08 fevereiro 2008

Encontrar-se-ão árvores na floresta do poder local?

Autarquias locais, principalmente câmaras municipais, onde se presume que o poder está mais perto do cidadão, que se conhecem melhor os seus problemas, blá, blá, blá...
Na realidade onde pouco de significativo que interesse de imediato às pessoas é decidido e muitas vezes mal. Onde há mais corrupção, mais dificuldades se criam, mais favores e vinganças se fazem.
O poder local é a maior feira de vaidades e onde haveria menos razão para elas existirem. Todos os serviços são cobrados, tudo é pago, mesmo aquilo que pareceria uma dádiva da natureza. Paga-se a água, os jardins, a limpeza, o saneamento, as honrarias que se atribuem, os auto-elogios que se fazem, as promoções que se patrocinam.
O poder local, se estivesse mesmo perto de nós, não precisaria de trombetas e bombos, de palcos e palanques, de realçar a sua acção e principalmente de denegrir a inacção ou acção contrária dos outros, para fazer valer as suas razões.
O que de significativo se faz na acção autárquica raramente tem a oposição de alguém. O que são floreados, obras pomposas, gastos sumptuários pode e deve ser contestado por todos os opositores.
O poder central que está longe, que necessita de se afirmar, marcar presença nos mais longínquos espaços do território tem que se fazer ouvir. O poder local torna-se ridículo por adoptar as mesmas lógicas, que na realidade se não lhes aplicam.
No poder local a floresta é a promiscuidade, a árvore é aquilo que nós perseguimos há muito tempo.

07 fevereiro 2008

As brutas pedras da blogosfera

O comentário breve, mordaz, insidioso é, diz-se, o mais apreciado na blogosfera. Quem o publica entende-se como o mais inteligente, actualizado, avançado mesmo de todos os que andam por estas paragens e pelo mundo ao redor.
A tirada pitoresca dá uma ideia de um espírito aberto, capaz de brincar com coisas que não merecem ser vistas com a seriedade que muitos de nós, os chatos, lhes queremos dar.
Muitos ganham na blogosfera, no seu círculo de indefectíveis, o estatuto de infalíveis, de indivíduos capazes de, no momento certo, fazerem a apreciação justa, sentenciosa, inquestionável.
Na verdade agem como autênticas pedras cuja firmeza impressiona, mas só convencem os convencidos, só influenciam os influenciados, só perturbam os perturbados.
Na verdade são brutas pedras.

06 fevereiro 2008

O ódio cega, a companhia reconforta

Há quem use a blogosfera como se de um órgão de informação institucional se tratasse. Há quem a use para postar o seu comentário e fica à espera que muitos outros blogosféricos venham confirmar que têm o mesmo gosto em relação a qualquer assunto corrente. Há quem se abstraia e procure de certo contribuir para que os outros possam partilhar um qualquer desvario, bom ou mal, é do gosto de cada um.
O mais atractivo para mim é o comentário, a forma crítica de abordar os problemas, mas é aí que se encontra o mais negativo. Como seria agradável se tudo fossem comentários que trouxessem a sua janela de novidade, aquele olhar abarcador que nos elucida ou minucioso que, por mais pequeno que seja nos mostra o pormenor que nos falhou, de que nos não apercebemos, a que não demos a devida importância.
Mas há quem opine porque tem que opinar e mais nada. Não tem trabalho porque os modelos, as posturas e até as opiniões já estão encontrados há muito. Os factos sempre vão aparecendo ou então continua-se a bater no ceguinho, que é sempre quem está mais à mão. Às vezes basta uma palavra, uma expressão para exprimir um ódio que se guarda, uma vingança que se anseia, um ressentimento que se avoluma.
Este modelo permite às pessoas ter a sensação de que transformam o circunstancial e efémero em definitivo e quase eterno. É comum dizer-se que o ódio cega. Na verdade o olhar que se transmite, contaminado que está pelo agente transmissor, é sempre igual qualquer que seja o objecto que se está a ver. Estas pessoas já não têm esperança em que haja algo de diferente.

05 fevereiro 2008

Um olhar para lá do C.A.N.’2008

A simbologia é a criação distintiva do homem em relação a outros seres. Mesmo quando tentamos contactar com o corpo ou o rosto partimos do princípio de que ele simboliza algo ou um conjunto de “algos” que podem ser ideias, impressões, sentimentos, etc., etc.
No actual estado da civilização a ideia de dor é de tal maneira repudiada que, muito para além de não a queremos ver em prática, ainda renegamos tudo aquilo que a possa transmitir. Um símbolo de dor é já a dor, como que nos habitua a algo que queremos ver bem longe de nós.
O Campeonato Africano de Futebol que se está a desenrolar no Ghana, como todas as manifestações deste género, tem a intenção de nos transmitir alegria. Compreende-se que assim seja, mas não nos podemos esquecer que a dor anda muitíssimo perto.
E no entanto nada de significativo é feito para acabar com a dor que dilacera África. Parece que temos a noção que os africanos são insensíveis à dor e como tal não dignos de comiseração. Portugal tratou-os assim nas colónias, mas eles trataram-se pior quando de lá saímos.
Os símbolos de dor vindos de África, fossem crianças, mulheres ou velhos sofrendo, tiveram o seu tempo e aparentemente tiveram efeito na altura. No entanto já não saem do domínio das trivialidades.
Que será necessário fazer, que símbolo havemos de inventar, para que África seja vista na plena dimensão do seu drama civilizacional em que a doença, a guerra, a fome deixem de ser olhadas como seus males normais?

04 fevereiro 2008

Meneses, um homem com carisma?

O Carisma é aquilo que nós conhecemos pelos efeitos mas estamos longe de conhecer pela substância. Se não fora assim nós talvez pudéssemos ir buscar um pouco de carisma mas nos ajudar a triunfar.
O carisma não é só apanágio de religiosos e políticos e alguma dose se destinará a outras pessoas que assim podem ocupar diferentes lugares de referência. Muitas pessoas identificam os males do actual estado da civilização somente pela ausência de carisma naqueles que são essas referências.
Em particular na política às pessoas agradava-lhes que os líderes fossem pessoas com carisma. Além de formalmente se mostrarem democráticas, as pessoas como que se desculpabilizariam mais facilmente do que se tivessem que estar a explicar outros critérios que utilizassem nas suas escolhas.
A nossa política anda sempre à volta desta incógnita de quem é o dirigente mais carismático. Os activistas são aqueles que procuram ganhar adesões para o seu lado. Mas a nossa política faz-se maioritariamente pela negativa e assim os melhores são aqueles que mais conseguem roubar apoios aos seus adversários.
Na nossa política do contra há que destruir tudo que possa contribuir para a credibilidade do inimigo. Não interessa sequer ter-se um carisma evidente, espera-se que a sorte o traga e faz-se com que os outros o percam. Qualquer Meneses se pode lançar a esta tarefa indigna de não ser mais do que um aprendiz de feiticeiro na criação do carisma que lhe falta e na tentativa de destruição do que a Sócrates sobeja.

03 fevereiro 2008


Regresso à imagem?

Não.

Esta Obra de Mueck de 1998 retrata na perfeição o meu estado de espirito em muitas ocasiões desta vida já com os seus dias e as suas vicissitudes próprias.

Uma perspectiva mais central está no final deste blog substituindo a velha garça, não expulsa mas tão somente remetida para o seu próprio blog.

Isto é arte, não tirem conclusões apressadas.

Cuidado com a estratégia adversária

JN: Todos parecem ter encontrado as causas para a actual fragilidade do país em António Guterres. O pecado dele foi ter feito Portugal crer que poderia ser uma imensa classe média?
António Barreto: Não posso negar o que diz. No Governo dele tudo era possível, tudo era fácil e o que havia chegava para todos. Todos iriam ter tudo. Para o conseguir, ele nunca corta a direito, nem toma decisões. Habituámo-nos a viver à balda e à borla.
JN: Ficou tudo condicionado aí?
António Barreto: Uma parte importante; não tudo. Há outras coisas que vêm já dos governos de Cavaco Silva. A constante mais permanente nos últimos 30 anos foi a demagogia.
(transcrição duma entrevista de António Barreto ao JN de hoje)

Uma das razões para tanta compreensão de Cavaco Silva para com este governo pode estar aqui, nesta certeza que hoje temos de que António Guterres foi um mãos-largas, mas há erros cometidos que o foram já pelo governo de Cavaco e que Guterres não corrigiu.
Cavaco Silva está deixando que o presente governo de José Sócrates emende os mais gravosos esbanjamentos na época das vacas gordas, que retire, mesmo que a posteriori, do curriculum de Cavaco as falhas que terá tido ou que os cavaquistas cometeram em seu nome.
Nunca se sabe é qual será a atitude de Cavaco quando estes problemas estiverem resolvidos. Procederá como Eanes, Soares e Sampaio que foram mais rigorosos no segundo mandato em função dos seus objectivos pessoais?
Se é certo que Cavaco ainda se não livrou no seu partido da má moeda, há-de ter como fim neste primeiro mandato matar dois coelhos duma só cajadada. O Partido Socialista tem que estudar bem os timing de modo a não ser surpreendido por jogadas que estejam em preparação. Porque Cavaco não há-de querer ficar para a história como “compagnon de route” do P.S.
E os velhos marretas têm que ter juízo.

02 fevereiro 2008

Uma Presidência tricéfala?

Nem sempre os Presidentes da República assumiram posições muito claras principalmente nos seus segundos mandatos. Tiveram aí uma maior intervenção e mais tendenciosa, mais em consonância com as suas próprias ideias, assumindo nítidas divergências com os executivos. No primeiro mandato foram mais passivos, mais envergonhados de apoiar ou desapoiar ou então mandando mensagens sub-reptícias, encapotadas.
Inesperadamente Cavaco Silva tem assumido neste seu primeiro mandato uma intervenção de que se não estaria à espera face às suas opiniões quando era Primeiro-Ministro. O certo é que a sua actividade tem sido no geral bem vista, dirão alguns porque o Governo está a pôr em prática uma política mais próxima da sua ideologia de direita.
Esta forma de participar activa e opinativamente tem surpreendido os candidatos derrotados Manuel Alegre e Mário Soares, notórios abencerragens que no seu papel de vigilantes se não querem deixar ultrapassar. Lançam acusações vagas, pretendem abafar o papel nefasto que o actual Presidente estará a exercer e que o Governo inflicta na sua política de rigor.
Não se cuidam de fazer coro com os maiores imbecis da direita canhestra. Se continuarem a preparar assim o descrédito e a desmoralização da governação de Sócrates, se elevarem os seus interesses egoístas acima do interesse nacional, como infelizmente ainda há quem os siga, vão contribuir para entregar o oiro ao bandido que aqui tem um nome bem conhecido: Meneses, um suicidário sem Norte nem Sul.

01 fevereiro 2008

A ganância como estilo de vida

Uma das coisas que há uns anos mais chocava as pessoas era a ganância. Infelizmente parece ser mal que se terá espalhado tanto que deixou de ser mal visto. Pelo contrário há já forças que acham a ganância tão importante para a economia como o é a produtividade.
Um movimento no sentido de tornar menor a apetência das pessoas por se apropriarem em excesso, isto é, gananciosamente, daquilo que lhes está à mão, porque ninguém pode ser dono absoluto de nada, seria bem-vindo, mas creio que, mesmo com os altos patrocínios que se lhe referem, esta causa não alcançará facilmente os seus objectivos.
Já muitas personalidades se referiram aos altos proventos dos gestores de topo em todo o mundo, questão que em Portugal assume um aspecto mais escandaloso dada a disparidades de rendimento. Cavaco Silva já a vai abordando com certa persistência.
Mas foi José Sócrates que identificou claramente o vírus provocador, só que não chega, ficamos com a questão no domínio da ética. É necessário que na economia se diga que a ganância não faz qualquer falta, que as pessoas podem trabalhar com afinco e determinação quando têm outros valores como seus guias.
Estamos no domínio do rendimento das pessoas mas também valeria para as empresas que, com o fim de obter lucros desmedidos, exploram as condições de dependência do cliente em relação a si para o explorarem quanto podem. Aqui ganham os gestores mas também os sócios ou accionistas.
Como as empresas se desculpam muitas vezes com a necessidade de serem competitivas, de se defenderem da aquisição por estrangeiros, ainda mais vorazes do que elas, já seria bom que neste aspecto pessoal mais indecoroso, desleal, pecaminoso em qualquer perspectiva ética, se avance no sentido de sermos mais comedidos e solidários.

31 janeiro 2008

A impiedade verbal

O papel da comunicação social já está por demais estudado mas as pessoas estão longe de estarem prevenidas quanto a ele. Nem é necessário ser ingénuo para que as pessoas se deixem levar por movimentos incontrolados. Os próprios jornalistas são as primeiras vítimas, antes de transmitirem aos leitores, ouvintes e telespectadores o veneno fatal.
Os jornalistas procuram ser insidiosos mas não é esse o grande mal. A questão está em não conseguirem, com perguntas breves e respostas curtas, desmontar qualquer problema sério.
As pessoas podem ficar com a ideia de que estão esclarecidas, de que já sabem quais os propósitos mais inconfessados daqueles que não dão aos jornalistas as respostas que elas próprias quereriam, que acham as mais correctas. E condenam-nos impiedosamente.
O que as pessoas não ficam decerto esclarecidas é sobre os propósitos daqueles que se limitam a estar na sombra, fazendo elevar o coro da contestação e transmitindo já condenações sumárias dissimuladas através do burburinho reinante.
Todos os homens bons deveriam orientar toda a impiedade que transportam em si para vergastar verbalmente toda a espécie de crápulas que não ponham à vista todos os seus propósitos e se aproveitam da ignorância alheia.

30 janeiro 2008

A nossa arqueologia industrial

Em http://trigalfa.blogspot.com/2007/01/nossa-arqueologia-industrial-os-mais.html chamei a atenção para o abandono a que estavam sujeitos os restos da nossa arqueologia industrial.
Terá a Câmara Municipal acordado para esta problemática? O projecto Terra Rica da Humanidade preocupar-se-á com este tipo de passado, aliás de pouca dimensão em relação à nossa actividade principal: A agricultura?
O responsável pelo pelouro da Cultura, vereador Franclim de Castro e Sousa, ter-se-á apercebido desta lacuna e teve a iniciativa de abrir um concurso para que jovens licenciados quisessem fazer trabalhos sobre este tema? Não.
O vereador Gaspar Martins de que se não conhecem grandes habilidades nesta área resolveu encomendar a um habilidoso que fizesse uma recolha e não se sabe se um mostruário das relíquias referentes ao trabalho de alguns limianos nesta área específica da serração de madeiras.
Será porque na sua fase infantil também lá andou pela fábrica de que o pai era encarregado? O texto justificativo deste trabalho, cujos contornos estão mal definidos, parece remeter para um choradinho de todo impróprio para coisas que devem ser vistas com objectividade e com a importância que à época tinham.
PS: O Vereador Gaspar Martins contactou anteriormente a jornalista Paula Velho que, por motivos profissionais, porque foi trabalhar para Lisboa, teve que recusar o encargo. Na minha opinião teria sido uma decisão acertada, que em nada porém altera as conclusões a tirar do desenvolvimento que este processo teve.

29 janeiro 2008

O pensamento único e as tristes figuras que não lhe resistem

Democracia de plástico, política espectáculo, pensamento único, novas e velhas terminologias são aplicadas um pouco indistintamente àquilo que se faz com o rigor possível a àquilo que se propõe sem qualquer base razoável de estudo, de bom senso, ou de senso comum.
Manuel Alegre, Mário Soares, Pacheco Pereira andam numa azáfama criadora. As ideias jorram intermitentemente mas sempre com o fim de culpabilizar alguém. Hoje exigem-se culpados para tudo e ainda bem. Mas prescindir de julgar o passado não me parece certo.
Estas figuras que se deixam misturar por necessidade mediática, que tiveram diferentes graus de responsabilidade no passado, sobrevoam os factos de hoje como sejam fruto de seres malévolos e como se eles de uma maneira ou de outra não tivessem neles alguma responsabilidade.
Se fossemos ver a “culpabilidade” só em função da participação em governos então Mário Soares estava perdido e Manuel Alegre ilibado. Segundo diz esta figura majestosa na sua biografia “participa esporadicamente no I Governo Constitucional de Mário Soares”. Não fala da triste figura que fez.
Todos os factos de hoje estão condicionados pelos factos velhos, que não são trapos que se deitem fora para que se perceba o presente só como estes senhores querem. Se não tiveram intervenção suficiente no passado para evitar que as coisas seguissem por maus caminhos, não é com intervenções extemporâneas que o vão justificar agora.
O estatuto de respeitáveis velhotes começa a pesar-lhes demasiado. Nem eles resistem à necessidade mediática, o único “pensamento único” que conheço e que os faz falar a uma só voz.

28 janeiro 2008

A “sem vergonha” … tem limites

Se ao menos o Meneses cumprisse aquilo que prometeu, ainda isto se poderia aturar. Na realidade falta-lhe aparecer em maus lugares quando Sócrates fosse a um bom sítio. Sempre arrastaria para lá umas televisões e uns emplastros.
Como todas as televisões andam atrás de Sócrates há uns dos tais do velho e arquétipo partido comunista que não o largam. Infelizmente o P.C. ainda vai servindo de modelo a alguns indivíduos de má índole.
Os insultos que esta gente emprega não os desprestigiam porque o crédito que mereciam já há muito está esgotado. Esta situação só nos merece o mais vivo repúdio, pelo atentado que constitui à democracia.
Mas a desclassificação humana que promovem de si próprios merece-nos um vómito de desprezo. Este é o incómodo sentimento que sinto. Mas podíamos nem ligar a isso se considerássemos como Sócrates que a acusação de mentiroso feita por um cínico é um elogio evidente.
O Partido Comunista nunca quis como objectivo último aquilo que diz querer e, agora que lhe não vale a pena ter sequer planos secretos para qualquer revolução, melhor seria dedicar-se a contribuir para melhorar a sociedade e apoiar os pobres em vez dos ricos. Esclareça-se porém que são expectativas que não tenho.

27 janeiro 2008

A serenidade impõe-se na hora da … morte

Ver na televisão não é a mesma coisa do que ver ao vivo. Sentir a pulsação ou a faltas dela em idosos distribuídos de modo circular numa sala de asilo em dia de visita oficial é um espectáculo pelo menos desmoralizador. Não tão degradante como o que se passa com as filas de macas em corredores à espera, em observação ou já despachados, nunca se sabe para onde.
Uma das falhas mais salientes do nosso sistema de assistência na saúde está nos cuidados continuados para os doentes que têm necessidade de várias observações e tratamentos durante o dia. Há necessidade de alguma privacidade, reserva mesmo, de não exposição gratuita ao olhar público.
O problema dos cuidados continuados não se ponha há poucas décadas mas explodiu em grande devido a dois factores: O aumento da esperança de vida dos idosos e a mudança de modo de vida, de comportamentos e afinal dos ritmos dos mais jovens, que não têm tempo disponível, nem disposição.
Mais um idoso foi colocado no Hospital de Vila Real e nem roupa interior lhe terão deixado. Por efeito de uma melhoria ou da simples constatação de um estado estável sem previsível evolução deram-lhe alta e remeteram-no sem cuecas sequer para uma maca à espera de um táxi.
Levado pelo taxista em difíceis condições, retornaria pouco tempo depois ao hospital já em ambulância para vir a morrer. É este triste espectáculo que deveria ser evitado. Quem queira ser sereno na hora da morte já o não consegue ser.

26 janeiro 2008

A culpa não é do vinho … é da inveja

Favaios, freguesia, Alijó, concelho, afinal duas aldeias altaneiras ao sol transmontano onde o moscatel é Rei, um branco licoroso usado como aperitivo mas que também pode ter benefício e virar Porto.
Numa aldeia das redondezas, Cotas, a uns cinco minutos de distância um homem caiu duma escada ou da varanda e um irmão presente telefone para o 112 tendo declarado a sua morte e solicitado a presença da G.N.R.
A operadora telefonou ao Bombeiros de Favaios com o objectivo de dar um apoio imediato. O único bombeiro presente após uma esquisita conversa acabou por declarar estar sozinho. A operadora telefonou em seguida aos Bombeiros de Alijó e a resposta foi igual. Mas este bombeiro lá telefonou a um colega para o ir ajudar. Por último haveria também de ir ao local da morte uma VMER de Vila Real
O bom vinho não justifica tudo e não lhe faço esta desfeita que eu gosto bem dele. A hora tardia, 11,30 teria sido quando o acidente se deu, e o sono também não justificam tanta confusão.
Se houvesse hipótese de salvar a vida do homem que terá caído da varanda decerto que o não recurso imediato à VMER redundaria em possível prejuízo. Mas a verdade é que os Bombeiros podem sempre dar uma ajuda porque se chegarem primeiro ao local, como podia ser o caso, tem mais meios para descrever a situação à VMER e começar a preparar o seu trabalho.
Duas aldeias, quase ridículas, de certo por causa de velhas vaidades, têm duas corporações de Bombeiros, e há muitas mais nas muitas aldeias mais pequenas ainda, que juntas não dão uma corporação em condições.
São estas invejas pequeninas que nos lixam e que uns pretensos moralistas da Capital não entendem. Enquanto se não acabarem com estas quintinhas cheias de reizinhos estamos perdidos.

25 janeiro 2008

Se ao gosto se acrescentar saber é mais valiosa a análise

Os néscios dirão sempre que não há razão para nos preocuparmos com os pormenores se a imagem geral é boa e agradável. A verdade é que ninguém é obrigado a ir atrás da falta de gosto reinante quando se fala nos aspectos de ordenamento urbano e arquitectura na nossa Vila.
Além disso o conhecimento existe e embora não possa impor um gosto uniforme a toda a gente para contribuir muito para o seu desenvolvimento, o seu aprimoramento, o seu refinamento. Poderá haver uma queda natural para apreciar mais as questões do gosto mas já ninguém duvida que ele pode ser trabalhado de modo a ter um maior valor no modo de fruição da realidade.
Aliás a cultura do gosto tem a ver com novas formas de abordar a vida, a nossa relação com a paisagem natural e construída, com os outros. Haverá coisas em que nós nem reparamos que se forem vistas de uma forma a integrar os vários saberes passam a ter uma valoração acrescida.
A grande maioria de nós não está receptivo a aceitar que se veja como um grave erro algo que tenha sido feito com uma intenção louvável. Se é verdade que quando se fala em intenção se revela uma certa forma de desvalorização do gosto, além de muitas vezes até a própria funcionalidade se relativiza. E aqui o ideal é juntar gosto e funcionalidade.
Mas muito teremos a prender se formos acompanhando as observações que no seu blog http://arquitecturaepontedelima.blogspot.com/ André Rocha nos vai dando.

24 janeiro 2008

Não haverá morte mais digna do que num corredor de hospital?

Os tempos em que era possível ter uma morte serena, em que as pessoas podiam assistir aos últimos momentos dos seus familiares mais próximos quase em conversa coloquial e o candidato à morte ainda pedia para todos se afastarem que queria dizer umas últimas palavras a quem durante toda a vida tinha sido mais importante para si, já lá vão.
Havia uma despedida, uma testemunha privilegiada que, com naturalidade comunicava aos outros o desenlace fatal que nos afastava de qualquer ligação a esta realidade vivida. Não sei em que percentagem as coisas assim aconteciam, mas presumo que também já não seria bem assim. O normal será chegarmos à hora da morte exaustos e sem tempo para estes preciosismos. A morte será quase sempre brutal, seja imediata ou não.
A agonia da morte sempre existiu, sempre foi um processo doloroso que nos apanha de surpresa, num momento inesperado mas a que nos juntamos a assistir. Este envio das pessoas moribundas para os corredores da morte dos hospitais é a coisa mais desumana mas ninguém assume hoje o facto de ter uma pessoa de idade em casa em agonia. Há sempre alguma esperança e não somos as pessoas indicadas para dizer se o processo já é irreversível.
Assim aquela morte edílica não se realiza em casa e muito menos nos corredores da morte dos hospitais. Morremos sempre abandonados num ambiente desolador, sendo tão só um número numa fila de condenados a sofrer. Têm que haver uma alternativa para este triste espectáculo, um tratamento específico para estes casos, uma nova dignidade para a morte.

23 janeiro 2008

L.F.M., a obsessão do controle dos comentadores

L.F.M. lançou a ideia de que a SIC Notícias deveria contratar mais dois políticos para alargar o leque de opiniões na Quadratura do Círculo. Parece que já se vê a Primeiro-Ministro, não olhando a custos, a distribuir lugares por quem lhe aprouver.
Na opinião de agora deste homem sui-generis, que a toda a hora nos surpreende pelo seu posicionamento saltitante, nenhum debate deveria ser feito entre gente competente, com o distanciamento suficiente e a moderação bastante para o não tornar uma luta de galos. Acima de tudo entre pessoas escolhidas por quem tem o direito de o fazer.
Quando ainda está longe de ter algum poder neste País já lança ideias próprias de quem alguma vez venha a deter o poder todo. Um bom debate para L.F.M. parece ser entre três cães acirrados que defendessem as posições oficiais dos partidos, PS e mais dois à direita, mais dois outsiders que constituíssem a oposição interna, educada e respeitadora do P.S. e do P.S.D.
Chega-se facilmente à constatação que este homem está cheio de esquemas mentais e a sua hiperactividade deve-se a querer impingi-los depressa ao País. Só que a realidade é mais fugidia do que tais esquemas mentais que tem andado a arquitectar.
Aliás estes esquemas pressupõem a depuração progressiva, a fidelização, o alargamento do poder pessoal, porque este homem vê-se já no centro do mundo. Não segue a lógica do estudo, do contributo, de audição de opiniões, mas sim da conquista de aderentes a todo o custo.
Todos os painéis em que decorrem os debates televisivos podem ser contestados por serem curtos ou largos. L.F.M. quer padronizar em termos de pessoas, e quanto a ideias é obvio que aceitará quaisquer enquanto ele próprio se sentir hesitante. Mas à medida que for apurando as suas ideias, não lhe falta vontade de as impor como norma. É um perigoso aprendiz de feiticeiro.
Mesmo no P.S.D. ninguém de bom senso suportará uma pessoa assim, à procura de uma identidade que irá buscar, como mais provável, a uma França tão distante de nós e que se entende como o centro deste pequeno mundo. Para nossa desgraça haverá sempre aqueles que concordarão com o seu discurso obsessivo sobre o poder.

22 janeiro 2008

Um Serviço Público de Saúde não é uma simples porta aberta

Ser ministro neste País é um acto de coragem, embora constituísse para todos um momento de glória irrenunciável, por mais pequeno que fosse. Valha-nos a televisão que nos vai dando a palavra esporadicamente. Ser ministro tão exposto como o é o nosso Ministro da Saúde é quase uma temeridade, o que, é bom que se diga, também está no espírito de muitos de nós.
Levando grande parte do Orçamento de Estado, estando sujeito ao escrutínio diário da população e ao controle apertado do Ministério das Finanças, gerindo um campo em permanente evolução, cujas soluções de hoje depressa se tornam obsoletas, o Ministro da Saúde mantém a firmeza de quem tem a razão do seu lado e o apoio social que não é manipulado pelas forças ultra-liberais da direita, com a conivência suicidária das forças esquerdistas.
Conseguir estruturar redes de cuidados primários, continuados, de emergência, etc. que possam dar uma cobertura satisfatória ao País e a sujeição aos condicionalismos de pessoal, de orçamento e às resistências naturais e artificiais à mudança, exigem a solidez técnica, humana e política de um homem como Correia de Campos.
Não é fácil a estruturação de um Serviço Público de Saúde em que haja complementaridade, competência e racionalidade. Todas as falsidades têm sido utilizadas para o atacar, que os políticos da oposição têm claramente menos receio de atacar os políticos não profissionais ou não aparelhistas, do que os donos do aparelho adversário.
Já viram como é diferente meterem-se com Correia de Campos e meterem-se com os pesos pesados do P.S.?
Seria péssimo que Sócrates substituísse Correia de Campos por um dinossauro aparentemente mais identificado com o P.S.

21 janeiro 2008

L.F.M. um perigoso cascadeur

Um operador de comunicações via telemóvel, por acaso o mais fraco do mercado, lançou uma campanha que visa alterar a sua imagem e claro ganhar clientes e cujo custo é de 32 milhões de Euros. É a verba estipulada para o orçamento da Câmara Municipal de Ponte de Lima e que permite dizer que é esse o custo, um ano de trabalho, que terá de ser suportado por quem queira mudar a imagem de Ponte de Lima.
Ponte de Lima tem que se desligar urgentemente dessa imagem que nos trás à memória o triste episódio do queijo limiano. Mas creio que não será necessário pagar tanto. Quem vai pagar para que a imagem do seu partido se transforme é o L. F. Meneses. Ele assim o quer e até vai mudar de sede nacional para mostrar que com ele tudo vai ser novo.
A ideologia já a pôs em estilhaços. Vai vigorar o mais puro liberalismo, seja qual for o domínio da acção do Estado. Este vai-se limitar, como nos velhos tempos, a cobrar impostos, fiscalizar a aplicação dos bons princípios e aplicar sanções e correctivos àqueles que se desviam do seu sentido único. O resto é com os patos bravos.
A social-democracia que mesmo assim ainda vai tendo em Cavaco Silva e em mais alguns militantes desse partido uns esforçados resistentes, corre o perigo de levar com o camartelo de Meneses.
Ele já avisou, não quer opositores e porá tudo em cacos em seis meses. Se o deixassem, digo eu. Este saltimbanco, este homem que salta para cima de tudo que mexe, um cascadeur eventualmente será muito fino para ele, ainda se vai estilhaçar em cima de alguma casca de banana.

Aqui pode vir a falar-se de tudo. Renegam-se trivialidades, mas tudo depende da abordagem. Que se não repise o que está por de mais mastigado pelo pensamento redondo dominante. Que se abram perspectivas é o desejo. Que se sustentem pensamentos inovadores. Em Ponte de Lima, como em todo o universo humano, nada nos pode ser estranho.

Acerca de mim

A minha foto
Ponte de Lima, Alto Minho, Portugal
múltiplas intervenções no espaço cívico

"Big Man" 1998 (1,83 de altura) - Obra de Mueck

"Big Man" 1998 (1,83 de altura) - Obra de Mueck
O mais perfeito retrato da solidão humana