09 março 2008

A política é feita também de afectos

A política é feita de afectos, de causas e das pessoas que na nossa opinião as corporizam e estamos prontos a defender. Tudo isto deve ser obtido no fim de um processo de observação e análise a que devemos submeter a realidade. Mas estamos sempre em confronto com pessoas que não se dão a esse trabalho ou só se preocupam em obter argumentos a favor das suas ideias já pré-definidas. O diálogo torna-se difícil.
Pior ainda quando estão em causa posições de poder. Aí poderá haver negociação e se todos apelam ao diálogo é evidente que se não querem ficar por aí. Daí não ser correcto acusar alguém de falta de diálogo quando é justo termos objectivos de convencer ou forçar alguém a ceder em algum aspecto.
Por isso nós podemos dialogar e fazê-lo com base apenas nas nossas ideias ou sem estarmos a negociar pensarmos naquilo que faríamos se detivéssemos algum poder. A análise do percurso político que desejamos para o País, das ideias que vistas de um ponto de vista abstracto estamos decididos a defender ou daquelas que vistas de um ponto de vista concreto verificamos ser possível implementar no País determinarão o nosso posicionamento.
De qualquer modo quando há empenho intelectual nosso, quando verificamos que as resistências dos outros também são de natureza afectiva é perfeitamente legítimo e claramente responsável que nos empenhemos de um modo afectivo na defesa das nossas convicções.

08 março 2008

Uma luta justa, a da Ministra

Melindrados, feridos ou mesmo a sangrar os professores tem que abandonar a ideia de que são um corpo especial de funcionários públicos, com privilégios especiais, horários de trabalho mínimos, férias máximas, remunerações avantajadas. Os professores não são mais pagos para serem os agentes de defesa da ideologia do Estado. Afinal para quê o Estado precisa deles se só transmitem má educação e maus princípios.
Esta visão de conjunto, resultante da permissividade com que os professores em geral, que se diferenciam deste paradigma mas delegam a sua representação em gente de má índole, não poderá ser generalizada. Porém ninguém gosta de perder benesses e se alguém lhes diz que essas benesses são direitos está normalmente inclinado a deixar-se advogar. Esta atitude passiva ou de Maria vai com as outras não é nada inocente.
A Ministra da Educação tem sido particularmente dialogante, sendo certo que ela possui do seu lado o apoio da grande maioria da população que, por mais respeito e gratidão que possa ter pelos professores em geral, não se deixa arrastar por atitudes sentimentais quando o que está em causa não é nada daquilo que os manipuladores pretendem. Os professores é que andavam enganados sobre qual o lugar que lhes cabe na sociedade.
A Ministra luta por um melhor ensino, pela construção de condições para que ele se processe melhor, que hoje sem disciplina e organização, sem empenho e colaboração não há avanço que persista.

07 março 2008

Um professor nunca mais será visto com os mesmos olhos

As lutas que os professores desenvolveram no período democrático da nossa vida colectiva não foram de modo a se verem privados de uma certa sacralização que sempre os beneficiou. Antes do 25 de Abril de vez em quanto lá havia um professor vítima da política salazarista de controlo absoluto do ensino desenvolvido na escola. A maioria calava-se.
O professor, fosse pago por quem fosse, era visto como o portador de um saber que era essencial para que nós progredíssemos. Beneficiava sempre de um sentimento afectivo positivo mesmo quando as circunstâncias da vida nos levavam a aceitar mal a escola. Os 1750 Escudos que um professor primário recebeu durante tantos anos eram uma referência para todas as outras profissões ditas intelectuais e não se destacavam delas como hoje.
A ligação que se criou nesses tempos entre alunos e professores genericamente ainda hoje se mantém. A mais íntima será com os professores do ensino primário já que o ensino era geralmente assumido por um só professor durante pelo menos um ano, mas muitas vezes durante mesmo os quatro anos de escolaridade.
As lutas que os professores foram desenvolvendo permitiram-lhes sem grandes custos alterar significativamente o seu estatuto de modo totalmente descabido em relação à maioria dos outros sectores profissionais. Beneficiaram do alargamento do ensino a todas as camadas sociais, assenhorearam-se da condução da política educativa, entraram em autogestão.
Mas os professores não têm sabido ser humildes, não tem sabido ser solidários com a restante população, não tem sabido ser leais para quem lhes confiou uma tarefa tão nobre e daí a dessacralização que se está a operar e que vai levar a que um professor nunca mais seja visto com os mesmos olhos de antigamente.

06 março 2008

Tudo por respeito e por gosto

Os professores que se têm integrado nestas últimas manifestações espontâneas/programadas dizem-se vítimas de uma falta de respeito pelo seu papel social. Na realidade o valor desse papel deve ser avaliado sob vários ângulos e tem que ser admitido até um papel negativo, que a escola seja hoje um factor de excessiva diferenciação social e até de exclusão.
O papel social do professor em abstracto é relevante mas está hoje longe de corresponder ao investimento que é feito no ensino, seja por via do Estado ou do orçamento familiar. É perfeitamente legítimo que o Estado assim como os particulares reavaliem esse gasto e os professores portugueses têm que se convencer que isso não é para agora apenas, mas terá que ser permanente e para sempre.
Os professores não gostam que não gostem deles como se fosse obrigatório gostar. Os professores têm conseguido manter bem longe da escola essa possibilidade de serem contestados, essa avaliação de qual afinal a valia do seu trabalho. E tomavam tudo isso por respeito e por gosto. Tantos anos a viver numa redoma, num mundo fechado levou-os a serem melindrosos e quando não preguiçosos.
A falsidade tem que ser afastada da escola. Uma falsidade que é verdade não está a ser posta em causa pelo laxismo que é recomendado na avaliação dos alunos. Mas isto é a um outro nível, que terá também que ser alterado por outras vias. A falsidade que se vive na escola a nível de responsabilidade ainda está por ser posta a nú.

05 março 2008

Veneração e recompensa

Muitas vezes mais valia estar calado. Eu não falo contra o direito de qualquer um de nós de falar. Mas quando se quer atingir um objectivo conjunto com outras pessoas é natural que uns ajudam ao falar, outros prejudicam claramente. Por alguma coisa há líderes, porta vozes, assessores de imprensa e até outras mais modernas para escolher o sítio, o que se diz e a quem se diz.
Os professores que se têm integrado nestas manifestações espontâneas/programadas são de dizer coisas que não deviam, aparecem como pessoas que por qualquer coisa se melindram, que se acham acima de quaisquer críticas, que querem veneração e recompensa.
Os professores não se acham funcionários como outros quaisquer, não aceitam que são funcionários embora seja no desempenho duma função que consiste o seu trabalho. Para se ser professor seria bom mas não é necessário ter espírito de missão, debaixo do qual muitos se querem acobertar. Entre os outros funcionários públicos há muita gente que dá formação, que prepara os seus companheiros melhor que no ensino para a execução das suas tarefas.
Os professores não gostam que não gostem deles como se fosse obrigatório gostar. De certo que aos alunos não se lhes pode dar o poder de gostar ou não do professor, porque lá se iria a disciplina, mas é um desplante tremendo querer que os outros sectores sociais, os superiores hierárquicos, o governo gostem dos professores que temos.
Os nossos professores não sabem viver na rua como professores e agora que baixaram ao alcatrão das cidades, trazem à baila assuntos despropositados, põe em causa aquilo que é suposto não interessar abordar neste ambiente, aquilo que devia estar reservado para ser discutido em órgãos próprios de gestão e orientação pedagógica do ensino.
Estes professores querem-se atribuir uma importância que só os regimes que apostam em fazer o controle ideológico dos seus alunos lhes dão. Eles bem sabem que já hoje a sua importância é menor, perante o ensino modular, o ensino via Internet, e será cada vez menor perante a expansão de instrumentos de ensino que não exigem uma mediação tão constante e prolongada, quando muito um leve acompanhamento chega.

04 março 2008

Mediação não se vê, mas clarificação vai havendo

No programa Prós e Contras foi proposta uma mediação. Não haverá dúvida que esse caminho podia ser seguido sem perca da dignidade de ninguém, mas a verdade é que faltará ainda muita distância para que isso seja possível na sociedade portuguesa, onde é pela crispação que se faz a mobilização das tropas favoráveis contra as inimigas. Meneses, o PCP, os sindicatos andam a juntar tropas, não andam a esclarecer o povo.
Numa sociedade em que se sabe que o demasiado legalismo é inoperante, mas mesmo assim se exige que todas as garantias e mais algumas estejam estipuladas na lei, é difícil fazer justiça por acordo entre as partes e o que se passa na política é só um aspecto deste excessivo rigor na defesa de posições próprias que dá origem a um imobilismo revoltante.
Os últimos desenvolvimentos na discussão do problema do ensino não levarão à mediação mas já vai havendo uma clarificação nas posições assumidas quer por grupos de interesse, quer por interessados, quer por técnicos, até mesmo alguns políticos se têm visto na necessidade de intervir para que não se deixe andar e depois a sociedade venha a pagar por isso.
É hábito tentar aproveitar as divergências de opinião entre políticos do mesmo partido, mas isso só faz sentido se as opiniões forem de pessoas competentes para o efeito. E neste caso é legitimo que sejam invocadas essas opiniões. São várias as que no PSD se vêm agora afirmar contra esta aliança espúria de Meneses & Nogueira, essa firma porreira.
No PCP não há divergências mas o Jerónimo já veio dizer que não vai à manif, não viesse a ter que dar um beijo ao Filipe e andar de braço dado com a direita. Ele que tão bem recebido foi em Anadia não deveria retribuir desta maneira, mas é lá com ele.

03 março 2008

Porque estas reformas são mais formais?

O interesse político imediato está a baralhar os dados desta questão tão profunda, tão marcante, tão decisiva para o nosso futuro. Ouvi ontem dizer que uma falha desta reforma que o governo tem em marcha é não se discutir o conteúdo e só se preocupar com os aspectos formais.
O problema é que muitos dos aspectos formais desta reforma já há muito estão identificados como a causa pela qual não passam outras tentativas que já têm sido lançadas de alterar os aspectos substanciais do ensino. Esta alteração é nomeadamente formal para que os aspectos formais não impeçam uma verdadeira revolução a fazer no ensino.
Uma intervenção efectiva da sociedade, uma participação interessada, mas esclarecida, dos agentes económicos, serão mais ou menos eficazes se no aspecto formal forem correctamente definidos os seus limites. Não há qualquer eficácia numa intervenção deste tipo que não passe pela presença de pleno direito nos órgãos de decisão das escolas.
A gestão dita democrática das escolas patrocinada pelos sindicatos comunistas é uma situação anómala a nível dos organismos do Estado. Na sociedade civil não se permite que quem paga não oriente, num organismo público é o Estado que deve definir a base legal em que assenta o seu funcionamento e em casos como o ensino é perfeitamente legítimo que todos os interessados participem nesse funcionamento, sem nunca se chegar ao ponto a que se chegou de que só mandam os que têm que cumprir.
Dizer que os professores estariam sempre prontos a colaborar numa verdadeira reforma centrada nas questões que têm por base o aluno é uma falácia tão grande como pretender pôr um restaurante a funcionar sem a estrutura física e sem definição das funções de cada cozinheiro.
A organização, a disciplina, a responsabilidade e a liderança são hoje a base do sucesso em qualquer domínio da actividade humana. Embora possam defender certos direitos dos professores, os sindicatos não podem ser mais os definidores da política de ensino, nem detentores de qualquer poder que possa sabotar todas as legítimas orientações dos órgãos superiores de gestão.
Para que será esta Meneses & Nogueira, uma firma porreira?

02 março 2008

Por um ensino moderno e sem angústia

Os sindicatos arriscam aqui e agora tudo. Não haverá apelo, seja dos pais, do Presidente da República, seja de quem for que os faça parar. Os sindicatos querem readquirir uma clientela que vinham perdendo. Assentaram toda a vida democrática o seu poder sobre o domínio objectivo dos centros de decisão no sector do ensino e perdendo-os ninguém mais lhes vai dar importância.
Os sindicatos puseram-se numa encruzilhada e não vão sair dela com dignidade. A sua acção tem sido nefasta, corrosiva, mais preocupada em destruir os pressupostos ideológicos em que assentava o ensino antes do 25 de Abril do que em contribuir para a definição de outros princípios que devem servir de base para um ensino moderno e sem angústia.
A não satisfação das pessoas deve-se aos problemas económicos que afectam pais, alunos e futuros integrantes do mundo do trabalho. Mas os sindicatos ideologicamente conotados não aceitam que a economia seja claramente posta no centro do problema, não aceitam que os alunos sejam preparados em função do papel que lhes pode ser atribuído na sociedade.
Resolver aqueles problemas económicos para os sindicatos é resolver a velha questão da atribuição do poder a um partido único, capaz de pôr a economia a funcionar de pernas para baixo. A verdade é que, quando isto já não passa pela cabeça de ninguém, surge esta união contra natura entre Meneses e Nogueira que pretende que tudo fique na mesma no ensino para que aquele sonho comunista ainda seja possível.
Aquelas senhoras que aparecem na televisão a defender a sua dignidade de professores empenhados foram convencidas que todas as culpas pela ineficiência do sistema lhes foram atribuídas e que se devem manifestar por isso. Nem isto é verdade, nem ninguém pôs a questão neste ponto. Alterar o sistema é muito mais do que passar atestados de estupidez a alguém.
Ficam-se pelo Meneses & Nogueira, uma firma porreira!

01 março 2008

Meneses & Nogueira, uma firma porreira!

Esta união contra natura entre Meneses e Nogueira que pretende destruir a reforma que o PS quer fazer e de que o PSD nunca foi capaz, contribui para a manutenção de um estado parasitário de muita gente que do ensino só faz uma garantia de uma boa reforma e de um vencimento condizente.
A educação é o sector que mais ministros tem tido depois do 25 de Abril, é o sector mais contestado, que mais insucesso revela entre todos os sectores de actividade a que se dedicam os portugueses. Haverá outras razões, do foro económico, do foro familiar, da falta de uma base de apoio, mas não há dúvida que os professores têm-se habituado a navegar incólumes nestas águas, sem aceitarem as responsabilidades que manifestamente lhes cabem.
A educação é o sector que mais licenciados emprega e em que pode haver um maior entendimento pela uniformidade de habilitações e de modos de vida, maior facilidade de circulação de informação entre os seus agentes. A educação é o sector que deveria estar na vanguarda da modernidade virado única e exclusivamente para o aluno, a sua razão de existência.
Da escola espera-se uma adequada socialização da juventude, a sua preparação para os desafios do futuro, para que se não sinta desadaptada numa civilização concorrencial, para vir a, se necessário, fazer várias reconversões durante a sua vida activa.
Os professores dão uma imagem de imobilismo que contradiz tudo o que seria de esperar. Os professores deturpam a informação, não servem de exemplo para alguém, inclusive para os alunos. Os professores deixam-se manipular por outros professores sem escrúpulos que dominam sindicatos e outras associações com uma perspectiva somente economicista.
Depois do Nogueira surge agora com o maior desplante o Meneses. Meneses & Nogueira, uma firma porreira!

29 fevereiro 2008

A dedicaçao a uma profissão a tempo inteiro

O ensino unificado foi aceite por muitas boas almas como uma forma de combate às desigualdades sociais que havia mas que se não eliminaram após o 25 de Abril. As escolas incentivaram o conformismo, a aceitação da mediania porque isso era uma forma de não passar por elitista, ninguém queria ser responsável pela diferença.
As classes poderosas mexeram-se, procuraram o ensino particular, procuraram as explicações, na realidade quase aulas paralelas, para que os seus filhos não fossem vítimas da bandalheira reinante. As classes desprovidas de meios conformaram-se, apelaram à força de vontade dos filhos, quando esta não chegou para vencer as dificuldades, viram entrar a desilusão e quiçá a droga nas suas vidas.
Perante um professorado que, na grande maioria, olha a prática do ensino como um part-time, exerce profissões liberais como engenheiros de construção civil, contabilistas, comerciantes, se dedica despudoradamente às explicações, os alunos estão desprovidos de meios de defesa e os pais incapazes de fazerem inverter situações desfavoráveis aos seus filhos.
Só uma acção persistente do governo é capaz de ir corrigindo estas situações, o que não é fácil perante a força paralisante dos sindicatos, sedentos de sócios para continuarem as suas acções, de protagonismo para justificarem as quotas dos filiados.
O governo tem que diminuir o tempo dos seus filiados que cada sindicato está no direito de utilizar para as suas actividades. O governo tem de ter uma política educativa aceite pela sociedade e adequada ao estado da economia que faça pôr em prática por todos os profissionais da educação. A igualdade de oportunidades não pode esquecer as diferenças naturais e a necessidade de diferenciação que a vida económica exige.
O governo tem que privilegiar aqueles que executam somente a profissão de professores, dispensando progressivamente aqueles que tem outras formas de rendimento. Uma profissão a tempo inteiro é uma exigência, que resolveria muitas das questões do ensino.

28 fevereiro 2008

Meneses e Nogueira olham um para o outro com a desconfiança de quem não sabe se se segue um beijo ou uma mordidela de víbora?

Em Portugal o ensino era um dos sectores que no 25 de Abril se encontrava em situação claramente mais desfavorável do que na Europa desenvolvida. Se houve um aumento quantitativo dos alunos e dos anos da sua escolaridade, a verdade é que no ponto de vista qualitativo nunca houve a definição de um ponto de referência nem qualquer significativo aumento qualitativo.
Após uma clara degradação inicial tudo que viesse foi entendido como ganho, sem nunca se ter avançado deveras. À medida que foram definidos novos patamares de escolaridade obrigatória, foram-se baixando os níveis de exigência. Os que clamaram por uma melhoria do ensino só se preocuparam na realidade com as suas condições remuneratórias.
O aparelho de ensino, a todos os níveis, desde os órgãos de planificação do Ministério aos órgãos de gestão das escolas, foram tomadas por uma pretensa vanguarda defensora das suas prerrogativas e que tudo fez para sabotar sub-repticiamente, ou quando necessário mesmo às claras, as ténues mudanças que os sucessivos Ministros tentaram implementar.
Os sindicatos não podem impor qualquer política educativa porque são uma só das partes e tão só funcional deste problema. A economia não pode contribuir tão só para o sistema de ensino e prescindir de ter algo a ver com ele. Aqueles que vivem do sistema não o podem gerir a seu belo prazer. Em todos os outros serviços da função pública isso é tido em conta e o ensino não pode ser diferente.
Para que o ensino tenha uma melhoria a nível global estas reformas ainda estarão longe de chegar. Mas sem um corpo lectivo disciplinado, organizado, obediente em relação ao princípio da responsabilidade política, que não fira os seus valores morais, sem uma máquina administrativa e lectiva bem preparada não há governo, nem vontade que resista.
O que sindicatos e PSD querem fazer em conjunto é uma sabotagem permanente. Àquele ar com que olham uns para os outros seguir-se-á um beijo ou uma mordidela de víbora?

Quanto mais este País estará sujeito a este espectáculo?

Filipe Meneses anda empenhado em criar problemas ao governo e qualquer questão lhe serve. Simultaneamente é a governabilidade deste País que ele está a pôr em causa.
Para muitos não haverá nada a perder e não há como experimentar, como dar a este aventureiro a possibilidade de pôr em prática uma visão política que ninguém descortina mas que terá o direito de advogar.
Se a Ministra da Educação cometeu erros, inclusive de querer resolver um exagerado número de questões ao mesmo tempo, o que permite alargar a base contestatária, não há dúvida que é da oposição que surge o propósito de confundir uma série de questões.
A Filipão agora só interessa ser do contra, convencido que está que ser radical é a única maneira de chegar a primeiro-ministro e depois vai ter o tempo todo do mundo para tentar resolver os nós que está agora apostado em criar. Filipão está apostado em fazer perder tempo ao País.
Filipão é um empata, que age sem convicção, que ziguezagueia ao sabor dos ilegítimos interesses que a acção do governo vai atingindo. Filipão, como político já há muito não devia ter lugar neste País, não fora a imprensa gostar do folclore que uma personagem destas proporciona.
Que se cuidem porque estas afinidades com os sindicatos comunistas não são casuísticas, antes revelam que intrinsecamente se trata de pessoas com muitas mais concordâncias no que respeita à maneira como desejam condicionar a vida da sociedade, actuando a níveis fulcrais como o ensino e a liberdade de imprensa.

27 fevereiro 2008

16 - Que política para Ponte de Lima?

O nosso passado pode ser um constrangimento para muita coisa, pode-nos influenciar o futuro consciente ou inconscientemente, mas está provado que não tem nada a ver com as nossas possibilidades de sucesso nesta ou naquela área de actividade, isto é, o nosso sucesso só está dependente da falta ou existência de tempo ou de condições.
Nos tempos da Idade Média, mais ou menos em todo o mundo, os filhos dos agricultores teriam necessariamente de continuar a ser agricultores e a tempo inteiro. Nos tempos de Salazar, mais ou menos em todo o País, mas particularmente em Ponte de Lima, os filhos de agricultores teriam necessariamente de continuar a ser agricultores ou trabalhar em actividades complementares, entre as quais se pode incluir a construção civil.
Nos tempos de Campelo em Ponte de Lima os filhos de agricultores já só podem ser agricultores em casos excepcionais e os restantes terão que ir necessariamente para as tais actividades complementares. A não ser que optem por uma actividade de certa forma similar da agricultura que é a jardinagem. Porque, e aqui está a razão pela qual falo em Campelo, a jardinagem foi colocada no seu tempo como uma profissão de sucesso.
Tudo o que seja criar beleza é meritório mas também o são todas as actividades mais práticas que tenham conjuntamente fins lucrativos. A beleza para ser admirada não necessita de ser dissociada da vida normal e enclausurada em jardins exóticos.

26 fevereiro 2008

15 - Que política para Ponte de Lima?

Na economia mercantil a que nós viemos todos parar, sem que muitos ainda saibam como, a tudo é atribuído um valor de mercado. Isto faz com que tenhamos uma comparação imediata entre o valor de uma mercadoria estabelecido aqui e o valor da mesma mercadoria numa outra região qualquer do mundo. Como ainda por cima a globalização ocorreu para muitos à mesma ocasião, foram surpreendidos pela existência de um preço padrão que é utilizado por todos como de referência.
Os efeitos da globalização chegaram cá com uma velocidade estonteante para aquilo com que nós estávamos habituados numa região em que os ciclos económicos seriam de quinhentos anos. O último ocorrera com a chegada das novas culturas descobertas na América, como o milho, o feijão, a abóbora e outras. Agora chegou apenas a notícia de que os cereais tiveram um aumento extraordinário na bolsa de Chicago e tudo pode mudar.
Será viável a agricultura com o fim de obter energia? Tornar-se-á compensatório voltar a velhas culturas? É de crer que não. Efectivamente os outros factores de produção pertencem à mesma linha e já estão a encarecer antes de se colher o cereal e a terra mantém nesta região do País as mesmas características que lhe conhecemos há décadas, agravadas com a pressão urbanística que se faz sentir nos sítios mais extravagantes.
Olhar para trás não parece ser seguro. Perdemos a observação daquilo que se passa à nossa frente, perdemos as oportunidades que se nos podem deparar nos novos domínios de actividade e desvalorizamos cada vez mais o nosso trabalho, a nossa capacidade de incorporar mais valias, o preço que nós temos o direito de exigir por nós mesmos.

25 fevereiro 2008

14 - Que política para Ponte de Lima?

Só existem duas formas de lutar pelo progresso. Uma passa por adquirir conhecimento, acumular dinheiro, cooperar, organizar, empreender. Outra passa por exigir que o Estado faça tudo, ensine, crie empregos, pague bem, dê assistência, dê mesmo cultura ou divertimento. Em Portugal quer-se sem comunismo isto que não foi possível obter com comunismo.
Nesta terra de retaguarda, historicamente resguardada de conflitos extremos, colocada à margem do progresso, que só muda por pressão insustentável da economia, que soçobrou perante a economia de mercado, tendo que procurar novos modos de vida, até existe dinheiro mas não sabe lidar com ele. Após a ostentação do ouro ou o seu esconderijo na arca, surgiram as promissórias e os certificados de aforro.
Nunca em Ponte de Lima se procurou mercado para os seus produtos para além da próxima curva da estrada. A Adega perdeu-se no meio das suas indefinições e desvios. A fábrica do queijo perdeu-se à míngua de matéria-prima. A salsicharia faz um percurso seguro mas muito concorrido. Os acessórios de automóvel são uma excepção, mas por natureza inconstante.
A pedra é hoje a nossa imagem de marca. Tudo indica que o poderá ser durante muito tempo. Mas o grande empregador é a construção civil e as obras públicas. O mercado galego é hoje o principal destino dos nossos trabalhadores. Amanhã não se saberá. Andamos pelo Algarve, Sines, Lisboa, Porto, Braga, Andorra, Paris, por toda a Europa, nada nos mete medo.
Empregamos os lucros numa casa própria e pomos o dinheiro no banco. Nada estudamos, nada organizamos, somos uns insolentes que pensamos saber tudo e que temos direito a esperar tudo feito.

24 fevereiro 2008

13 - Que política para Ponte de Lima?

Em Ponte de Lima, só pelo facto de alguém ser de Ponte de Lima, está desde logo desvalorizado. Nós desdenhamos de nós próprios, desprezamo-nos mesmo e essa já é a imagem que passa lá para fora. Até há uns anos eram só os Vianenses que a tinham, mas isso passava por ser uma simples rivalidade regional sem qualquer valor.
Há uns dois anos lançaram uma telenovela de nome Sete Vidas em que uma das personagens principais era uma descabelada caída em Lisboa e vinda de Ponte de Lima. Tinha todas as características de quem não vai além da mais iníqua vulgaridade. Também Ponte de Lima é apreciado como sítio bonito mas onde a própria natureza, pela sua exuberância, não favorece os autóctones.
Podemos dizer que imagens são imagens e cada qual que tenha a imagem que quer ter. Mas isto se visto em termos económicos demonstra que o preço que estão dispostos a pagar por nós está deveras depreciado. Viana do Castelo pagava-nos para sermos empregados de lavoura e empregadas domésticas. Lisboa paga-nos para sermos jardineiros, a reserva ecológica do País. Dá-nos relativo sossego mas fraco pagamento.
Não podemos exigir no todo nacional mais do que os prejuízos e os benefícios do desenvolvimento económico sejam distribuídos equitativamente. Se quem tem os benefícios não está disposto a pagar eventuais prejuízos de outros e pelo contrário ainda reclama mais avanços para compensar os próprios aspectos negativos que sofre, como sairemos nós desta marginalidade a que nos condenaram?
Era bom mas não poderemos querer só jardins e ter rendimentos de trabalhadores de indústrias complicadas ou de actividades que exigem a junção de muitas pessoas. Quem quiser progresso terá que se dispor a sofrer cada vez mais os seus impactos negativos.

23 fevereiro 2008

13 - Que política para Ponte de Lima?

Ponte de Lima sempre tratou de modo diferenciado os seus naturais e os forasteiros, que são sempre agraciados com uma benevolência que por cá se não usa. Os de cá já são conhecidos há muito, toda a gente sabe que eles não prestam, podemos tratá-los mal à vontade, o que não convém seja feito com quem nos visita esporadicamente ou se instala vindo de fora.
Em Ponte de Lima não é dada primeira, quando mais segunda hipótese, a ninguém. Ou é porque é filho deste ou daquele ou porque se não dá com o padre ou não sai da sacristia ou porque não estudou o que devia, o que ele sabe nem sequer interessa a ninguém. Em Ponte de Lima caminha-se da subserviência para a bajulação num instante. Em Ponte de Lima olha-se para o poder que emana, não para a alma que irradia.
Em Ponte de Lima para se ter uma espécie de auréola que cubra uma pessoa e de certo modo a proteja dos mal-intencionados é necessário ter algum grupo de pessoas arregimentadas para o efeito. Podem ser amigos, conhecidos, interessados num tratamento recíproco que lhe reconheçam as qualidades, que tornem virtuoso o seu trabalho, a sua vida, a sua dádiva.
Em Ponte de Lima só vingam os vingativos porque só querem que progridem os invejosos, que vençam os vaidosos e só estes o são. Em Ponte de Lima só se olha para quem detém o poder ou para aqueles que podem a ele ascender desde que com eles tenhamos uma relação de certo privilégio.
Em Ponte de Lima o poder ofusca, o brilho que dele possa emanar ofusca, os poderosos são bajulados, os humildes humilhados. Em Ponte de Lima quem não tem poder é fraco, é maltratado e tratado como subserviente.

22 fevereiro 2008

13 - Que política para Ponte de Lima?

Ponte de Lima com os seus 45.000 +- habitantes, mesmo que com uma grande dispersão populacional, também com uma unidade geográfica acentuada pela confluência e marcada pelas serranias à sua volta, não tem porém uma massa crítica que lhe permita assumir um papel relevante em qualquer domínio de actividade económica, nem sequer tem uma opinião pública consistente.
Daniel Campelo herdou um concelho, uma população resignada, talvez mesmo temerosa de um futuro que nem mesmo a maioria dos seus emigrantes perscrutaram lá fora. As actividades dos emigrantes raramente se dirigiram à avançada indústria, aos especializados serviços. Poucos terão regressado para trabalhar e os que o fizeram dedicaram-se de preferência ao comércio.
A população limiana tem que optar por correr os riscos de se integrar de pleno na economia de mercado e tentar elevar o valor da mais valia que a sua intervenção possa constituir ou resignar-se de vez a ter que emigrar permanentemente, trabalhar sem preparação por baixos salários, continuar a praticar actividades complementares, como a agricultura.
Daniel Campelo aposta nesta última opção até porque é a única hipótese de manter uma paisagem de certo modo equilibrada, único aspecto que lhe interessa para as imagens televisivas e dos homens grandes que por cá vão passando. Porque é evidente que ele continua a tratar-nos por homens pequenos, o que diga-se, não sei se será legítimo.

21 fevereiro 2008

12 - Que política para Ponte de Lima?

As Câmaras Municipais receberam muitas competências delegadas pelo poder central e que torna difícil fazer a comparação entre o exercício actual do poder autárquico e os exercícios anteriores, particularmente de há uns 15 anos para trás.
Também por isto, mas principalmente porque é o futuro o que mais nos interessa, todo o estudo e discussão se deve centrar sobre aquilo que deve ser feito independentemente da apreciação sobre o que já não tem cura.
Há dois aspectos em que é imprescindível ter uma boa perspectiva de futuro. A atracção de bom investimento com criação de emprego e o ordenamento do território com uma distribuição territorial dos equipamentos e aglomeração de recursos de modo o mais racional possível.
Todo o desperdício se reflecte na qualidade dos serviços prestados e no retorno ou eventual rendimento do investimento feito. O efeito de atracção só se consegue com a suficiente massa crítica que é tanto maior quanto maior a qualidade que se exige. O desperdício e a falta de gosto comprometem seriamente o futuro.
No mundo actual exige-se melhor ensino, melhor acessibilidade a todos os bens, melhores rendimentos e torna-se cada vez mais difícil inovar, corresponder à complexidade dos problemas para os resolver ou sequer para os encaminhar, compreender a economia como domínio em que o Estado tem tanto menos meios de intervenção quanto mais se lhe apela para que o faça.
A pouca exigência de hoje, disfarçada com muita baboseira e quando justa mal direccionada, pagar-se-á cara no futuro. Temos que exigir cada vez mais ao poder local, não o desculpabilizando em tudo.

20 fevereiro 2008

11 - Que política para Ponte de Lima?

A política em Ponte de Lima é mínima. Os actores políticos são mínimos. Houve um tal atrofiamento das faculdades de expressão de um pensamento livre, crítico e sem subserviência que levou à transformação dos actores políticos em marionetas.
Em Ponte de Lima não há política. As pessoas limitam-se a ficar satisfeitas por ter uns amigos nos órgãos de poder, quiçá lá um ou outro também gosta de se dar bem com a oposição. Mas esta limita-se a alguns tertulianos da Havanesa e a uma incipiente conspiração do Rio Lima.
O poder político autárquico efectivo está nas mãos de três pessoas que procuram e conseguem controlar todas as relações com os outros órgãos subalternos e com as forças económicas que se queiram implantar em Ponte de Lima. São Daniel Campelo, Vítor Mendes e Gaspar Martins.
Conseguem absorver, sem lhes dar na prática qualquer resposta efectiva, as reivindicações dos presidentes de junta, que desprezam se forem no presente ou tiverem sido no passado da oposição. A divisão administrativa actual com a exagerada dispersão de freguesias é favorável à sua manipulação vergonhosa.
Conseguem controlar o grande poder exercido pelos construtores civis, que mesmo quando não vêm os seus interesses satisfeitos, se não dispõem a procurar apoio na oposição, o que é normal noutros lados. Na verdade parece que os partidos também não sabem viver sem esses apoios.
O facto de nem neste sector, fonte de quase todas as corrupções e compadrios, haver grandes empresários residentes permite que a divisão do território seja congeminada possivelmente lá fora. Os grandes interlocutores são poucos e normalmente impõem-se por si mesmos.
O núcleo político no qual se discute a volumetria de construção e outros assuntos relevantes é diminuto e sólido, profissional e sério, não brinca em serviço.

Aqui pode vir a falar-se de tudo. Renegam-se trivialidades, mas tudo depende da abordagem. Que se não repise o que está por de mais mastigado pelo pensamento redondo dominante. Que se abram perspectivas é o desejo. Que se sustentem pensamentos inovadores. Em Ponte de Lima, como em todo o universo humano, nada nos pode ser estranho.

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Ponte de Lima, Alto Minho, Portugal
múltiplas intervenções no espaço cívico

"Big Man" 1998 (1,83 de altura) - Obra de Mueck

"Big Man" 1998 (1,83 de altura) - Obra de Mueck
O mais perfeito retrato da solidão humana