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13 dezembro 2009

Uma Cimeira de Paz toldada pelas manifestações violentas

A dinâmica das manifestações sempre me levantou interrogações a que nunca encontrei resposta. A contradição existente numa manifestação violenta inserida numa luta pela paz deixou-me sempre perplexo.
Sabemos, antes de Obama o dizer, que, muitas vezes, não se consegue a paz sem guerra. A cedência para evitar uma guerra no imediato traz, muitas vezes, muitos mais prejuízos do que uma atitude frontal que, por antecipação, evite uma inevitável guerra posterior mais feroz e sanguinária.
Porém uma manifestação a favor da paz não necessita de entrar por via violenta. Se quem é a favor da paz não seja necessariamente um pacifista é uma verdade insofismável. Se quem é a favor da paz quer dizer que, no caso extremo de não haver cedência de quem quer fazer a guerra, também será capaz de a fazer parece razoável. Mas manifestar essa disposição, aliás teórica, atacando os bens públicos e privados é excessivo.
Copenhaga está cheia desta gente que abraça uma causa justa, mas utiliza métodos que depreciam a causa. Se esta depreciação não é nada que preocupe essa gente é uma das perplexidades que sempre se me puseram. Guerra à guerra a qualquer preço parece ser a sua lógica.
Movimentos de muita natureza advogaram essa lógica totalitária com objectivos diversos. Há décadas os movimentos comunistas do Ocidente entraram nessa lógica e nada ganharam com isso. Muitas vezes apercebiam-se do carácter contraproducente dessas manifestações ou de algumas das ocorrências mais violentas durante a sua realização, e atribuíam-nas a infiltrações de agentes inimigos.
A paz exige manifestações de paz. Se o ambiente da Terra já está numa situação prejudicial à humanidade, mas é ainda reversível, tudo devemos fazer por isso. Não faltam movimentos nesse sentido em vários quadrantes políticos. Só a necessidade de protagonismo destes aventureiros de Copenhaga dá uma justificação para o que se tem passado. Gente desta era dispensável neste cenário de progresso nesta área decisiva do Ambiente.

09 dezembro 2009

Uma nova atitude pessoal perante o aquecimento global

Se há assunto que nos deve preocupar é o sucesso ou insucesso da cimeira de Copenhaga sobre o aquecimento a que a Terra está a ser sujeita, como resultado do efeito de estufa e da destruição da camada de ozono. A procura de uma solução para esta questão tem sido sucessivamente adiada.
O problema é daqueles complexos, globais, que afecta muitos aspectos da vida das pessoas. Como ninguém quer prescindir de uma certa qualidade de vida de que diz usufruir, pode pensar nesta questão à noite, mas afasta-a da sua mente o resto do dia.
Os políticos, mas também as pessoas particulares não dão a esta questão a gravidade que ela tem. As nações só colaboram na medida em que as soluções preconizadas não põem em causa a sua competitividade. Todas olham para o lado, uns porque não querem inviabilizar a ultrapassagem do seu atraso crónico em relação aos parceiros, outros porque não querem perder a sua posição de dominância relativa.
Estamos numa situação caricata em que parece que todos já fizemos o que podíamos fazer por uma saída favorável e limitamo-nos a esperar que a sorte ou outro qualquer factor imprevisível ajude a encontrá-la. Há uma evidente apatia da opinião pública, que vive uma inconfessada contradição entre o egoísmo humano e a ponderação que devia adoptar.
Parece que só conseguiremos arrefecer o ambiente se previamente arrefecermos as nossas cabeças, abandonemos o fervor consumista, racionalizemos os nossos apetites. Não podemos estar à espera que a ciência consiga alternativas para as substâncias nocivas, de modo a mantermos os hábitos nefastos que temos. Temos que ser pró-activos.

08 dezembro 2009

Um Rio que era um parceiro de toda a vida

Touvedo abriu uma goela, o Vez encheu-se de brios, o Cabrão deu um ar da sua graça e eis que tivemos o Lima a ocupar o seu leito natural em Ponte de Lima. Claro que o nível a que as águas do Lima chegaram, se fosse na minha juventude, alcançar-se-ia ao fim de meio-dia de chuva. Naquele tempo era frequente que esta feira, as feiras do mel, fosse efectuada pela avenida António Feijó acima. O mel vendia-se no topo superior da actual paragem dos táxis, ao virar da esquina de quem vai para os Bombeiros.
Naqueles tempos, anos cinquenta e sessenta em especial, não havia ano que o Rio não viesse uma boa dúzia de vezes ao passeio 25 de Abril, das quais em metade a água vinha à esquina da Torre da Expectação e uma vez ou duas ao Largo de Camões. Dentro da Vila o mais espectacular era a saída da Rua Beato Francisco Pacheco para o Largo de S. José. Só que, embora já estivessem prevenidos, os moradores não achavam graça nenhuma.
“Ainda te cantam versos, filha da mãe!” é uma célebre frase disparada por um comerciante limiano particularmente agastado com tanta invasão da água suja da cheia. E nem sempre os comerciantes acertavam na dimensão do perigo. Colocavam os seus produtos num patamar aonde pensavam que a água não chegava, mas esta às vezes pregava-lhes uma partida e obrigava-os a mudar tudo à última da hora. Mesmo assim era raro isso acontecer.
Havia uma relação íntima com o rio, uma amizade intensa, uma grande cumplicidade. Como ser objecto de adoração, no Lima víamos a força da natureza, mas também a força da vida, um ser que podíamos compreender, com que nos podíamos relacionar e partilhar os dias quentes de Verão e o vento temperado do sudoeste de Inverno. A barragem do Lindoso amansou o Rio mas afastou-o das nossas vidas. Os areeiros e a poluição fizeram o resto.

30 novembro 2009

Um comportamento sovina dos comerciantes limianos

Uma campanha de atracção dos clientes ao comércio tradicional não tem necessariamente que dar frutos no próprio ano. Se prometerem rebuçados é natural que tenham por objectivos captar essa clientela de imediato. Se fizerem um desconto suplementar para ser feito nesse período o objectivo não pode ser outro. Quando se faz um sorteio de um carro o objectivo é o mesmo mas o beneficiário vai ser só um e exige-se mais para o rentabilizar.
Ninguém gosta de ser ludibriado. Se os rebuçados não aparecem, se os descontos não são feitos, se o carro está no Largo de Camões mas ninguém dá bilhetes para o seu sorteio, alguma coisa está mal. Os comerciantes ficam cada vez mais desacreditados. Se ainda por cima, passadas as festas, não sabem a quem saiu o carro, logo põem a honestidade comercial de rastos.
Quando se faz uma campanha desta deve ser publicitadas as suas condições. Sejam os rebuçados que se dão, sejam os descontos que se fazem, seja a forma de adquirir os bilhetes para um concurso os procedimentos devem ser rigorosos. Criar expectativas e gorá-las é o pior a ser feito. Não prometam aquilo que não vão dar.
Cada comerciante comprou à Associação o número de bilhetes que quis e fez deles o que bem quis. Em vez de colocarem um placar com a indicação da quantidade de bilhetes dados por um dado volume de compras, escondiam os bilhetes na gaveta à espera que o cliente não falasse disso. É um procedimento mesquinho, para não dizer reles, baixo. Um dia eu falei e disseram-me:
- Paguei-os não os voou dar.
- Então fiquem com a mercadoria e vão-na vender aos papalvos.
Não duvidem que os clientes não são burros e quando os comerciantes fazem uma campanha têm que a fazer honestamente. Os bilhetes não podem ficar para os próprios, para a família, para a Associação. Tem que haver uma entrega dos bilhetes e uma cerimónia pública da entrega do carro, porque essa será a verdadeira publicidade e trará clientes nos anos seguintes.

27 novembro 2009

Deixamo-nos ir ao sabor da … vida

Nós vogamos ao sabor da vida, com os olhos fora da água, pensamos nós. Por vezes o nevoeiro é tanto que dúvidas se levantam se levamos ou não os olhos dentro de água. A percepção da realidade por muitos de nós é estranhamente idêntica mas suficientemente enigmática para que a possamos usar para nos entendermos.
Nós podemos prezar muitas coisas na vida. É natural que com a idade essas coisas se vão alterando. No entanto a sociedade moderna, na sua ânsia de parametrizar tudo, de ter padrões pelos quais cada qual possa aferir o seu próprio cumprimento dentro dos valores de referência, passou há uns tempos atrás a ter no nível de vida o seu parâmetro mais valioso.
A nossa percepção individual do nível de vida mediano, e do valor relativo do nosso em relação a esse, depende também do nosso percurso de vida. Incompreensivelmente quase todos, estejam abaixo ou acima desse nível médio de vida, reclamam um aumento do nível de vida, quase como náufragos que estão em igualdade de circunstâncias e cuja cabeça submerge simultaneamente acima do nível da água que representa a vida.
Esta maneira de abordar esta aproximação do homem ao nível de vida mediano leva a que não consigamos saber com objectividade quais as diferenças existentes, quanto a expectativas e possibilidades. Mais uma vez nada fazemos por nos entendermos porque aparentemente comportamo-nos como se já todos estivéssemos de acordo e isso é falso.

22 novembro 2009

Numa relação pode haver compensações mas não chantagens

As pessoas são mais permeáveis a determinados tipos de chantagem do que a outros. Sempre foi habitual em épocas em que o homem tinha uma função especialmente importante na obtenção de meios económicos para a subsistência da família haver homens que se congratulavam com o seu sucesso não o partilhando e afrontando mesmo as mulheres com esse facto. Estas resignavam-se a aceitar tal facto e tudo o resto ficava condicionado.
Em tempos mais recentes esses esforços são partilhados na medida das possibilidades de cada elemento da família. Só que a procura desta igualdade de responsabilidades faz esquecer a necessidade de procurar alguém capaz de partilhar valores pessoais e sociais mais consistentes. Juntar duas pessoas com a mesma ambição não será a melhor forma de construir uma harmonia que não dependa do contributo económico de cada um.
Numa relação que se pretende tão duradoura como a família as pessoas têm de ser capazes de encontrar compensações, mas a sua utilização como moeda de troca pode dar origem a problemas devido à diferente sensibilidade de cada um. No entanto as compensações quando envolvem meios económicos não são mesmo verdadeiras, são antes meios de chantagem de que os indivíduos se servem.
Quando algo se paga com dinheiro, sem envolvimento emocional e sentimental, sem partilha de esforço e de ganho afectivos está-se a criar uma dependência que pode resvalar para domínios perversos. De repente podemos estar a ver chantagens em todo o lado, haja ou não razão para as ver e esse é o fim ou pelo menos o seu princípio.

20 novembro 2009

O aprisionamento da alma e a morte do corpo

Aqueles que vivem momentos que entendem de particular felicidade não raro se revoltam contra as outras pessoas e perguntam porque razão estas complicam tanto as coisas. Criaram o seu próprio mundo de felicidade e passam a adoptar uma atitude defensiva, integrando as outras pessoas nesse mundo de uma forma estática, formal.
Essas pessoas não alertam os “parceiros sociais” para esse facto, que a partir de uma dado momento não são mais livres de mudar de comportamento, de fugir a uma imagem que eles criaram no seu cérebro e que aprisiona os outros de uma maneira tenaz, persistente. Alguns até já sabem, mas convencem-se que tem a força suficiente para levar os primeiros a um relacionamento mais aberto e partilhado.
Muitas pessoas convencem-se que este aprisionamento não é possível em relacionamentos tão dinâmicos como é pressuposto serem hoje os relacionamentos amorosos. No entanto esta forma de ver o relacionamento amoroso é tão vulgar como o são as outras formas de ver outros relacionamentos sociais de natureza diferente. Há imensas pessoas a viver em mundos fechados e que estabelecem uma frágil barreira entre a amizade e o despeito, o amor e o ódio, a atracção e a aversão.
Aqueles que querem condicionar a vida alheia, o percurso académico, os modos de ser, que conseguiram prolongar algum momento de apaziguamento e criam junto dos outros algum espaço com leves críticas, mas sem revelar o seu carácter exclusivista mergulham muitas vezes na sofreguidão de quem se acha o centro do mundo.

19 novembro 2009

A leveza de espírito à custa alheia

O que faz as pessoas felizes é uma certa leveza de espírito, não tanto o peso do dinheiro nos seus bolsos ou a quantidade de bens que têm à sua disposição. Como se conseguirá que as pessoas abandonem o afã de juntar dinheiro, de consumir todo o possível e imaginável e alcancem essa leveza, se livrem de ressentimentos, raivas e azedumes?
Em primeiro lugar é necessário saber que as pessoas se não vão esquecer da competitividade que necessitam de ter para sobreviver com o mínimo de dignidade neste mundo em que a economia é utilizada para tudo inclusive para definir os níveis de bem-estar e de felicidade de todos. Todos somos misturados e passamos por ter um nível médio de desejos e ambições. E se uns estão acima e outros abaixo é porque a uns é permitido ter e a outros não. A muitos não lhes é permitida a felicidade porque não lhes sobra tempo só a alguns é permitido lutar pela dignidade doutra forma.
Porém a leveza de espírito pode conviver bem com a falta de dignidade. Igualmente convive bem com os sentimentos dos mais perversos e persistentes. No geral já não convive bem com os esforços desmesurados necessários que muitos têm que suportar para suprir as necessidades mais básicas de subsistência.
Muitas pessoas conseguem a sua paz de espírito à custa de outras e nem se apercebem disso. É isso que ocorre com aqueles assassinos de namoradas que vão cerceando a liberdade alheia e sentem-se felizes enquanto estão convencidos de o terem conseguido, mas não toleram uma fuga ao cerco que montaram, pelo menos mentalmente.

21 outubro 2009

A Liberdade de Imprensa e o choradinho nacional

Os profissionais da imprensa não estarão a ver bem os problemas da Liberdade de Imprensa. Ou então não são claros nas razões que têm para denunciar falhas que poderão existir. Como em quase tudo em Portugal o culpado é sempre o governo e esquece-se assim aqueles que às claras ou sub-repticiamente manipulam e controlam para obter uma dada orientação.
A imprensa escrita é hoje a mais dependente dos seus proprietários. Estes decerto seriam mais condescendentes se obtivessem lucros da sua actividade, mas como no geral acumulam prejuízos tornam-se mais exigentes em relação à orientação que querem ver imprimido nas suas publicações.
É natural que ao governo, a qualquer governo, não agrade uma imprensa que preferencialmente diz mal e só raramente realça o bom. Em qualquer assunto em que existam aspectos positivos e negativos são estes últimos que ganham a prevalência., quando não a exclusividade. Na imprensa oral aprendeu-se uma forma de dizer, incisiva e acintosa, que impede mesmo que se refira alguma coisa de positivo.
Outro problema da nossa imprensa é a cobertura que dá ao choradinho nacional. Decerto que há muita gente que gostaria, teria toda a razão e deveria ser-lhe dado o direito de gritar bem alto a sua indignação a sua revolta pela iniquidade, pela humilhação, pela injustiça. Mas no geral o que surge são casos caricatos, profissionais da simulação, carpideiras sem vergonha. As pessoas dignas não se misturam com esta gente.

05 setembro 2009

A ofensa repentina é sinal de menoridade

Quem usa a blogosfera para sob anonimato insultar os outros quer dar a ideia de que o valor das pessoas se mede pela contabilidade dos insultos e elogios que cada um recebe.
Ninguém se deixa levar por esta ideia infantil. O anonimato só serve para medir o estado em que está o ambiente cívico e político para quem fala de assuntos que se lhe referem. A podridão do ambiente só existe no entanto quando os protagonistas que estes anónimos pretendem proteger os recrutam e os incentivam a proceder dessa maneira.
Os políticos são evidentemente e em última instância os culpados deste estado de coisas porque, se não for doutra maneira, são eles que permitem que este tipo de gente abjecta se arraste à sua volta, talvez com a ideia de comer uns sobejos. Ou talvez seja difícil responsabilizarmos os políticos por tudo o que se passa à sua volta.
Não duvido que há muita gente a agir de moto próprio, mas ninguém age com a persistência de certos comentadores da blogosfera se não estiver envolvido num projecto mais amplo ou então queira ser mais papista do que o papa. Um homem livre não persegue ninguém.
Na blogosfera há muita gente a dar azo às suas tendências agressivas, homicidas mesmo. A blogosfera é usada como um escape, escrevem uma frase contundente com o vigor com que empunham uma lâmina afiada para matar o adversário.
A ofensa repentina não é sinal de inteligência, valentia ou qualquer outro sentimento positivo. Pelo contrário é sinal de estupidez, cobardia e no fundo de todos e de qualquer sentimento negativo. Por isso é muito difícil, senão impossível, de erradicar.

22 março 2008

Menos generalização precisa-se!

Quando se analisam casos de violência, como o reportado recentemente, a primeira ideia que ocorre ao espírito das pessoas, na sua ânsia de dissecar o problema que lhe está na origem, é perguntar se é sinal de um clima de violência generalizada, se é um caso isolado, o que parece não ser o caminho certo.
Podemos dizer com certa segurança que não é um caso esporádico, mas que, sendo sinal de violência latente, só ocorre esporadicamente. Teoricamente poderá generalizar-se a uma percentagem na área da décima, não mais. A generalização mais trivial incorre no erro de juntar àqueles capazes de desencadear um espectáculo assim aqueles capazes de gozar com o espectáculo, enquanto tal.
O bom senso recomendaria que só os primeiros fossem objecto de estudo e tomada de posição já que entrar no domínio dos outros é entrar num campo tão vasto que acabaríamos por não chegar a conclusões válidas. Neste caso só a aluna em causa deve ser objecto de observação, com a sua envolvente familiar e as suas reacções típicas no ambiente escolar. Ou já é assim insolente no ambiente familiar ou reprimida só dá azo à sua insolência no ambiente escolar.
Se houvesse, como em tempos havia, um clima de medo, os outros retrair-se-iam e não gozariam com o espectáculo. Aparentemente respeitariam mas só alguns o fariam conscientemente. Hoje que o medo não é utilizado como instrumento de educação podemos com certa segurança afirmar que ninguém de entre os alunos repudiará um bom momento de riso.
Perante um ambiente de insolência criado pela aluna e a que a professora eventualmente poderia por cobro recorrendo ao apoio da restante comunidade escolar, a atitude dos restantes alunos entra no claro domínio da cobardia, de quem quer aproveitar-se de uma situação sem contribuir para ela. Mas aqui não poderemos ir muito mais além, sem cair no perigo da generalização.
É necessário encontrar as regras sociais mais correctas que possam ser aceites genericamente e que incutam em quem as tenha que respeitar o medo pela penalização social, e não só, que se lhe aplique ou na melhor da hipóteses o respeito que a esses mesmos possam merecer aqueles outros, professores, pais, políticos, etc. que têm que dar suporte a essas normas.

21 março 2008

Mais respeito precisa-se!

As manifestações de falta de respeito nas escolas são comuns e têm razões variáveis. Muitas pessoas de gerações anteriores costumam mostrar alguma compreensão para estes actos já que o que funcionava em muitas situações no sentido de garantir o respeito era o medo.
Por isso se encontram pais a dar razão aos filhos em situações em que eles vêem arbítrio da parte da autoridade. Para que isto aconteça é necessário que os filhos sejam educados no sentido de dominar os seus caprichos, de não se deixarem arrastar por um egoísmo cego. Esses pais dão sempre razão aos filhos porque são incapazes de ver para além da sua própria experiência.
A situação como a reportada num vídeo que corre por aí não é a cultura de rua a invadir a escola, antes pelo contrário, é a cultura de salão a invadir a educação. Aquela rapariga imaginava-se na sua casa, no seu quarto, na sua sala, onde é senhora de tudo e vive um mundo particular de contactos e gostos.
Esta situação, sendo a replicação na escola do que se passa ou já terá passado incólume em casa, tem que ser tratada em primeiro lugar no contexto familiar para que possa ser compreensível e tratada no contexto escolar. Se não houver reporte nas soluções de um lado para o outro a questão fica coxa e dá origem a uma mentalidade distorcida da parte do aluno.
A cultura de salão é hoje um mal tão grave e mais vasto que a cultura de rua e tem que ser tratada também a nível global. Outrora havia uma cultura que se afirmava pela sofisticação, pelo culto do sentimento de posse, de superioridade, de “finesse”. Essas pessoas procuravam beneficiar de normas de comportamento social próprias.
Hoje a fantasia permite que se criem domínios em que a imaginação sobreleva à inteligência prática, à necessidade de respeito, mais do que de pessoas, de normas de comportamento social que já não assentam no medo mas se destinam a todos e a que todos devem obediência.

27 fevereiro 2008

16 - Que política para Ponte de Lima?

O nosso passado pode ser um constrangimento para muita coisa, pode-nos influenciar o futuro consciente ou inconscientemente, mas está provado que não tem nada a ver com as nossas possibilidades de sucesso nesta ou naquela área de actividade, isto é, o nosso sucesso só está dependente da falta ou existência de tempo ou de condições.
Nos tempos da Idade Média, mais ou menos em todo o mundo, os filhos dos agricultores teriam necessariamente de continuar a ser agricultores e a tempo inteiro. Nos tempos de Salazar, mais ou menos em todo o País, mas particularmente em Ponte de Lima, os filhos de agricultores teriam necessariamente de continuar a ser agricultores ou trabalhar em actividades complementares, entre as quais se pode incluir a construção civil.
Nos tempos de Campelo em Ponte de Lima os filhos de agricultores já só podem ser agricultores em casos excepcionais e os restantes terão que ir necessariamente para as tais actividades complementares. A não ser que optem por uma actividade de certa forma similar da agricultura que é a jardinagem. Porque, e aqui está a razão pela qual falo em Campelo, a jardinagem foi colocada no seu tempo como uma profissão de sucesso.
Tudo o que seja criar beleza é meritório mas também o são todas as actividades mais práticas que tenham conjuntamente fins lucrativos. A beleza para ser admirada não necessita de ser dissociada da vida normal e enclausurada em jardins exóticos.

24 fevereiro 2008

13 - Que política para Ponte de Lima?

Em Ponte de Lima, só pelo facto de alguém ser de Ponte de Lima, está desde logo desvalorizado. Nós desdenhamos de nós próprios, desprezamo-nos mesmo e essa já é a imagem que passa lá para fora. Até há uns anos eram só os Vianenses que a tinham, mas isso passava por ser uma simples rivalidade regional sem qualquer valor.
Há uns dois anos lançaram uma telenovela de nome Sete Vidas em que uma das personagens principais era uma descabelada caída em Lisboa e vinda de Ponte de Lima. Tinha todas as características de quem não vai além da mais iníqua vulgaridade. Também Ponte de Lima é apreciado como sítio bonito mas onde a própria natureza, pela sua exuberância, não favorece os autóctones.
Podemos dizer que imagens são imagens e cada qual que tenha a imagem que quer ter. Mas isto se visto em termos económicos demonstra que o preço que estão dispostos a pagar por nós está deveras depreciado. Viana do Castelo pagava-nos para sermos empregados de lavoura e empregadas domésticas. Lisboa paga-nos para sermos jardineiros, a reserva ecológica do País. Dá-nos relativo sossego mas fraco pagamento.
Não podemos exigir no todo nacional mais do que os prejuízos e os benefícios do desenvolvimento económico sejam distribuídos equitativamente. Se quem tem os benefícios não está disposto a pagar eventuais prejuízos de outros e pelo contrário ainda reclama mais avanços para compensar os próprios aspectos negativos que sofre, como sairemos nós desta marginalidade a que nos condenaram?
Era bom mas não poderemos querer só jardins e ter rendimentos de trabalhadores de indústrias complicadas ou de actividades que exigem a junção de muitas pessoas. Quem quiser progresso terá que se dispor a sofrer cada vez mais os seus impactos negativos.

07 fevereiro 2008

As brutas pedras da blogosfera

O comentário breve, mordaz, insidioso é, diz-se, o mais apreciado na blogosfera. Quem o publica entende-se como o mais inteligente, actualizado, avançado mesmo de todos os que andam por estas paragens e pelo mundo ao redor.
A tirada pitoresca dá uma ideia de um espírito aberto, capaz de brincar com coisas que não merecem ser vistas com a seriedade que muitos de nós, os chatos, lhes queremos dar.
Muitos ganham na blogosfera, no seu círculo de indefectíveis, o estatuto de infalíveis, de indivíduos capazes de, no momento certo, fazerem a apreciação justa, sentenciosa, inquestionável.
Na verdade agem como autênticas pedras cuja firmeza impressiona, mas só convencem os convencidos, só influenciam os influenciados, só perturbam os perturbados.
Na verdade são brutas pedras.

25 janeiro 2008

Se ao gosto se acrescentar saber é mais valiosa a análise

Os néscios dirão sempre que não há razão para nos preocuparmos com os pormenores se a imagem geral é boa e agradável. A verdade é que ninguém é obrigado a ir atrás da falta de gosto reinante quando se fala nos aspectos de ordenamento urbano e arquitectura na nossa Vila.
Além disso o conhecimento existe e embora não possa impor um gosto uniforme a toda a gente para contribuir muito para o seu desenvolvimento, o seu aprimoramento, o seu refinamento. Poderá haver uma queda natural para apreciar mais as questões do gosto mas já ninguém duvida que ele pode ser trabalhado de modo a ter um maior valor no modo de fruição da realidade.
Aliás a cultura do gosto tem a ver com novas formas de abordar a vida, a nossa relação com a paisagem natural e construída, com os outros. Haverá coisas em que nós nem reparamos que se forem vistas de uma forma a integrar os vários saberes passam a ter uma valoração acrescida.
A grande maioria de nós não está receptivo a aceitar que se veja como um grave erro algo que tenha sido feito com uma intenção louvável. Se é verdade que quando se fala em intenção se revela uma certa forma de desvalorização do gosto, além de muitas vezes até a própria funcionalidade se relativiza. E aqui o ideal é juntar gosto e funcionalidade.
Mas muito teremos a prender se formos acompanhando as observações que no seu blog http://arquitecturaepontedelima.blogspot.com/ André Rocha nos vai dando.

24 janeiro 2008

Não haverá morte mais digna do que num corredor de hospital?

Os tempos em que era possível ter uma morte serena, em que as pessoas podiam assistir aos últimos momentos dos seus familiares mais próximos quase em conversa coloquial e o candidato à morte ainda pedia para todos se afastarem que queria dizer umas últimas palavras a quem durante toda a vida tinha sido mais importante para si, já lá vão.
Havia uma despedida, uma testemunha privilegiada que, com naturalidade comunicava aos outros o desenlace fatal que nos afastava de qualquer ligação a esta realidade vivida. Não sei em que percentagem as coisas assim aconteciam, mas presumo que também já não seria bem assim. O normal será chegarmos à hora da morte exaustos e sem tempo para estes preciosismos. A morte será quase sempre brutal, seja imediata ou não.
A agonia da morte sempre existiu, sempre foi um processo doloroso que nos apanha de surpresa, num momento inesperado mas a que nos juntamos a assistir. Este envio das pessoas moribundas para os corredores da morte dos hospitais é a coisa mais desumana mas ninguém assume hoje o facto de ter uma pessoa de idade em casa em agonia. Há sempre alguma esperança e não somos as pessoas indicadas para dizer se o processo já é irreversível.
Assim aquela morte edílica não se realiza em casa e muito menos nos corredores da morte dos hospitais. Morremos sempre abandonados num ambiente desolador, sendo tão só um número numa fila de condenados a sofrer. Têm que haver uma alternativa para este triste espectáculo, um tratamento específico para estes casos, uma nova dignidade para a morte.

06 janeiro 2008

Quando o exemplo é a melhor maneira de aplicar uma Lei

A Lei de proibição de fumar em recintos fechados, simplificadamente, haveria de entrar em vigor numa época do ano particularmente fria, o que tem dado lugar a ver os fumadores nos mais inóspitos lugares. Esplanadas, varandas abertas a toda a circulação de ar são o refúgio dos dependentes da nicotina que até merecem uma particular manifestação de solidariedade.
Mas não há qualquer dúvida de que até nunca se viu uma tão grande unanimidade em relação a uma Lei da República. Para tal muito terá contribuído esta jogada magistral de pôr toda a gente a querer que a sua primeira vitima seja mesmo o Presidente da ASAE. Até que enfim há uma Lei para pôr um poderoso a pagar, diremos todos os que partilhamos esta ambição secreta.
Até nem interessa poder ser caricato aplicar qualquer possível rigor da Lei a quem fuma uma cigarrilha naquelas circunstâncias em que se estava a comemorar uma festa começada e já bem fumada no dia 31 de Dezembro e que não se poderia cortar a meio. O tabaco já lá estava, não tinha passado pela cabeça de ninguém que a Lei fosse aplicável a partir de meio da festa.
Claro que o dito Presidente foi apanhado a fumar às tantas da madrugada do dia 1 de Janeiro, altura em que a Lei já tinha as tantas horas de aplicação teórica, o que pôs toda a gente a apoiar uma aplicação radical. Nós gostamos dos preciosismos e, se não a queriam aplicar, tinham escrito que a Lei só se aplicava após o fim das festas que tivessem começado no dia 31 de Dezembro.
Esta chamada aos nossos mais arreigados sentimentos “democráticos”, bem vivos quando a vingança está presente, é mesmo de mestre.

03 julho 2007

Um acesso cada vez mais labiríntico à Vila

O acesso à Vila de Ponte de Lima pelo lado da Ponte da Senhoria da Guia está cheio de estrangulamentos. Confluem aí duas estradas com muito movimento, vindas da Correlhã e de Arcoselo e logo em seguida há uma entrada para um parque de estacionamento que obriga a virar à esquerda.
Temos depois a chamada curvas das Cunhas, o cruzamento do Gaio e o estrangulamento do Largo do Município onde está a estátua de D. Teresa. Mas a situação vai-se complicar com a utilização do acesso ao cemitério como acesso à zona escolar e a uma nova superfície comercial.
Este acesso, se não forem feitas obras no seu cruzamento com a estrada oriunda da ponte, vai ser complicadíssimo. Mas os problemas já começaram, os grandes transportes para o referido supermercado já por aí transitam.
O piso do acesso ao cemitério é irregular, a ligação ao novo arruamento construído no seguimento do seu primeiro lanço está deteriorado e sobe bastante. Um veículo pesado não conseguiu ultrapassar estes obstáculos e ficou sem embraiagem. O condutor resolveu a situação deixando descair o atrelado contra uma berma, tendo ficado atravessado na estrada.
Uma via que vai ter muito movimento não foi pensada de raiz antes se emendou o que já funcionava mal. O mesmo se pode dizer na ligação inversa à referida superfície comercial. A ver vamos.

As geleiras já chegam à sala de visitas

Desde há muito que advogamos que os autocarros, seja qual for a sua natureza, sejam de carreiras normais de passageiros, sejam de excursões, não deviam entrar na Vila de Ponte de Lima, excepto para cargas e descargas em local para esse efeito fixado.
O único acesso seria feito pela Avenida António Feijó e a inversão de marcha far-se-ia no Largo do Município para cujo efeito deveria ser adoptado. Recentrar-se-ia a estátua de D. Teresa, criando uma rotunda de dimensão adequada, uma placa giratória que facilitasse o muito transito que aí aflui. Reservar-se-ia no final da Avenida todo o espaço necessário para a carga e descarga de autocarros e táxis e o estacionamento destes.
Só excepcionalmente, com pedido prévio, autorização da Câmara Municipal e das autoridades policiais e acompanhamento destas se poderia ultrapassar esta zona da Vila.
Se a Central de Camionagem é exterior à rodovia que circunda a Vila e é normalmente suficiente, já quando as excursões são em número elevado terão que estacionar noutra zona também exterior. Mas o principal problema é a inexistência de um parque de merendas e também de um restaurante de dimensões apropriadas para grandes afluências.
Ainda esta semana perto de mil pessoas de S. João da Madeira por cá passaram mas para almoçar foram à “Malafaia”, em Esposende. A solução desta situação deveria ser da iniciativa privada mas aqui ninguém gosta de correr riscos.
Quanto ao parque de merendas somos contra a sua construção na zona interior da Vila, sendo antes a favor de pequenos parques distribuídos pelo concelho à semelhança dos já existentes na Boa Morte ou Senhor da Saúde, melhorando-se as condições dos existentes.
O que não somos é a favor desta situação ocorrida no sábado passado pelas 19 horas em pleno Largo de Camões.

Aqui pode vir a falar-se de tudo. Renegam-se trivialidades, mas tudo depende da abordagem. Que se não repise o que está por de mais mastigado pelo pensamento redondo dominante. Que se abram perspectivas é o desejo. Que se sustentem pensamentos inovadores. Em Ponte de Lima, como em todo o universo humano, nada nos pode ser estranho.

Acerca de mim

A minha foto
Ponte de Lima, Alto Minho, Portugal
múltiplas intervenções no espaço cívico

"Big Man" 1998 (1,83 de altura) - Obra de Mueck

"Big Man" 1998 (1,83 de altura) - Obra de Mueck
O mais perfeito retrato da solidão humana