31 agosto 2009

Estamos claramente no ante 25 de Abril

A adesão de André Rocha, arquitectura e ponte de lima, a uma comissão de apoio à candidatura de Vítor Mendes à Câmara Municipal de Ponte de Lima, a designação da comissão é irrelevante, levanta, quer o próprio queira quer não, um série de questões, interrogações, perplexidades em todos que o conhecem seja da blogosfera ou não.
Surpreendente e controversa é essa adesão se não aceitamos a teoria/desculpa de uma seu colega de Coimbra que ao dizer “Infelizmente é assim que funciona o nosso Portugal profundo, é difícil ser completamente livre.” Atribui estas contradições ao Portugal profundo, esta nova e sofisticada maneira de designar os analfabetos, parolos, atrasados, subservientes que éramos dantes, e pelos vistos ainda somos.
É surpreendente mas nem tanto já que o convite para que o nosso valoroso arquitecto concebesse o cartaz das Feiras Novas 2009 se pode ver como inserido numa estratégia de calar as vozes discordantes. A táctica do “mão com mel numa mão e cassete noutra” é velha e está para durar. E se nisto nenhum partido está isento de culpas, estes senhores no poder há vinte anos em Ponte de Lima são mestres e exímios executantes.
André Rocha dá no final da sua assumpção de culpas publicado no seu blog uma explicação cabal da sua atitude manifestando o “desejo de contribuir para um concelho melhor, mesmo que, para ter alguma voz, tenha de assumir a integração num determinado grupo.”. Se André Rocha puder utilizar a velha rede em que agora está integrado para que pessoas com uma visão idêntica à sua possam ter uma influência decisiva, à falta de um outro poleiro em qualquer partido da oposição, serei o primeiro a louvá-lo por ter tido a coragem de se meter no meio das feras.
O seu colega diz “Poucos arquitectos correm esse risco devido às retaliações profissionais já que esta profissão lida inevitavelmente com o poder camarário. Felicito o autor do blog por estar a colocar as "mãos no fogo" por uma classe de arquitectos na qual eu me incluo. Por isso não estranho o caminho que o André escolheu entre ser um possível eterno arquitecto-teórico e opositor do regime com as suas consequências repressivas ou um arquitecto que pretende fazer obra pela sua terra.” Está tudo dito.

27 agosto 2009

Que é isso de voto útil?

Reconheço que entre os meus amigos a minha declaração de voto levantou alguma perplexidade e os meus inimigos tentam aproveitar isso para me desacreditar quanto aos princípios e à escorreiteza das minhas ideias.
Aos primeiros devo um esclarecimento, aos segundos só lhes reconheço ignorância política. Em primeiro lugar as eleições autárquicas não têm a “gravidade” das legislativas. Não é altura para defender a rigidez dos princípios, quando o que está em causa são sempre duas opções mais fortes e das outras forças se não espera uma participação activa, decisiva, capaz de desempatar em momentos de maior confronto.
Depois acham que os partidos são livres de alterarem programas e estratégias, de os cumprir ou não, de mudarem de líderes e de estilos, de escolherem pessoas que os acompanham e que com eles colaboram e de as desprezar logo de seguida e estas mesmas pessoas têm que se limitar a aceitar o poder soberano dos partidos e das cliques que em cada momento os dominam?
Quem pensa assim está muito errado. Os partidos não garantem a coerência entre o local e o nacional, não merecem cheques em branco e o tipo de pessoas que os constituem, principalmente nas estruturas intermédias, não é o recomendável. Os partidos são aquele mal necessário, mas as pessoas são livres de se afastarem sempre que não são respeitadas. Quem diz que cabe às pessoas serem coerentes e reduzem isso a respeito por uma sigla que pouco diz estão a ignorar o princípio da lealdade que vincula duas partes.
Depois em Ponte de Lima mais de metade da população não vota no mesmo partido nas eleições autárquicas e legislativas. Em Ponte de Lima a fidelidade não é princípio e ainda bem, quando não há manipulação no caso. Se este tipo de votação correspondesse a uma liberdade genuína só nos tínhamos que congratular. Infelizmente não é, mas não é por isso que vou coarctar a minha liberdade.
Quem agora aparece a reclamar votos para o PS nunca ajudou este partido a ter uma postura digna, coerente, firme, resoluta. Não os conheci quando colaborei com o PS e os que agora lá vejo, como são regressados do passado, melhor seria que permanecessem escondidos. Quem gostaria que eu votasse no CDS desista porque votei contra o cavaquismo em Ponte de Lima noutra conjuntura, mas nesta o CDS asfixia-me, mesmo sendo a maioria, ou talvez por isso, oportunistas.

25 agosto 2009

O Bom e o Mau no mesmo galinheiro?

Sim, o modo de funcionamento do CDS de Ponte de Lima é este e não podia ser outro numa maioria tão vasta. Neste CDS todos têm lugar, há sempre alguém com quem a pessoas se identifiquem. Está lá fulano com quem não posso, mas também está beltrano que eu adoro. É esta a filosofia que preside à elaboração das listas.
O Bom e o Mau complementam-se, o menos Bom ajuda a equilibrar a balança. Está lá sempre um amigo, nem que seja de ocasião. Os amigos não são aqueles que têm coerência ideológica, são aqueles que a vida fez. Os amigos são aqueles a quem permitimos que vejam a vida com os seus próprios olhos, que sejam tão levianos ou tão sérios quanto o cariz da sua personalidade já nos indicie.
Porém em relação aos líderes temos que ser inflexíveis. Sou adepto de um exame à americana, feito pela imprensa, pelos eleitores, pelo Senado ou qualquer outro órgão da administração que passe a pente fino a capacidade técnica, psicológica, moral para o exercício de um cargo. Não se trata dos perfis rígidos de que a direita fala e não pratica, mas de uma avaliação da preparação de cada um para tomar decisões a um dado nível.
Campelo liderava tudo, não só escolhia, mas moldava os seus colaboradores a pontos não previstos na lei. O Vítor Mendes que conhecemos é uma criação de Campelo, foi moldado para desempenhar as funções que ele lhe atribuía. Versátil, adoptou-se bem como se de plasticina se tratasse. A perfeição do molde tem a ver com a idiossincrasia do seu criador.
Porém o molde era só uma máscara daquilo que Campelo achava bom ser para completar a sua personalidade. Como é que essa personagem vai adoptar o papel principal? Não se coaduna melhor este papel com Gaspar Martins, mantendo Vítor Mendes aquele a que está habituado? Para que o Bom e o Mau convivam no mesmo galinheiro é necessário que o Mau molde o Bom segundo os seus propósitos e não o contrário. A não ser que isto seja só uma representação.

O que sobejou da União Nacional está em Ponte de Lima

O espírito unionista preside à gestão municipal de Ponte de Lima há duas décadas com reforço nos últimos três mandatos. Na gestão do poder cabem alguns comunistas, vários socialistas e muitos sociais-democratas. Cada um dos partidos forneceu tropas segundo as suas forças e alguns transferiram-se de armas e bagagens. Mas no geral é gente incauta que serve de bandeira a um partido ultrapassado com que se não identificam.
Esta situação torna o combate político muito difícil porque não há uma ideologia que sustente o poder, há tão só uma estrutura que lhe dá apoio a troco de uma vantagem que normalmente o CDS nunca teria. Aos outros chamaríamos em situações normais de oportunistas. Aliás os genuínos CDS roem-se de inveja dos intrusos. Gaspar Martins transferiu-se do PS. Franclim Castro da esquerda folclórica, entre a rosa e a muralha d’aço. Na Assembleia os trânsfugas são maioritários.
Os arrivistas que exercem o poder integraram-se perfeitamente no espírito da União. No geral são os mais empenhados porque tem evidente conveniência no sucesso da sua causa. Vencido o escrúpulo, os arrivistas não sentem o ambiente asfixiante, antes se aplicam diligentemente na sua criação. Os métodos de sedução que usam são os mais diversos e adequados às pessoas em causa. Chibatam-se alguns rebeldes, deita-se-lhes algum desinfectante para que as feridas não infeccionem. Ainda por cima conseguem que eles digam que foram seduzidos à primeira!
Há imensa gente com a mania da perseguição mas muita mais que se sente perseguida. A questão é que esta gente se agacha facilmente perante uns tantos com ares de Maus. Mas na União há sempre alguém com ar de Bom, para que haja dentro do sistema a quem recorrer para criar a ideia de que tudo se resolve nele.
Até aqui o Mau era o Campelo e o Bom, enternecedor mesmo, era o Vítor Mendes. Será que querem agora que o Vítor Mendes se torne o Mau para que o Gaspar Martins seja o Bom. Se assim fora mereceriam uma medalha cada um. Mas o mais natural é que os papeis se mantenham, que o Vítor Mendes queira manter cara de bom rapaz e o Gaspar não se importe de carregar o sobrolho.
Com pretensões a cineasta será sempre Gaspar Martins a escolher os papéis. Os outros só servem para compor o cenário que é do seu agrado.

24 agosto 2009

Quais ressentimentos? Cada um segue o seu caminho

Que há pessoas incomodadas pela minha declaração de voto nas autárquicas, dizem-me. O voto útil é tão digno como qualquer outro e há eleições, como as presidenciais, em que ele está institucionalizado. À segunda volta, depois da falta de maioria na primeira, há uma grande quantidade de pessoas que são chamadas a votar útil. Mas claro que na primeira volta já muitas não o terão feito por convicção antes tentaram contribuir para resolver a questão sem grandes delongas e votaram útil.
A coligação negativa que se formou há vinte anos e fez com que o CDS mantivesse o poder autárquico em Ponte de Lima justifica-se que se faça hoje contra o CDS. Por motivos de politica nacional essa coligação nunca poderá ser formal. Estando por muitas razões o PSD na melhor posição para disputar o poder é natural que lidere essa contenda. Só que o voto autárquico não é extrapolável e o PSD local deve aceitar essa posição. A nível nacional nada me levaria a votar PSD. A nível local o meu voto é negativo.
O meu comentário sobre o PS local, em quem votarei nas legislativas, estou a reservá-lo para depois das eleições, para que não digam que tenho alguma intervenção negativa. Decerto que quem se pensar socialista, independentemente de ter ficha partidária, deve pensar seriamente a sua intervenção politica a nível local, em que quadro a poderá fazer. O problema dos socialistas locais é serem poucos e fracos mas não só.
Comigo não há ressentimentos. Alinhei essencialmente com um grupo de pessoas resolutas, empenhadas, afirmativas. Destacarei naturalmente Montenegro Fiúza, Jorge Silva e Afonso Costa. Entre percalços inesperados contribui dentro do possível para manter a espinha dorsal de uma intervenção de oposição clara o que infelizmente nem sempre transpareceu para a opinião pública. Espero para ver o trabalho da equipa que vai agora a votos, mas não posso dizer que confio neles.
Pela minha parte só procurei ter uma intervenção positiva precisamente quando as questões eram de natureza irreversível. Disse isso claramente a Daniel Campelo que no que são questões de gosto cada qual tem o seu. Mas falar da minha interacção com o PS será agora “lavar roupa suja”. O que está em causa no meu ponto de vista é muito mais do que isso, de uma importância que transcende o concelho e mesmo o distrito. Disso se falará noutro tempo.

23 agosto 2009

Todos querem confrontar Gaspar Martins e não sabem como

Corre um diz que disse na blogosfera acerca de Gaspar Martins, candidato a vice-presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima. Conviria alguém esclarecer. É do domínio público que o Ministério Público iria constituir arguidos há uns anos (dez segundo penso) Gaspar Martins e seus sócios no âmbito de um processo de alegada falsificação de assinaturas.
Avisados esquivaram-se como puderam até que o prazo legal terminasse e regressaram em paz as suas casas e o Gaspar Martins às suas funções de vereador camarário. Os factos originais são de um período em que Gaspar Martins ainda não era vereador municipal mas pertencia ao staff de Daniel Campelo, com larga intervenção nas campanhas eleitorais de 89 e 93.
Daniel Campelo confrontado por Acácio Pimenta numa sessão da Assembleia Municipal haveria de dizer precisamente que os factos se não reportavam a qualquer processo municipal, nem sequer tinham sido protagonizados no período em que era edil. Num aparte diga-se que nessa sessão Gaspar Martins estava de férias pelo que foi estranha a oportunidade de abordar esse assunto.
Decerto há um acordo judicial em que Gaspar Martins e os seus sócios entregaram terrenos no valor de um milhão e quinhentos mil euros à autora do processo judicial contra eles levantado e que tinha prescrito na parte criminal mas não para efeitos cíveis. O facto de não ter havido julgamento tornou Gaspar Martins impoluto à face do direito.
Se se pretende julgar Gaspar Martins na blogosfera acho errado, mas já não acho que se julgue o direito em si que permite que tudo fique nesta nebulosa. A mim não me atrapalha o que Gaspar Martins poderá ter feito. O que me preocupa é o que ela poderá vir a fazer. A forma como ele toma decisões e a falta de Daniel Campelo faz-me pensar que agora não tem travões para as suas ideias. Era bom que ele dissesse o que pretende fazer.
Se na Câmara tivéssemos técnicos respeitados, se no Executivo e na Assembleia houvesse gente atenta, se as associações tivessem voz, se a sociedade civil tivesse opinião, podíamos estar seguros que não seriam tomadas decisões em cima do joelho.
Se Gaspar Martins, o verdadeiro chefe desta candidatura, deve ser confrontado com o seu passado, quem assim entenda que o faça, não faltarão ocasiões para isso. Mas que deve responder pelo seu futuro, lá isso deve. Tudo tem sido feito à revelia da opinião pública sem ser sufragado nas eleições. E numa campanha é pelo futuro que se responde.

21 agosto 2009

Uma apreciação mais madura das candidaturas em Ponte de Lima

O Partido do Centro Democrático e Social continua a pôr em campo a mesma estratégia de secagem que Daniel Campelo adoptou desde que foi eleito Presidente da Câmara. As Juntas de Freguesia são manipuladas e manipuladoras em relação à população. A subserviência é explorada até ao máximo das suas possibilidades.
As pessoas são atemorizadas, compelidas a colocarem-se debaixo da capa protectora de algum cacique. Tem séculos esta atitude e nem o regime republicano conseguiu introduzir outra forma de agir. O regime democrático de depois de 1974 nada tem feito para introduzir alterações a este modelo. O aumento da dimensão das freguesias seria um primeiro passo que ninguém se arrisca a dar.
Não faltam pessoas predispostas a concorrer às juntas de freguesias, mas logo, por qualquer razão menos honesto, surgem a dizer que têm filhos para empregar e a Câmara sempre é um bom empregador, tem um parente lhe lhes pediu por todas as almas que se contenham porque está em vias de resolver um problema e até a família o pode prejudicar.
O CDS já roubou juntas, algumas com o elenco completo ao PSD e ao PS. Além do uso de métodos desonestos há aqui uma clara falta de verticalidade desta gente que devendo a sua ascensão a um partido logo o trocam para virem a beneficiar mais do que até aí. O fenómeno parecia estancado mas pelos vistos continua. Dois exemplos são a junta da Labruja do PS e a da Queijada do PSD. Com gente desta é uma vergonha ser de Ponte de Lima.

18 agosto 2009

Uma apreciação breve das candidaturas em Ponte de Lima

Estão fechadas as candidaturas aos orgãos autárquicos de Ponte de Lima. São quatro as forças concorrentes, umas lutam pela representação, outras pela vitória, outras nem tanto.
O Partido Comunista dito CDU concorre com as forças da casa. Estagnado, sem qualquer abertura à sociedade, num concelho em que as associações que normalmente lhe seriam afectas se colam ao poder, resta-lhe a prata da casa. Concorre por um lugar na Assembleia.
O Partido Socialista regrediu. Tendo ido buscar um candidato à orla do PC, depois de múltiplas recusas, apresentou um programa conformista, ruralista e pouco entusiasta. Recuperou a velha tralha passadista, putrefacta, que engordou à custa da política, sem nunca terem dado nada à sociedade, à política, à ética. Concorre para perder o lugar na vereação.
O Partido Social-Democrata é o único a dar um passo em frente. Apresenta um novo líder, dinâmico e aberto à sociedade. Já infelizmente o mesmo não se poderá dizer da maioria da sua lista, mas convenhamos que o mais importante é a liderança. A esta só lhe falta empenhar-se mais no local e deixar as querelas nacionais para outras instâncias. Concorre para subir, para recuperar vereadores, que já teve três, para atemorizar o CDS.
O Partido do Centro Democrático e Social anda medroso, a ver pelo número de cartazes que o seu candidato já espalhou pelo concelho. A sociabilidade deste não lhe garante autenticidade e verticalidade. Nunca será fácil a passagem de escudeiro de Daniel Campelo para seu substituto. Sustinha os golpes que não lhe eram destinados, mas, a ser eleito, passará a ser ele o alvo. Assessorado por quem manda mais do que ele, com o resto da lista politicamente inócua, a sua tarefa mostra-se difícil. É o alvo a abater.

31 julho 2009

Um caso de estudo -O caso do estatuto dos Açores

Dos manuais de uma boa escola de política não poderá faltar este caso como revelador do cinismo nas suas diferentes vertentes.
Cavaco ofende-se com dois artigos e manda para análise do TC alguns outros.
Cavaco manda recado à AR para alterarem os artigos rejeitados por inconstitucionalidade e aqueles que ele próprio fez questão de rejeitar.
Havia eleições nos Açores e ninguém quis dar o braço a torcer: Os partidos, o Governo Açoriano, a Assembleia Regional e a Assembleia da República.
Cavaco promulgou por obrigação legal mas o diploma foi enviado ao TC para análise daqueles dois artigos considerados ofensivos pelo PR. Outra entidade entendeu haver mais artigos discutíveis e requereu também a sua inconstitucionalidade.
O Tribunal Constitucional declarou sem efeito esses 11 artigos.
O cinismo reside em Cavaco que deveria ter pedido deste logo a análise de todo o diploma ou pelo menos de mais aqueles dois artigos. Quis realçar a ofensa para criar um caso político.
O cinismo reside naqueles que omitiram das suas análises aqueles nove artigos que o TC haveria também que considerar sem efeito.
O cinismo reside em todos os partidos que, por motivos eleitorais uns e o PS para não criar um conflito interno, sustentaram um diploma que não resistia à análise mais superficial.
O cinismo reside no Governo Açoriano que quis forçar até ao limite as suas pretensões à soberania absoluta.
O cinismo reside naqueles, o PSD, que alteraram na última votação o seu sentido de voto, porque as eleições açorianas já tinham passado e as tinham perdido.
Será sempre subjectivo atribuir os ganhos desta casmurrice mas Cavaco ansiava por um pretexto para declarar guerra a Sócrates, mesmo que se veja a sua dualidade quando se trata da Madeira ou dos Açores, Sócrates teve medo de César, mesmo que dê uma mau sinal a quem o apoia na guerra santa contra o energúmeno madeirense, César portou-se como um rapaz truculento que no fundo inveja o outro ilhéu, O PSD revelou mais uma vez o seu parasitismo político tentando tirar partido de um episódio de que haveria de se envergonhar. Ganhamos nós um espectáculo degradante, baixo, de um calculismo reles. Que fique para a história para que não se repita.

25 julho 2009

O espírito do lugar

O “espírito do lugar” é uma designação que em termos de arquitectura tem muito significado. Houve quem extrapolasse esse conceito para o domínio da antropologia, da sociologia e das ciências afins. Este conceito tem evidente a propósito e é de grande utilidade para percebermos porque acontecem determinados fenómenos num dado espaço, num lugar específico.
Recentemente alguém http://arquitecturaepontedelima.blogspot.com/ falou do “espírito do lugar” como a manifestação de uma revolta pelas transformações que o espaço físico está a sofrer à revelia de qualquer esforço de enquadramento no espaço herdado.
A força desse “espírito do lugar” está por determinar perante a agressão que indivíduos não imbuídos desse espírito vêem cometendo perante a passividade dos residentes. Haverá ainda algum lugar com espírito? A Vila de Ponte de Lima tem-no imbuído nas suas pedras?
A Além da Ponte funcionou em tempos como despoletadora de um espírito capaz de desbravar novos rumos mas hoje fica na feliz descoberta do poeta Ernesto Costa como o local de vivência de uma velhice profundamente humana. Também a Além da Ponte morreu?
O espírito do lugar tem de se encontrar não só nas pedras mas também nestas. Estes até são as que mais facilmente estão à disposição de todas as aves de arribação que aqui aportam vindas de próximos ou longínquos lugares. Porque querem deixar obra toca a mudar a propósito e a despropósito. O espírito do lugar que se lixe.
Não é só Daniel Campelo que tem outra paixão. Arreda! Arreda! Também muitos de vós do CDS não sois deste lugar, não lhe senteis a alma.

23 julho 2009

Quem sustém este desvario?

Já se vão notando umas vozes consistentes contra o desvario. Destas destaco o André Rocha que no seu Blog http://arquitecturaepontedelima.blogspot.com/ tão bem tem expresso a sua opinião avalizada sobre várias das realizações a que o actual executivo se tem abalançado.
Já expressei a minha ideia geral sobre a violação a que o Centro Histórico tem estado sujeito e em relação a alguns casos em particular. Mas era a voz de um leigo face à ideia de uns leigos que constituem a vereação municipal, de que se destaca o Gaspar Martins com a sua formação de esteta feita no areal que ele tanto ajudou a violentar.
Mas também há dois elementos do executivo com boas noções de como se constroem alojamentos para vacas e cavalos mas que não têm a mínima noção de como deve ser gerido o espaço público. Para compor a floreira temos dois óptimos “relações públicas” mas que preferem os bares como espaço para tal efeito. E temos um vereador que, por mais questões que tivesse levantado, por mais objecções que pusesse, sempre deixou que nas resoluções camarárias o Daniel Campelo invocasse uma unanimidade abusiva.
Aproveito para dizer que sempre apoiei o Jorge Silva, sempre colaborei lealmente com ele, mas é evidente que cada pessoa tem o seu estilo e em política o estilo é por demais importante. Quando se entra num executivo ou se colabora ou se afronta.
Da colaboração com quem é mais forte, mais cínico, mais calculista fica-se sempre a perder. Nem se consegue uma intervenção significativa e passasse por colaboracionista mesmo quando isso é manifestamente falso. Da afronta resulta a clara assumpção de responsabilidades por quem exerce um poder discricionário, arbitrário e mesmo provocador como é apanágio desde executivo.

21 julho 2009

O que fazer por Ponte de Lima

Quando há confusão no ar as forças dominantes costumam tocar a reunir, convocando amigos e inimigos contra um qualquer real ou hipotético inimigo maior que não deixa trabalhar e estraga a imagem que o poder quer ter por via da Terra ou do País.
Quando o CDS tem a maioria absoluta, o que só não ocorreu em Ponte de Lima quando concorreu em coligação com o PSD na AD e no mandato de Francisco Abreu Lima, não ouve ninguém, decide a bel prazer do gosto algo rebuscado dos seus dirigentes, contra a opinião dos seus próprios militantes.
A lógica salazarista das forças vivas ainda se mantém em Ponte de Lima, há grupos sociais que monopolizam as influências sobre o executivo e esquecem as suas próprias divergências. É o tal medo conveniente que leva muitos a calarem-se, mesmo quando são prejudicados. As excepções, como a do Fernando do Girabola, são poucas.
O que está pois errado é em primeiro lugar a forma como no executivo camarário se tomam decisões. É possível fazer política doutra maneira, mesmo havendo que respeitar o princípio de que a última palavra cabe a quem tem a maioria. As reuniões quinzenais do plenário do executivo camarário são um espectáculo degradante, a que só a presença de Daniel Campelo consegue dar alguma dignidade, mesmo que lhe falte transparência e clareza nas decisões.
Depois há a política de fachada, que tudo resume à contagem dos minutos que Ponte de Lima consegue nas televisões nacionais. Na minha perspectiva é legítimo alguém se querer mostrar pela diferença, mas, quando se está muito abaixo da média nacional na maioria dos indicadores de desenvolvimento, a diferença é tão só folclórica. Obra seria conseguirmo-nos diferenciar entre os melhores.
Os acérrimos defensores de Campelo terão que sofrer a humilhação de um dia verem os camartelos a derrubar algumas das suas “obras”, que de palhaçadas estamos nós cheios. Há que higienizar o ambiente e levar o desenvolvimento real à ruralidade.

19 julho 2009

Desfaça-se a confusão!

Anda muita gente a baralhar as minhas reais e supostas ideias. Já escrevi um texto sobre a necessidade de sermos humildes quando queremos ler alguém. Quem não quer ler passa à frente, mas dispensam-se os insultos gratuitos.
Nem quero dizer que é necessário estar abaixo ou acima, muito menos é necessário alguma preparação especial para me lerem. Será preciso uma mente fresca, um coração disponível, uma vontade não agrilhoada, uns sentimentos sem nostalgia, uma visão dirigida ao futuro. Assim já daríamos um jeito. E muita frontalidade, perdoem-me aqueles que acham que faço rodriguinhos a mais.
Em todo o País se nota que a política volve e revolve ao redor sempre das mesmas figuras, falta ar fresco, arejamento. Até Daniel Campelo, mesmo com todos os defeitos que tenha e embora seja seu propósito continuar na política, sentiu essa necessidade de arejamento, de mudar de ares. Não chegou ele dizer “Ponte de Lima nunca mais” que parece que já há quem sinta a nostalgia dele. São as mesmas figuras tristes de sempre.
Daniel Campelo não ensandeceu como tem acontecido a outros políticos, mas deslumbrou-se o suficiente com ele mesmo para preparar a sua saída com tropas romanas, fadistas, lavadeiras, cantores ao desafio, lavradeiras, ranchos, tocatas e bandas de música.
Só não direi que Daniel Campelo sai bem porque já devia ter saído há mais tempo. Aqueles que choram a sua partida não faltará muito tempo encontrarão alguém a quem se devotar com o mesmo empenho e fervor, seja do CDS, seja de quem for.
A política por mim preconizada não passa por pessoas, mas por dois grandes princípios. Um representa o caminho e é a participação. O outro representa o objectivo e é a partilha. Quem se der ao trabalho de me ler descobrirá que para mim é irrelevante que alguém se chame Chico ou se chame Zé.

15 julho 2009

Afinal havia outra

Em recente entrevista, em jeito de despedida de mau gosto, veio declarar que a sua verdadeira paixão é Viana do Castelo, terra onde estudou e muito viveu na sua juventude. Afinal Campelo nasceu no Vale do Neiva, terra de gente que se distingue bem da do Vale do Lima, nem para melhor nem para pior, não vem ao caso, mas que tem mais afinidades com terras de Viana, Barcelos e Vila Verde.
Acho que foi sincero mas fica-lhe mal ter-nos andado a enganar estes anos todos. Mas também acho que Daniel Campelo virá a dizer ainda pior de Ponte de Lima, como se ele não tivesse culpas do nosso atraso, se não tivesse sido camarário este últimos vinte anos e o seu partido não estivesse no poder há trinta e três anos. À moda do outro dirá que “burros vos encontrei, burros vos deixei”.
Ele que também numa entrevista há uns anos ao Porto Canal de TV dizia que após abandonar a Câmara se iria dedicar à pastorícia e à elevação deste povo, só não disse se pela poesia ou qual o método. Acho que Daniel Campelo já é demasiado velho ou excessivamente novo para a poesia, mas de qualquer modo ele terá desistido desses propósitos.
Afinal não tenho motivo para não lhe desejar felicidades, só lhe agradecia que, uma vez eleito para Viana do Castelo, para lá leve a Amália e o Brutus com as suas tropas, deixe ficar alguma ruralidade genuína, mas leve o seu ruralismo, encaminhe para lá as tropas de Gondomar, Paredes, etc., antigamente chamados turistas de garrafão.
…E já agora leve também os seus serventuários que por cá deixou, uns poetas nostálgicos, uns músicos de ouvido, uns periodistas embevecidos, todos os que se deslumbram com o brilho das estrelas e esquecem a sua própria nobreza.

13 julho 2009

As silhuetas coloridas

As próximas eleições autárquicas correm o risco de serem em Ponte de Lima demasiado soft. Quando se está longe do poder há tendência para se ser mais agressivo e quanto se está tantos anos longe do poder mais agressivos deveríamos ser. Uma agressividade boa conselheira precisa-se para varrer o CDS do mapa Limiano.
A não ser que afinal todos nós nos tenhamos sentido próximos do poder estes anos todos e tudo tenha sido feito segundo o interesse geral. Então há que gritar, alertar contra tanto adormecimento, dizer bem alto que os sentimentos de resignação não fazem sentido neste concelho. Não seremos nós capazes de fazer melhor?
Os Limianos têm participado na construção do mundo em todos os continentes e em muitas actividades. Em Ponte de Lima os Limianos resignam-se a ver instalar em pleno areal umas silhuetas de soldados romanos temerosos de atravessar o rio.
Terá o medo tolhido esta gente que só mostra as suas potencialidades fora do torrão natal? Faltar-nos-á dar muitos passos para a modernidade e, a continuar esta apatia, cada vez mais serão necessários. Em Ponte de Lima dão-se passos para a saloiada, para o pitoresco, para a nostalgia de um passado bucólico, esquecendo-se a miséria e submissão de tempos idos.
Em Ponte de Lima falta dar um passo em frente, um primeiro passo que não pode, não há condições para ser demasiado ambicioso, mas que tem que ser na direcção certa. Os protagonistas conhecidos são gente para dar mais passos atrás, incapazes de atravessar o rio, pouco mais que silhuetas em que tudo lhes falta, inclusive pernas para andar.

01 julho 2009

Um apelo descomprometido

Dando por adquirido que Daniel Campelo imprimiu a Ponte de Lima um cariz que a tornou um Cidade deslocada no seu aspecto, despropositada nas seus fins, parasitada na sua economia, pouco virada para o interior que lhe alberga a alma e muito virada para o exterior que lhe conspurca o corpo, que tenta captar franjas e tem que aguentar a lógica das multidões, há necessidade de repensar Ponte de Lima e o seu futuro.
Quando se apresentam eleições a breve trecho, “perdido” o carisma de Daniel Campelo, até nas suas hostes houve desentendimentos sobre quem deveria gerir o seu espólio. Das soluções possíveis a encontrada parece ser a pior mas não podemos estar seguros de que o povo não votará nela.
Situo-me claramente à esquerda e sei que a negação de um voto desta continuidade paralítica que pode estar no horizonte favorecerá preferencialmente o P.S.D., mas não é isso que me faz ficar parado. Impõe-se uma mudança mas no entanto nem a proposta do P.S.D. é fiável nem a mais longínqua do PS parece ter pernas para andar.
Com estes pressupostos faço um apelo às pessoas descomprometidas com qualquer das hipotéticas soluções que se reúnam sem preconceitos, sem condições à partida, de modo a analisar as soluções possíveis, os objectivos que Ponte de Lima deve ter como Cidade e só por fim e eventualmente a tradução política que uma possível convergência de ideias possa ter a tempo de não entregar o nosso futuro a quem não tem sensibilidade, qualidades para rasgar novos rumos, quiçá sequer para a gerir.
As pessoas certas são aquelas que tenham empenho em pôr em prática as ideias que sejam o mais consensual possível, que dialoguem com a sociedade civil, que não é só a da sede do concelho, e claro que representem as forças maioritárias, com exclusão do C.D.S., tão só porque decerto nunca estará interessado numa solução deste género. Mas para já o que seria importante seria avaliar se será possível congregar pessoas capazes de impulsionar uma solução destas.
Um jantar podia ser um bom momento de reflexão. Deixo a proposta no ar internáutico.

28 junho 2009

A estranha sedução dessas mulheres

Há políticos que nunca mudam. Não há crise, calamidade, terramoto que os demova de defender sempre as mesmas ideias. Os ditos sociais-democratas portugueses, liberais dos sete costados no que se refere ao domínio da economia, não cedem, mantém viva a sua chama. E não há dúvida que a sua actual líder a conseguiu avivar.
Todos se perfilam quando se trata de atacar o Estado Social e um hipotético Estado Socialista mandam-no para as profundezas do inferno. Podem-se abespinhar uns com os outros devido a diferenças de estilo, dar a aparência de estar envolvidos em lutas fratricidas que, quando toca a reunir, todos alinham seja qual for o seu estado de espírito passageiro.
Mesmo com este Estado Social Mínimo a Manuela não se dá por satisfeita. Há que deitar abaixo. Esta autêntica mão coruja, galinha choca e chocalheira quanto baste, que abriga tudo e todos desde que lhe mostrem respeito e deferência conseguiu reduzir ao silêncio os milhentos granizos que sempre vão aparecendo no seu galinheiro com pretensões a vir a liderá-lo.
Para cúmulo até parece que já conseguiu por debaixo das suas penas, ou saias para o caso, o próprio Cavaco Silva que numa patética arremetida pelas bandas do empresariado resolveu ampliar o rosnar roufenho da sua correligionária caquéctica.
Cavaco Silva vetou uma Lei que podia acabar com o vergonhoso caso da imprensa propagandística da Madeira paga com dinheiro público e preocupa-se com uma hipotética beliscadura ao vergonhoso jornal da sexta-feira na TVI. Ninguém parece resistir à sedução daquelas duas mulheres.

27 junho 2009

A alguém chega mudar de atitude?

Na política fica-se muitas vezes refém do passado. Nem seria necessário cometer erros gritantes, ter confrontos dilacerantes, assumir compromissos que nos prendam. Há distanciamentos que se criam, caminhos que se dispersam, afectos que se perdem, identificações que se revelam artificiais. Às vezes até a simples rotina se torna paralisante. Tornou-se imperiosa “dar um murro na mesa”.
Qualquer gestor pode chegar a um dia em que concluiu que não está no lugar certo, que não era aquilo de que ele gostava. Enfim todos nós gostamos de um dia mudar de vida só que nem a todos isso é facultado. Eu sei que há muitos anos a maioria de nós era lavrador e nas suas expectativas não entrava qualquer mudança de vida, mas essa maioria também já abandonou essa grilheta. Porém outras se vão criando na inevitável repartição do trabalho.
Afinal dentro da espessa classe política profissional que se formou no pós 25 de Abril o tédio é um mal bem menor do que aquele de que sofrem os inadaptados numa sociedade de descarte tão repentino como esta. Contrariamente a esses políticos, um qualquer profissional nem precisa de falhar na sua actividade para ver o seu futuro em risco, quer mude de temperamento, de parceiros ou de ideologia.
Um político, mesmo falhando, atribui as culpas a outros e a circunstâncias adversas e andando um tempo por aí com rendimento garantido sem ser mínimo acaba por só ter que mudar de atitude para que outras portas se lhe abram. A um político exige-se que, de vez em quando, mude de imagem. Aos outros exige-se resignação.

26 junho 2009

Quem o vê e quem o viu

Sinceramente deu-me pena vê-lo a um canto, tristonho, não se lhe vislumbrando na face um sorriso. Se um homem se tem que submeter a isto para tentar arranjar onde ter paparoca perde toda a dignidade.
Alguns pensarão que não é bem assim, que as pessoas amadurecem e alteram os seus comportamentos, perdem espontaneidade, mas não faz mal, ganham em lucidez, estabilizam as suas relações, disciplinam-se.
Claro que estou a falar de Santana Lopes, velha ave altaneira, não habituada a rastejar, a esconder-se, a passar despercebida. Custa ver uma pessoa passar de águia, ou que seja pelo menos milhafre, a um mocho apagado e a escolher as horas para aparecer.
Quem teria sido a pessoa a provocar este milagre de domesticar tão bem quem era tão rebelde e estava tão habituado a andar livremente por aí? Só podia ser a inefável, a espantosa, a fantástica velhinha que dá pelo nome de Ferreira Leite.
Lançou o seu manto de mãe extremosa, preocupada com todos os seus filhos, até com este pródigo que procede muitas vezes à revelia dos códigos familiares e tanto se arroga o título de fiel depositário do seu tetra avô Sá Carneiro com quem terá privado como poucos.
Afinal a grande arma de Ferreira Leite é o seu ar maternal, que tem vindo aí de cima e que, não sendo garantia de nada, nesta sociedade com muito ainda de tradicional tem o seu efeito nas escolhas.
De velha truculenta, de bruxa má, o certo é que os peritos em imagem estão a fazer maravilhas desta mulher. O Sócrates que se cuide. Mas que se não torne em velho rabugento que tem de aturar uma velha rejuvenescida mas que não o faz à procura de sexo de que não precisa porque já teve os filhos que desejava. Aprende com o Santana, mantém a calma, ela cai sozinha.

24 junho 2009

A defesa do nosso futuro não passa pela defesa da nossa diferença

Há anos era comum dizer-se que ser socialista em Ponte de Lima era tão ou mais revolucionário, tão ou mais progressista, tão ou mais idealista do que ser do Bloco de Esquerda em Lisboa. Seria muito mais difícil, muito mais exigente do que ser socialista em Lisboa. É puro engano: Há indivíduos displicentes, irresponsáveis em todo o lado.
A única dificuldade é constituída pelos relacionamentos pessoais porque estes são mais difíceis de gerir à medida que nos distanciamos de Lisboa. Prezam-se mais, tem-se mais receio em ferir susceptibilidades, medem-se melhor as consequências de uma actividade política visível e constante. Mas é um campo privilegiado para oportunismos de todo o cariz.
Ponte de Lima era além disso considerado o concelho mais retrógrado do País em face de uma avaliação independente do seu potencial. Não fujo à regra e já tive essa percepção, que sempre combati, mas que periodicamente me faz desalentar. No entanto não vale a pena estar a ir por essa via.
Não seria o primeiro que em Portugal alimentou sentimentos destes, vencidos da vida há um pouco por todo o lado. Mas esta atitude ainda não será a pior. Bem mais negativo é procurar na desgraça motivo de satisfação que compense. Isto é, deixar que o nosso espírito se espraia e se sacie com paisagem, jardins e desfiles de gente peregrina, sarrabulho e outras enormidades de que se fazem bandeiras.
Combater esta realidade é em primeiro lugar combater o sentimento de saciedade que ele cria em tanta gente. Combater esta realidade pode ser induzir expectativas que ela não comporta, medir o nosso tempo por parâmetros que não são os nossos, mas também convencermo-nos que os benefícios que usufruímos não compensam os malefícios que temos sempre que suportar.
Ponte de Lima não é um lugar de fuga, nele temos de encontrar um caminho que nos leva ao progresso e à integração num mundo competitivo. Colocar a população a pronunciar-se sobre o que quer que se faça neste espaço amplo e mais livre para que não se perca mais tempo do tempo que os outros sabem aproveitar e nós menosprezamos é um imperativo imediato sem medo de se estar muito ou pouco à esquerda.
Em Ponte de Lima não devemos dar nem mais nem menos importância ao nosso posicionamento político pessoal, não devemos dar voz ao azar nacional, não devemos sobrevalorizar as qualidades demasiado perecíveis daquilo que temos, não devemos induzir expectativas iguais para quem mede o tempo de forma diferente. Seria ilusório dizer que a defesa do nosso futuro passa pela defesa da nossa diferença.

Aqui pode vir a falar-se de tudo. Renegam-se trivialidades, mas tudo depende da abordagem. Que se não repise o que está por de mais mastigado pelo pensamento redondo dominante. Que se abram perspectivas é o desejo. Que se sustentem pensamentos inovadores. Em Ponte de Lima, como em todo o universo humano, nada nos pode ser estranho.

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Ponte de Lima, Alto Minho, Portugal
múltiplas intervenções no espaço cívico

"Big Man" 1998 (1,83 de altura) - Obra de Mueck

"Big Man" 1998 (1,83 de altura) - Obra de Mueck
O mais perfeito retrato da solidão humana