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08 julho 2010

O pensamento único em Arte

Periodicamente há umas investidas do pensamento único sobre a Arte. Alguém surge com a intenção de decretar uma só forma de ver, uma diferença nítida e universal entre o belo e o feio. Não estamos perante uma campanha dessas, mas, no pequeno meio Vianês, assume esse carácter e é contra a promoção da diferença na pluralidade o ataque feito ao Cartaz das festas da Agonia. Uns patetas resolveram decretar a fealdade do cartaz e querem impor esse pensamento a toda a gente.
Suportam-se em vários argumentos e fazem por esconder aquilo que na realidade é o motivo dos seus ataques: A pretensa frieza do elemento feminino do cartaz. Porque esse aspecto é aquele que, no boca a boca, é realçado com a pretensão de decretar que a sua escolha se deve a fazer um favor a alguém e não a qualquer apreciação artística ou argumento doutra natureza.
O autor, e ninguém melhor do que ele nos pode explicar, se é que um artista tem que explicar algo, mas já deu justificações de natureza não artísticas, com alguma relevância, contestável é certo, indicou a tradicional participação da pessoa que consta do cartaz nos festejos vianenses. Este critério é contestável pela sua aplicação em si mesmo, mas também porque se imagina que no universo a atingir será reduzido o número de pessoas conhecedores deste facto, para quem a protagonista seja familiar. No entanto há uma justificação artística, como tem que ser.
O que custa a abordar são os fundamentos em que assentam os estereótipos criados e a submissão que o pensamento único presta a estes. Parece que são iguais quaisquer cartazes publicitários, sejam para promover dentífricos, detergentes, festas ou o que for, tenham natureza comercial ou outra. Para isso quer-se impor um modelo de símbolos sexuais a que os contestatários do cartaz obedecem cegamente, mesmo que não o queiram reconhecer.
Se uma mulher num cartaz não projectar sexo sobre o espectador, mesmo que esteja em causa uma manifestação de diferente natureza, esse cartaz não presta. A mulher mesmo que faça a propaganda de fraldas tem que apetecer ir para a cama com ela. Neste caso não me parece que a mensagem que quer ser transmitida seja de que venham a Viana que cá tudo são caras bonitas e disponíveis, o que não pode ser o caso. Para mim chega que a figura transmita uma alegria saudável de viver.

13 dezembro 2009

Uma Cimeira de Paz toldada pelas manifestações violentas

A dinâmica das manifestações sempre me levantou interrogações a que nunca encontrei resposta. A contradição existente numa manifestação violenta inserida numa luta pela paz deixou-me sempre perplexo.
Sabemos, antes de Obama o dizer, que, muitas vezes, não se consegue a paz sem guerra. A cedência para evitar uma guerra no imediato traz, muitas vezes, muitos mais prejuízos do que uma atitude frontal que, por antecipação, evite uma inevitável guerra posterior mais feroz e sanguinária.
Porém uma manifestação a favor da paz não necessita de entrar por via violenta. Se quem é a favor da paz não seja necessariamente um pacifista é uma verdade insofismável. Se quem é a favor da paz quer dizer que, no caso extremo de não haver cedência de quem quer fazer a guerra, também será capaz de a fazer parece razoável. Mas manifestar essa disposição, aliás teórica, atacando os bens públicos e privados é excessivo.
Copenhaga está cheia desta gente que abraça uma causa justa, mas utiliza métodos que depreciam a causa. Se esta depreciação não é nada que preocupe essa gente é uma das perplexidades que sempre se me puseram. Guerra à guerra a qualquer preço parece ser a sua lógica.
Movimentos de muita natureza advogaram essa lógica totalitária com objectivos diversos. Há décadas os movimentos comunistas do Ocidente entraram nessa lógica e nada ganharam com isso. Muitas vezes apercebiam-se do carácter contraproducente dessas manifestações ou de algumas das ocorrências mais violentas durante a sua realização, e atribuíam-nas a infiltrações de agentes inimigos.
A paz exige manifestações de paz. Se o ambiente da Terra já está numa situação prejudicial à humanidade, mas é ainda reversível, tudo devemos fazer por isso. Não faltam movimentos nesse sentido em vários quadrantes políticos. Só a necessidade de protagonismo destes aventureiros de Copenhaga dá uma justificação para o que se tem passado. Gente desta era dispensável neste cenário de progresso nesta área decisiva do Ambiente.

28 maio 2008

Uma mudança saudável de clamor

Os clamores têm o seu tempo e o seu lugar. Às vezes as circunstâncias mais imprevistas alteram de modo menos favorável estes clamores programados. Este aumento do preço do petróleo não é só mais um problema que se junta a outros de que se falava, é o problema.
Como tal até se pode dizer que, sendo grave problema e ainda por cima de origem totalmente exterior, veio criar uma certa folga ao governo. A oposição só está preparada para soluções conjunturais pelo que agora, perante a necessidade de apresentar soluções estruturais para o País, patina como qualquer um que em cima do gelo lhe trocam o passo.
Pela lado da dita esquerda, outrora internacionalista e libertária, só vimos padres sem batina a arengar sobre os malefícios da globalização, contra os países do terceiro mundo que querem fazer valer mais os produtos que a rapina que o primeiro mundo há séculos vem fazendo desvalorizou.
Pelo lado da direita as soluções propostas não saem das mezinhas do costume, que visam perpetuar as diferenças sociais gritantes existentes, limando de vez em quando as suas arestas mais agressivas. Para tão fracos propósitos usam a linguagem mais iníqua, de maximalistas à moda tradicional do reviralho, o que, é significativo, tem feito fugir os votos para esse lado.
Para cúmulo entra em acção o sumo-sacerdote acenando com o medo dos comunistas, da nova e da velha esquerdas, com a necessidade de uns remendos na política, que ele nunca foi capaz de criar uma base nacional firme de qualificação, de negócio, de tecnologia, de saber fazer.
Virem a clamor para outro lado, para a solidariedade internacional, para a luta contra estas tentativas de nos recolocarmos na concha do nosso falso sossego, para enfrentarmos a sério o problema ambiental, as questões energéticas. Tentemos resolver os problemas nos largos espaços, com visões globais, soluções globais, sem a mesquinhez destes aduladores da própria imagem.

21 maio 2008

Manobra de diversão ou revelação de um acto ignóbil

Parece evidente que quando há alguma denúncia há sempre uma razão para que ela aconteça. Quando se trata de pessoas, pode ser que o façamos porque quem é prejudicado nos merece mais consideração do que o que prejudica. Cumprimos com a obrigação de amizade.
Muitos agirão assim porque, independentemente do denunciante, o delator merece ser castigado na nossa perspectiva pessoal, mas o nosso sentido de justiça nem sempre actua se estes aspectos se não colocarem. Então, quando o prejudicado é o Estado, muitos de nós até aplaudimos.
Tanto se rouba nas autarquias, tanta corrupção vai por todo o País, que era uma milagre aparecerem dois cavalheiros de Felgueiras a denunciarem a Fátima Felgueiras, tida como mulher conceituada e de porte intocável. Haverá decerto motivo para estes senhores adoptarem o papel de justiceiros que lutam pelo castigo dos prevaricadores.
Segundo o testemunho de um magistrado, primo da ré, o motivo está em que a Fátima se não ter rendido aos dotes de sedução dos tais indivíduos. Não se tratou pois do milagre que nos espantaria, do mais puro amor à justiça, mas de uma paixão no seu grau mais exacerbado, que pretende ver o seu objecto humilhado a seus pés.
Objectivamente a justiça deve ser cega, não é a qualidade dos denunciantes que retirará o valor às denúncias. Mas parece evidente que só o teriam feito para compensar a sua insatisfação sexual com a satisfação de um instinto primário de punição.
F. F. será condenada ou não, mas decerto não merecia ter chegado a ré por esta via. Corajosa na defesa da sua honra, falta saber se ela confirmará os factos. Eles não estarão livres de que se questione porque estiveram calados durante tanto tempo, se não seria porque entretanto alimentaram a esperança de que, sendo coniventes nos segredos do saco azul, também teriam direito a partilharem os segredos da alcova.

07 maio 2008

Os pobrezinhos, a caridade e a falsidade

A Direita Nacional tem uma especial predilecção pelos pobrezinhos. São os pobres que lhe vão permitir ascender ao reino dos céus. Ajudar os pobres é uma tarefa tão meritória, tão meritória, como ajudar a retaguarda foi importante no tempo do movimento nacional feminino. Que então não se falava de pobreza. Éramos um País rico, senhor de um império colonial.
A lamechice nacional mete nojo. Lutem por um posto de trabalho, criem-no se puderem, dêem trabalho a quem precisa, mas não digam que resolvem as questões desta maneira asquerosa, manipuladora, que expõe toda a espécie de misérias, sejam materiais, sejam morais, perante a comunicação social e o País. Quem hoje se não sabe lamentar na televisão?
A caridade é uma das marcas da direita nacional. Para ela não se fale em solidariedade, em integração social, em igualdade no direito ao direito de ter uma dignidade idêntica, seja-se poderoso ou não. Mais do que uma situação, a pobreza é um ferrete que a direita gosta de espetar no corpo nacional. Quando está no poder farta-se de diferenciar a sociedade e de etiquetar as pessoas.
Então esta preocupação com as classes médias que se estarão a empobrecer é de ir às lágrimas. Não dizem que é por haver uma grande concentração do capital numa classe alta cada vez mais isolada do todo nacional. Não dizem que é porque as classes altas se diferenciam cada vez mais que a classe média contribui mais para a necessária solidariedade que, um pouco forçadamente é certo, pratica com as classes mais baixas.
Esta caridade ostentadora não é maneira de resolver as questões. Não há forma mais iníqua de praticar a caridade do que a caridade generalizada, à custa dos outros. A caridade é pessoal não é social. Ao menos sejam como o cónego Francisco Crespo que no D.N. de 22/04 afirmava com uma clareza meridiana: “Não podemos aceitar só pobrezinhos (num Asilo) senão não sobreviveríamos”. Estes mais necessitados, os pobres que se lixem.

15 abril 2008

Menos irascibilidade precisa-se!

João Jardim está a tornar-se de todo irascível. Quando há uns tempos se virava apenas para o continente, insultando-o e acusando-o de todos os males, agora já não tolera muitos daqueles que diz defender. Se paternalmente lhes chamava até aqui ingratos agora chama-lhes loucos.
João Jardim de modo algum aceita que lhe não agradeçam o simples facto de existir. É natural que, quanto mais próximo estiver do seu fim físico se sinta com cada vez maior necessidade de exaltação da sua imagem. Este tipo de pessoas sofre até à urna pela falta de um clone.
Com a oposição mais activa nas suas ilhas, João Jardim tem dificuldade de se abstrair do ruído de fundo, da contestação que atrás de si se desenvolve. Habituado a ocupar todo o palco mediático, deslumbrado com a sua própria obra, maravilhado com a sua possibilidade de dizer tudo, hipnotizado pelo poder que absolutizou, as palavras saem-lhe fluentes com a certeza da impunidade que a sua caricata figura suscita.
Só a seriedade das posições do Primeiro-Ministro e do Presidente da República, e os protestos de quem não é louco como ele, podem ajudar a melhorar este estado de coisas. Pode ser que João Jardim, que está hoje mais perto do burlão do que do palhaço sério, olhe um dia para o espelho e opte por inverter a sua marcha descendente para a degradação.
A comunicação social pode ajudar muito neste aspecto porque por ela passa o que a sociedade coloca na distinção entre o burlesco e a javardice. A comunicação social deveria fazer a clara demarcação entre o que é o riso saudável, comunicativo, que até deve ser incentivado e o riso mórbido, negro, que muitas vezes aceitamos, mesmo a contra-gosto, porque nos não é dirigido, mas que deve ser sempre repudiado.

27 janeiro 2008

A serenidade impõe-se na hora da … morte

Ver na televisão não é a mesma coisa do que ver ao vivo. Sentir a pulsação ou a faltas dela em idosos distribuídos de modo circular numa sala de asilo em dia de visita oficial é um espectáculo pelo menos desmoralizador. Não tão degradante como o que se passa com as filas de macas em corredores à espera, em observação ou já despachados, nunca se sabe para onde.
Uma das falhas mais salientes do nosso sistema de assistência na saúde está nos cuidados continuados para os doentes que têm necessidade de várias observações e tratamentos durante o dia. Há necessidade de alguma privacidade, reserva mesmo, de não exposição gratuita ao olhar público.
O problema dos cuidados continuados não se ponha há poucas décadas mas explodiu em grande devido a dois factores: O aumento da esperança de vida dos idosos e a mudança de modo de vida, de comportamentos e afinal dos ritmos dos mais jovens, que não têm tempo disponível, nem disposição.
Mais um idoso foi colocado no Hospital de Vila Real e nem roupa interior lhe terão deixado. Por efeito de uma melhoria ou da simples constatação de um estado estável sem previsível evolução deram-lhe alta e remeteram-no sem cuecas sequer para uma maca à espera de um táxi.
Levado pelo taxista em difíceis condições, retornaria pouco tempo depois ao hospital já em ambulância para vir a morrer. É este triste espectáculo que deveria ser evitado. Quem queira ser sereno na hora da morte já o não consegue ser.

26 janeiro 2008

A culpa não é do vinho … é da inveja

Favaios, freguesia, Alijó, concelho, afinal duas aldeias altaneiras ao sol transmontano onde o moscatel é Rei, um branco licoroso usado como aperitivo mas que também pode ter benefício e virar Porto.
Numa aldeia das redondezas, Cotas, a uns cinco minutos de distância um homem caiu duma escada ou da varanda e um irmão presente telefone para o 112 tendo declarado a sua morte e solicitado a presença da G.N.R.
A operadora telefonou ao Bombeiros de Favaios com o objectivo de dar um apoio imediato. O único bombeiro presente após uma esquisita conversa acabou por declarar estar sozinho. A operadora telefonou em seguida aos Bombeiros de Alijó e a resposta foi igual. Mas este bombeiro lá telefonou a um colega para o ir ajudar. Por último haveria também de ir ao local da morte uma VMER de Vila Real
O bom vinho não justifica tudo e não lhe faço esta desfeita que eu gosto bem dele. A hora tardia, 11,30 teria sido quando o acidente se deu, e o sono também não justificam tanta confusão.
Se houvesse hipótese de salvar a vida do homem que terá caído da varanda decerto que o não recurso imediato à VMER redundaria em possível prejuízo. Mas a verdade é que os Bombeiros podem sempre dar uma ajuda porque se chegarem primeiro ao local, como podia ser o caso, tem mais meios para descrever a situação à VMER e começar a preparar o seu trabalho.
Duas aldeias, quase ridículas, de certo por causa de velhas vaidades, têm duas corporações de Bombeiros, e há muitas mais nas muitas aldeias mais pequenas ainda, que juntas não dão uma corporação em condições.
São estas invejas pequeninas que nos lixam e que uns pretensos moralistas da Capital não entendem. Enquanto se não acabarem com estas quintinhas cheias de reizinhos estamos perdidos.

02 agosto 2007

Uma ideia rocambolesca

Não é só em Ponte de Lima que isto anda tudo ao contrário. Afinal o Comando Distrital da Polícia de Segurança Pública de Viana do Castelo também quer algumas coisas que me cheira serem de pernas para o ar.
Em tempos formaram-se comissões de moradores, estruturas reivindicativas com o beneplácito do poder comunista, que se arvoraram em representantes do povo, tendo algumas até feito trabalho meritório, mas que depressa enveredaram por caminhos esconsos de política global e revolucionária. Por sorte as armas não chegaram às suas mãos.
Agora a Polícia substitui o Partido Comunista no patrocínio e quer formar conselhos de moradores, de certo não para distribuírem armas reais, mas para que de certo se dediquem a vasculhar e controlar a vida de quem está sossegadamente nas suas casas. É a institucionalização da bufaria?
Mas em que lei se suporta tal actuação, em que regulamento estará consignada tal designação, tais funções, a forma de escolha ou eleição, as obrigações e direitos, ou será que a Polícia já tem capacidade legislativa?
Um órgão como a Polícia, que exerce funções de soberania e deve ser equipada pelo Estado com os meios necessários, anda a mendigar telemóveis para os seus agentes dedicados ao policiamento de proximidade às Juntas de Freguesia, que, por sua vez, andam a mendigar uns tostões ao Estado.
Logo a mesma Polícia haverá de mendigar o mesmo para os membros dos conselhos de moradores, novos conselheiros de polícia, vigilantes da ordem, porque não capazes de juízos apressados sobre o comportamento dos seus vizinhos, bufos. Ou esta estranha milícia desarmada vai dedicar-se a identificar os cães e gatos que fazem as suas fezes nos jardins públicos?
Isto anda tudo às avessas. Agora é o Estado, através destes curiosos agentes, que vai montar um combate diferente à marginalidade, coisas que nós sabemos como começam, mas não sabemos para onde desandam. Às tantas estamos a discutir quantos namorados a vizinha do lado lá mete em casa.
Quem não estiver bem agora vai decerto ser recomendado a queixar-se ao conselho de moradores que ele fará a triagem e o encaminhamento devido, se for pessoa do agrado. Por seu lado a polícia, se quiser dar um recado a alguém, também saberá que este caminho é mais curto.
Só faltava esta!

26 julho 2007

As várias caras do medo na versão triste do poeta

O medo tem muitas caras e o poeta devia saber disso. Ele ter-lhe-á conhecido uma antes do 25 de Abril perante a qual não soçobrou, honra lhe seja. Outros terão conhecido outras, por aí mais tenebrosas e não pestanejaram, honra lhes seja também. Mas é após o 25 de Abril que o poeta tanto se tem aterrorizado com o medo que já ninguém se deixa assustar quando resolve apelar ao estado de alerta.
Se o poeta teve a sensação de que nem sempre convém dizer o que se pensa não terá sido decerto a primeira vez desde o 25 de Abril. Algumas vezes terá calado por medo, outras por motivos menos louváveis, mas com certeza que já teve ocasião de ser leal com alguém, que subserviente não me parece. Com o seu busto altivo haverá lá medo que passe!
Como poeta até deve estar bem habituado a isso, qual fingidor que manobra o medo como bem lhe apetece. Ainda acresce que hoje o poeta não precisa de ser leal a ninguém na sua postura de auto marginalizado do sistema partidário. O poeta já não é leal, nem conveniente, mas caricato.
Como não existe uma cultura de liberdade individual, o que se reconhece ser verdadeiro, cá está ele para servir de exemplo a quem o queira seguir. Se não tem por que se queixar, já quanto à sua contribuição para essa liberdade, que não para a colectiva, não tem sido brilhante. Ocasiões não lhe faltaram para intervir na prática mas quando o fez só borrou as mãos e a escrita. Jornais fechou ele, mas nessa altura o indivíduo ainda não contava.
O poeta é o espantalho do medo, o esconjurador do medo, o delator do medo. Mordaças e estrangulamentos de alma não são com ele. O governo, esse malvado, vive de álibis e aproveita para promover o pensamento único, quando não o medo, esse fantasma tão presente no seu imaginário poético.
Mas nós também devemos ter medo, de um medo que o poeta não tem, medo do nada, do vazio, da vacuidade. Quando o poeta podia dizer algo de novo, que falta uma estratégia, vá de alinhar alguns factos, analisando-os pelo lado do mais reles populismo, como se estratégia fosse navegar à bolina. O poeta está cá para alertar, para lançar atoardas, a mais não é obrigado.
Tudo se podia resolver, talvez com uma mudança de estilo, talvez sujeitando o governo ao interesse meramente partidário, onde o poeta está e não está, conforme a conveniência. O poeta não tergiversa: A liberdade sempre e agora, que já se não pode pensar de maneira diferente de Sócrates, mas também da dele, ideólogo da poesia triste.
O que o poeta não perdoa é que José Sócrates personifique uma política que, bem ou mal, põe em prática, fugindo sempre que pode ao “talvez” com que lhe querem armadilhar o caminho. O que o poeta queria era uma política em que tudo fosse posto em causa a cada momento e que continuamente houvesse alternativas, enfrentamentos, decapitações.
O poeta anda agora atrás de uma vida que perdeu em tantos anos de aparelho. Mas não se tornou inimigo dos partidos políticos, diz. Inimigos são os que promovem o seu fechamento e impedem a mudança e a abertura. O que teria andado esta ave a fazer durante tantos anos? A cuidar da sua vida de certo, que a sua noção de vida política se resume a esta conversa balofa.
O seu medo será de perder o estatuto? O que estará em causa na sua liberdade? O seu valor não pode estar só no busto, na presunção, na vaidade. Porque se analisarmos a sua acção política não passa do habitual desastre que neste País é usual permitir, sem queixas, aos poetas.
Melhor fora dedicar-se à poesia, mesmo com o cariz triste de quem está sempre insatisfeito e de quem da tristeza se não consegue libertar. A não ser talvez quando abandona a Assembleia da República para ir às suas imprescindíveis caçadas. Mas há sempre quem goste destes bustos a que a patine do tempo dá um aspecto solene, de passionarismo decadente.

07 abril 2007

O testamento do Judas Iscariote é de Crise

Os testamentos de Judas são uma tradição das mais vincadas no imaginário popular destas Terras do Alto Minho. Em Ponte de Lima quem, dos mais velhos, se não lembra do Guerrinha, sempre pronto a incluir nos seus testamentários alguém que fugisse um pouco àquilo que era tido por norma e que podia ser motivo de risota, quando se fossem ler as suas quadras.
Sofreu de processos judiciais, de esperas e coças da parte daqueles que não concordavam com a sua parte no testamento. Os maiores crápulas, os mais femeeiros e as suas vítimas, os mais falsos e mais devedores não precisavam naquele tempo das finanças ou doutros pasquins para verem, escarrapachados no testamento os seus feitos e as suas desonestidades.
Há terras, como a Correlhã, que em todos os cruzamentos de caminhos se monta o seu judas e se escreve o seu testamento para zupar nos vizinhos. Em Arcoselo é já célebre o Judas e o seu testamento no cruzamento da Igreja e também a Além da Ponte, se Judas não tem, não lhe falta testamento.
O testamento na Vila de Ponte de Lima foi recuperado pela delegação de turismo e vem sendo agora feito pelo grupo de teatro Unhas do Diabo. Mas diga-se em abono da verdade, que este Diabo tem fracas unhas, é demasiado subserviente em relação ao poder, não fosse por ele pago.
O testamento deixou de ser nosso, irreverente, criativo, local, tanta coisa havia de que se falar, e, por ser institucional perdeu aquela característica de crítica de costumes, de comportamentos, de vidas.
Deixem à criatividade popular aquilo que só com esta faz sentido. Acabem com este Judas cobardolas, que para cúmulo da “desgraça”, até dele fizeram mulher. Será que têm alguma coisa contra elas?
Não haverá em Ponte de Lima um homem que aguente melhor?

24 março 2007

Mensagens que não voltam atrás

A mensagem chegou breve e clara:
“Tenho disponibilidade para estar contigo sexta, a partir das 15.”
Que pior altura para uma resposta cristalina, não envenenada!
Talvez:
“Impossível, esse tempo é o tempo de outro tempo com bastante grau de previsibilidade.”
Sei que não ficará satisfeita, que não procurará saber mais nada e que muito demorará que me contacte outra vez.
Tenho um grave problema entre ideias a resolver. Afigura-se-me que haverá turbulência, que nada pior que estas premunições para deixar uma pessoa paralisada, incapaz de reagir se não por impropérios, vociferando.
Não encontro ponto algum onde colocar um travão, uma escapatória, uma inversão.
Não sei quanto tempo isto me ocupará, mas é inadiável pensar, seja para ir ao encontro da solução, seja para ir contra a obsessão.
Não sei se isto me permite escapar, lançar um interregno, redimensionar a mente, introduzir outras perspectivas.
De nova uma mensagem:
“Estava à espera que o teu olhar voraz se lançasse sobre mim. Mas sossega, que eu vou lembrar-me que somos mais que simples escravos dos nossos impulsos.”
Não esperava. Ingloriamente estou manietado pela sobreposição dos tempos.
Se estava tranquilo, o tempo imediato enevoa-se-me.
Aqui não há recusa, há impedimento.
Volto a insistir:
“O tempo não me permite a limpidez que eu já encontrei nos teus olhos
Sei que, como eu, não acreditas no deslumbramento.
O teu esforço deixa-me reconfortado com a minha sorte e aspiro a que a tua te não falte.”
Instala-se a calma, passageira, mas suficiente para um fôlego.
E agora que fazer.
Várias questões que se enovelam, enredam, perturbam-se reciprocamente.
Só penso que perdi e mais posso vir a perder. O pessimismo atormenta-me.
Sinceramente, espero que melhores dias me surjam, que agora que não posso voltar atrás, estes próximos estão definitivamente estragados.

17 março 2007

Os caminhos de uma madrugadora Primavera

Este tempo de madrugadora Primavera sempre foi do meu maior gosto. Este tempo de floração é, para quem mais vive em consonância com o tempo universal, o esplendoroso tempo do renascimento da vida.
Para uns começará o martírio de se ter que haver com o pólen agressivo, mas ainda bem que tal não afecta a grande maioria de nós, aqueles que há muito adquirimos a necessária imunidade natural.
Para estes é um gosto desfrutar do múltiplo colorido das flores e folhas que desabrocham nas suas várias tonalidades do branco ao rosa e ao vermelho, do amarelo ao verde claro e ao verde mais escuro.
Os que podem vão tendo gosto em manter assim a paisagem, que as novas construções, se alteram a paisagem vão contribuindo para aguentar este aspecto florido, pelo menos junto às habitações.
Mas hoje não é possível impor o arroteamento compulsivo das terras agrícolas como foi feito na Idade Média para satisfazer as necessidades da população. Quem corre hoje é mesmo só por gosto.
Como temos excesso de produtos agrícolas, não nos curando de saber da sua duvidosa qualidade, manter este jardim torna-se uma tarefa impossível, pelo dispêndio, pelo contínuo desperdício de dinheiro dos seus proprietários.
Um dia destes, iludidos que andamos a olhar para a jóia da coroa condal, o Jardim dos Labirintos, quando dermos por ela, dos terrenos agrícolas sobrarão as silvas a invadir até os caminhos agrícolas, impossibilitando-nos de usufruir de tanta beleza.
Valha-nos Santiago.

10 fevereiro 2007

O que nos espera depois da jardinagem e antes da pastorícia

Um político decidido ?


Quem me dera a vida de pastor
Saltar c’o rebanho rabinas
Ser destas serranias senhor
À noite compor sabatinas


Ter o rebanho enquadrado
Não me leva pouca canseira
A minha ambição passa ao lado
Desta infeliz pasmaceira


Tanto queria ser Governo!
Ao menos Vice-Rei do Norte
Já muitas almas apascento


Ilusão num desejo eterno?
Uma aspiração que é mais forte
Que o temor de perder assento.

06 fevereiro 2007

Não é para ter medo, é para ter espanto!

O Director de Produção Hidráulica da E.D.P. falou da necessidade de aumentar a produção de energia proveniente das barragens, pelo melhor aproveitamento dalgumas barragens existentes, pela construção de outras e pelo reaproveitamento da água através de bombagem quando a energia eólica tiver picos de produção desaproveitada.
Ainda não está em tempo de reavaliar o Côa, o Sabor sofre os seus percalços, as eólicas, essas vão de vento em popa. Tudo o que poder ser feito contra o efeito de estufa é bem feito, produzindo energias não fósseis, e as barragens tem mais influências, contribuindo por exemplo para a regularização dos caudais dos rios.
Segundo este Director da E.D.P. “Se não existisse a Central de Lindoso as povoações de Ponte da Barca e Ponte de Lima já teriam desaparecido”. Que exagerado! Mas era bom que analisemos os dados que constam da resolução do Conselho de Ministros nº. 27/2004 de 08-03-2004:
A barragem do Lindoso a uma cota 338 ocupa 1072 ha (dez km2) e armazena 390 hm3 (390.000.000 m3)
A barragem de Touvedo a uma cota 50 ocupa 172 ha (1,7 km2) e armazena 15,5 hm3 (15.500.000 m3)
Já se sabe que a barragem de Lindoso tem sido colocada em sobreprodução, talvez à espera de mais chuvas, e a barragem de Touvedo tem sido obrigada a debitar mais água do que aquela que consegue turbinar. Um desperdício, um jogar pelo seguro ou uma inevitabilidade.
Mesmo assim esse débito tem sido colocado dentro de limites aceitáveis para Ponte de Lima. Foram precisas duas más experiências para que as coisas tenham entrado nos eixos. Afinal aprendemos que quase toda a água das cheias vem de Espanha. Esperemos que todas as experiências já tenham sido feitas.Mas já viram que, se estiver em pleno enchimento, a barragem de Lindoso tem quase oitenta pipas de água para cada português. È uma riqueza que podíamos ter no Douro, por via dos seus afluentes, e desperdiçamos, inundando a Régua e a Ribeira do Porto, desnecessariamente.

31 janeiro 2007

Quem vai pagar para tratar do Campo

Imensa gente diz ambicionar viver num sítio calmo, tranquilo. E não faltam sítios destes neste País. Mas as pessoas também querem alguns benefícios da civilização e estes não podem ser colocados à porta de cada um.
Viver num sítio calmo e tranquilo é bom, é fácil quando se tem uma situação económica estável e poucas mais ambições a satisfazer. Isto é quando se queira prescindir do que é mais caro, para não desequilibrar o orçamento.
E depois as pessoas também têm que contribuir para os activos deste orçamento, principalmente quanto se tem muitos anos de vida presumível pela frente. Há anos criou-se a ilusão do trabalho pela Internet, mas ficou-se por aí.
Muito folgazão e político correu atrás da ideia mas a e-confecção, o e-governo, o e-emprego ficou-se pelas fábricas e pelos gabinetes, não chegou à mesinha de cabeceira.
Ciclicamente uns líricos voltam ao campo, agora já não com vacas e milheirais mas com jardins e borboletas. A dinâmica económica é que não vai nessa e os primeiros a perceber isso são os jovens que têm que migrar para outras bandas, à procura do pão.
Infelizmente vão só com a pouca preparação que conseguiram arranjar por cá. Mas aquilo que parecia impossível há anos, vê-se agora com clareza, muitos não vão voltar. Se estabilizam a vida por fora que os leva a cá vir?
Os que conseguem trabalho por perto para ir e vir diária ou semanalmente já são milhares e sujeitam-se à exploração, a trabalhar em condições deficientes, a dar cabo da saúde, a não ter segurança social, que depois ela paga na mesma, esperam eles.
Já estávamos habituados a construir muita coisa à conta das remessas dos emigrantes mas agora há que repensar porque muitos já não voltam e porque há mais solicitações, amealha-se menos.Não nos restam muitas saídas. Uma está fora de hipótese: Fazer disto uma reserva de índios foi projecto que caiu por terra. Uns não podem trabalhar pelo dinheiro da jorna, outros não podem pagar sequer essa miséria.

11 janeiro 2007

A questão da intensidade

“Contactado pela TSF, o presidente da concelhia socialista de Lisboa, Miguel Coelho, disse que esta «renúncia já tinha sido combinada há uns meses atrás», tendo em conta que Carrilho lhe mostrou a «intenção de sair, dada a vontade que tem de exercer com grande intensidade o seu mandato de deputado» ”.
Os políticos têm que se convencer que não são super-homens, mesmo que só se trate de um simples lugar de vereador da oposição de Lisboa, um município que, ao contrário da maioria dos outros, mesmo assim lhe daria algumas condições de trabalho: gabinete, assessoria, etc..
E que, por mais dotados que sejam, não são aves talhados para todos os "poleiros".
A um outro propósito escrevi no AltoMinho de 06-10-2006: “O Presidente da Câmara de Ponte de Lima, Daniel Campelo, brindou um dia o mediático Prof. Carrilho com uma escultura de granito fino de um Santo António, que o prendado, mais habituado a manipular ideias, deixou cair, vergado ao peso da substância.”
O professor não parece talhado para cargos de tão grande peso.
Depois os políticos têm de se convencer que não podem fazer promessas em vão. É que O Presidente da Câmara de Ponte de Lima insiste em que lhe prometeu uma comparticipação nas despesas de restauro do Teatro Diogo Bernardes e até hoje nada.
Lembre-se que o Santo António que levou não era de pau carochento mas habilmente talhado em pedra de S. Ovídio pelos Irmãos Sequeiros.

02 janeiro 2007

O avental das lamentações

Discute-se agora a legislação que se há-de aplicar ao aborto, permitindo ou não a sua despenalização até às 10 semanas de gravidez. Estranhamente muitos querem justificar este facto com a falibilidade dos métodos tradicionais e dos métodos médicos de contracepção.
Como esta justificação para mim nada vale, sou por outras razões a favor do SIM, vamos avaliar o ridículo da situação.
Vou por isso dar aos argumentistas do falível mais um método tradicional de contracepção praticado para animais em algumas regiões do País. Eu não o conhecia. Muita outra gente ainda agora o desconhece. Mas como a medicina sempre recorre a testes em animais e só depois aplica os mesmos métodos ao homem, talvez esta experiência resulte.
Dizem-me que é altamente eficaz na sua função animal. Já a sua aplicação ao reino humano não será de certo ao gosto de muitos. Trata-se de colocar um avental por baixo da barriga do bode, que foi neste bicho que vi este método implementado.
O avental é de borracha e prende-se por cima do seu lombo de modos que, quando o bode se empina, o avental tapa-lhe as partes baixas. A Dona do Chibo garantiu-me que os animais estão mais sossegados durante a noite e as cabras tem leite durante mais tempo para alimentarem as crias. Assim fica ainda garantido que as fêmeas só parem de ano a ano.
Aplicar ao homem é problemático, mas já tenho visto coisas parecidas. As mulheres, essas poderão ficar desassossegadas. Já os homens poderão descarregar ao menos as suas energias no avental!
Vendo bem as coisas as mulheres poder-se-ão safar sempre. Se não servir assim poderão com as mãos dar a volta ao avental.
Estão a ver como não há métodos infalíveis.
P.S.: Já que perdi a fotografia do bode equipado a preceito vai uma que ao menos mostra-se-lhe a pêra.

Aqui pode vir a falar-se de tudo. Renegam-se trivialidades, mas tudo depende da abordagem. Que se não repise o que está por de mais mastigado pelo pensamento redondo dominante. Que se abram perspectivas é o desejo. Que se sustentem pensamentos inovadores. Em Ponte de Lima, como em todo o universo humano, nada nos pode ser estranho.

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múltiplas intervenções no espaço cívico

"Big Man" 1998 (1,83 de altura) - Obra de Mueck

"Big Man" 1998 (1,83 de altura) - Obra de Mueck
O mais perfeito retrato da solidão humana