27 abril 2009

Uma Comissão de que já não se fala

A Assembleia Municipal de Ponte de Lima, na sua reunião do 25 de Abril, decidiu-se pela criação de uma comissão de acompanhamento da definição e concretização do projecto da rede ferroviária de alta velocidade que atravessa o concelho de Ponte de Lima, no eixo Porto -Vigo.
Votaram somente 15 membros contra e 5 abstiveram-se. A favor, presume-se, foram mais. Somente há um facto inultrapassável: São votos de uma só força política e da maioria, senão da totalidade dos Presidentes de Junta.
Tendo a CDU, o PS e o PSD, embora por razões diferentes, recusado integrar a referida Comissão qualquer veleidade de a constituir caiu por terra. Está assim constituída uma comissão virtual que nunca terá hipóteses de ascender ao domínio da realidade por falta de representatividade.
Não houve qualquer tentativa de chegar a um consenso prévio em relação aos pressupostos que deveriam presidir ao trabalho de uma comissão deste tipo. Entre os membros do Partido Socialista e o representante da CDU que, por princípio, apoiavam o TGV e os membros do PSD que se lhe oponham irredutivelmente o Presidente da Assembleia e deputado do CDS Abel Batista não conseguiu estabelecer qualquer ponte.
O maior adversário da formação desta Comissão foi o PSD, na sua cegueira de seguir as propostas políticas do seu Partido a nível nacional. O propósito do PS era definir o quanto mais cedo possível o traçado adoptado e propor neste as alterações, necessariamente mínimas, que fossem viáveis.
Reduzir ao mínimo o tempo de condicionamento no traçado que vai ser abandonado, de modo a que as pessoas possam prosseguir os seus projectos, e mesmo reduzir a faixa de condicionamento no traçado que venha a ser adoptado é a primeira prioridade de quem quer assumir as suas responsabilidades. Acho que numa Comissão assim definida o PS se integraria. Porque os objectivos seriam claros e não ambíguos como os propostos.

21 abril 2009

A posição de Campelo incomoda as hostes sociais-democratas

Para Daniel Campelo a linha do TGV passando por Ponte de Lima pode trazer benefícios a prazo, pois pode vir a ser utilizada por comboios de várias características. Disse-o em entrevista ao AltoMinho e isso incomodou as hostes social-democratas.
Na verdade se esta linha projectada tem algumas exigências para permitir uma velocidade de 250 quilómetros, a qualidade por excesso não é defeito. Comboios mais lentos podem vir a circular, sendo que a bitola dos carris é a europeia, e com muito mais segurança.
Em vez de termos uma linha às curvas, como infelizmente são muitas das nossas estradas e as linhas de bitola estreita que estão hoje quase todas abandonadas, vamos ter uma linha com o mínimo de curvaturas, o que traz prejuízos evidentes às edificações que estão nesse trajecto, mas que também permite que outras mais modernas se construam em locais decerto melhores.
Em vez de uma linha subindo penosamente, como o faz a linha do Douro, do Douro até Marco de Canavezes, vamos ter uma linha subindo suavemente do Lima para Norte atravessando o Formigoso e chegando ao Coura com um arco não muito superior a 10 metros de altura. A linha atravessará o Cavado, o Neiva, o Lima, o Coura e o Minho numa ondulação diminuta para a distância percorrida.
O impacto, mesmo tendo em conta estes condicionalismos, é muito inferior à auto-estrada em largura, tempo de circulação, possibilidade de atravessamento, poluição e em muitos mais aspectos. O Comboio é considerado o transporte ideal para pessoas e mercadorias.
O aspecto da exploração económica é o único sobre o qual as dúvidas não estão desfeitas. Mas atendendo a que este troço é financiado pela Comunidade em 75%, este facto levanta esperanças de uma exploração favorável.

20 abril 2009

O PSD enreda-se em contradições sobre o TGV

O PSD Limiano promoveu em 17 de Abril um colóquio-debate sobre a passagem do TGV em Ponte de Lima. As três pessoas convidadas mais pareciam uns curiosos escolhidos para se mostrarem e não para mostrar a ciência, pois careciam dela.
O objectivo seria abrir uma guerra ao governo, ateando fogo nesta praça, que no entanto permanece surda aos apelos do PSD. Em vez disto a desorientação da plateia estendeu-se à mesa e foi um desfilar de tiros no pé de bradar aos céus numa força politica com a experiência desta.
Falou-se da atitude dúbia de Ferreira Leite, da convicção que o TGV será uma certeza qualquer que seja o próximo governo, incluindo se for do PSD, do velho bloco central de interesses, das sociedades de advogados de Lisboa que, à vez, mas sempre com os mesmos objectivos, vão patrocinando a feitura destas grandes obras.
Falou-se dos problemas da TAP derivados da utilização do aeroporto de Lisboa pelas empresas de baixo custo, da necessidade de manter estas para Campo Maior para lhes reduzir os atractivos, falou-se de coisas nunca faladas, de alternativas nunca postas e opções apresentadas fora de tempo.
Os assistentes sentiram-se órfãos, da mesa não surgiram respostas para as principais questões e principalmente para “o que fazer”. Uma iniciativa destas, a tão pouco tempo das eleições, não pode ser encarada pelo lado académico, aliás fraco, mas deveria ter uma orientação precisa a fornecer aos militantes tão carentes de apoio.
Até eu fiquei triste com tanta inépcia política.

16 abril 2009

O PSD e a ala Paulo Portas do CDS estão contra o TGV

Espera-se elevação no debate sobre o TGV na próxima Assembleia Municipal de Ponte de Lima a realizar a 25 de Abril. Mas as dificuldades dos que apoiam uma tal moção já pretensamente aprovada de repúdio pelo TGV não prometem grandes intervenções da sua parte.
A pretensão de que se aprove uma Comissão de Acompanhamento sem orientações definidas é uma forma encapotada de dar carta branca para o Presidente dessa dita Comissão manipular mais facilmente as sua posições e utilizar a comunicação social para uma campanha descarada contra a passagem do TGV, seja por onde for.
Estando ainda por definir quem vai ser o candidato do CDS à Câmara de Ponte de Lima, esta atitude de Abel Batista pode também ser interpretada como uma forma de pressão e condicionamento de Daniel Campelo. Como este não necessita de cedências, com certeza que vai assumir com independência a sua posição.
Tanto pode ser de oposição à criação da tal Comissão, que ele se diz suficiente para defender os interesses de Ponte de Lima, conforme a sua opinião, como pode ser da sua total marginalização ou até ignorância.
Abel Batista corre o risco de depois da nega dos Jovens Centristas do CDS ter agora as hostes limianas de novo divididas.

14 abril 2009

Favelas de ricos

A Universidade do Minho está a fazer um estudo sobre as razões porque nas encostas dos arrabaldes de Braga proliferam favelas de ricos. O termo já é elucidativo, na medida em que remete para a segregação social. Isto é, nos seus efeitos esta construção de casas em território que não é o originário das pessoas e que visa a fuga das pessoas das construções verticais cria fenómenos sociais que podem ser equiparados aos dos favelados.
Seria também interessante estudar o que se passa em Ponte de Lima, onde a construção tem tido tendência a alastrar pelas encostas das colinas e montes, embora para já, afora o caso do Monte da Madalena, de carácter muito mais disperso que em Braga.
Mas aqui não é só a população da Vila que se dispersa, é também a dos arredores do Porto que para cá vem. A sua tendência é para procurar o isolamento, manter-se desligada da realidade local, num segregacionismo novo riquista de gente que não quer ser incomodada no seu descanso por vizinhos a quem “é duvidoso serem civilizados a não ser quando estão entretidos com o seu folclore”.
São residências de fim-de-semana, de gente que se incrusta no hospedeiro, aproveita o seu sossego, mas que nada faz para se incorporar na realidade humana existente, se relacionar com um meio constituído por pessoas que decerto veriam de bom grado vizinhos participativos na vida social e que soubessem transmitir algum saber.
Estes novos vizinhos são maus porque só se relacionam marginalmente, como aliás acontece com a maioria nas suas residências verticais das cidades. Neste ponto é um fenómeno idêntico ao das favelas de ricos, possivelmente mais nefasto porque junta de costas voltadas, embora só ao fim-de-semana, pessoas com perspectivas de vida bem diversas.

10 abril 2009

Porreiro pá! …, Mas nem tanto!

A escolha de Durão Barroso para Presidente da Comissão Europeia não é a indicação de um Português para um Órgão Internacional, antes é a indicação de quem vai dirigir um Órgão Supranacional em que está depositada muita da nossa soberania, que tem uma intervenção e exerce um condicionamento marcante sobre a política que é seguida a nível nacional.
Por isso a perspectiva de José Sócrates é porreira, mas está longe de ser correcta, sequer legítima vinda de quem vem, que tem obrigação de defender uma política diferente para a Comunidade Europeia.
O meu voto em Junho só faz sentido se com ele poder escolher os deputados nacionais ao Parlamento Europeu e dessa forma influenciar a política europeia e indirectamente a escolha da futura Comissão Europeia.
Caso o PPE perca as eleições de Junho, o que eu almejo, não lhe caberá indicar um candidato, mas se Durão Barroso persistir na sua candidatura, José Sócrates cometerá um grave erro se continuar a apoiá-lo e abrir um conflito inevitável com o Parlamento Europeu.
O neo-liberalismo tem que ser abandonado e a política europeia tem que se recentrar nos valores que lhe deram a grandeza e estabeleceram a diferença. Novos protagonistas são necessários, que não sejam simples representantes do capital que fazem da política a defesa dos seus interesses económicos.
O meu voto em Junho é para um candidato que defenda a paz, a liberdade, a cooperação, a solidariedade, que defenda a Europa como a portadora daqueles valores que precisamente Durão B
arroso ajudou a pôr em causa.

25 março 2009

Está a Adega no caminho certo?

Está a decorrer um curso destinado a operadores de restauração muito frequentado e de qualidade. Pelo menos é o que me dizem, que mesmo quem tem já uma boa experiência do sector está a aprender, a actualizar e clarificar conhecimentos que a prática ia dando.
Num dos módulos programados a direcção do curso pensou que seria apropriado integrar uma visita à Adega Cooperativa de Ponte de Lima, o que decerto seria benéfico para ambas as partes, tratando-se de pessoas que necessariamente têm influência nas escolhas que os clientes fazem em relação aos vinhos.
Assim não entendeu a direcção da Adega que achou apropriado aplicar a cada participante uma taxa de 10 €, não se sabe se para pagar o tempo perdido, o vinho gasto, os aperitivos oferecidos ou qualquer outro custo que se possa atribuir a uma visita deste tipo.
É uma medida despropositada, que carece de algum esclarecimento público, que a Adega até não é só uma questão dos seus sócios, é um património dos mais relevantes para Ponte de Lima. Por mais campanhas que se façam para denegrir o vinho, este faz parte da nossa cultura, integra um passado de que nos podemos orgulhar e é necessário que se preserve o seu papel no futuro, o que com medidas destas não está garantido.

24 março 2009

Esta carta anónima, recebida ontem, dá uma imagem precisa do carácter de quem a escreveu. Professor de trabalhos manuais ou oficinais que, como deixa entender, fez o secundário quando um grupo de professores primários que necessitavam do 11º ano para progredir na carreira conseguiu que se desse início ao ensino nocturno em Ponte de Lima. E este meu velho "amigo" aproveitou como eu, tivesse ou não aproveitado a embalagem ou tivesse contribuído para o arranque. Hoje é mestre, não de trabalhos como antigamente o chamavam, mas mestre por uma qualquer universidade que passa certidões mas não verifica o carácter de quem as recebe. Activista anti ministra por lhe terem tocada na dignidade de professor que não está para se sujeitar à avaliação de ninguém, não tem qualquer noção do seu valor, da pequenez do seu contributo para a humanidade, copista de outros mestres, reprodutor de uma sabedoria que perde qualidade ao ser por ele intermediada. Representante de uma indignidade colectiva cobarde, de quem quer ter razão a qualquer preço, quando os verdadeiros motivos da sua atitude são o dinheiro, as regalias desmedidas de que usufrui uma classe que já foi paradigma e que hoje é rejeitada tal como se apresenta .

21 março 2009

Uma guia sem nexo que não serve de directriz a coisa nenhuma

Como no resto do Centro Histórico de Ponte de Lima também na Zona Ribeirinha, agora em obras, qualquer sítio vai servir para cargas e descargas e até para estacionamentos, à falta de locais apropriados.
Mas pior ainda, as obras vão revelando falhas absurdas de carácter técnico que vão criar problemas e agravar outros desnecessariamente.
Na frente do Mercado Municipal, virada para o Lg. A. Magalhães, entenderam criar uma guia, uma directriz que vai passar a constituir a separação entre a via e o passeio à esquerda e que corre sem qualquer alteração do seu desnível desde o início ao fim no Passeio 25 de Abril.
Como do lado do mercado e do outro lado também os passeios existentes têm uma quebra acentuada a meio, colocaram toda a via de trânsito inclinada para a direita e o novo complemento de passeio do lado do mercado de forma ainda mais acentuada para a esquerda.
Na parte mais alta, na crista assim formada entre o passeio da esquerda e a via de trânsito, colocaram um canal que decerto só captará a água da chuva que lhe caia directamente em cima.
Porém a água não faltará entre a Caixa Agrícola e a Capela da Senhora da Penha de França, agravando-se com este segundo aumento do passeio a situação que já existia e havia sido criada com o primeiro.
Não sei de quem me hei-de queixar mas chamo a atenção das pessoas para que se não deixem ensandecer, nem sejam subservientes por mais diplomas que lhes apresentem.
Uma coisa é certa, isso eu sei, os Gondomarenses vão dar saltos e não se vão queixar da falta de engenho estampada naquelas obras, porque quando chover eles não vão parar por cá para ver.

20 março 2009

Os slogans que sobram, o Slogan que falta

Esta da “Vila mais antiga de Portugal” até andava um pouco esquecida. Afinal isso não é nada que se veja, não acrescenta nada ao que já existe, é um slogan que, por mais razoável que seja, não deixa de ser inócuo.
Há slogans mais sonantes, como aqueles que nos falam do mais elementar que é darmos alimento ao nosso corpo. Capital do Vinho Verde ou Pátria do Sarrabulho são títulos que, se reconhecidos, valem realmente algo. No entanto é abusivo assumi-los sem que a respectiva qualidade seja inigualável, intocável.
Em relação ao vinho não há dúvida que a nossa Adega Cooperativa foi pioneira e manteve durante muitos anos um nome reconhecido. Só que a partir de 1997 deitou tudo a perder e não está a ser fácil recuperar o tempo perdido. Já quanto ao Sarrabulho parece estar a haver um aproveitamento com propósitos variados que só lançam a confusão e novos protagonistas para um cenário a precisar de clareza. É Sarrabulhada a mais.
Mas não têm faltado os slogans propagandísticos de duvidosa eficácia e veracidade. Desde “Ponte de Lima a terra mais florida” a “Ponte de Lima a terra mais limpa” e acabando na “Terra Rica da Humanidade”, mas passando por outros que o tempo fez esquecer, tem sido um chuveirinho de slogans cujo efeito, pela abundância, pode ser perfeitamente pernicioso.
Basta desta proliferação de slogans. Se uma terra for conhecida por um slogan bem identificativo, incontestado já chega. Isto de querer açambarcar tudo só pode passar junto dos néscios e hipócritas, que não sabem a cara que fazem perante quem vê estas coisas com seriedade.

19 março 2009

A Vila mais antiga, uma pia mentira

Daniel Campelo reafirmou no JN de hoje o seu apoio a este slogan que ele próprio lançou há anos. Pelo menos no aspecto formal é uma pia mentira, daquelas a quem o tempo dá laivos de verdade. Como não fez mal a ninguém durante estes anos, só agora as vozes se levantam perante a mentira (pelo menos formal).
Vilas já havia muitos pelo menos desde que os romanos por cá andaram e foram lentamente substituindo a civilização castreja aqui construindo uma ponte, porque a mobilidade era um dos vectores da sua superior civilização. Mas não há vestígios de que aqui tenha existido qualquer povoado significativo, pelo menos na margem esquerda do rio.
Todos os povoados de certa dimensão ficam nas margens direita dos rios, o seu lado mais saudável, mais seguro, que o sol e o inimigo vinham do sul. Mas as povoações criam-se no contexto de uma dada organização estatal ou para-estatal, com uma lógica própria de defesa e distribuição populacional. Não estamos aqui perante um Estado Moderno, historicamente muito mais recente, mas duma soberania nem sempre absoluta, porém organizada.
D. Teresa, auto-proclamada Rainha do Condado Portucalense, achou por bem dar o foral a Ponte de Lima, pequeno burgo cuja dimensão verdadeira em população se desconhece, mas que geograficamente é diminuto. Este foral dá à população aqui residente e a este pequeno burgo direitos pouco vulgares, nomeadamente no trânsito de quem cá se queira deslocar, o que ao tempo era custoso.
O que não resta dúvidas é que, no contexto da criação de mais um Estado, que só viria a ser reconhecido vinte anos depois da outorga do foral, com uma independência só teoricamente dependente do Papado, que o haveria de reconhecer mais tarde, este foi o primeiro acto do género que foi praticado por quem se concedeu poder para tal, a Rainha D. Teresa.
A questão é um pouco estar a discutir se a criança já existe desde a fecundação ou somente com o nascimento, o que pode ser relevante nuns casos mas na maioria não é e em particular para quem espera a criança. Por facilidade de linguagem caímos, cai o Daniel Campelo, nesta pia mentira de em vez de dizer que é o mais antigo foral atribuído na fase de gestação de Portugal a um pequeno território ambicioso, dizer que é o mais antigo de Portugal concedido a um concelho.

17 março 2009

O feriado, uma questão a destempo

O PSD de Ponte de Lima fez do Feriado Municipal um problema de relevância na sua estratégia política. Tudo bem. Nestas circunstâncias de pré campanhas eleitorais ninguém lhe vai ligar, a não ser eu que por vezes gosto de ser benemérito e dar um pouco de troco para animar a malta.
Esta questão entronca com a do foral e com a problemática do ser ou não ser a Vila mais antiga de Portugal. Em tempo falaremos desta. Mas a questão também se relaciona com a marcação das Festas do Concelho e com a sua antecipação de uma semana devido à antecipação que se verificou no começo das aulas. E também desta questão falaremos depois.
A questão do foral é importante se ele assume mesmo um aspecto fundador, de uma povoação que nasceu do nada, com direitos superiores aos habituais e numa lógica nova, diferente daquela que durou séculos e que passava pela criação das povoações importantes na margem direita dos rios que correm de nascente para poente, isto é a norte. Ponte de Lima é uma novidade e permanece excepção.
A questão do tempo em que se celebra o feriado e do seu carácter também é importante. A antecipação das Feiras Novas vai dar ao dia 20 de Setembro uma outra dignidade, que pode ser ainda reforçada se se acabar com a segunda feiras de Feiras Novas e se assumir o carácter religioso que está na base da sua génese. Mas também algumas outras actividades podiam ser incluídas no seu programa normal.
Quanto à época climática não haverá dúvidas que as comparações são favoráveis a Setembro e as excepções só confirmarão a regra.

16 março 2009

O sarrabulho, prato regional ou comercial?

Os novos confrades da Confraria do Sarrabulho à Moda de Ponte de Lima têm que fazer uma declaração estranha em que o amor ao sarrabulho é um pretexto somente. Parece que é algo que se come mesmo que a contra gosto. Nada ali realça o aspecto principal que deve nortear a acção de uma Confraria deste género.
Na dita declaração diz-se que o sarrabulho terá nascido em Ponte de Lima nos inícios do século passado. Não é assim que se defende um prato regional que tem as suas origens decerto uns séculos bem atrás deste parto tardio que lhe é atribuído. A coisa será diferente se se querem referir somente ao prato comercial, mas isso seria muito restritivo.
Sabemos que em princípio o sarrabulho é um arroz de cabidela, feito com sangue e miúdos de uma qualquer animal, em particular a cabra ou o porco. No prato comercial de arroz de sarrabulho substitui-se os miúdos por carne desfiada de vaca e galinha, o que não lembraria ao diabo, muitos menos a qualquer lavrador abastado que mataria o seu porco, mas não matava uma vaca para lhe tirar nenhum “ganso” e deixava a galinha a dar ovos para a próxima Páscoa. É uma solução puramente comercial.
Nesse prato primitiva ter-se-á introduzido as carnes desfiadas e enviado os miúdos para o prato dos rojões conjuntamente com as belouras, as chouriças de verde e as enfarinhadas. Quem o fez pela primeira vez?

15 março 2009

A má política camarária de promoção do sarrabulho

A Câmara Municipal de Ponte de Lima desconfia dos comerciantes de sarrabulho de Ponte de Lima. Foram eles que criaram esta atracção pelo sarrabulho, vendido a um preço convidativo, não estando em questão a sua qualidade, esperando tão só pelo cliente e tentando corresponder aos seus gostos e posses. Agora surge a Câmara com novas ideias e novos patrocínios.
Uma das pessoas que anda a minar a confiança no comércio local e a tentar assumir uma posição de liderança na questão do sarrabulho é o dono do Restaurante Camelo de Portuzelo. Já tem as boas graças da Câmara, pronta a entregar-lhe um papel privilegiado nesta questão, quando não a gestão da Catedral do Sarrabulho, o Restaurante Clara Penha.
Os restaurantes de Ponte de Lima têm que se pôr de sobreaviso perante esta invasão de quem se promoveu à custa de Francisco Sampaio, da Praça da Alegria e da Feira de Santarém sem quaisquer créditos anteriores. Não teremos em Ponte de Lima gente capaz do mesmo mediatismo ou só Daniel Campelo é capaz de umas prestações televisivas apropriadas?
Hoje instalar um restaurante não é fácil e a Câmara de Ponte de Lima tem que incentivar quem se arrisque neste negócio sem querer controlar tudo e ser o maior arrendatário e promotor da restauração limiana. Em vez de apoiar quem se queira instalar, aposta tudo em gente de “créditos” firmados. Esta política de engordar os nababos é errada.

14 março 2009

Pela recuperação do modelo dos actuais candeeiros da Ponte Medieval

A Câmara Municipal de Ponte de Lima colocou durante algum tempo dois novos tipos de candeeiros sobre a Ponte Medieval para analisar o seu efeito estético e a sua correspondência à iluminação pretendida.
Os motivos desta alteração são vários, desde a deterioração dos actuais por enferrujamento à necessidade de um melhor efeito visual e de uma melhor eficiência energética, escondendo o foco de luz e projectando-a toda sobre a ponte e à necessidade de duplicar o número de candeeiros.
Os candeeiros lá colocados correspondem a alguns dos objectivos mas não a todos. Não havia necessidade de alterar o actual visual em relação ao suporte dos candeeiros existentes, que emprestam uma outra robustez, uma maior grandiosidade nos quatro elementos que a constituem.
Os suportes apresentados, um redondo e outro quadrado, são de uma simplicidade confrangedora que se coaduna pouco com o carácter pesado duma obra da natureza da ponte. Já quando ao suporte propriamente da lâmpada eléctrica a solução actual não satisfaz em nenhum sentido.
A implantação na actual base de um suporte da lâmpada diferente era possível. Decerto um suporte quadrado semelhante a uma das soluções apresentadas, com uma outra dimensão talvez para se não perder de vista e corresponder à dimensão do restante candeeiro.
Aceitam-se estudos.

13 março 2009

Uma chantagem sem contrapartida

“Se a direcção do partido não dá um sinal de demarcação em relação às declarações de um dirigente que diz que eu não tenho carácter, não pode querer contar comigo como candidato a deputado”. Manuel Alegre não podia ser mais claro, está perfeitamente convencido que devia vai ser por direito próprio, o lugar é mesmo seu e ninguém o pode substituir como deputado.
Podem contar com ele, está disposto a defender os bons princípios, a lutar pela boa governança do País, a propor o mais puro socialismo de que só ele conhece a fórmula, a zelar pelo cumprimento de tudo aquilo de que ele entende ser o fiel depositário desde que a musa o visitou e lhe deu a voz de poeta e a verve de compositor de árias trovejantes.
Se a Assembleia da Republica legislou pela limitação dos mandatos dos presidentes da Câmara, acusados de serem corruptos, porque se não lembrou de legislar sobre os seus próprios membros e impor-lhes um limite de mandatos e de idade. Se não se pode ser funcionário público porque será que se pode ser deputado, mesmo senil ou sandeu?
Manuel Alegre está decerto saturado de ser deputado, é-o por desfastio e porque não pode ir à caça todos os dias, tolera a função para se manter no palco mediático, que a sua grande ambição é ser de novo candidato a PR.
Se o PS o não deixa a falar sozinho comete grave erro, hipoteca a credibilidade do seu grupo parlamentar, cuja função tem que ser a de apoiar o governo nas boas e nas más condições, mas em especial quando os outros fazem campanhas demolidoras que visam destruir qualquer possibilidade de instituir um governo estável para o País.
A chantagem de Manuel Alegre não oferece contrapartida e é humilhante para os outros deputados que têm dado o seu apoio incondicional, mesmo quando não são favoráveis a todas as medidas que o governo tomou.

12 março 2009

Dinheiro, riqueza e capital

O que esta crise veio mostrar é que, tão mau como não haver dinheiro para investir, é haver dinheiro em excesso e a possibilidade de o investir em produtos de base duvidosa.
As Instituições Financeiras, em vez de procurarem investimentos directamente na produção, dedicaram-se a investir ou canalizar o investimento dos seus clientes para aplicações financeiras directamente associadas à especulação.
O dinheiro existe e está em mãos seguras, de quem o amealhou à custa da especulação ou doutro qualquer sistema, mas que se soube ou teve a sorte de se acautelar em devido tempo. Os felizardos são aqueles que não necessitam de obter liquidez à custa de outros bens de que sejam possuidores. Estes bens é que no geral desvalorizaram, sejam imóveis, sejam negócios, sejam acções.
A riqueza representada por bens não monetários está também em fundos e aplicações impessoais, normalmente com falta de liquidez, geridas por critérios que perante a especulação se revelam impotentes pela falta de maleabilidade. E, quanta mais pressão sobre eles fazem os seus próprios detentores, mais eles se afundam.
Há uma excessiva acumulação de capital, não só em mãos de algumas pessoas muito ricas, como nestas aplicações, sejam elas ou não destinadas a pagar pensões no futuro. Mas todo esse capital não é mais que uma virtualidade a que só o trabalho dará real substância. Esta a razão porque o nosso sistema de segurança social, assente no fruto directo do trabalho dos vindouros, é o mais seguro do mundo.

11 março 2009

Se pensamos que nos safamos num pequeno bote estamos enganados

Há imensa gente a ter medo do futuro mas também há demasiada gente despreocupada, como se o futuro não pudesse trazer problemas e principalmente como se não fosse necessário atacar desde já a possível génese e desenvolvimento de alguns. A atitude mais séria que podemos tomar é nesta confluência de alerta, prevenção e acção positiva.
A atitude fácil de oposição ao progresso, como se fosse possível criar uma ilha imune às suas consequências, não nos ajuda a resolver os problemas. No entanto esse é o pensamento de Daniel Campelo que justifica a em Ponte de Lima aparente falta de problemas derivados da crise com o não embarque na industrialização desenfreada, a qualquer custo.
Primeiro não é verdade que os problemas não tenham surgido, amortecidos embora pelo nosso sistema social, público e familiar. Depois não é sustentável que nos esqueçamos da realidade e continuemos a apostar em manter vivas as manifestações folclóricas, como se estas só por si nos garantissem o pão do futuro.
Acima de tudo não podemos viver o futuro com as certezas do passado. Estas valem o que valem, mas não está garantido que valham para o futuro. Há na economia um efeito de irreversibilidade, as coisas nunca mais voltarão a ser as mesmas, que nos deve obrigar a pensar o nosso problema numa perspectiva global.

10 março 2009

Vamos ter uma catedral do sarrabulho?

Em Ponte de Lima formou-se a Confraria do Sarrabulho à Moda de Ponte de Lima devido à pressão ASAE ou outros organismos públicos e com o objectivo de certificar este produto gastronómico e defender certos dos seus aspectos específicos. Porém, talvez perante uma certa apatia e desinteresse dos mais beneficiados, os restaurantes, a Câmara assumiu demasiado protagonismo nesta Confraria.
Os propósitos da Confraria estão a ser alargados e a assumir aspectos de excessiva abrangência. Quando se fala em intromissão no domínio do preço e de pormenores miudinhos da confecção está-se a querer criar um estereótipo desnecessário e talvez contraproducente. A própria concorrência obriga a adaptar o produto ao gosto do cliente, a uma certa flexibilidade e não à rigidez de quem julga ser depositário do livro certo.
Com a compra do prédio e anexos do antigo restaurante Clara Penha, a Câmara está a dar mais um passo no sentido de estabelecer uma padronização assente na atribuição da paternidade do sarrabulho à família que deu origem àquela casa como uma das que fornecia sarrabulho em Ponte. É outra pretensão excessiva.
No tempo da outra senhora já o turismo tinha esta concepção e fazia deslocar a cozinheira respectiva ao Casino Estoril e a outras mostras para turista ver. Recentemente o Francisco Sampaio seguiu este mesmo princípio e adoptou a dita senhora como mãe desta iguaria tão mal tratada, mas nem por isso merece ser tratada desta maneira.
Muitas vezes adopta-se o nome de uma pessoa para simbolizar um conjunto, à falta de um nome deste. Se esse for o propósito que se assuma e estamos de acordo. Caso contrário nada impede que amanhã um restaurante queira lançar um sarrabulho à moda da Rosa Paula ou da Encanada que está em seu pleno direito.

09 março 2009

Levemos a sério as eleições europeias

O Ministro das Finanças disse que ia bater o pé, caso não fosse aceite pela Comunidade Europeia o IVA a 5% para a passagem nas pontes sobre o Tejo. Efectivamente não está em causa qualquer concorrência para que nos seja imposto uma qualquer outra taxa em vigor na Comunidade.
Temerosamente Portugal começa a bater o pé aos grandes da Europa, que se reúnem a seu belo prazer para tomar decisões que afectam a todos. Além do mais os grandes vêm pôr em causa a dispensa do princípio da unanimidade que a revisão do tratado impõe para a tomada de muitas decisões que comprometem o futuro de todos.
A direita europeia está num beco sem saída e entretêm-se a simular pequenas soluções para tão grave problema que é a crise de emprego que afecta a Europa. Lembre-se que ainda há pouco o parlamento Europeu chumbou uma proposta do Sr. Barroso par que fosse autorizada a prática de 72 horas semanais de trabalho, quando o que é necessário é distribuir por todos as necessidades de trabalho existentes.
Com esta direita no poder na Europa, a capacidade de adoptar políticas de esquerda a nível nacional é perfeitamente impossível. Por isso as próximas eleições europeias são mais importantes do que as eleições nacionais. Só com a derrota da direita a nível europeu é possível mandar embora o Barroso e colocar no poder uma Comissão mais eficaz, com outras soluções.
Infelizmente ninguém parece estar interessado em discutir a transferência de soberania já feita e a fazer e as suas implicações nas nossas vidas. Na minha perspectiva é que, sendo lá, na Comissão, no Conselho Europeu e no Parlamento europeu, que reside já muita da nossa soberania, é necessário provar isso às pessoas para que elas levam a sério as próximas eleições europeias.

08 março 2009

Alegremente ensandecido

Em tempos aos velhos era perdoado o seu desfasamento da realidade. Atribuía-se à senilidade esse efeito que assim se reconhecia não depender da vontade humana e ser um facto inultrapassável. Hoje já se prolonga a vida e o nosso estado de alerta em relação à realidade e as falhas dos velhos não são tão perdoáveis.
Há no entanto outro fenómeno que ocorre na velhice e perturba a nossa relação com os outros, não sendo de ordem fisiológica: É o ensandecimento. Este ocorre em pessoas que tiveram um percurso individual perfeitamente demarcável, que foram louvadas pelos seus méritos, mas que repentinamente se vêm incapazes de corresponder ao que a imagem que têm de si mesmos deles pede.
Estas pessoas têm um sentido agudo da realidade. Se forem de esquerda sabem claramente que a política dos últimos anos tem sido eminentemente defensiva, não havendo avanços no sentido dos valores de esquerda. O que essas pessoas não querem reconhecer é que não havia base sólida sobre a qual fosse possível construir uma política de esquerda e mesmo que se fizessem algumas tentativas de avanço seriam facilmente reversíveis.
Perante o descalabro da direita, começa hoje a haver hoje condições para pensar numa politica diferente e mais progressista, mas não se podem dar passos em falso, como aconteceu no tempo de Guterres. É necessário que a esquerda consiga atingir o poder na Europa e consiga afastar Barrosos e quejandos do poder para manter em respeito banqueiros e capitalistas.
Perante isto o poeta ensandecido o que faz: Enfrentar o partido a quem deve muito da sua imagem com pouco contributo próprio. Não vem mal ao mundo se desprezarmos os seres que se deixam ensandecer por falta de actividade intelectual, por se manterem fixados na imagem que um espelho qualquer lhes reflecte, por se acharem animicamente descompensados. Alegre fala só do passado porque acha que este lhe justifica as posições egocêntricas. O meu desprezo para Manuel Alegre.

07 março 2009

Em causa está a defesa da dignidade humana

O caso acontecido no Brasil de uma menor de nove anos violada pelo padrasto e que engravidou de gémeos tem suscitado reacções contraditórias, porque põe em causa a prevalência de certos princípios morais sobre outros.
Este caso é paradigmático em relação àquilo que é necessário sacrificar para que outros princípios vençam. Será legitimo pôr em causa a vida da jovem, medicamente incapaz de dar seguimento a uma maternidade fora do seu tempo normal e em último instância a perpetuação de uma crime?
O Bispo de Olinda e Recife entende que é. A jovem, a família, os médicos, uma imensidade de gente que interveio na autorização e persecução da interrupção da gravidez foi expulsa da Igreja. O criminoso não foi alvo de qualquer condenação. A sociedade, com o Presidente da Republica à frente, está estupefacta.
A Igreja lida mal com as possibilidades que a ciência veio trazer para a defesa da dignidade humana. Quando a anormalidade surge no ambiente humano, em particular no ambiente familiar, é perfeitamente legítimo que se corrijam os seus efeitos maléficos. Num caso cuja cura só era possível desta forma radical, é contestável haver princípio algum que prevaleça sobre ela.
O homem é imperfeito. Mas não é legitimo que se imponha a alguém que seja vítima da imperfeição dos outros porque já chega a sua. Ninguém tem o direito de fazer de uma jovem vítima perpétua de uma conjugação de factores que terá feito introduzir um ser hediondo no seu ambiente familiar. Porque a Igreja se recusa a rever, não os seus princípios, mas a ordem de prevalência que uns terão necessariamente sobre os outros?

06 março 2009

Aqueles que da morte se vão libertando

Muita gente gostaria que, da sua passagem pela vida, ficasse um rasto, pequeno que fosse, que testemunhasse os seus feitos. Assim o constatou o nosso poeta Camões e agiu em conformidade, dando público conhecimento do que distinguiu muitos dos seus contribuíram para o nosso maior feito: As descobertas.
Mas não restarão dúvidas que conforta muito mais o reconhecimento feito pelos que compartilham o mesmo tempo e o mesmo espaço de vida. Há pois lugar para o passado e para o presente, para as Figuras Limianas posta em livro e para a atribuição de medalhas de mérito a quem maior destaque alcance. O problema é que sobre as tais Figuras já mortas o juízo é mais fácil do que sobre quem connosco convive.
Nos mortos pode-se bater à vontade, nos vivos teremos que ser mais comedidos. Mas genericamente aceitam-se os critérios. Enalteço os méritos de dois jovens ligados à canoagem para os quais este “prémio” será um claro incentivo para continuarem a dar o seu melhor. Enalteço o mérito do Médico Amadeu Pimenta em relação ao empenho no seu trabalho, mas também no apoio que tem dado a muitos Limianos que lho solicitam.
Quanto ao Lar de Idosos, decerto um dos mais antigos do País, é inquestionável o seu mérito. Depois temos mais seis limianos com contribuições diferenciadas, mas sempre meritórias, para a nossa vida colectiva e dois não limianos, Couto Viana e Francisco Sampaio, com méritos discutíveis. È a vida.

05 março 2009

Um louvor à política e a quem a exerce com dignidade

A Politica é uma das actividades mais nobres, mas que se deve exercer sob o máximo escrutínio popular. Só assim não pensa quem se quer substituir a todos os outros e queira exercer o poder com base num grupo restrito de correligionários.
Muitos dos economicamente poderosos clamam contra os políticos quando acham a sua actuação pouco defensora dos seus interesses e atrevem-se mesmo a dizer que, sendo eles que lhes pagam, pelo menos que mais contribuem, têm o direito de despedi-los quando quiserem.
Por outro lado os economicamente débeis clamam exactamente pelos mesmos motivos, vistos do seu próprio prisma, por não serem suficientemente defendidos da voracidade do capital.
Todos os políticos desagradam a alguém, mas quanto mais se procuram colocar ao centro, quanto mais tentam conciliar os interesses de todos, mais se sujeitam ao fogo cruzado, à convergência de todas as oposições.
Os políticos moderados são os mais humilhados por arrivistas de todos os matizes. Os políticos com mais sucesso são os mais conflituosos. Mas uns e outros, sujeitando-se aos ditames da democracia, exercem a sua actividade no convencimento de que estão a defender a melhor solução, mesmo que temporária, para o seu País.
O Cardeal Saraiva foi um político moderado, conciliador, que procurou que a monarquia liberal da primeira metade do século dezanove se conseguisse impor como a melhor solução para Portugal naquela época.
A cerimónia de inauguração da sua estátua em Ponte de Lima integrou uma palestra do Prof. Oliveira Ramos e intervenções do Presidente da Assembleia da Republica, Jaime Gama e do Presidente da Câmara de Ponte de Lima, Daniel Campelo. Foram três elogios ao homem, mas também afirmações claras de louvor à política e aos políticos que melhor a encarnam.
Muitos dos assistentes não terão gostado, em especial os que lá estavam e participaram na apresentação no sábado anterior do livro da Figuras Limianas da Terra Rica da Humanidade.

04 março 2009

Que fantasma persegue Salvato Trigo?

Em Ponte de Lima é de bom-tom bater nos políticos. Um dos motivos será comum a todo o País: Salazar usou e abusou dessa condenação genérica, atribuindo todos os males da Pátria aos políticos da 1ª. República. Salazar, bem seguro no poder, atribuiu aos políticos os piores propósitos divisionistas perante aqueles que à sua volta se uniam formando um núcleo que conteria tudo aquilo que era de mais puro, o que era puro engano.
Em Ponte de Lima houve, na opinião de alguns, da parte de Daniel Campelo um propósito igual que outros, mais do que ele próprio, efectivamente alimentaram. Não é a maioria que incomoda, é o unanimismo, a defesa de uma teoria anti-política, anti-divergência, anti-crítica só porque criticar a crítica é um exercício de pouco dispêndio intelectual e de proveito evidente.
Por isso quando há um acontecimento de certa relevância na pasmaceira limiana a Câmara recorre a um orador bem enquadrado nesta temática que, em vez de dar vida às águas paradas, se propõem sempre esbracejar contra quem supostamente nelas quer mexer. Tem o mérito de deixar a audiência unanimemente embasbacada.
Este orador permanece fiel a certas ideias estáticas, só tem evoluído numa coisa: Na forma como identifica os energúmenos que são os supostos causadores de todos os males. Dantes eram os críticos de taverna, a começar decerto pelos que frequentavam a tasca do seu pai, onde terá bebido os primeiros tragos de maledicência gratuita.
Agora fala dos críticos de café, gente de certo mais fina que se presume ser a que transita pela Havanesa e redondezas. De futuro serão os críticos da blogosfera, decerto. Será que ainda não chegou a esse mundo, bastante mais sórdido, mais cobarde e mais imundo?
Se não se refere a ninguém em particular, mas tão só ao espírito do lugar, esconjure os seus fantasmas e fale abertamente das suas razões e da razão de tanto engulho que não lhe dá liberdade para falar abertamente de ideias e pensamentos mais nobres e construtivos.

03 março 2009

Figuras e figurões que fazem a riqueza e a pobreza desta terra

Vários são os princípios que podiam ser adoptados para agrupar num livro pessoas ligadas à nossa terra. Haverá quem defenda que nesse livro só deveriam ser incluídas as pessoas que se identificassem com aquela ideia de Ponte de Lima mais difundida e aceite. Seria sempre faccioso retirar alguém somente por partilhar estas ou eventualmente ideias contrárias. Esta obra não escapa porém a esta observação.
Haverá quem defenda que só lá deviam constar aqueles que viveram preferencialmente aqui, que cá ganharam raízes, fosse qual fosse a sua origem. Seria decerto redutor, pois também há quem defenda que basta levar o nome de Ponte de Lima a terras estrangeiras para que se lhes deva reconhecer os méritos correspondentes.
Haverá quem defenda que só lá deviam constar aqueles que exerceram funções atribuídas pelo poder, só estes têm o mérito de permanecer na recordação das pessoas. O poder exerce-se para o bem e para o mal e é sempre bom que se conheça quem o exerceu., mas está longe de ser suficiente para se ter uma ideia da realidade social. É um erro a que nesta obra se não foge.
Haverá quem defenda que importantes são aqueles que contribuam para mudar a sociedade, aqueles que apresentam ideias inovadoras, aqueles que se destacaram pelo seu trabalho, aqueles que revelaram qualidades mas as não puderam pôr em prática. Haverá quem defenda que dos derrotados não reza a história e há quem faça deles a história.
Seja qual for o prisma pelo qual se defenda que se faça uma escolha criteriosa, a natureza da obra aconselharia uma maior abrangência, um critério exemplar, dado não haver lugar para todos e a presença de muitos se torna fastidiosa, repetitiva, irrelevante. É sempre mais grave uma falha quando são mais que muitos os casos semelhantes e que nada trazem de novo.

02 março 2009

O reforço da centralidade de Ponte de Lima faz Daniel Campelo apoiar o TGV

A viragem na posição de Daniel Campelo perante o TGV surpreendeu a última Assembleia Municipal de Ponte de Lima. Talvez porque a aparente oposição frontal que tinha manifestado fosse mal interpretada, quando só faria parte de uma estratégia com o objectivo de obter compensações para o concelho, como é habitual na sua actuação política.
Não surpreendeu porém quem sabe a aversão que Daniel Campelo tem pelo PSD, partido girândola que em Ponte de Lima tem tido uma actuação errática, sempre pronto a acompanhar a sua direcção nacional e desprezando os interesses imediatos e mediatos de Ponte de Lima. Maugrado tenha caído como uma luva na sua tradicional posição, claro que não passam por aí as verdadeiras razões deste volte face aparente.
Segundo fontes próximas da governação, em Ponte de Lima será sempre construída uma escala técnica para o TGV. Esta escala técnica, a usar somente quando houverem razões para tal, pode vir a constituir uma escala normal, uma paragem funcional para alguns tipos de comboios. Esta Linha será essencialmente de transporte de mercadorias e a uma velocidade que nunca será excessiva.
Daniel Campelo terá entendido, como eu sugeri, o que também é a opinião de Gaspar Martins, para falar neste seu meio irmão, que no futuro esta infra-estrutura poderá constituir, é mesmo quase seguro que venha a constituir algo de muito valioso para o concelho, dentro do princípio do reforço da sua centralidade em relação ao Alto Minho.
O TGV tem suficientes virtualidades para que não seja necessário procurar compensações em qualquer outro domínio.

01 março 2009

A oportunidade da denúncia de parasitagem política

Na política o tempo é decisivo. Não basta ter razão, é mesmo nefasto ter razão antes do tempo. Principalmente porque enunciar uma verdade fora de tempo dá um trabalho imenso para obter resultados duvidosos. Enunciar na altura própria, quando as evidências são suficientes para dispensar extensas explicações, é condição necessária para a eficácia política.
Chamar de parasita ao BE, como António Costa o fez, seria impensável há uns tempos, se ele não tivesse a experiência do seu vereador Sá Fernandes. António Costa limitou-se a enunciar uma verdade que a realidade tornou evidente, quando a parasitagem política atingiu uma dimensão nunca vista e pondo em causa a governabilidade do País.
Os partidos da oposição não têm em Portugal um discurso que se coadune com as responsabilidades que podem advir de uma participação na governança do País. Minar o poder sem avaliar as consequências passou a ser um processo político adoptado por todas as oposições, inclusive por esses inacreditáveis sociais-democratas. Mas com estes não vale a pena perder tempo.
O Partido Socialista tem que desfazer o novelo que constitui o BE, representante já de uma ideologia intragável, de uma ânsia de poder perigosa que dá origem a episódios como o de Sá Fernandes e Joana Amaral Dias. A sua atitude derrotista, terrorista, de parasita político tinha que ser denunciada e esta denúncia não podia vir em melhor altura.
Esclarecer a razoabilidade das razões de queixa da esquerda é contribuir para captar votos, não só para favorecer o PS, mas acima de tudo para assegurar a governabilidade deste País que não pode ser entregue a parasitas, digam-se eles de direita ou de esquerda.

28 fevereiro 2009

As Figuras Limianas da apresentação não estiveram ao nível do livro

De verdade que ao assistir à apresentação do livro “Figuras Limianas”, em edição da Câmara Municipal de Ponte de Lima e integrado no projecto “Terra Rica da Humanidade”, fiquei perplexo e a pensar que o mesmo seria um fiasco completo.
As intervenções que fizeram parte desta apresentação enredaram-se em aspectos marginais e até estranhos ao conteúdo do livro. Por um lado porque se preocuparam em realçar as participações neste projecto, a agradecer apoios e contributos. Por outro porque acharam que a ocasião era boa para algum protagonismo barato.
Felizmente que uma primeira apreciação me leva desde já a dizer que me enganei, ou antes, que me enganaram, porque as pistas que me deram para a leitura deste livro eram falaciosas ou inexistentes. Entendo que a apresentação deste livro, de qualquer livro, deveria constituir uma aproximação e não um afastamento em relação ao seu conteúdo.
O livro terá lacunas como é compreensível. Corre porém o risco se ser demasiado citar 150 figuras e de entre estas incluir algumas cujas ligações a Ponte de Lima são ténues e mesmo contestáveis. Que se procure encontrar pessoas que de alguma forma tenham laços com Ponte de Lima está certo, mas desde que se reconheça terem deixado por esse motivo alguma referência por estas terras. Deixar uma referência no túmulo seja no Brasil ou na Índia parece-me de pouco significado.
A História não se faz com figuras mas também se faz com figuras. O livro corresponde aos seus propósitos e é profícuo em aspectos interessantes principalmente de meados do século dezanove a meados do século vinte. A sorte é que o livro fica e a apresentação já se foi.

27 fevereiro 2009

Sócrates, vítima da pirraça

Gosto imenso de uma pessoa que dê dois murros na mesa, que reaja forte quando se vê ofendida. Porém quem tem responsabilidades governativas, embora tenha todo o direito de agir dessa maneira, não o pode fazer por sistema, tem de manter a calma e ser indiferente ao motivo que lhe causa desagrado na maioria do tempo.
Gosto imenso de quem não suporta a canalha, mas é perante esta que um homem se sente mais impotente, mais se exaspera, com mais vontade se sente de manifestar o seu desprezo. Infelizmente parece que se entende que quem tem responsabilidades governativas tem que tratar a canalha por igual à gente e manter uma postura esfíngica e superior.
A canalha, quando a reacção não é suficientemente forte, utiliza-a como estímulo próprio para acentuar o acinte dos seus despropósitos. Inocentemente ou não muitas pessoas se entretêm a discutir mais esta luta desigual do que as questões de fundo que interessariam ao País. No fundo isso também mexe com eles. Também isso mexe comigo e por isso falo.
Sócrates sentiu necessidade de esclarecer quais as forças “ocultas” que se mexem, referindo-se a um jornal e a uma estação de TV. Efectivamente o espectáculo dado pelo Público e pela TVI é demasiado degradante, acintoso para que, mesmo pessoas que não gostem de Sócrates, gostem de os ouvir. A tal postura de canalha que se dedica à pirraça é a que eles assumem.
Depois do 25 de Abril muito político subiu à custa da vitimização. Sócrates não subiu dessa forma, nem é agora que vai precisar disso para se promover. Aqueles que se vitimizam adquirem normalmente um crédito extra junto do povo. Sócrates não precisa disso para vencer. Não é com este propósito que Sócrates procede desta maneira. Simplesmente lidar com canalha pirracenta, com tanta canalha junta, é muito difícil.

26 fevereiro 2009

Ainda o TGV e a Assembleia Municipal de Ponte de Lima

Muitas vezes há títulos de jornal que esperam pelas notícias e afinal estas vêm por não corresponder. Não há mal, mantêm-se o título.
Quando assim é, quando a noticia em si não dá qualquer razão ao título, só nos resta desculpabilizar, mas chamar a atenção para que o mesmo se não repita. Porque há sempre aqueles que só lêem os títulos e ficam mal informados. O Quim dos Jornais também tem alguma razão, é certo: Eles que comprem os jornais e lá lêem a notícia toda, em vez de se porem a lerem títulos no escaparate e a taparem-lhe a vista do Largo de Camões.
Mas também há os mal-intencionados e para esses qualquer título serve. Ora a notícia desmente o título porque não assinala qualquer tomada de posição colectiva, antes põe em evidência a diferença de opiniões. Com efeito para o PS “que se lute por um traçado que minimize os danos”. Para Daniel Campelo que “o impacto da passagem do PGV seja o menos mau possível”.
Houve um erro de cálculo no tiro que Abel Batista, Presidente da Assembleia, quis dar para despoletar uma tomada de posição adversa ao TGV e a qualquer traçado que passe por Ponte de Lima. O seu próprio partido não se pronunciou, embora custe a acreditar que seguisse Abel Batista e não Daniel Campelo. Apoio explícito para a tal guerra só o recebeu do PSD.
Se Abel Batista quis falar antes de Daniel Campelo para introduzir esta areia na engrenagem, depois da intervenção dele e no fim da Assembleia não mais se manifestou e deu por finda a Assembleia sem dizer a que conclusões tinham chegado. Onde ficou a guerra que o AltoMinho descobriu, a acreditar no título da sua notícia, no resto correcta no seu essencial.

23 fevereiro 2009

Os Hedge Funds e o suspeito António Borges

Um dos cérebros iluminados da nossa praça chama-se António Borges. Foi Vice-Presidente da Goldman Sachs para a Europa. Nessa qualidade esteve envolvido num ruinoso trabalho encomendado pelo Governo Português para justificar uma reestruturação do sector energético e que foi chumbado pela Comissão Europeia. Custou-lhe o lugar e uma fortuna a Portugal. Ganhou outra fortuna com o seu despedimento.
Actualmente é Presidente do Hedge Fund Standards Board e primeiro conselheiro e Vice de Ferreira Leite. Que crédito político pode merecer este homem a quem chamam economista, mas cuja vida tem sido de financeiro do lado especulador, ele chama-lhe de risco?
Quem continua a gabar e patrocinar estes fundos de investimento especulativo que utilizam todos os artifícios para ganhar dinheiro e que garante que eles vão ganhar em 2009 e não vão voltar a ter prejuízos como em 2008 não pode exercer funções políticas.
Estes fundos garantem ganhar quando os outros perdem, mas para que tal aconteça têm que ir buscar esses ganhos a qualquer lado. Como já têm uma dimensão de três triliões de dólares conseguem manipular as cotações das acções que entenderem atacar e ganhar com as percas dos outros.
Estes fundos são tão nefastos para a economia que a Comissão Europeia indicou-os para serem analisados pelos G20 no sentido da sua regulação, o que pode corresponder à sua extinção, isto é, a terem que cumprir regulamentos iguais aos outros.
Por isso qualquer palavra de António Borges é suspeita.

21 fevereiro 2009

As questões do TGV

O Presidente da Câmara, Daniel Campelo, adoptou na Assembleia Municipal uma atitude optimista. O TGV não é o céu mas também não vai representar o inferno para Ponte de Lima. Está pronto a lutar pela minimização dos impactos negativos.
Qualquer alternativa que fosse apresentada seria decerto mal vista pelos que viessem a ser prejudicados por ela. Uma clara opção por uma das alternativas apresentadas só podia ser adoptada por razões pessoais, porque qualquer delas tem impactos terríveis, na sua opinião.
O PS foi que mais de acordo esteve com esta posição, mas depois de Jorge Nuno Magalhães do PSD ter apresentado a posição como de irredutível oposição à passagem do TGV por Ponte de Lima não havia da parte do PS nada mais a discutir. Qualquer moção que chamasse a atenção para problemas que podiam ser minimizados ou eliminados com alguma alteração às alternativas apresentadas já não era possível.
Infelizmente as contradições que o PSD vive a nível nacional em relação ao seu passado e em particular ao que foi decidido no governo de Durão Barroso também cá chegam. Infelizmente esta gente, que só ambiciona ser poder e não sabe ser oposição, não tem problemas morais em assim ser.
Contagiantes de optimismo quando estão no poder, na oposição são uns chatos permanentes.

20 fevereiro 2009

Um episódio na Assembleia

A Assembleia Municipal de Ponte de Lima reuniu hoje, 20/02/2009, sem que houvesse na agenda motivo de grande interesse. Tinha-se previamente combinado que mediante o conhecimento mais detalhado do estado do projecto do TGV e da intervenção da Câmara de Ponte de Lima pudesse na altura ser acrescentado à agenda um ponto para discutir a questão e uma eventual posição conjunta de todas as forças representadas.
Antes que o Presidente da Câmara apresentasse a sua posição em resposta a intervenções já havidas neste sentido no período de antes da ordem do dia, o Presidente da Assembleia, sem abandonar a sua posição na Presidência, fez uma longa intervenção defendendo uma posição conjunta em termos mais ou menos por si delineados e incentivou/mandou que os líderes partidários e presidente de juntas interessados se reunissem.
O Presidente da Assembleia defendeu também que os mesmos elementos deveriam formar uma comissão para acompanhar o processo. Mas o Presidente da Assembleia não procedeu correctamente porque:
1 – Deveria abandonar o seu lugar na Mesa e fazer uma intervenção como membro da Assembleia
2 – Deveria propor à Assembleia o aditamento dum ponto à ordem de trabalhos a aprovar pelo plenário.
3 – Deveria propor à Assembleia a formação de uma comissão para explorar a possibilidade de uma moção conjunta.
4 – Deveria propor à Assembleia a formação de uma comissão de acompanhamento que verificaria o cumprimento das decisões tomadas no plenário.
O Presidente da Assembleia, Abel Batista, nada disto fez e teve que se limitar a encerrar a sessão sem sequer se referir ao falhanço das suas propostas.
O Presidente da Câmara, Daniel Campelo, desmontou as estratégias de afrontamento e a má fé do PSD nesta questão.

17 fevereiro 2009

O preço da democracia

Esta é o máximo: Para Daniel Campelo os adros de várias Igrejas está ameaçado pelo traçado do TGV. Isto não lembraria ao Diabo. Se as Igrejas estão ameaçadas é pela falta de verdade que impera no mundo, para não ser catastrófico, porque esta verdade é comummente aceite.
Que Daniel Campelo queira mais um bocado de protagonismo está no seu direito, mas que veja em quem se pendura. Que temos todo o direito de reclamar mais informação é verdade, que um simples traçado demasiado largo numa velha carta militar pouco nos diz. Que devemos reclamar por uma apresentação pública é verdade.
Nós não sabemos sequer do que estamos a falar, como o projecto se implementará no terreno, onde passa em túnel e onde passa em viaduto, que protecção existe em especial quando o TGV passa ao ar livre, a que nível de ruído estão sujeitas as pessoas nas imediações da linha, qual a velocidade prevista para as várias localizações.
O nosso território é demasiado irregular para que, sem outros dados que nos sejam fornecidos, se saibam os aspectos mais salientes do projecto. Reclamemos pois por uma apresentação pública do projecto, nada de muito complicado para quem que levar adiante um projecto desta dimensão. Os custos duma apresentação destas são os custos da democracia, que todos devemos pagar com prazer.

16 fevereiro 2009

Professores que não se coíbem de prejudicar os alunos

900 alunos, 143 professores e uns tantos funcionários constituem o Agrupamento de Escolas do Território Educativo de Coura. Paredes de Coura é um dos concelhos, senão o concelho menos atractivo do Alto Minho. Sendo o único que não comunica directamente com o Rio Minho ou o Rio Lima é prejudicado por esta interioridade que nem a auto-estrada veio suavizar.
O seu processo de desertificação vem de há muitos anos, mas não tem deixado de haver empenho da Câmara em o fazer reverter e a melhoria do sistema educativo, no qual se inclui ensino profissional, é disso exemplo.
Agora os professores, em luta contra a melhoria do ensino, resolveram não levar a cabo as actividades programadas para a época de Carnaval e as viagens à praia que costumavam ser facultadas a estes aluno no início do Verão. Os pais indignados revoltam-se e muito justamente. È necessário parar esta luta que só contribuirá para agravar as dificuldades inerentes a viver nest Interior.

15 fevereiro 2009

Um vila do sempre a andar que um dia fecha

As alterações a efectuar no Passeio 25 de Abril e ruas adjacentes nunca foram publicitadas. Um qualquer vereador da Câmara Municipal de Ponte de Lima acorda um dia mal disposto e decide que há-se varrer todos os carros da Vila de modo a não estragar a fotografia de algum pretensioso que por cá passe.
Alargar passeios que a gente é muita, proibir simples paragens que os comerciantes e outros serviços da Vila não necessitam de acessibilidades é o lema. Os de Gondomar agradecem nos domingos que cá vêm para esticar as pernas, apanhar ar fresco e usar as casas de banho.
Neste concelho nada é submetido a parecer sequer dos órgãos camarários, quanto mais submetido à apreciação do público em geral. Tudo é decidido por seres iluminados que impõem a sua ideia de Vila, adulteram toda a vivência característica de uma Vila tão tradicional como a nossa para aplicar uma modernidade saloia que os deixe ficar na história.
As vozes contra são muitas, mas o poder sabe como actuar. Promove intervenções desgarradas que somadas dão como resultado este atrofiamento irresponsável, esta desertificação inexorável, esta debandada irreversível. Quem nos salva destes seres irrequietos que esventram tudo, remexem o mexido e se dedicam a remendar o que antes estragam?

14 fevereiro 2009

O Sarrabulho, um prato popular a recriar

Que Ponte de Lima queira tirar partido do sarrabulho, tudo bem. Há outros sarrabulhos no País, mas não haverá dúvidas que se criou aqui uma tradição de o servir em restaurantes populares com uma confecção específica. Mas acho que se está a ir pelo caminho errado.
A necessidade de certificação do prato não tem que passar por um padrão apertado usado na sua feitura. A necessidade de utilizar produtos previamente embalados é um contratempo para os restaurantes que deriva de que a utilização de produtos frescos pode não ocorrer em tempo útil. Mas também isso não obriga a que haja um fornecedor único que garantiria a utilização de um padrão definido.
Num recente jantar da Confraria do Sarrabulho Daniel Campelo defendeu que “temos de fazer o sarrabulho como manda a confraria”, que “não devemos vender o que não temos”, que “devia haver um preço de referência que os confrades deviam respeitar”, “devia haver uma padrão de produto e de preço do sarrabulho”.
Mais defendeu que “os restaurantes têm que funcionar cada vez mais em equipa e cada restaurante tem que funcionar como um agente promocional da sua terra … se não fica cada um com o seu quintal, mas pode ficar com coisa pouca”.
Não há decerto ramo de actividade em que mais se justifique a concorrência. No preço, até porque este está ou deve estar dependente de outros factores como conforto, qualidade do atendimento, etc. Na confecção porque é benéfico que se estimule a criatividade e a diferenciação. Daniel Campelo quer padronizar uma mediania pouco mais que sofrível?

13 fevereiro 2009

Em Ponte de Lima o CDS lucra com a marcação que há entre os outros partidos

A parte mais autêntica do PSD não faz destrinça entre o plano nacional e o local: O inimigo é o PS e está tudo dito. O problema é que estão habituados a tratar o CDS como um partido muleta e aqui o Daniel Campelo não vai na conversa e até gosta menos deles do que de quaisquer outro adversário.
Este cenário enviesado deixa-os enraivecidos. O CDS não lhes deita a mão, mas até a verdade é que, quando lhes deitou, eles portaram-se obedientemente e trataram da sua vida e em vez de alimentarem as raízes que tinham mais freguesias, deixaram que o CDS lhes roubasse a base de apoio.
Se o governo Santana Lopes não tivesse caído o cenário de hoje seria decerto outro e o PSD talvez estivesse a participar no executivo camarário. Assim continuam excluídos, vendo socialistas por todo o lado a barrar-lhes o caminho. E estes andam satisfeitos só por este facto, o que é pouco.
Esta marcação, se tem lógica a nível nacional, não a tem a nível local, mas também não há aqui qualquer tradição de cooperação entre os dois partidos. De costas voltadas vão alegremente “permitindo” que os seus apoiantes nas legislativas continuem a dar a Daniel Campelo um apoio descabido e contraproducente.

12 fevereiro 2009

O imobilismo político em Ponte de Lima

Em Ponte de Lima, e politicamente falando, o clima é deprimente. O CDS incrustou-se no poder desde o 25 de Abril com uma segurança só posta em causa em duas eleições de 89 e 93 no apogeu do PSD.
O PS tem deambulado de mau a pior, chegando mesmo ao péssimo de não ter representação no executivo camarário durante três mandatos. Recuperou sem honra nem glória no mandato de 2001 e segurou-o em 2005 com um arrojo pouco habitual. Tem executado um mandato muito consistente sem que consiga penetrar sobremaneira na muralha adversária.
Mesmo assim isto incomoda o PSD. Deste alguns sectores transportam para a realidade local o que se passa a nível nacional e elegem o PS como inimigo principal. Outros pensam que era possível uma aliança com o PS, mas são mais os que lhes agradaria ficar com uns sobejos do CDS.
Claro que o cerne do PSD se revê nos gloriosos anos do cavaquismo em que a sua arrogância, a sua ganância em ocupar tudo que fosse cargo público levou à aliança das forças de esquerda com o CDS. Foi um cheque em branco mal aproveitado e pelo qual Daniel Campelo responderá um dia.

11 fevereiro 2009

Vamos ter nova guerra do queijo?

Segundo a RAVE (Rede de Alta Velocidade) “no caso da Câmara Municipal de Ponte de Lima, a reunião solicitada por carta de 2 de Julho, em que se solicitava também a disponibilização de elementos, não veio a concretizar-se por dificuldades de agenda". Havia um compromisso de ouvir a Câmara de Ponte de Lima antes de publicado o mapa a submeter a inquérito ao impacte ambiental e aí Daniel Campelo tem razão.
"Há certamente alternativas com bem menos impactos negativos e a Câmara está disposta para colaborar na definição do desenho dessas alternativas. Os corredores agora publicados são simplesmente danosos para o Concelho e esses nós não podemos - nem iremos - aceitar". Isto também é de Campelo e parece-nos fanfarronice a mais. Quanto à apresentação de alternativas ela é problemática.
Não se vê hipótese de que o TGV não passe no Formigoso onde a travessia pela montanha é mais estreita. As opções a sul de Ponte de Lima são pela Facha, a poente do Monte da Nó e esta afastaria o comboio de Ponte de Lima e nunca iríamos ter hipótese de vir a beneficiar dele.
A outra opção será uma linha quase recta entre a actual estrada para Braga e a auto-estrada, com uma passagem mais problemática a norte do Rio Lima. Esta última solução permitiria pensar numa futura possibilidade de utilização desta via-férrea para comboios que parassem em Ponte de Lima.
Ainda não temos uma perspectiva exacta da questão por falta de conhecimento da forma que a linha vai assumir em cada lugar que atravessa: túnel ou viaduto. Mas dadas as características técnicas, em especial de desníveis, as alternativas serão de pormenor.
Aquele “não iremos aceitar” é uma pia mentira, há cenas que decerto se não vão repetir.

10 fevereiro 2009

Como se passam as pias mentiras

Numa entrevista ao AM o vereador Franclim Sousa afirma que a política educativa do Município está a ser seguida no mesmo rumo desde 2002, desde o governo Durão Barrosos, era ME David Justino.
Ora a Lei de Bases do Sistema Educativo em vigor data de 2003, do governo de Santana Lopes, mas é verdadeiramente com José Sócrates que as alterações a implementar no sistema educativo levam um impulso efectivo.
Mas mesmo a Carta Educativa de Ponte de Lima só foi aprovada há três anos e não tem sido minimamente respeitada e em alguns casos ainda bem, tão mal ela foi elaborada.
As soluções adoptadas têm sido as propostas pelo PS, por minha iniciativa, que as defendi na Assembleia Municipal e do vereador Jorge Silva, que as defendeu no Executivo Camarário.
Quando até no PS houve membros menos receptivos à politica governativa, houve oposição a acabar com escolas ridículas nas aldeias com o argumento que isso favoreceria a desertificação, a Câmara propôs escolas em sítios como Cepões, Poiares e muitos mais que veio a abandonar.
A nossa proposta passava por escolas entre 100 e 200 alunos, de 6 a 12 salas de aula de turma, com outras de apoio e em número de cerca de 15 edifícios devidamente distribuídos pelo concelho seguindo o princípio das linhas de água e até assumindo a sua designação ou outras designações ligadas à natureza.
Foi esta opção que veio a ser tomada e as poucas localizações com que não concordamos, são os casos que já estavam mais avançados com a compra de terrenos e com o começo de algumas obras.
Era bom que o vereador se não vangloriasse daquilo que foi feito contra a sua opinião expressa em documentos.
Estamos no domínio das pias mentiras.

09 fevereiro 2009

Jornalismo de telemóvel

O jornalista não pode estar em todos os lados, tem que ter fontes de informação, mas idóneas. Não é o que acontece se perguntar ao promotor de um evento se ele correu bem ou mal e confirmar na autarquia que está interessada na propaganda. Isto é ser simples correia de transmissão de uma opinião comprometida.
O Sr. Miguel Rodrigues, jornalista do JN, é isso que tem sido. Recebeu do Sr. Agostinho Gomes, o tal empresário, e da Câmara de Ponte de Lima, a tal autarquia, uma notícia que publicou no JN de hoje, 09/02/2009:
A Feira do Porco teve uma “afluência com grande afluência”
A Feira do Porco teve 32 mil visitantes.
Na tenda da Feira do Porco cabiam 5 mil pessoas.
A primeira parte diz da qualidade da escrita deste jornalista.
A segunda diz do que é capaz o arroz de sarrabulho, do seu efeito na mente de jornalistas destes.
A terceira pretende justificar o impossível: Meter um elefante no cú duma agulha.
A tenda tem 2.550 metros quadrados e esteve quase ocupada com expositores que ficaram da Feira dos Noivos que lá tinha ocorrido antes.
Cinco restaurantes com um palco no meio e um cruzeiro ocupariam um terço do barracão com mesas que não levariam mais de trezentas pessoas
Quinhentas pessoas, se tanto, encheriam toda a tenda.
Há que ter bom senso, Sr. Jornalista.
Não faça dos seus leitores estúpidos.
Não estrague a qualidade do JN.

08 fevereiro 2009

Falsas verdades, pias mentiras

Em Ponte de Lima sabe-se que ninguém está dentro de todos os assuntos, a não ser talvez o Daniel Campelo. Quando alguém sabe de alguma coisa, ninguém se quer chatear, vamos lá nós sair à estrada a gritar que o Rei vai nú? Vamos ao menos repor alguma verdade?
As mentiras vão-se espalhando, mas tão piamente, tão pouco, tão ligeiramente, tão sem importância, que a sua falsidade vai passando despercebida. As mentiras pias são aquelas que aparentemente não prejudicam ninguém.
O nosso espírito crítico não está alerta, tão piamente são apresentadas as mentiras, embora mais tarde, quando os dados que as demonstrem estiverem esquecidos e mais fora do nosso alcance, até chegam a ser aproveitados para fins promocionais.
Se algum caso chega a dar raia, e são tão poucos, logo surge uma catadupa de gente a desvalorizar a importância da mentira. Até se chega a dizer que a mentira teve efeitos benéficos.
Serão poucas as pessoas que não aceitem que o seu poder se instale em cima da mentira. Em especial na consolidação do poder, poucos estarão livres de a praticar, mas não pode ser por isso que se não deve denunciar.
Abaixo a mentira por mais pia que seja.

01 fevereiro 2009

Entrevista a um ex e sempre putativo candidato

Trigalfa – Sendo o líder da oposição na Câmara Municipal de Ponte de Lima e com a sua experiência porque razão não se volta a candidatar pelo seu partido?
Manolo Milheiro – O meu partido tem quadros suficientes para não ocupar o cenário sempre com as mesmas caras.
Trigalfa – Sente que a sua imagem terá enfastiado, está gasta?
Manolo Milheiro – Sinto-me um jovem com experiência.
Trigalfa – Qual a sua opinião sobre a escolha do seu partido?
Manolo Milheiro – Como o Tony Martinez não apoia o nosso candidato claro que tenho que ser eu a apoiar.
Trigalfa – Quer dizer que no PSD nunca há acordo?
Manolo Milheiro – Desde que o partido se dividiu entre o carrascão e o chá das cinco que assim é. E isso tem-nos retirado força.
Trigalfa – Vai ficar-se por aí?
Manolo Milheiro – No nosso partido andamos sempre por aí. Uma reforma, um emprego do Estado e vamos andando por aí. Não vê o Santanete? Quando temos valor não tenham pena de nós. A última coisa que faria era ir pedir a casa do vizinho. A nossa estratégia é tirar o vizinho da casa.
Trigalfa – Comparar-se ao Santanete não é pretensão exagerada?
Manolo Milheiro – Sou dirigente distrital e tenho o meu peso. Tenho boa presença na TV, mas nem sempre tenho oportunidade de lá aparecer. Enquanto vou treinando.
Trigalfa – Então o Tony Martinez não o vai parar?
Manolo Milheiro – O Tony teve o seu tempo, está no plano descendente. Não entro na Havanesa, porque não entro onde o inimigo conspira.
Trigalfa – Não teria sido por ter escolhido mal o seu quartel-general?
Manolo Milheiro – Então há lá sítio melhor? Estou perto da Câmara, perto dos Bombeiros e da Polícia, o Hospital não fica longe, como vê quando me chamarem estou sempre disponível.
Trigalfa – E da escola onde trabalha. Que diz da actual situação?
Manolo Milheiro – Cada vez gosto menos de ir à escola. Estou saturado. Sempre que posso fugir para a política ou para a minha actividade profissional fujo. Para mim o essencial é que os alunos tenham professores satisfeitos, bem remunerados, sempre em festa e com tempo para descansarem. Aos alunos já chega o que passam nas explicações.
Trigalfa – Quer dizer que é contra a avaliação e a Ministra da Educação?
Manolo Milheiro – Quem a avalia somos nós e não merece positiva. É uma pretensiosa, com aquela figura timorata bem nos queria tramar a vida. Mas o povo social-democrata e até socialista está cá para lhe fazer frente.
Trigalfa – Porque se acobertam detrás dos comunistas dos sindicatos e utilizam uma linguagem que nem os operários do Barreiro alguma vez usaram?
Manolo Milheiro – Andam a dizer isso para nos deitarem abaixo. As coincidências acontecem e não vamos dizer aos comunistas para se irem embora. Aliás o BE tem excelente imagem, têm cara de santos, são os mártires dos dias de hoje. Não sou eu que tenho vocação para santo e eles fazem falta.
Trigalfa – Com os correligionários que cá tem parece sentir-se melhor na política nacional?
Manolo Milheiro – Tenho de reconhecer que isto aqui é pequeno para mim. Não tenho o reconhecimento devido, nem como professor, nem na minha restante actividade profissional, muito menos na actividade política. Vejo tantos a receber medalhas da Câmara e eu? Sim, eu?

30 janeiro 2009

Entrevista a Jonny Pedraça, putativo candidato à Câmara Municipal de Ponte de Lima

Trigalfa – Na Praça do Zarolho tem-no como putativo candidato à C M P Lima.
Jonny Pedraça – Em primeiro lugar cuidado lá com o putativo, que eu não me ando a oferecer aí pelas esquinas. Sei o que valho e tenho amigos no Governo.
Trigalfa – Não acha que se esse tipo de amigos chegasse o Tony Martinez não teria já metido na Câmara um correligionário qualquer?
Jonny Pedraça – Eu falei do Governo para dizer que era um convite sério. Para o resto estou cá eu. Sou muito conhecido, já dei muitas voltas com os rapazes dos Limianos. Também por essa razão queria dar umas voltas nos jipes dos Bombeiros que são bem vistosos.
Trigalfa – Então é candidato aos Bombeiros e não à Câmara?
Jonny Pedraça – A Câmara é para o Campestre. A única coisa mal no seu já longo mandato é que daqui a pouco não deixa um lugar decente para a sua estátua. Eu gosto muito da Vaca das Cordas mas ficava melhor no Arrabalde.
Trigalfa – Quer dizer que como bom cidadão, tendo suado a sirene nos Bombeiros, está pronto a avançar contra todas as labaredas ou quer ir inaugurar o novo quartel dos Bombeiros?
Jonny Pedraça – Isso é uma insinuação? Não sei nada disso e duvido que haja Quartel tão cedo, se eu não for para lá.
Trigalfa – Acha que lhe vão dar agora de mão beijada uma direcção tão apetecida com a garantia de que se vai fazer um novo Quartel?
Jonny Pedraça – Só sei que tenho os meus soldados sempre prontos a avançar. Os Bombeiros acreditam em mim. E se me faltam alguns nomes para a lista dou uma volta pelo Largo do Zarolho e já componho a fotografia. Eles disseram que não iam a votos, não vão agora mudar de rumo.
Trigalfa – Então está mesmo disponível e não se trata de apoiar o Campestre para a Câmara em troca dum apoio deste à sua candidatura a Bombeiro-Mor?
Jonny Pedraça – Para mim tudo é transparente. Votarei nele porque ele é honesto, bom gestor, excelente presidente, com equipa ganhadora. Um ou dois estão lá a mais, mas eu também não me vou oferecer para tudo. Para isso ofereço-me ao meu partido.
Trigalfa – Não refere que partido é esse por ter vergonha ou por não ter as cotas pagas?
Jonny Pedraça – Conheço um amigo meu que anda aí a dizer que é do CDS e nunca esteve inscrito. Eu pelo menos paguei algumas cotas.
Trigalfa – Na Santa Casa da Misericórdia e na Irmandade de Santo António quem não paga cotas é expulso e não pode ser readmitido.
Jonny Pedraça – Estou pronto a ajudar o partido, mas não agora, a crise chega a todos. Já fui líder concelhio e tenho estatuto. Só pago cotas quando voltar.
Trigalfa – Se não refere sequer o partido que estatuto é esse?
Jonny Pedraça – Sou um homem livre para apoiar o Campestre. Estou na posse de todos os meus direitos para ser candidato a Presidente da Direcção dos Bombeiros. Tenho as cotas em dia, até porque aquele Manel é um chato, que deixa um homem ficar mal em qualquer sítio. Não tenho culpa que o partido não tenha um cobrador assim.
Trigalfa – Então para terminar, acha que um político se faz com uns fogachos, um desfile na procissão das Feiras Novas e outro nas marchas de S. João? Acha que os votos dos amigos chegam?
Jonny Pedraça – Eu sou muito querido por todos os meus amigos e não confundo as coisas. Mas os amigos apoiam-me em todas as condições.
Trigalfa – Não acha que lhe pode acontecer como ao Jonny Barrios na candidatura à direcção da Adega? Está preparado para a ingratidão.
Jonny Pedraça – Br, br, br, … … …

29 janeiro 2009

Trigalfa vai fazer uma série de intrevistas a putativos e não putativos candidatos à Câmara Municipal de Ponte de Lima. Algumas escolhas já estão feitas, há quem se mexa para aparecer e posicionar-se em condições de vir a ser escolhido, mas também há muita indefinição.
Aproveitamos a ocasião para conhecer melhor os candidatos, os seus pontos fortes e fracos, as sua fortalezas e fragilidades. Não está posto de lado o recurso a novas intrevistas para esclarecimentos adicionais, nem sequer intrevistas a pessoas laterais a este processo, mas cuja intervenção pública é conhecida e politicamente relevante.
Claro que esta série de intrevista vai começar com Jonny Pedraça, primeiro herói a sugerir, mas, de forma no mínimo estranha, a não avançar com a sua candidatura. E tanto precisados estamos de gente dinâmica, que nos faça sair deste marasmo.

11 novembro 2008

Momentos da Crise (31)

Todos somos capazes de lidar com o futuro mais ou menos próximo, daquele que construímos com a ajuda dos outros e com a nossa participação activa. Já o mesmo se não passa à medida que esse futuro vai ficando cada vez mais longínquo.
O nosso actual sistema de pensões assenta na contribuição daqueles que estão hoje a trabalhar para pagar àqueles que já deixaram de o fazer. O aumento da esperança de vida, o aumento do custo de manutenção de uma forma saudável nesta etapa “suplementar” da vida, tem levantado o problema da sustentabilidade futura do sistema.
A alternativa apresentada é a criação de um fundo de pensões cujo rendimento garantiria as reformas dos seus depositantes. Cada qual pagaria para si somente, deixaria de pagar para os outros, actuais e futuros. As actuais pensões de reforma, e no futuro um seu valor mínimo, seriam garantidos pelo Estado através da cobrança de uma qualquer contribuição ou imposto.
A tal reforma pessoal futura seria garantida pelo rendimento proporcionado pela gestão de um fundo próprio das contribuições pessoais actuais para o novo sistema. O que a actual crise veio provar é que tais fundos não dão a garantia de qualquer rendimento, antes pelo contrário, não conseguem acompanhar sequer a rentabilidade média dos depósitos a prazo.
Um fundo de pensões é dos elementos mais frágeis do sistema financeiro. Não sendo normal vender o seu património, o que só seria vantajoso se fosse possível prever a evolução do seu valor, tem que viver utilizando os dividendos para pagar as pensões a que se comprometeu.
Ora os dividendos não tem qualquer relevância nesta economia financeira, tal qual hoje a conhecemos. Só uma pequena parte da rentabilidade das empresas vai para dividendos, porque o reinvestimento, a manutenção da máquina gestora levam a parte de leão. Por outro lado o valor das empresas traduzido pelo valor das suas acções é de uma volatilidade incompreensível. A estes fundos nem a venda do património os salva.

10 novembro 2008

Momentos da Crise (30)

Esta crise é demonstrativa da vitória absoluta e definitiva do dinheiro, como símbolo da riqueza não necessariamente utilitária nem sumptuária. O único valor sólido no sistema é aquilo que noutras épocas seria mais vulnerável a uma crise, quase diríamos a uma moda, a um capricho.
Tempos houve que se dizia que a moeda era falsa ou má e ninguém acreditava nela pelo que o preço dos outros bens inflacionava para atender ao risco do uso de tal dinheiro. Noutras ocasiões não haveria dinheiro e quanto maior fosse a produção de bens maior a dificuldade no seu escoamento, o que levaria à depreciação dos preços e à mudança de uma produção competitiva para uma produção selectiva.
Hoje há dinheiro, entenda-se valor escriturado ou em moeda, dentro ou fora do sistema financeiro, líquido para poder servir para troca ou empréstimo e que se mantém sólido enquanto o mesmo não acontece com os bens que alguém possa receber em sua troca. É a procura do dinheiro, mais do que a procura de qualquer um dos outros bens que determina os preços destes bens e a fluidez da actividade económica.
A determinação do preço do dinheiro, do juro pago pelo seu empréstimo, é uma função do Estado que lhe permite intervir em termos indicativos e assim manter a estabilidade do dinheiro. Só que a voracidade com que se engoliram etapas, a velocidade a que se conseguiu progredir e de certo modo antecipar o futuro, criaram a veleidade de pensar que seria possível antecipar esse futuro ainda mais.
O que ficou por determinar é o preço a pagar por isso, o juro que haveria que ser pago, a base em que deveria assentar. Numa realidade em permanente mutação optou-se por antecipar o futuro, aplicando o preço de hoje e o custo hoje dispendido, isto é, o juro que seria hoje pago. Por isso a fixação das taxas indexantes mutáveis e a cristalização em dados momentos dum futuro imprevisível.

09 novembro 2008

Momentos da Crise (29)

Sempre se deu consistência à ideia de que onde estivesse o dinheiro estava o poder. A Banca era assim o símbolo do poder. Banca e dinheiro seriam sinónimos pelo que a Banca seria toda-poderosa, inatacável, inabalável. Neste sentido todos os que não rejeitam a economia de mercado, embora não morram de amores por ela, fazem todos os esforços para se não deixarem dominar pelos senhores do dinheiro. A presente crise tem desmentido esse poder e este temor.
Um primeiro princípio da democracia é que o poder político não seja dependente do poder económico. No entanto nesta crise é o poder económico que necessita de se libertar de uma certa força passiva que o manieta, que não é ele que gera, que lhe é exterior e que no fundo é o sinal da soberania do Estado e da força do poder político, o dinheiro.
Que o dinheiro seja utilizado na execução da sua dupla função de moeda de troca e de reserva de investimento é uma responsabilidade do Estado. Qualquer grande bloqueio que ocorra e não permita a fluidez do comércio e o financiamento dos empréstimos necessários à actividade económica pode reproduzir-se em cadeia e dar numa crise.
Mas uma crise sistémica pressupõe que ocorram problemas a nível global e que a resolução de cada um por si não implique a resolução de todos. Torna-se imperiosa uma intervenção do Estado, dos Estados para que o próprio sistema sofra as alterações adequadas que tornem o dinheiro uma força activa. O Estado não pode delegar em ninguém o poder que o dinheiro constitui, não se pode desculpar com o seu mau uso.

08 novembro 2008

Momentos da Crise (28)

Quando a crise se instala num espaço económico em que prevalece a racionalidade financeira são os outros bens que se depreciam de modo a facilitar a sua trocas e a obter mais rentabilidade para o dinheiro. Na verdade o valor relativo desses bens só alterará se os respectivos sectores entrarem simultaneamente em crise. O dinheiro em si não desvalorizará, mas também entra em crise de carência quando se retrai, se entesoura, quando espera pela melhor oportunidade de aplicação.
Porém independentemente da existência de mais ou menos disponibilidades financeiras, se os bens adquirem tendência para diminuir de valor, as pessoas são levadas a esperar que elas ainda se desvalorizem mais para efectuarem a sua compra. Seja com o intuito deliberado de vender dentro de pouco tempo, seja para salvaguardar a possibilidade de o ter que fazer numa emergência, as pessoas preferem neste caso ter dinheiro. Neste caso podem vir a sobejar bens.
Ao contrário, quando os bens têm tendência para aumentar de valor, as pessoas são levadas a comprar antes que elas se valorizem mais, seja com o intuito deliberado de vender, seja para que o dinheiro fique melhor aplicado, as pessoas preferem neste caso ter bens vendáveis. Neste caso podem sobrar disponibilidades face às aplicações previsíveis.
Quando a crise se instala é pois a primeira situação que ocorre. O dinheiro permanece mais imóvel, hesita-se mais no investimento, sacrifica-se mais o lucro à segurança, destorce-se o mercado, valorizando-se mais o menos volátil e não se arrisca no que está mais sujeito a volatilidade. Paradoxalmente o mais perigoso é aquilo que mais se presta para uma conversão rápida.

07 novembro 2008

Momentos da Crise (27)

Num momento de crise é natural reforçarem-se as reivindicações de apoio ao pequeno empresariado. Já anteriormente se pedia mais colaboração do Estado na instalação e viabilização do negócio desses pequenos empresários. No entanto os Governos no geral fecham os olhos à concentração que se verifica em muitos ramos de negócio.
Ninguém resiste a manifestar os seus sentimentos de simpatia pelos pequenos até porque estes estão sempre mais perto e mais disponíveis. O problema é quando se coloca o problema do preço dos serviços que eles nos podem prestar em similitude de circunstâncias. O grande, aproveitando os ganhos de escala, oferece-nos vantagens e é geralmente o preferido.
A isto acrescenta-se ainda a grande evolução tecnológica que determinou o fim de muitas profissões tradicionalmente exercidas por pequenas unidades de produção. Na produção propriamente as exigências de capital para comprar a tecnologia indispensável e a dispersão do mercado que exige um investimento em marketing incomportável para os pequenos, mais a facilidade de movimentação determinam uma concentração que elimina os pequenos.
Decerto que os grandes não vão deixar de ter crédito para poderem incentivar a produção. Estamos cada vez mais condenados a ser empregados.

06 novembro 2008

Momentos da Crise (26)

Se é verdade que a riqueza é capaz de dar origem a mais riqueza já é mentira que dinheiro gere dinheiro. Com a criação de riqueza a sociedade fica mais rica claro, mas o dinheiro só muda de mão e a sociedade não fica mais rica por haver trocas ou por haver empréstimos que paguem juros. A sociedade fica mais rica se os bens, sejam eles quais forem, estiverem nas mãos de quem lhes der mais utilidade.
Ao dinheiro de hoje, neste mercado global já não se reconhece relação com as economias locais. Os Estados vão emitindo normalmente moeda à medida do crescimento da riqueza mas procuram não inflacionar os preços, não depreciar a moeda. Aliás é a riqueza que se vai depreciando, conforme a base em que está estabelecida, conforme a seu grau de degradação.
A riqueza, embora relativa, será “sempre” riqueza mas só a sua inclusão na economia mercantil corresponde à convertibilidade em moeda. O normal será a riqueza crescer, isto é, haver um saldo positivo entre o valor dos novos bens e o valor que vai diminuindo em relação aos outros bens. À medida que a riqueza cresce mais moeda se torna necessária para garantir a fluidez dos movimentos mercantis.
Se é verdade que tem havido uma certa concentração da riqueza, na realidade tem havido uma concentração muito maior do dinheiro e o seu uso irracional. Independentemente da legitimidade da forma como esse dinheiro foi obtido, há um problema da sua utilização que tem que ser pensado. A todos os bens tem que ser garantido que o seu uso corresponda à sua utilidade social.

05 novembro 2008

Momentos da Crise (25)

Se nós produzimos milho queremos que alguém no-lo venha comprar. Se nós produzimos tesouras da poda temos que encontrar a quem as vender, de preferência por grosso, porque a retalho dá muito trabalho, a clientela possível está demasiado dispersa. Mas se a nossa produção for pequena e tivermos uma clientela fiel perto da porta talvez não necessitemos de intermediários.
Em tempos emprestava-se muito dinheiro a pessoas conhecidas, a pessoas que tinham bens penhoráveis ou que apresentavam algum fiador com crédito evidente. Emprestava-se em casos de emergência, emprestava-se para que se pudesse realizar algum negócio inadiável, emprestava-se para iniciar alguma actividade independente, emprestava-se para emigrar.
As pessoas que recorriam a empréstimos empenhavam também a sua palavra, sentiam-se na obrigação de cumprir todos os compromissos assumidos, as penhoras e as fianças eram processos raros. Quando algum usurário ficava com propriedades valiosas para pagamento de empréstimos de menor valor também era o seu nome que ficava mal visto.
A Banca nasceu da necessidade de haver uma intermediação entre quem tem dinheiro disponível e quem dele necessita. Assim a Banca tem que garantir proventos a quem empresta e ganhos para se manter a si própria em funcionamento. Quem coloca o dinheiro no Banco é lá que o pode ir buscar, não a casa ou às propriedades daqueles que lhe estão em dívida.
Quem vai à Banca buscar dinheiro sem o lá ter sujeita-se a perder os seus bens, mesmo que chamem de tudo à Banca. Já antigamente, quando as coisas não corriam como o desejado, se ficava sem as terras, sem honra, sem apoios. Mas hoje a Banca tem responsabilidades na economia em geral e nas nossas dificuldades em particular que os antigos usurários não tinham. A função da banca é demasiado importante para que funcione em roda livre.

04 novembro 2008

Momentos da Crise (24)

Dentro da crise geral que atormenta economistas, financeiros e políticos a nós cabe-nos uma crisesinha, daquelas que não tendo a gravidade da crise lá de fora, não dando para uma corrida aos bancos ou para a falência, dá mesmo assim para especulações quantas bastem.
Nacionalizar está mal, diz Cadilhe, ele que foi o Salvador chamado para atacar as labaredas que já então consumiam o BPN, que tão ciente estava do êxito da sua missão, que até prescindiu de uma choruda reforma que já auferia do BCP por ter por lá passado uns tempos.
Ele que foi chamado a uma armadilha, que até denunciou em tempo útil, vai sair desta crise perdendo tudo, irritado com tudo e com todos, mas por questões ideológicas, porque não resiste ao apelo cínico da política mais mesquinha e corriqueira, não atribui as culpas a quem o traiu, aos seus amigos, mas ao Ministro que está a defender o erário público.
Quem tem amigos como Cadilhe até nem precisa de inimigos. Poder-se-ão desculpar que afinal até ninguém estava à espera que o Governo utilizasse a legislação que está preparada para a grande crise nesta crisesinha já tão gasta e velha.
Porque convenhamos, se não é a grande crise, os nossos banqueiros continuariam a ser considerados pessoas de bem, sobre os quais quaisquer suspeitas tem como consequência o banco dos réus para quem as levanta.
O que está em causa é o papel social dos homens sempre engravatados. Hoje “só” fazem a rapinagem de todos os recursos disponíveis, controlam a sua utilização e retiram os grandes lucros. Exercem uma actividade necessária mas não directamente produtiva, a não ser para os próprios.

03 novembro 2008

Momentos da Crise (23)

As crises são muito boas para chamar a atenção para muitos erros, excessos, desvios. Porém passadas as tormentas o espírito humano é muito pródigo em esquecer lições. Nesta crise muita gente sabia os erros que se estavam a cometer, muitos os cometeram deliberadamente, mas poucos tiveram a coragem e a ousadia de remar contra a maré, de resistir à tentação de atirar o anzol para as águas de onde outros estavam a tirar bom peixe.
Muita gente sabe que, se não forem tomadas medidas a tempo, o sistema financeiro terá tendência para enveredar pelos mesmos caminhos. Mas para medidas de controlo suficientemente apertado ainda não terá chegado o tempo num processo que tem de ser de dimensão mundial.
Aliás se não houver também mudanças no sistema monetário permanecerá o vírus da instabilidade no sistema. Também quanto a esta questão deveremos acreditar que não terá chegado o momento de tomar decisões, mas mais tarde ou mais cedo lá chegaremos.
Quanto ao manuseamento do dinheiro ele tem que ser claro, transparente mesmo, as operações bancárias não podem estar escondidas tantos anos como no caso BPN. Registos em balcões virtuais a substituir os reais parece ser uma técnica só possível perante o olhar complacente das autoridades de supervisão.
Não são espiões, dizem os homens do Banco de Portugal. Se não for assim não seu como será possível controlar a emissão de moeda falsa?

02 novembro 2008

Momentos da Crise (22)

Em tempos até se instituiu um Dia da Poupança. A ideia era meritória porque visava incentivar a prática de juntar sempre que possível umas economias para instituir um pé-de-meia o mais elástico possível, para ocorrer a uma despesa mais imprevista, a um investimento mais vultuoso na habitação ou na mobilidade.
A ideia de ter uma poupança é uma ideia sadia, que não seja mais do que ter um fundo de maneio suficientemente vantajoso para que nos livrasse ao menos daquela sensação de aperto em que vive quem corre o risco de gastar até ao dia 20 o dinheiro que lhe deveria chegar até ao fim do mês.
Esta ideia que o nosso Salazar levou até aos extremos tem os seus méritos, conquanto possa ser partilhada por gente com más intenções, como é o caso. Infelizmente não é esta a única ideia posta de lado por ter sido já usada com intuitos políticos ou por gente que faz associações de ideias pouco claras e abusivas só para satisfazer ideias de outra índole, como se passa com a ideia de família.
Aliás poupança e família são duas ideias que se ajudam, que se reforçam e que podem conjuntamente servir de base a muita tomada de decisão. Poder-se-á dizer que há uma relação directa entre capacidade de poupança e o prolongamento da família através da entrada nesta de filhos.
Só que hoje está bem mais em voga a antecipação do futuro, o gastar agora e pagar depois, o viver por conta do rendimento que há-de vir. Se tal fosse feito com comedimento, se não fosse posto em causa o necessário equilíbrio do orçamento familiar, as vantagens seriam evidentes.
Mas substituir tão só o aperto da poupança voluntária pelo aperto dos compromissos certos, inadiáveis e prioritários é que parece mais confrangedor.

01 novembro 2008

Momentos da Crise (21)

A todo o momento, quando conversamos com alguém menos preparado para a dialéctica, estamos a deparar constantemente com pensamentos terminais, daqueles perante os quais é difícil argumentar, pois quase nos deixam sem outra escolha que não a de aceitação ou rejeição.
Se conseguimos ultrapassar esses autênticos nós górdios também normalmente somos acusados de falar muito e dizer pouco, pois tais pessoas estariam tão só à espera de um sim/não redutor. Por isso temos de os tratar como perigosas encruzilhadas, autênticas ratoeiras que os mais destituídos utilizam quando não conseguem ir mais além.
Mas a crise é neste aspecto um ajudante expedito para obrigar as pessoas a encontrar razões, a não se ficarem por trivialidades. A crise estilhaça a argumentação simplista, a sentença fácil, a estagnação dialéctica. Com a crise dá-se a implosão de muita verdade tida por inquestionável.
Perante a crise e o seu evoluir ziguezagueante muitas das perguntas deixaram ou vão deixando de fazer sentido. Quando as respostas sim ou não deixam de corresponder a opções viáveis ou quando o caminho começa a ser só um e cada vez mais estreito, as pessoas vão-se convencendo que as suas perguntas eram falaciosas.
As perguntas a fazer agora não são sequer como vamos sair da crise, como se estabilizarão os parâmetros mais importantes que configuram a situação económica, mas sim como deve ser estruturado o sistema financeiro, que serviços e produtos ele deve fornecer, que controle deve ser estabelecido para que uma situação como a presente se não repita.

Aqui pode vir a falar-se de tudo. Renegam-se trivialidades, mas tudo depende da abordagem. Que se não repise o que está por de mais mastigado pelo pensamento redondo dominante. Que se abram perspectivas é o desejo. Que se sustentem pensamentos inovadores. Em Ponte de Lima, como em todo o universo humano, nada nos pode ser estranho.

Acerca de mim

A minha foto
Ponte de Lima, Alto Minho, Portugal
múltiplas intervenções no espaço cívico

"Big Man" 1998 (1,83 de altura) - Obra de Mueck

"Big Man" 1998 (1,83 de altura) - Obra de Mueck
O mais perfeito retrato da solidão humana