(Continuação)
No Alto Minho a conflitualidade social existe, como é evidente, mas tem tido uma almofada “natural”. As diferenciações sociais além de serem poucas, são também minimizadas no sentido de não agravar os conflitos e de contribuir para a paz social.
Toda a gente se lembra de graves “escaramuças” devidas à disputa de águas, de agueiros e tempos de rega. Das movimentações nos tribunais, dos ânimos exaltados, das cisões criadas no tecido social. E passados uns anos, as roturas já passam por outro lado, com antigos inimigos reconciliados e amigos de muitos anos desavindos.
Os ódios esquecem-se, os rancores atenuam-se, os ressentimentos não são fáceis de esquecer. Feliz é aquele que menos ressentimento preserva, que com mais naturalidade assume o desfecho de litígios inevitáveis, próprios de uma proximidade e de uma semelhança de interesses.
As mudanças nos meios de subsistência, nos modos de vida, nos afazeres de cada um criaram períodos de maior desfasamento, mais propícios para que venha ao de cima a conflituosidade sempre latente. Mas o bom senso sempre levou a não criar distanciações excessivas e a manter pontes com os mais fracos, ou com menos sucesso.
Este panorama idílico, pleno de harmonia e equilíbrio, refere-se, como é claro, às tendências de longo prazo que, para subsistirem, necessitam de válvulas de escape, quando há excesso de energia, ou de balões de oxigénio, quando há necessidade de que algo exógeno aconteça.
Podemos incluir nestas categorias a reconquista e o povoamento do sul, as pestes, as fomes, os descobrimentos, a vinda da batata e do milho de maçaroca, a emigração em especial para o Brasil, o aumento das necessidades alimentares das cidades, algum esboço de associativismo agrícola.
Se durante estes séculos não se vislumbra uma grande mudança, ela não terá já acontecido nos últimos quarenta anos? Ou nós não nos teremos apercebido dela, devido ao papel das válvulas de escape e dos balões de oxigénio que terão ocorrido e por nos deixarmos enredar pelo monólogo político dominante?
(Continua)
No Alto Minho a conflitualidade social existe, como é evidente, mas tem tido uma almofada “natural”. As diferenciações sociais além de serem poucas, são também minimizadas no sentido de não agravar os conflitos e de contribuir para a paz social.
Toda a gente se lembra de graves “escaramuças” devidas à disputa de águas, de agueiros e tempos de rega. Das movimentações nos tribunais, dos ânimos exaltados, das cisões criadas no tecido social. E passados uns anos, as roturas já passam por outro lado, com antigos inimigos reconciliados e amigos de muitos anos desavindos.
Os ódios esquecem-se, os rancores atenuam-se, os ressentimentos não são fáceis de esquecer. Feliz é aquele que menos ressentimento preserva, que com mais naturalidade assume o desfecho de litígios inevitáveis, próprios de uma proximidade e de uma semelhança de interesses.
As mudanças nos meios de subsistência, nos modos de vida, nos afazeres de cada um criaram períodos de maior desfasamento, mais propícios para que venha ao de cima a conflituosidade sempre latente. Mas o bom senso sempre levou a não criar distanciações excessivas e a manter pontes com os mais fracos, ou com menos sucesso.
Este panorama idílico, pleno de harmonia e equilíbrio, refere-se, como é claro, às tendências de longo prazo que, para subsistirem, necessitam de válvulas de escape, quando há excesso de energia, ou de balões de oxigénio, quando há necessidade de que algo exógeno aconteça.
Podemos incluir nestas categorias a reconquista e o povoamento do sul, as pestes, as fomes, os descobrimentos, a vinda da batata e do milho de maçaroca, a emigração em especial para o Brasil, o aumento das necessidades alimentares das cidades, algum esboço de associativismo agrícola.
Se durante estes séculos não se vislumbra uma grande mudança, ela não terá já acontecido nos últimos quarenta anos? Ou nós não nos teremos apercebido dela, devido ao papel das válvulas de escape e dos balões de oxigénio que terão ocorrido e por nos deixarmos enredar pelo monólogo político dominante?
(Continua)
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