vai chegar para muitos políticos do PSD. Muitos que já tiveram apoio ver-se-ão abandonados. Não podemos viver estas situações como fonte de qualquer prazer. Temos que as ver como uma necessidade de clarificação. E quem, abandonado, quiser algum dia voltar a disputar uma nova oportunidade deve pensar se não está a prejudicar o País.

30 abril 2008

O pior da política local talvez more por aqui

Nós, que tão exigentes nos mostramos perante o governo central, somos de uma permissividade confrangedora em relação ao poder local. Quase todas as pessoas têm a convicção que é praticamente impossível ganhar o poder local, a não ser que quem o detém o perca. Quem lá está terá que cometer uma grande barbaridade para o perder.
Acho que se enquadra muito bem nesta categoria o tipo de atitudes que o Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Defensor Moura, tem vindo a praticar. Rejeitar a adesão a uma associação intermunicipal imprescindível para enquadrar uma série de projectos que há que desenvolver a bem desta terra já tão prejudicada é perfeitamente lamentável.
Defensor Moura pretende enganar o eleitorado do seu concelho apresentando-se como defensor irredutível das suas prerrogativas como o maior concelho do Alto Minho. Só que não apresenta qualquer caso em que por efeito das regras que presidirão à Comunidade Intermunicipal do Minho-Lima possa vir a ser prejudicado. As regras da associação em que actualmente está integrado, a Valimar, não lhe dão maior poder.
O medo de Defensor Moura é não poder manipular os outros cinco municípios como o faz em relação aos da sua associação. A sua política é a da facilidade, não quer arriscar, sente-se bem com o Daniel Campelo, ainda se não sabe se este o vai apoiar, mas para já há uma aliança que só tem de estranho o facto de serem de partidos diferentes.
Estes políticos que gostam de obter vantagens à margem do jogo democrático estavam bem no mesmo partido. Já houve quem lhe chamasse do queijo limiano, mas acho que devem ser eles a escolhê-lo. Mas os partidos decentes têm de se livrar de gentes desta.

29 abril 2008

A última oportunidade para o PSD, tal como existe, dizer que Estado quer

É natural que um certo frenesim venha a tomar conta da campanha eleitoral de alguns concorrentes à liderança do PSD. No entanto para já existe uma estranha calma, quase só perturbado por uma espécie de ressonar vindo do lado de lá da Madeira. È um ressonar nervoso, não vá o homem sofrer algum ataque cardíaco. Nós queremo-lo vivo.
No fundo, como ninguém quer romper com uma prática, como não há para aí tantas ideias como seria desejável, o melhor era o João avançar, teríamos talvez algo a ganhar em o ver ao leme deste País, pelo menos virtualmente, para avaliar os seus méritos e afinal a têmpera do País, se este se deixa manipular por alguém com as suas características.
Manifestar medo em relação a este demagogo é não acreditar em nós mesmos para desmascarar a sua pouca consistência e na melhor das hipóteses para ele na capacidade das restantes instituições para controlar as suas tentativas de subversão do regime.
A manterem-se as coisas como estão, arriscamo-nos a ver os mais aguerridos a reservarem-se para outra ocasião e a preferirem o discurso delicodoce do Passos Coelho para ultrapassarem esta fase mais complicada. Por este andar só nos vamos limitar a ver um pouco já fora do contexto a discussão que Santana Lopes e Ferreira Leite desejaram ter em meados de 2004 sem que essa oportunidade se apresentasse.
Será que Sócrates nada fez entretanto? Sem dúvida que lhes amaciou o caminho, clarificou a situação financeira do Estado, definiu melhor as funções do Estado, reduziu os poderes cooperativos, tornou mais claro o papel dos lobbies. Sócrates não quebrou espinhas, não anulou todas as prepotências existentes na nossa sociedade mas retirou obstáculos a uma reestruturação do Estado. Seria interessante saber o que estes dois propõem.

28 abril 2008

A última cartada de muita gente

O alargamento do tempo de campanha eleitoral para a liderança do PSD pode vir a revelar-se um penoso percurso que os candidatos têm que percorrer. Não se sabe bem o que de novo eles venham a dizer, nem que diferenças vão manifestar durante os debates directos ou indirectos que se seguirão. Mas pelo menos alguns vão-se sentir cansados.
Até João Jardim vai ter tempo para pensar e repensar que não está posta de parte a hipótese de ele avançar, mesmo que à última hora. Aliás retirando um certo fraseado típico de JJ podemos dizer que ele já é candidato embora o seja com fortes possibilidades de desistir à última hora. Tudo dependerá de ele antes querer jogar a sua última cartada agora ou depois das eleições de 2009.
O problema para a maioria deles está mesmo em ser a última cartada. Mesmo que subitamente muitos entenderam que tinham que ir a jogo, que não havia mais hipótese de adiar, como vão ter que dar tudo por tudo, apertados que estão contra a parede. A parede do seu tempo e a parede da ambição do partido de chegar ao poder. João Jardim ao colocar a sua candidatura com os condicionantes que apresenta é o único que pode protelar até depois das eleições de 2009 a última oportunidade da sua vida. E em certo sentido Passos Coelho, neste dependendo dos votos que venha a ter.
Muitos vão ansiar que este período de debate interno passe depressa. JJ é mesmo de opinião que lhe devem entregar tudo a ele que com o povo ele se entende bem. Mas mesmo que o debate se comece por fazer entre figuras, sem curar de saber as suas ideias fundamentais, não haverá dúvida em ninguém que o debate terá que resvalar para coisas sérias. Esperemos.

27 abril 2008

As grandes vítimas nunca se resignam

Há imensa gente a apresentar-se como vítima. Deve haver mais lugares disponíveis para as vítimas do que para as pessoas com sucesso. Mas aqueles que levam a sério a sua vitimização depressa se apercebem que afinal ela não é assim tanta que chegue para satisfazer o seu ego.
Então vá de arriscar de novo, submeter-se a novo processo, arriscar o impossível, se necessário, para que a vítima tenha afinal bons motivos de se queixar, alguma consistência própria. Filipe Meneses e Santana Lopes são pessoas desta estirpe que nunca se quererão sujeitar a ficar para a história como vítimas infelizes de uns amigos traiçoeiros.
Tanto um como o outro virá as vezes que for preciso à luta, não para que o seu nome seja limpo, que não o acham sujo, mas para que mesmo como vítimas apareçam na sua verdadeira grandeza. Uma vítima que se preza não pode ser amesquinhada, tem que ser altiva, dominadora. E tem que dizer presente sempre que se acha solicitada.
João jardim é uma falsa vítima que nunca saiu do seu quintal, que nunca arriscou ser apunhalado pelas costas. Por isso Santana Lopes se acha na obrigação de avançar, ele que dá o corpo ao manifesto, que tem andado por cá, mesmo quando não querem que ele ande por perto.
O Jardim só ganha votos no seu sítio, nunca provou que do lado de cá dessa fronteira natural que é o mar ele conquiste mais votos que os outros para o seu partido. Santana Lopes sabe o que é ganhar tendo que se fazer ao mar alto, nem que as suas viagens sejam só até à Figueira ou a Lisboa, tem que competir com amigos e inimigos e não lhes pode chamar tolos.
Santana Lopes sabe a que nível pode baixar e não há dúvida que não é o mesmo do João Jardim. Pode-nos incomodar muitas vezes, mas Santana Lopes é um político civilizado que, como outros, só condescende com João Jardim porque ele está longe e ainda se não terá posto a jeito para levar uma estocada. Nunca foi tão generalizada a rejeição das suas atitudes folclóricas.

26 abril 2008

À procura de uma nova derrota ou o desejo de renovação

O PSD transporta consigo uma série de questões mal resolvidas entre os seus dirigentes. Alguns odeiam-se, alguns somente se não podem ver, outros toleram-se a contra-gosto, poucos se gostam sem artifícios. Estas questiúnculas continuarão, possivelmente até sempre, maugrado haja já quem faça convites para que alguns se vão embora.
Uma bonança temporária conseguir-se-ia se o PSD resolvesse esta crise com um salto em frente e a eleição de João Jardim. Talvez alguns tivessem vergonha e batessem com a porta, mas não sei porque é que a sarna só os preocuparia se ele viesse para o continente. Talvez fosse um preço caro a pagar mas decerto que o homem adquiriria outra postura e linguagem.
Creio porém que a disputa se ficará entre aqueles que ainda são a favor do controle do deficit e os outros, os mais faladores que se estão a marimbar para ele, o que lhes interessa é alargar o cinto, sejam quais forem as consequências, tenha-se ou não a Comunidade aí à perna, a castigar-nos por esse inacreditável atrevimento.
Com Ferreira Leite na corrida o tema não pode ser escamoteado e só por esse facto a sua candidatura era necessária. É bom que antes da campanha eleitoral nacional este tema seja debatido no PSD. É bom que haja no PSD quem não ande a prometer construir castelos na areia.
Ninguém duvidará que no espaço político do PSD haja técnicos competentes e gente que, se tivesse oportunidade, teria sucesso na política. O problema é que as câmaras só se viram para indivíduos da estirpe de um António Borges, que quer reduzir o seu mau carácter a uma questão de permitir que acreditem nele ou não.
A renovação do PSD ainda se não fará nesta campanha. É evidente que ela só poderá ocorrer se for forçada. É necessário uma nova e boa derrota para que isso aconteça. Também quero contribuir para isso.

25 abril 2008

O 25 de Abril, vergonha ou vaidade?

As divergências sobre o 25 de Abril estão mais esvanecidas, mas nem por isso esquecidas. Aliás a atitude tomada nessa ocasião ainda hoje condiciona pessoas e partidos políticos. Atribuem-se culpas pelo mal causado aos muitos que se opuseram às atitudes aventureiros de uns poucos, como aos poucos que tentaram ser vanguarda dos muitos.
Normalmente nem se fala em bem, ou fala-se de rompante. Se alguém diz bem, aparece logo um desmancha-prazeres dito de esquerda, às vezes algum bandalho qualquer que não viveu o negrume do fascismo ou nessa altura se conformou a dizer que bem não, poderia ter sido, mas aí uns contra-revolucionários estragaram tudo, isto com uns insultos à mistura.
Ou então é um retornado, ou coisa parecida, que atalha logo a dizer o crime que foi cometido, quanta terra ficou do lado de lá do mar, quanto sacrifício se terá perdido, quantas pessoas foram maltratadas sem razão. Mesmo os partidos da direita vão buscar ao passado do pós 25 de Abril razões para justificar medidas gravosas que querem hoje tomar.
Quando se falam em pessoas que quiseram ter uma intervenção que excedia a sua dimensão e a dimensão económica, social e cultural do meio e de outras que se dizem terem sido ignoradas e colocadas à margem, daquelas pessoas cujos actos foram feitos com um propósito, mas que os condicionalismos tornaram relevantes, ninguém se entende sobre a sua importância relativa.
Por tudo isso é bom viver o 25 de Abril, recatadamente, sem grandes alaridos e sem tentativas de aproveitamento. Mas não há dúvida que os jovens precisam de entender o presente e para isso é necessário conhecer o passado.

24 abril 2008

Santana Lopes será capaz de dizer o que quer?

Ele bem disse que ia andar por aí e cumpriu. Foi fazendo umas tentativas para se fazer à pista, até que sempre conseguiu a aterragem desejada. Santana Lopes não nos vai largar. Há-de ser velhinho, talvez caquéctico e de bengala e ainda o vamos ter que aturar.
Esta figuras que a sociedade cria têm estas virtudes. Elas são genuínas, dão a cara a características que a sociedade aprecia, de que a comunicação social gosta. Se a criatura se vira contra o criador está o caldo entornado, mas Santana Lopes não cai nesse erro, sabe dosear os seus ímpetos, moderar as ambições, gerir as benesses possíveis que o poder lhe dá.
Como espelho da sociedade Santana Lopes tem a pior das qualidades que um político pode ter: tem muitos amigos, sem que se lhe conheça um verdadeiro. E tem inimigos de estimação que lhe vão fazer sempre a vida cara, que ele, com aquela cara nasceu também para sofrer. O cariz viçoso que transporta dá origem a muita inveja. Tanto sorriso inquieta os agnósticos.
Não sei se ele tem esperança de ganhar esta disputa fratricida por uma liderança que nunca foi tão temporária. Ele conformar-se-á com a marcação da sua posição e uma votação significativa, para se posicionar como alternativa, como reserva sempre pronta a avançar. Mas se ganhar dificilmente este partido ficará como está. Entregue de vez ao populismo, será impossível a alguém sério vir a reconquistar a sua liderança.
Santana Lopes é já quase o único que se apresenta como o legítimo herdeiro de Sá Carneiro. Na confusão que é o PSD, são cada vez mais as vozes que clamam por uma clarificação doutrinária. Também a tradição que ele quer representar precisaria de uma actualização e modernização. Será Santana Lopes capaz de dizer o que quer?

23 abril 2008

O boato deixa sempre alguma sujidade

O boato progride melhor nuns meios do que noutros. Não digo que deslize melhor em meios mais atrasados para não ferir a sensibilidade de algumas pessoas que lá vivem e se deveriam portar de modo diferente, mas se sentem bem mergulhadas no mesmo mar de lama em que vivem muitos que infelizmente não têm meios para de lá sair.
Infelizmente até por razões políticas se exploram hoje os boatos e é uma das razões porque muitas pessoas “bem formadas” aparecem como os primeiros a lhes dar seguimento. Mas é o meio que vai caracterizar o boato. Este surge como a conjugação de dois ou mais factos que tem entre si alguma verosimilhança. É a imaginação do meio que vai criar uma série de outros factos que agregados vão dar origem ao dito boato. E este será tanto mais sujo quanto mais ordinário for o meio.
Para as pessoas ditas “normais” o boato pode não ter qualquer fundamento, mas há sempre quem veja ligações que muitas vezes não existem. Normalmente são as pessoas menos “vividas”, mais abstrusas, que têm uma imaginação mais fértil, mais doentia. Por isso os meios atrasados são os mais perigosos, não como geradores, mas como difusores do boato.
Com o faz por ignorância, não o fará por maldade. Mas como o boato deixa sempre alguma sujidade, a verdade é que nenhuma ignorância é inocente. Há muita gente sem qualquer hipótese de se limpar daquilo que resta, até quando o boato cai por ele. Aqueles que têm meios não se limpam facilmente, aqueles que os não têm conformam-se a esperar que o tempo lhes dê razão.
A maioria de nós gostaria de viver num meio sem boato. Para isso é necessário que as pessoas não tenham medo dele e o abortem à nascença ou desmantelem no seu percurso expansivo. É legítimo exigir o silêncio sobre um boato quando ele tem algum fundamento mas o facto que lhe deu origem pode ser resolvido dentro do meio que o gerou e em tempo útil, sem causar prejuízos aos envolvidos.
Não é legítimo querer manter com o estatuto de boato aquilo que é referido em organismos públicos. No caso da Santa Casa haverá generalizações abusivas, se há prejuízos já feitos há que os minimizar explicando a todos os intervenientes o que está em causa: a integração normal de alguns jovens com problemas numa sociedade fraterna.
Há também que excluir a grande maioria dos jovens internados dessa confusão que se criou, não deixando que a eles chegue alguma sujidade que paire no ar. Mas não é mandando calar, como alguns pretendem, que se consegue nem isso, nem a recuperação dos que enveredaram por alguma delinquência.

22 abril 2008

A maledicência é a fonte do boato

Quando as notícias escasseiam e não se expandem pelas vias normais, os que não estão interessados na sua difusão apelidam-nas logo de boato, não lhes interessa a veracidade. Notícias falsas, tendenciosas não faltam e também não deixam de ter acolhimento nos meios de comunicação.
Só que estes também encontram muitas barreiras à sua missão. Quando procuram confirmar a veracidade das suas informações, muitas vezes deparam com um muro de silêncio, uma recusa a colaborar no esclarecimento das questões, um refugiar no seu carácter pretensamente pessoal porque convém, como se todas as coisas não tivessem aspectos pessoais e públicos.
Muitas vezes as pessoas são acusadas de falar do que não sabem, no dar seguimento a boatos sem fundamento, de empolar factos sem importância. As mais díspares desculpas são apresentadas para não dar explicações. No caso dos rapazes da Santa Casa, alegadamente envolvidos em actos menos lícitos, não falta quem apelide toda a gente de boateira, quando muita coisa já se tornou voz corrente, sem uma explicação plausível.
A Santa Casa tem tido jovens com problemas e isso é público, tem-nos mercê de actos judiciais públicos e desde que extravasou para fora do domínio privado da Santa Casa uma actuação menos própria todos temos o direito à informação. A pretensa defesa dos rapazes perante a devassa dos seus actos e antecedentes não tem cabimento. A condenação da sociedade não se pode fazer só através de um acto judicial mas de forma mais ampla para ser eficaz.
Pretender que eles assim ficarão manchados para toda a vida é não acreditar nas virtudes do perdão e no julgamento social. Problema diferente é dizer que, ao nos referirmos a estes rapazes problemáticos, estamos a meter tudo e todos no mesmo saco. Uma mente sã, não maledicente, não procede assim, porque não chega a pensar desse modo.
Só aqueles para quem a perfídia é o dia a dia, cujo carácter maledicente já está arreigado, ousarão generalizar aquilo que são casos pontuais e devidamente identificados, mas que, para serem tratados com cuidado e a atenção requerida, não necessitam de permanecer secretos. E claro transportados por boato, que para muita gente parece ser uma maneira leal.
Só se acaba com o boateiro se eliminarmos o boato à nascença.

21 abril 2008

Humanistas à custa de quem?

A moralidade e a legitimidade do lucro são muitas vezes postas em causa. Numa coisa todos concordamos, o Estado não existe para dar lucro, não faz sentido. Para as restantes entidades parece que o lucro é legítimo. Mas será que as instituições que perseguem fins próprios do Estado, por exemplo as chamadas IPSS, moralmente devem ter lucro?
Uma boa gestão pressuporia que estas instituições mantivessem ou incrementassem o seu valor patrimonial somente através de donativos voluntários destinados a esse efeito específico. Tudo o que fossem subsídios do Estado, donativos para a manutenção deveria ser utilizado para esse fim.
Ninguém deveria receber subsídios para os meter na conta bancária. Aliás deveria ser utilizada uma conta bancária para cada fim e, quando se justificasse, feita a contabilidade analítica. Existe uma grande promiscuidade na gestão de fundos públicos por parte de algumas instituições privadas. Por mais que se diga que estas gerem melhor não estou de todo convencido.
Há instituições que se apropriam indevidamente de subsídios do Estado, que exigem dos apoiados jóias indevidas (Verdadeiro acaso, ao escrever estas linhas está a noticiar na RTP1 um caso destes na Santa Casa de Misericórdia de Santo Tirso). Infelizmente a Segurança Social não controla a movimentação de utentes que se verifica por exemplo nos centros de dia, subsidiando por protocolos desactualizados. Paga refeições que ninguém come.
Periodicamente a imprensa aborda um caso ou outro mas a cultura reinante é permissiva porque se entende que tirar ao Estado não é pecado, pelo menos quando a sua gestão é entregue a discípulos de uma qualquer religião. A religião não tem culpa pelos prosélitos que tem, mas não pode servir de capa a quem dela se serve.
Não podemos relativizar tudo, nem partir do princípio que dum lado estão os bons e do outro estão os maus. Há quem se sinta gratificado por ajudar, mas é necessário saber quem é que no fim sai ajudado, se é o utente se é a instituição. Esta constatação que nada tem a ver com aproveitamentos pessoais, parte do princípio que, sendo nós imperfeitos, podemos instituir sistema perfeitos, ou pelo menos mais perfeitos do que o somatório daquilo que em nós se pode entender como perfeito.
É fácil pedir rigor aos outros, difícil é praticá-lo. São fáceis as lições de humanismo, mas este não tem que ser contabilizado em qualquer conta de deve e haver. Façamos sim o débito/haver da ajuda que é dada num conjunto de situações semelhantes, porque isto de andar a dizer que tudo dá prejuizo não me convence a mim.

20 abril 2008

Em estado de nojo por entre armadinhas e novelos

O homem está em estado de nojo. Vai estar vigilante, não vai andar por aí, mas sim vai estar aí mesmo. E tanto é verdade que já veio dizer: Vai ganhar quem ele apoiar, e quem ele apoiar não vai ser mais do que uma segunda escolha. Isto é, a primeira escolha só pode ser ele.
Filipe Meneses quer ser o pai e colocar na liderança alguém que seja um pau mandado. Normalmente estas coisas são ao contrário. Alguém que marcou um regime e por qualquer impossibilidade delega noutro uma liderança temporária. Mas este Filipe não tem uma herança para deixar, não tem nem um conjunto de ideias, uma ideologia, nem um conjunto de práticas com aplicação comprovada, uma política.
Filipe Meneses quer que alguém faça aquilo que ele não conseguiu fazer, sem que se saiba propriamente o quê. Quem será que se sujeitará a esse papel de ser um joguete na mão de alguém tão inconstante como ele? Ou o seu propósito será mesmo o de que não apareça ninguém que lhe queira agarrar o facho e ele possa ressurgir como a única solução?
O futuro do PSD está cheio de armadilhas destas. Todos se julgam senhores de uma coutada qualquer, mas este agora ultrapassa tudo e julga-se senhor quase do reino. Filipe convence-se que tem as bases na sua mão, isto é, os autarcas. Para isso já lhes deu uns rebuçados, negou-se a apoiar a Lei Eleitoral que o PSD tinha apoiado. Filipe apoia-se na parte mais desregrada, desordenada, empírica e porque não corrupta da política.
Mas além das armadilhas, o PSD está cheio de novelos. O mais famoso é o Santana Lopes/Filipe Meneses. Mas também nesta caso o Filipe parece querer ganhar ascendente, retirando a Santana o seu próprio espaço de manobra. Até que ponto este se conformará a ser aguadeiro de quem é manifestamente mais fraco do que ele mesmo?

19 abril 2008

A ansiedade psicopata do PSD

Não é fácil pôr aquela máquina, o PSD, a trabalhar para aquilo que seria pressuposto ser a razão da sua existência, o interesse nacional. Claro que nem todos podemos ter o mesmo entendimento sobre esse interesse, mas seria expectável que os seus principais dirigentes soubessem o que querem.
O mal do PSD, aquilo que leva muito boa da sua gente a perder as estribeiras, a ir por caminhos ínvios, é a ansiedade com que vêm as próximas eleições legislativas. A maioria dos seus militantes está pronta a vender tudo, inclusive a alma, por ganhar essas eleições.
O afastamento do poder faz perder a cabeça a muito boa gente. A doutrina política do PSD é a gestão corrente dos interesses do Estado, casuisticamente, oportunistamente, clientelarmente. Aleivosamente os seus dirigentes mais aguerridos falam de falta de liberdade de falar quando o seu problema é não saber dizer nada de jeito.
O que incomoda o PSD, todos os seus actuais, possíveis e imagináveis dirigentes é o que lhes mostra o afastamento do poder. Essa falta de liberdade que não existe, a não ser para os malcriados e verbalmente destravados que proliferam nas suas hostes, é um sinal de quem sente que tem uma falta visceral de poder.
A quem não falta poder é ao JJ, súmula de tudo aquilo que no PSD é mais execrável, detestável e odioso. Esse até pode chamar louco ao Aguiar Branco e a qualquer outro que lhe apareça e não pense como ele. E todos se vergam despudoradamente perante tão insolente figura.

18 abril 2008

Que sucessão para estes demagogos do PSD

Inesperadamente Filipe Meneses convocou eleições directas para a direcção do PSD. A sua posição era insustentável face à impossibilidade prática de atingir os seus próprios objectivos. Colocou a fasquia alta mas deixa também para os outros a fasquia à mesma altura.
Filipe Meneses não tinha condições para agregar à sua volta tantos barões quantos os necessários para ofuscar aqueles que se quiseram pôr desde logo em oposição a si. O seu grupo mais próximo de apoiantes era da mais baixa qualidade.
Independentemente de a manutenção de Filipe Meneses poder ser a garantia da vitória de José Sócrates, a verdade é que o País se livrou de viver uma situação de esquizofrenia colectiva, que em nada lhe era favorável. Quem vier a seguir que queira manter este clima de uma ansiedade doentia que destoa com o sentimento mais geral da população, está de igual modo condenado ao fracasso.
A população pode ter razões de queixa, pode sentir que há coisas que poderiam ser feitas de modo um pouco diferente, mas decerto que já não acredita em demagogos da estirpe deste grupo que se congregou à volta de Filipe Meneses.
Pelo que se vê, pelo exemplo de alguns que se colocam na rampa de lançamento como António Borges, parece que não devemos ter esperança. O mesmo afã na tentativa de destruir o trabalho da governação vai continuar. O PSD profundo está refém desta forma primitiva de fazer política.

17 abril 2008

O divórcio não é garantia nem perca de direitos do casamento

A problemática casamento/divórcio é normalmente abordada com muita hipocrisia permitindo que se confundam os vários aspectos da questão dando-lhes mais ou menos importância ou omitindo alguns conforme o interesse da perspectiva que se quer defender.
Se considerarmos a família como uma instituição que deve ser favorecida na sociedade e o casamento como a única forma que o Estado tem para conseguir esse objectivo, então o facto de duas pessoas se entenderem sobre uma vida em comum até pode ser considerado irrelevante.
No entanto o Estado não tem que criar novas formas de relacionamento entre as pessoas, tão só de analisar as implicações das relações que se criam e regulamentá-las de modo a prevenir efeitos negativos nas relações sociais. E isto parece levar a que a família seja cada vez mais vista como uma questão que se cruza com a do casamento sem se confundir com ele.
No fundo não se pode considerar o casamento como a resolução de todos os males, como podendo comportar todas as regras que tornem a família assim constituída como inabalável. Nem o facto de ser mais ou menos facilitado o divórcio não deve constituir uma forma de esvaziar o casamento.
O que interessa é legislar para o normal das pessoas. Aqueles que têm situações de grande desafogo vêm normalmente estas questões na comparação das vantagens e desvantagens que o casamento possa ter em relação às uniões de facto. Aqueles, normalmente os mais novos, que estão a começar a assumir obrigações sociais também assim procedem.
No entanto é bom que assim seja e que se não queira misturar tudo, igualar tudo, fazer das formalidades um aspecto folclórico em que embarcamos ou não. Nas suas implicações sociais as uniões de facto não podem ser ignoradas, mas não podem comportar pretensos direitos que poderiam ser garantidos por outras vias.
Os casamentos não podem acabar como as uniões de facto. Para que isso aconteça, para garantir direitos adquiridos, tem que se cumprir algumas regras, sem que seja necessário determinar culpados, isto é, sem que a culpa seja considerada para efeito do ganho ou perca de direitos.

16 abril 2008

Menos poeira precisa-se!

A vida privada de José Sócrates tem sido motivo de um interesse mórbido, até sem paralelo em Portugal. Sócrates suscita ódios de muitos camafeus e talvez isso justifique tudo para essas pessoas. Numa nova tentativa para denegrir Sócrates veio agora a lume, pela voz verrinosa de um social-democrata, um pretenso favorecimento a uma amiga pessoal do primeiro-ministro.
O caso é apresentado com contornos de um compadrio rebuscado, com a ponta do cordel puxada por uma jornalista do Diário de Notícias e com Sócrates na outra ponta, algures na sombra, por trás da RTP2. Os sociais-democratas sabem bem como estas coisas se fazem, só que neste caso a especulação os conduziu ao erro.
Infelizmente nem que acertassem não lucrariam grande coisa com a denúncia. A nossa sociedade tem o compadrio embrenhado na sua alma. Mete-se cunha para garantir o justo e o legal, como se mete para ultrapassar e prejudicar os outros. Pela impunidade com que isto se faz, passou a ser aceite que se dê aos amigos os bons empregos, até mesmo que se venha a poder utilizar a chantagem para conseguir favores de todo o tipo.
Pela vulgaridade qualquer denúncia há-de beliscar sempre um amigo, um correligionário, um contribuinte para a nossa bolsa pelo que o melhor é deitar poeira para cima. Estas denúncias despropositadas não ajudam nada a alterar este estado de coisas, antes pelo contrário. Teriam que vir de gente acima de qualquer suspeita, mas esses não aparecem na televisão.

15 abril 2008

Menos irascibilidade precisa-se!

João Jardim está a tornar-se de todo irascível. Quando há uns tempos se virava apenas para o continente, insultando-o e acusando-o de todos os males, agora já não tolera muitos daqueles que diz defender. Se paternalmente lhes chamava até aqui ingratos agora chama-lhes loucos.
João Jardim de modo algum aceita que lhe não agradeçam o simples facto de existir. É natural que, quanto mais próximo estiver do seu fim físico se sinta com cada vez maior necessidade de exaltação da sua imagem. Este tipo de pessoas sofre até à urna pela falta de um clone.
Com a oposição mais activa nas suas ilhas, João Jardim tem dificuldade de se abstrair do ruído de fundo, da contestação que atrás de si se desenvolve. Habituado a ocupar todo o palco mediático, deslumbrado com a sua própria obra, maravilhado com a sua possibilidade de dizer tudo, hipnotizado pelo poder que absolutizou, as palavras saem-lhe fluentes com a certeza da impunidade que a sua caricata figura suscita.
Só a seriedade das posições do Primeiro-Ministro e do Presidente da República, e os protestos de quem não é louco como ele, podem ajudar a melhorar este estado de coisas. Pode ser que João Jardim, que está hoje mais perto do burlão do que do palhaço sério, olhe um dia para o espelho e opte por inverter a sua marcha descendente para a degradação.
A comunicação social pode ajudar muito neste aspecto porque por ela passa o que a sociedade coloca na distinção entre o burlesco e a javardice. A comunicação social deveria fazer a clara demarcação entre o que é o riso saudável, comunicativo, que até deve ser incentivado e o riso mórbido, negro, que muitas vezes aceitamos, mesmo a contra-gosto, porque nos não é dirigido, mas que deve ser sempre repudiado.

14 abril 2008

Mais moderação precisa-se!

São características do sindicalismo comunista os bruscos amortecimentos, os súbitos afrouxamentos, os entendimentos imprevistos. Há que consolidar a retaguarda e as conquistas, não arriscar tudo, não esticar demasiado a corda, aprender com as lições da história.
O sindicalismo estava de tal maneira desacreditado que sair da crise sem correr demasiados riscos parece ser a sua única estratégia. No geral o sindicalismo não tem conseguido grandes avanços. No caso específico dos professores é certo que os conseguiu há uns anos atrás mas sem que a população veja melhorias no ensino, a propósito do qual surgiram todas as suas reivindicações.
Para cúmulo, tendo conseguido vantagens materiais inimagináveis noutros sectores, os sindicatos viram os seus associados virarem-lhes as costas, as cotas dos sindicalizados a diminuir, o governo a reduzir-lhes o número daqueles que, a desculpa da actividade sindical, se puderam dedicar a tempo inteiro à subversão do sistema escolar.
Os sindicatos viram-se na necessidade de repensar a sua acção, de tentar dinamizar o sector, de assumir reivindicações mais mobilizadoras. Mas o entusiasmo súbito que provocaram não deve ter tido expressão prática na cotização e na aproximação dos professores à actividade sindical. Os paradoxos mantêm-se.
Este processo reivindicativo terá antes ajudado a que franjas marginais de professores, baseados numa aparente facilidade de mobilização, ganhem ânimo e queiram prosseguir a mesma saga irresponsável e desonesta. Mas os professores sabem que esta gente é boa quando tem um objectivo específico mas terrivelmente prejudicial por os pretender instrumentalizar para além da actividade sindical.
Os sindicatos sabem que facilmente conseguirão retomar as rédeas, que esses sectores radicais se caracterizam por constituírem manifestações gangrenosas localizadas. Os sindicatos apostam numa maior credibilidade da sua actuação, na consolidação dos ganhos que foram adquirindo, numa imagem de respeitabilidade, porque também está em jogo a sua própria sobrevivência.

13 abril 2008

Menos moralidade precisa-se!

As instituições privadas que albergam jovens são atacadas, como o são os funcionários públicos que desempenham as mesmas missões. A discussão de qual a solução mais barata para o erário público é velha e não é fácil de ser abordada em todas as suas implicações. Deixemo-la por agora.
Se porém o Estado transfere a sua responsabilidade no crescimento ou mesmo na recuperação dos jovens que, por um motivo ou outro, não podem viver em ambiente familiar, convirá saber se coloca todas as suas disponibilidades ao dispor dos privados para que eles não falhem na sua missão. Se tal se verifica, convirá saber se são bem aplicadas.
Facilmente podemos partir do princípio que o Estado não dá dinheiro a mais. Todos dizemos que o Estado dá pouco e muitos prometem mais, mas todos estamos obrigados a sermos rigorosos. Se os privados aceitam o encargo, têm que o cumprir em todas as suas implicações e deixar de se desculpabilizarem pela exiguidade de verbas.
A Santa Casa da Misericórdia de Ponte de Lima está a falhar no cumprimento das suas obrigações, isto parece evidente, mas a solução preconizada por Daniel Campelo, Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima, não é de modo algum legítima. Parece-me que, garantida a boa aplicação dos dinheiros do Estado Central, lhe não ficaria mal ajudar naquela missão espinhosa.
Quanto às palavras de Abel Batista, Presidente da Assembleia Municipal de Ponte de Lima, revelam um bom discípulo de Paulo Portas na utilização da moralidade como arma política. Mas num político nós nunca sabemos a verdadeira ideia de fundo sobre uma questão. De qualquer maneira não creio que a ideia de Campelo seja queimar estas crianças, embora saibamos que à esquerda e à direita há pessoas que pensam assim.

12 abril 2008

Mais humanismo precisa-se!

Em Ponte de Lima entende-se que há um grupo de jovens internados nas antigas Oficinas de S. José, hoje administradas pela S.C. da Misericórdia de Ponte de Lima, que lá não deveriam estar. São casos problemáticos, oriundos de outras regiões do País e que para aqui vêm mercê de um acordo da Santa Casa com a Segurança Social e Serviços de Reinserção Social.
Na recente reunião da Assembleia Municipal de Ponte de Lima realizada a 11-04-2008 o Presidente da Câmara, Daniel Campelo deu voz oficial àquele sentimento de rejeição, aliás já por ele manifestado em casos parecidos, sem contestação visível. Porém desta vez o Presidente da Assembleia Municipal, Abel Batista, no prosseguimento da sua demarcação da gestão de Daniel Campelo, entendeu dar um puxão de orelhas a este, apelidando a sua atitude de falta de humanismo e de apoio à inserção social dos jovens, sendo sinal de um bairrismo despropositado, duma visão estreita.
Teoricamente todos deveremos estar com esta posição de Abel Batista mas o que Daniel Campelo não quis revelar é a falta de condições da Santa Casa para albergar jovens naquelas condições, sem instalações adequadas, sem técnicos de acção social preparados, sem vigilantes, sem um acompanhamento dos jovens dentro e fora das instalações, permitindo que eles sejam acusados de se violentarem uns aos outros e de praticarem pequenos delitos dentro do burgo.
Por mais que digam que este serviço é bem executado por privados, que estes não têm fins lucrativos, que o Estado gastaria mais e faria pior custa-me a acreditar, maugrado a relatividade existente nestas coisas. Querermos ser mais humanistas uns do que os outros é uma discussão sem nexo, quando se deveria estudar a razão última das coisas acontecerem assim. E verificar se a Santa Casa em vez de prestar um serviço de qualidade não estará apenas preocupada com o lucro, como tem sido seu apanágio.

11 abril 2008

Mais rigor precisa-se!

Em Portugal criou-se uma situação bizarra que permite que os dirigentes sociais-democratas andem a dizer que Sócrates não está a cumprir os seus compromissos. Ora nem os sociais-democratas são os fiéis depositários de quaisquer garantias que o sistema desse a quem vote por compromissos, nem a base social de apoio socialista, a não ser umas franjas, o que é natural, deixou de acreditar em Sócrates.
Embora muitos perguntem para que se faz eleições, não há dúvida em que todos os princípios democráticos dão razão a Sócrates. Seria impensável que, por Sócrates dizer que não iria aumentar os impostos, os não aumentasse quando isso era imperioso pelas mais diferentes razões, incluindo pelos acordos estabelecidos no âmbito da Comunidade Europeia.
Seria impensável também convocar eleições ou um referendo nacional para esse efeito. Ninguém gosta de mais impostos, poucos se convencem da sua imprescindibilidade, mas todos querem apoio do Estado. A base social de apoio de Sócrates poderá é quer mais apoio do Estado, politicas sociais mais activas, pelo que na sua maioria não é propriamente contra a existência de impostos. Pode é contestar a sua distribuição e falta de rigor na sua aplicação.
Se a direita económica, a mais racional e prática, aceita o sistema de impostos, porque é que a esquerda os não há-de aceitar, já que sem eles não há sistema possível de política social e redistributiva. A política de impostos só deve ser contestada pela esquerda quando ela constituir um entrave efectivo ao desenvolvimento económico. Isto é, a direita será a primeira a rejeitá-la quando isso se verificar. Empenhemo-nos antes no rigor da sua aplicação.

10 abril 2008

Mais república precisa-se!

Se os políticos se fizessem com um método de ensino, com uma forma, qual bolo metido ao forno, estávamos arranjados. A monarquia não foi mais do que a tentativa de formar uma classe dirigente a partir de um grupo de pessoas que faziam parte de uma raça vencedora. As várias monarquias convergem todas nos métodos, a sua miscigenação é uma consequência desse facto.
A república é esta situação em que as contingências da sorte, convergindo com a contingência de outros factores mais ou menos aleatórios, determinam que qualquer um pode ambicionar ser político, isto é chegar a dar orientações políticas ou a ocupar cargos por mandato político. As contingências não são defeitos mas chamo-lhes assim por que influenciaram de modo diverso conforme o tempo e o lugar em que cada um vive.
O único defeito da república é a dificuldade de destituição de alguém que, colocado numa posição de influência, a usa de modo menos próprio para reforçar a sua posição pessoal. Há sempre quem queira utilizar a posição adquirida para fins menos lícitos e há sempre quem queira puxar para a defesa dos seus interesses quem em princípio não está comprometido a isso.
Já que não há maneira de, quando se escolhe um político para determinado cargo, lhe definir todos os passos que ele deve dar, há que escolher em que sentido e com que amplitude ele pode legitimamente variar nas suas posições. Ou é a base social que deve ser mais respeitada ou são eventuais compromissos que devem ser mantidos mesmo que a prejudiquem.
É evidente que os compromissos envolvem factores muitas vezes imponderáveis pelo que o político deve respeitar a sua base social de apoio e responder periodicamente perante ela. Entretanto deve ter as mãos relativamente livres e agir segundo as suas convicções e pelas conclusões que vai extraindo do efeito da sua acção.

09 abril 2008

Mais certeza precisa-se!

Há muito que em Portugal se abandonou a ideia de que há que ter razão para que se defenda uma atitude, um projecto, uma política. O que é necessário é ter certezas ou pelo menos agarrarmo-nos a algum bloco de ideias que defendemos como nossas com unhas e dentes.
Essas ideias podem ser denegrir, denegrir, denegrir as ideias e acções dos outros à espera que a sorte, qualquer virar brusco de ventos permita uma nova perspectiva, uma adesão que não seja só por antipatia ao que existe. O normal seria apresentar em tempo alternativas, aqui trata-se de criar primeiro antipatia e esperar que outras ideias floresçam no lodaçal sobejante.
Porque é necessário criticar mesmo aquilo que se tem por inevitável, porque a barragem tem que ser constante e diária, à falta da possibilidade de uma demarcação clara, que as pessoas entendam facilmente, à falta de aceitação do obvio, que as pessoas podem entender ser dar o braço a torcer, os antagonistas de hoje entram facilmente no ataque pessoal.
O João Jardim que tinha tentado toda a espécie de cócegas no Sócrates, virou-se agora para o M. das Finanças. O Meneses, na sua pequenez intelectual e moral, quer-se pôr em bicos de pé e receber troco do Primeiro-Ministro. Qual cachorro sempre pronto a ladrar às pernas do transeunte não merece que alguém desça ao seu nível.
Se a nossa comunicação social tivesse personalidade, exigência na qualidade, crítica nos métodos dos que a querem utilizar, se houvesse a preocupação de nos livrar de discursos ocos, incoerentes e desconexos, faria a triagem, a selecção destas personagens em que o atrevimento é bem superior à qualificação.
A actual geração herdou uns tristes trastes na área social-democrata que os outros estão mais calados. Os profissionais da comunicação dizem que não têm melhor para apresentar e terão que os ouvir se os não puserem a dizer baboseiras todos os dias. Até quando? Tenham pena de nós!

08 abril 2008

Mais perspicácia precisa-se!

Há muito que se criou em Portugal a ideia de que o problema não reside nos actos que se praticam mas na comunicação que deles se faz. O governo tem obrigação de comunicar a sua acção de forma perceptível pelos cidadãos, simplesmente isso é levado muitas vezes ao nível do artifício para fazer passar por bom o que é mau. E até às vezes é.
De qualquer modo os meios de comunicação dos dias de hoje não são permeáveis a mensagens lineares e todo o comunicador tem que estar preparado para as fazer passar através das subtilezas da actuação daqueles meios. Não é só o problema de estes terem proprietários com objectivos próprios, terem ideias e interesses a defender mas também porque há uma forma ligeira de abordar os assuntos que valoriza o imediatismo.
O imediatismo consiste não só em ver o efeito a curto prazo mas na escolha prévia da tese que se quer provar, como se todas as acções tivessem que ter o mesmo efeito, independentemente dos seus objectivos e do plano em que se inserem. O trabalho de enquadrar qualquer acção num domínio mais vasto é das coisas mais difíceis de fazer porque exige tempo e estudo de modo a conseguir simplificar o resultado numa mensagem curta e incisiva.
Explicações muito complexas não têm aceitação na comunicação social, só raramente os seus meios dão o tempo e o espaço suficientes para que elas sejam dadas. A importância dada à comunicação deriva muito do facto de hoje não ser possível levar a discussão dos assuntos até à exaustão, de a razão nunca ser atribuída de modo absoluto a alguém.
Vamos lá, que já outra notícia vem aí e quem lê já sabe do que está à espera. Então, sinceramente, não vale a pena ler. É o que eu faço com muito blog, muito jornal, muito livro, muita rádio, muita televisão com pena de perder alguma prosa ajeitada. De alguma nova qualidade estamos nós precisados para saber escolher sem “ver”. Chamemos-lhe perspicácia, à falta de melhor.

07 abril 2008

Mais confiança precisa-se!

Uma das razões pelas quais os actos de indisciplina devem ser solucionados preferencialmente no âmbito escolar é a visibilidade que é dada à solução encontrada e que pode assim funcionar como exemplo positivo em contraponto com o exemplo negativo que é dado pelos actos não solucionados.
É bom que alguém que, pelas mais diversas razões, que as há, teve comportamentos menos apropriados, possa dar exemplo da sua correcção, que pode ser não só um melhor domínio de impulsos exibicionistas, de ascensão a lideranças, como pode ser a compreensão da ineficácia de impulsos destrutivos resultantes de um ambiente social deprimente
Embora as comunicações permitam que hoje se criem ambientes virtuais, o ambiente primordial de vida, de relacionamentos dos alunos é a escola e essa ligação visual, física, de contacto vai continuar a ser necessária para o estabelecimento de relacionamentos saudáveis e como tal deve manter a centralidade em todos os aspectos, juntamente com a família.
As experiências na escola são marcantes, tão só pela idade em que se desenvolvem, como pelo seu conteúdo, para todo o resto da vida das pessoas. Mesmo que possa ser errado, a maioria das pessoas não contesta nunca mais aquilo que aprendeu, a perspectiva pessoal que adquiriu sobre muitos dos assuntos com que vai deparando pela vida fora.
Também a desconfiança criada na escola em relação a ela mesma se transfere para desconfiança na sociedade. Substituir a inoperância da escola pela falta de agilidade da sociedade para resolver de fora os problemas que dentro dela possam surgir é agravar em muito as dificuldades de inserção social que se manifesta em quem tem percursos escolares complicados.
A escola tem que “fornecer” à sociedade pessoas confiantes em si mesmas e merecedores da confiança dos outros para que não se tornem auto excluídos.

06 abril 2008

Menos injustiça precisa-se!

É sempre difícil ter a certeza de que um determinado problema disciplinar está totalmente ultrapassado. Mas na escola, havendo um acompanhamento diário do aluno, havendo uma série de intervenientes no processo habituados e quase sempre habilitados a lidar com jovens e a aferir do seu estado psicológico para a aceitação da disciplina, tudo está mais facilitado, haja colaboração de todos os interessados.
Poderemos no entanto pôr ainda a questão, mesmo que o problema em relação a um aluno determinado esteja resolvido, e tendo em vista que a sua ocorrência criou ondas, tem sempre um efeito nefasto na disciplina colectiva, se esse aluno há-de ser responsabilizado por isso. Na verdade será mais difícil de aferir se esse efeito lateral se extinguirá simultaneamente.
O sistema normal de justiça assenta muito na necessidade de penalização de um acto qualquer pelo seu efeito de exemplaridade, isto é, parte do princípio que é preciso um castigo exemplar para quem dá um mau exemplo, para quem pratica um acto de indisciplina que se possa propagar.
O sistema normal de justiça não se fica pela eliminação da origem do mal, é um sistema persecutório, que não acredita nas possibilidades de recuperação das pessoas e que esses bons exemplos também se possam propagar, ganhar novas adesões e dar origem ao desarmadilhar de percursos que os jovens fazem muitas vezes inadvertidamente.
Sabe-se que em muitos casos a escola se demite de resolver os seus próprios problemas. Mas o sistema normal de justiça está de tal modo desacreditado, é tão injusto, tão susceptível a preconceitos e esquemas preconcebidos, pratica uma justiça tão discriminatória, tão cingida aos papéis sociais dos que dela necessitam, que o aluno é sempre tido por um elemento inconveniente numa ordem justiceira de papéis rígidos.
A escola tem que reequacionar os ensinamentos que deram origem a este tipo de justiça e tem que, até onde possa, subtrair os seus alunos a este império da maldade.

05 abril 2008

Mais abertura precisa-se!

O “exemplo supremo na vida democrática do que é um político combativo”, nas palavras daquele ilhéu Jaime Gama, o senhor João Jardim tomou agora mais uma atitude digna desse qualificativo que também serve para enobrecer quem o elogia.
O congresso do PSD-Madeira vai ser fechado à comunicação social. A não ser a mensagem inicial e final do seu chefe, o que diga-se de verdade só ocorrerá se os jornalistas não tiverem vergonha na cara, tudo o resto é para ficar secreto ou então com a versão oficial e alguma oficiosa que algum congressista mais liberal queira dar.
Não seria sequer a ocasião própria para pôr a questão da falta de isenção dos jornalistas, mas o João Jardim também não é tolo de todo para se deixar ficar só. Os jornalistas dão demasiadas vezes oportunidade para que se ponha em causa a sua falta de preparação para abordar os problemas com seriedade. O assédio a que submetem muitas vezes os políticos tem razões políticas evidentes.
Os jornalistas caem constantemente na tentação de cair na pergunta insidiosa, daquelas que eles fazem e refazem sem aceitar uma outra resposta que não seja aquela que eles previamente definiram como a que constituiria um furo informativo e os poria a receber um subsídio vitalício da sua agência ou do seu órgão de informação.
Os políticos, por seu lado, querem marcar a agenda e fogem a responder a qualquer pergunta que lhes não agrade. Também disso se tem atacado Sócrates mas é evidente que políticos em situação muito mais livres de assédio se portam muitíssimo pior. Ninguém tem o mau humor mais à flor da pele do que João Jardim e Filipe Meneses. São uns falsos alegres.

04 abril 2008

Menos diversão precisa-se!

Este líder social-democrata deverá ter confundido divergência com diversão. Para si as duas são verdadeiras porque não gosta de quem diverge de si e diverte-se à grande em ser um rapaz truculento. Quanto ao governo há local para a divergência, não haverá é para a diversão.
Meneses inventou um possível medo de divergir que teria tomado conta das hostes social-democratas. Esse medo derivaria de uns três dos seus correligionários terem sido advertidos, prejudicados ou de qualquer forma referenciados por se terem oposto insidiosamente às normas a que devem obedecer os funcionários públicos ou por terem falhado a outro qualquer dever de urbanidade e lealdade.
Para certas pessoas sem formação cívica adequada ter medo de tomar atitudes destas é um facto positivo, uma medida de higiene mental. O medo só funciona para quem subestima as regras de convivência social, se deixa facilmente condicionar por impulsos de transgressão, sem qualquer motivo lógico para tal, para quem qualquer contenção nesse domínio é tida como um grave revés no seu egocentrismo.
A Meneses não lhe ficaria mal algum medo de dizer tanta asneira, de proferir aleivosias atrás de aleivosias, de manifestar uma arrogância de todo imprópria para tanta ignorância. Vá divergindo, vá, mas dê um rumo à sua política, não ande aos zig-zag, que nós não estamos aqui para nos divertirmos, mas para julgar as suas capacidades de liderar alguma acção política benéfica para o País.

03 abril 2008

Menos desfaçatez precisa-se!

Mais um paraquedista da área social-democrata chamado António Borges quer assentar arraiais no terreno político. Despedido do banco estrangeiro em que era quadro destacado quer desculpabilizar-se com tudo o que sejam desculpas de mau pagador. Para assinalar a sua entrada resolveu deitar antecipadamente uma bomba para causar o devido efeito. Não há nada como atacar o governo pensou.
O problema é que o governo que tinha rejeitado o seu trabalho até foi o do seu partido, no seguimento da rejeição por parte da Comunidade Europeia do mesmo trabalho. Na verdade o seu destempero foi tal que até o próprio ministro da economia não respondeu devidamente quando foi confrontado com a sua falsidade de que tinha sido prejudicado por este governo.
Calhou de o acto final do seu trabalho para o governo ter decorrido depois do congresso do PSD para este atrevido e descarado querer que as pessoas concluam que foi penalizado pelas suas declarações aí proferidas de que estava pronto para enfrentar o governo. A verdade é que um contrato que só trazia prejuízo para o Estado tinha que acabar em qualquer altura e só não acabou antes porque o ministro PSD disse não querer tomar essa atitude quando o seu mandato já tinha os dias contados.
Quando tudo parece ser possível uma afirmação destas não pode ser tomada como um lapso, um erro de cálculo, mas é claramente intencional, visa desacreditar os outros, quando quem a faz se coloca afinal numa posição tão vulnerável que o melhor será procurar melhor emprego. Tanto cinismo, tanta desfaçatez não têm lugar na política.

02 abril 2008

Menos autoritarismo precisa-se!

A análise de dois fenómenos idênticos, um envolvendo alunos do ensino obrigatório e outros adultos que frequentam voluntariamente uma formação apropriada tem que ter em consideração as naturais diferenças. Se nestas idades qualquer problema que surja pode ser resolvido invocando a justiça geral porque será mais ou menos displicente o efeito da sua aplicação tardia, naquelas idades isso seria terrivelmente prejudicial.
Os problemas de disciplina têm que ser resolvidos pelos órgãos próprios e próximos, de modo rápido e com eficácia imediata. Quando os problemas ultrapassam certo limiar e entram no domínio da violência intencional e perniciosa então poderá ser de pensar em reflexos só atingíveis com sanções que os corpos próprios da escola não tenham poder para aplicar.
Despudoradamente certos sectores políticos pretendem aproveitar esta ocasião, em que se debate o problema da disciplina e violência na escola, para defender a intrusão no seu funcionamento de uma lógica justicialista de todo inadequada, que meteria todas as questões na mesma embrulhada e trataria jovens indefesos e adultos como se fossem iguais.
O meio é comum às duas partes mas cada uma vive-o de modo manifestamente diferente. As duas perspectivas têm que estar bem presentes, o que não é garantido no sistema normal de justiça. Além da idade, da maturidade, há evidentes diferenças nos objectivos que cada uma das partes tem presente, na pressão a que cada um está sujeito.
Da parte do aluno é necessário ver que o próprio ensino pode ser por ele visto como uma violência inoportuna e os próprios professores têm que reconhecer nele uma certa violência implícita. Depois é muito mais natural que na sua idade haja uma presença contínua e à flor da pele de sentimentos contraditórios, contrariamente à maior estabilidade emocional dos adultos.
Da parte do professor justifica-se a preparação para a não tomada de atitudes autoritárias, principalmente quando é só o aproveitamento que está em causa e não qualquer problema de disciplina. É suficiente mostrar a autoridade só quando está alguém pretender dispersar a atenção no ensino.

01 abril 2008

Mais equilíbrio precisa-se!

“A professora tirou-me o telemóvel, pedi-lho, ela não mo deu e comecei-lhe a chamar nomes, mas não foi nada de grave.” Estas palavras dão mesmo uma ideia do ambiente de permissividade que será possível detectar nas escolas. E o não cumprimento da disciplina é um dos motivos mais fortes do não aproveitamento escolar.
A perca da atenção nas aulas, seja pela utilização do telemóvel, mesmo que só em mensagens entre os alunos, seja pela indiferença m relação ao ensino em geral ou a uma disciplina em particular, seja pelo clima de “gozo” que se tenha criado numa turma por não reconhecimento da qualidade, do merecimento ou capacidade de domínio sobre os líderes informais de algum professor, é a razão do insucesso persistente de muitos alunos.
A actuação dos professores deve ter em vista num regime democrático a aplicação de uma disciplina adequada a criar a atenção necessária ao ensino e não mais do que isso. Se conseguirem fazer isso já estão a contribuir seriamente para que os alunos aprendam a necessidade de serem disciplinados em casa e noutras actividades que venham a exercer. Se a disciplina tiver sucesso na escola os próprios alunos a promoverão cá fora.
Mesmo que os alunos mais difíceis sejam apontados às vezes como os possíveis futuros criminosos é de tomar em conta que eles normalmente aceitam activamente a disciplina na sua actividade criminosa. O que quer dizer que a disciplina é sempre funcional. Mas o que quer também dizer que o facto de a disciplina ser aceite não é suficiente para avaliar os seus méritos.
Aqui o mérito tem que ser medido pelo progresso do aluno em regime de autoavaliação e seguindo os objectivos da escola. Não se pode pretender que a mensagem que se enquadra naqueles objectivos passa melhor com autoritarismo ou com permissividade. A mensagem passa melhor pelo exemplo de equilíbrio e pela receptividade do que pelos tiques que se adoptam.

31 março 2008

Menos combatividade precisa-se!

Dizer de alguém que é combativo não chega a ser um elogio mas uma simples constatação de um facto que só assumirá um carácter positivo se o seu resultado for benéfico para a sociedade. E podemos dar de barato que a política de João Jardim tem dado bons resultados na Madeira, maugrado a sua falta de solidariedade nacional.
Diferente é dizer que tal personagem é “um exemplo supremo na vida democrática do que é um político combativo”. Porque João Jardim na sua combatividade ultrapassa demasiado as regras que devem presidir a uma disputa democrática, atropela os direitos dos outros, utiliza uma linguagem desabrida e deselegante.
Esta atitude de Jaime Gama só se entende num assomo despropositado de uma solidariedade de ilhéu. Será que também Gama se sente injustiçado pela sua qualidade de açoriano, que pensa ter sido por tal facto que nunca chegou onde pensou talvez um dia vir a chegar? O certo é que estamos cheios de frustrados que se sentem compensados ao apoiar personagens assim.
Vendo o caso pela perspectiva da solidariedade devida àqueles que vão mantendo na Madeira a chama da democracia e que pretendem elevar a democracia a patamares de civilização de que estão arredados com João Jardim, esta atitude é traiçoeira, cobarde e profundamente injusta.
Perante isto os elogios que Sócrates ou outros governantes possam ter vindo fazer em Ponte de Lima a Daniel Campelo até podem ser visto como simples cortesia. Mas que também não são solidários, não senhor. Nem revelam informação sobre o verdadeiro estado deste concelho estagnado e retrógrado.

30 março 2008

Menos busca-de-culpa precisa-se!

Neste País será difícil encontrar alguma coisa que funcione na perfeição. Acima de tudo é difícil encontrar alguém que funcione na perfeição. Há séculos que procuramos, principalmente desde Camões, que, perdido um Sebastião, se encontre algum mentecapto e imbecil capaz de “mandar” em nós. A nossa sorte parece ser que os visionários só ganham peso depois de mortos.
A nossa suprema estupidez está em exigirmos perfeição em tudo. Não queremos dar lugar aos imperfeitos, que aliás somos a maioria e nos achamos mal. Seria bom que déssemos lugar a nós mesmos, que soubéssemos viver como somos, respeitando as nossas limitações e incongruências. Seria bom que tivéssemos a imperfeição como modelo.
Um episódio simples e trivial, no sentido a que uma irresponsável permissividade levou, que não pode ser menosprezado, também não poderá assumir qualquer carácter de exemplaridade para um outro tipo de agressividade que, essa sim, representada por outros acidentes conhecidos nas escolas em que já se terá ultrapassado o limiar da violência.
A intervenção de certas figuras do Estado só se compreende porque pensarão legitimamente que é uma boa ocasião para abordar todas as questões que tenham a ver com aproveitamento/disciplina/violência. Não podem é contribuir para a confusão ao propor medidas uniformes, muito menos para a judicialização do sistema que seria erro ainda maior.
Este episódio não pode servir para encontrar inocentes e culpados. É descabido. Nem pode servir para dissecar o destino e o perfil destas pessoas específicas. É perfeitamente abusivo. Nem pode servir para exemplo, de modo a que poder prevenir outros casos a que eventualmente se apliquem medidas mais gravosas. É injusto. É um exemplo disperso a que só se podem aplicar normas disciplinares que a ele digam respeito.

29 março 2008

Menos melindre precisa-se!

A cultura que está na base daquela manifestação de agressividade de uma aluna em relação a uma professora não é grupal senão no sentido em há outras pessoas que a partilham. Também podemos dar de barato que a aluna usa manifestações de idêntica agressividade em família e que esta não conseguiu dominar aqueles ímpetos.
Há uma série de atitudes que se tornam moda e encontram receptividade num leque alargado de alunos, e procurar encontrar razões particulares torna-se um exagero, dado que por mais exaustivo que se estudasse a situação nunca encontraremos uma razão última comum a todos eles. Estas atitudes devem ter uma abordagem diferente.
Esta cultura sem dono, que nem de rua é, que não é grupal, nos termos em que nós estamos habituados a conhecê-la, teria que ser tratada ao nível de uma diminuição drástica da sua receptividade nos jovens. Só que, à falta de um poder de antecipação da nossa parte, teremos que ficar pela busca de soluções minimizadoras dos excessos, integradoras no que possível.
Aquelas atitudes podem ser resultado da forma melindrosa como pessoas sem cultura e sem preocupações éticas abordam as situações de rotura social que manifestamente existem e nos deixam muitas vezes revoltados. Mas revolta é razão e não melindre. Se uma situação se não pode resolver pela violência também não podemos armazenar essa violência e dar-lhe essa outra forma hipócrita que é a agressividade manifestada no melindre. Mas melindre que pode ter muitas outras origens.
Em relação à cultura dos salões virtuais em que os jovens se vêm mergulhados, sem muitas hipóteses de opção, em que se cultiva o ser e o não ser, em que se enaltece o que há de mais na moda em termos de comportamentos individuais, em que se não resiste ao apelo de modelos universais mas que não têm aplicabilidade prática nos nossos universos pequenos e fechados, temos de aprender a conviver com ela.
A família é a primeira entidade responsável pela fixação de limites razoáveis aos comportamentos dos seus filhos. Só que essa razoabilidade para ser bem entendida tem que ser vista dentro da cultura perfilhada pelos filhos e não dentro da sua. E dentro da cultura dos filhos tudo se pode resolver porque nela também tem que haver tempo para o estudo, as aulas, o tempo de aprender.

28 março 2008

Menos conflitualidade precisa-se!

Estudar aquela manifestação de agressividade de uma aluna em relação a uma professora necessitaria de muito mais dados que a comunicação social não colhe ou não transmite porque isso seria entrar em aspectos pessoais e poderia ser considerado abusivo. O certo é que a questão é mesmo pessoal e sem esses dados nada feito. É pura especulação.
O mais natural é que aquela agressividade se expanda ainda mais no ambiente familiar da aluna. Ou a família é exageradamente condescendente ou então o ambiente será de permanente confrontação. A não ser que, mas isso será hipótese remota, a família consiga dominar aqueles ímpetos mas não consiga educar a aluna no sentido de se controlar noutros ambientes, quando as circunstâncias permitem um relaxamento da disciplina.
Os tempos actuais são propícios até a uma certa cumplicidade que permite que se estabeleça aquilo que para nós é uma certa permissividade, mas que vai assumindo alguma naturalidade, em geral disfarçada com uma certa afectação. Quando assim é estabelece-se uma espécie de cultura de salão que, sem atingir a afectação das camadas poderosas que viviam segregadas resulta da maneira de os fracos verem e copiarem essa realidade.
Não é só a cultura de rua que influencia os comportamentos dos jovens de hoje. Até porque esta se desenvolve cada vez em zonas suburbanas mas tem cada vez menos expressão noutras áreas habitacionais. Para se desenvolver é necessário tempo para que se formem grupos com certa estabilidade e que cultivem certos valores comuns.
Aquilo que eu designo por cultura de salão é mais informal, estabelece-se em ambientes virtuais, mas não afecta menos os comportamentos individuais, ao estabelecer também modelos apelativos para quem tem, de alguma forma, necessidade de dar satisfação a uns impulsos mais conflituais.

27 março 2008

Mais contenção precisa-se!

Quando surge um problema do género do provocado pela agressividade de uma aluna em relação a uma professora é normal andarmos uns tempos a discutir o assunto, como que a tentar dissecá-lo, resumi-lo, encontrar todas as forças que lhe estão na origem e com as conclusões de um único exemplo tirar todas as ilações que possam ser aplicadas a um universo vasto de questões.
As conclusões que vencem são as daqueles que mais depressa ocorrem ao palco mediático a dar a sua sentença. Conseguir inverter a situação e chegar a conclusões diferentes daquelas que são transmitidas pelos meios de comunicação parece ser sempre muito difícil. Uma das partes sai logo à partida condenada e reabilitá-la é moroso.
Normalmente só os bons advogados o conseguem e esses a troco de muito dinheiro. Como este não sobejará por aqui, só aparecem a dar a sua opinião aqueles que querem tirar dividendos políticos desta questão. Nesta ocasião, como a oposição foi apanhada a ocupar bastante do palco mediático teve que dar logo a sua opinião e colocou todos os alunos no banco dos réus.
Em primeiro lugar não cabe aqui fazer um julgamento sumário e determinar inocentes e culpados. Depois, não havendo que procurar culpas, deve-se analisar a questão pelo lado de quem tem mais responsabilidades, sem qualquer intuito de ligar a estas quaisquer espécie de culpas de quem se tenha eximido ou sobrevalorizado o cumprimento das suas.
A professora, à primeira vista e desconhecendo os factos que antecederam os visionados, terá cometido um erro grave ao procurar ou permitir o contacto físico com uma aluna, visto para todos os efeitos e pelos colegas como uma briga a sério, como um puxar de cabelos.
Mesmo que a professora tenha sido apanhada de surpresa pela atitude da aluna não pode reagir do mesmo modo, antes deve solicitar o apoio do corpo escolar para um solução imediata sem uso da força e deixar aos órgãos intermédios ou superiores da gestão da escola a resolução definitiva do assunto.

26 março 2008

Mais paciência precisa-se!

Na Assembleia da Republica os partidos tem a possibilidade do agendamento potestativo mas na agenda mediática não o tem. Há muita coisa que se escreve, que se diz, que nisto há que preencher jornais e também há que bulir um bocado, dar umas voltas nem que seja pelos mesmos restaurantes, que as fêveras e sardinhas só lá mais para a frente virão, para que haja umas imagens decorativas, mas cujo sumo depressa se esvai.
Na impossibilidade de imporem o que lhes apetece, os líderes políticos tem a necessidade de fazer uma aposta acertada no assunto que vai perdurar. Não é só deles que depende o efectivo agendamento. Por isso a paciência tem que ser uma qualidade que os líderes tenham também. A escolha do momento próprio para introduzir um assunto na agenda é um mérito do político.
O Filipe Meneses anda para aí a dar fogo cruzado, desgarrado, suicida. Mas quem sabe, sabe e o maestro Marcelo já está a dar-lhe uma ajuda, vamos lá a ver se com umas lições isto vai! A desvalorização que este mago da comunicação vem fazendo das intervenções de Meneses e a sua valorização nas áreas que ele sabe serem importantes para a agenda mediática é um apoio que Meneses daqui a uns tempos há-de agradecer.
Meneses vai ter nos próximos tempos uma paciência que não lhe conhecíamos, mas nem esperamos que ele seja capaz de a manter por muito tempo. Transformar Meneses num líder capaz, democrático, higiénico será tarefa para o professor Marcelo se este se convencer que ele próprio nunca chegará a primeiro-ministro, mas é capaz de abrir o caminho a terceira pessoa.

25 março 2008

Mais sinceridade precisa-se!

A um político vir desmentir o óbvio não é vantajoso, nem fica bem. Claro que também não é favorável vir dizer que há qualquer coisa na sua estratégia que está mal. Há momentos em que um político só ganha em estar calado.
Infelizmente há aí um político que tem que falar sempre, sem se preocupar muito com o local, o momento, o tema e a forma. Ou antes o tema muda conforme o que está em agenda, desde que encontre forma habilidosa, desonesta, desleal de com ele atacar o governo.
Todos aqueles que estão minimamente informados de como se faz isto da política sabe que a luta pela marcação da agenda é a principal preocupação de um líder partidário. Claro que nem sempre a pode marcar, às vezes os outros actores políticos ou até acontecimentos imprevistos trocam-lhe as voltas. São as condições particulares do momento que determinarão se um líder consegue uma boa introdução na agenda e se está ou não satisfeito com a agenda quando ela é marcada por outrem.
Quando o Filipe Meneses vem dizer que tem a sua própria agenda política, querendo dar a ideia que não lhe interessa aquela agenda que os meios de comunicação registam, está a manifestar um sentimento de despeito e quando não de derrota que não abona nada em seu favor.
Meneses até se tem deixado levar pela agenda dos outros, que ele pensa que, por serem também da oposição, lhe servem às mil maravilhas para ele. E as coisas não são assim tão simples, não se pode dizer que as suas posições sigam a mesma lógica do PC ou BE. E quando o assunto sai da agenda da maneira que não lhe agrada, o que lhe resta fazer? Calar-se, mesmo contra vontade e dizer que já não segue aquela agenda.
A primeira preocupação da oposição é que não seja o governo a marcar a agenda, mas o simples facto de ser a oposição a marcá-la não chega para dizer que toda a oposição sai vencedora. Ninguém quer perder a oportunidade de dar porrada no governo, nem que se esteja a contradizer, mas é por aí que se perde a oportunidade de marcar a tal agenda com factos positivos.

Aqui pode vir a falar-se de tudo. Renegam-se trivialidades, mas tudo depende da abordagem. Que se não repise o que está por de mais mastigado pelo pensamento redondo dominante. Que se abram perspectivas é o desejo. Que se sustentem pensamentos inovadores. Em Ponte de Lima, como em todo o universo humano, nada nos pode ser estranho.

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Ponte de Lima, Alto Minho, Portugal
múltiplas intervenções no espaço cívico

"Big Man" 1998 (1,83 de altura) - Obra de Mueck

"Big Man" 1998 (1,83 de altura) - Obra de Mueck
O mais perfeito retrato da solidão humana