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18 janeiro 2010

O congresso do P.S.D. verá renascer Santana Lopes?

O P.S.D. é um partido que se não sente bem fora do poder. E, como ressalta à vista de todos, com a forma directa de eleger o líder acentua-se a formação de grupos e a expressão pública e permanente das suas divergências. O carácter federador dos grandes partidos não se coaduna bem com a ausência da discussão interna de ideias e projectos.
A discussão que é feita na praça pública pode dar para determinar qual a pessoa que melhor passa, mas não permite que se coloquem questões importantes para o partido, que muitas vezes não são as que estão na agenda mediática. Para este efeito cada partido terá que criar uma agenda própria. A discussão virada para o público tende a desviar-se para questões que salientam as diferenças e desvalorizam as convergências.
Numa discussão interna os membros do partido são levados a valorizar os esforços de compatibilização, convergência e mesmo assimilação, que naquela discussão virada para o exterior são relegados para mais tarde e depois podem vir a não ocorrer. O congresso que é convocado para empossar o líder é destinado à apoteose e não àquele tipo de esforços. Serve para esconder as diferenças, não para as minimizar.
Discutidas ideias e projectos há uma melhor escolha do líder. Em certos momentos é realmente mais fácil começar pelo fim. Mas essa facilidade pagar-se-á cara mais tarde. Por isso poder-se-á discutir o tempo em que um congresso deve ser feito, a sua conveniência em determinado momento, mas é lá e não na praça pública que os conflitos internos, porque é disso que verdadeiramente se trata no P.S.D., podem ser dirimidos.
Como partido de poder, no poder as divergências diluem-se. Santana Lopes foi o único que teve uma forte contestação no poder. Precipitou-se e trocaram-lhe os passos, estatelou-se, caiu. Houve forças suficientes para alterarem o passo ao P.S.D., para não o deixarem assumir plenamente o ritmo que Santana Lopes tinha para lhe imprimir. Faltou-lhe o congresso federador. Ainda irá a tempo?

13 maio 2008

Uma forma ignominiosa que não atinge só Ferreira Leite.

O PSD é o partido que mais facilmente recorre à ignomínia como forma de actuação política. Quando há dias Ferreira Leite disse que, como era evidente, não responderia à pergunta que lhe fizeram sobre o seu voto nas legislativas de 2005, saltaram a terreiro clamando haver sacrilégio.
Embora saibamos que houve pelo menos um destacado social-democrata que não votou em Santana Lopes, não nos custa acreditar que Ferreira Leite o fez e até teria considerado a pergunta ofensiva. No entanto os candidatos que se lhe opõe para atingir a liderança do PSD acharam que ela ao evitar ser clara na resposta mostrou que não votou em Santana.
Não vi a gravação do seu depoimento, a voz, o tom, a forma de falar que com certeza dariam uma ideia de estar a achar estranha a pergunta porque a resposta seria de tal forma óbvia. Dariam uma ideia se, caso constrangida a tomá-la, a sua atitude fosse naturalmente de repúdio, ou se, pelo contrário, seria incómoda ao ponto de lhe não responder frontalmente.
Acho abusivas as ilações tiradas por Santana Lopes de que mesmo o seu desmentido não é sincero. Tal só é possível porque Santana Lopes toma a candidata pelo seu referente. E como este o considerou como uma moeda falsa, decerto que ajudou a que ele não passasse, mesmo indicado pelo seu partido.
Estaria no seu pleníssimo direito, se eles fossem democratas e considerassem que quando se vota se deve ter em consideração o interesse do PAÍS. Mas assim eles não acharam e até acharam que ele é mentirosa e indigna de estar no seu meio e toca a requerer que ela se afasta desta disputa pela liderança.
Esta desconfiança em Manuela Ferreira Leite parece pois ser uma forma de manifestarem igual desconfiança em Cavaco Silva, que tanto desejavam arregimentado à cruzada ignominiosa que já iniciaram há muito, reveladora da sua baixeza, da falta de sólidos valores. Quem são eles para fazerem julgamentos de carácter?

02 maio 2008

Ainda não será possível ver para que lado corre a água?

Este correr de muita gente afim para a entrada de cena cria uma espectáculo triste, deprimente. Se houvesse diferenças acentuadas justificar-se-ia, mas em muitos casos não se consegue descortinar razão para tantos parecidos permanecerem em cena.
Se João Jardim quer avançar, mas só o faria se todos desistissem para ele ficar contra Ferreira Leite e depois contra Sócrates, e para já o não faz é compreensível que Santana Lopes se mantenha na corrida, mas poderia ajudar a incentivar os outros à desistência, tipo também eu desistirei se todos desistirem. Velhas amizades e cumplicidades justificariam.
Além de ficar de bem com o João, como sabe que há quem ponha liminarmente essa hipótese de lado, a sua candidatura estaria sempre garantida. Mas também não há dúvida que enfraqueceria muito a sua posição, colocar-se à priori como substituível por uma hipótese longínqua.
Não se está a ver é o papel que o João pretende ocupar. Porque é que sentiu a necessidade de fazer mais esta cena de colocar pela segunda vez os seus rivais perante a hipótese de desistência a seu favor. Não estaria ele à espera que, depois do primeiro momento de verdade no Conselho Nacional do PSD, Santana Lopes não avançasse?
Segundo este diz o João teria desistido expressamente de se candidatar. Haveria erro de interpretação, admita-se. Mas porque esta persistência em remeter uma decisão final para o último dia do prazo regimental de candidatura?
Os momentos de verdade, em que se tomam decisões irreversíveis, raramente coincidem com essas datas de calendário. Mas a verdade é que os prazos existem para que as pessoas tenham tempo para ver para que lado corre a água, e o João ainda não viu. Nós ainda não vimos.

29 abril 2008

A última oportunidade para o PSD, tal como existe, dizer que Estado quer

É natural que um certo frenesim venha a tomar conta da campanha eleitoral de alguns concorrentes à liderança do PSD. No entanto para já existe uma estranha calma, quase só perturbado por uma espécie de ressonar vindo do lado de lá da Madeira. È um ressonar nervoso, não vá o homem sofrer algum ataque cardíaco. Nós queremo-lo vivo.
No fundo, como ninguém quer romper com uma prática, como não há para aí tantas ideias como seria desejável, o melhor era o João avançar, teríamos talvez algo a ganhar em o ver ao leme deste País, pelo menos virtualmente, para avaliar os seus méritos e afinal a têmpera do País, se este se deixa manipular por alguém com as suas características.
Manifestar medo em relação a este demagogo é não acreditar em nós mesmos para desmascarar a sua pouca consistência e na melhor das hipóteses para ele na capacidade das restantes instituições para controlar as suas tentativas de subversão do regime.
A manterem-se as coisas como estão, arriscamo-nos a ver os mais aguerridos a reservarem-se para outra ocasião e a preferirem o discurso delicodoce do Passos Coelho para ultrapassarem esta fase mais complicada. Por este andar só nos vamos limitar a ver um pouco já fora do contexto a discussão que Santana Lopes e Ferreira Leite desejaram ter em meados de 2004 sem que essa oportunidade se apresentasse.
Será que Sócrates nada fez entretanto? Sem dúvida que lhes amaciou o caminho, clarificou a situação financeira do Estado, definiu melhor as funções do Estado, reduziu os poderes cooperativos, tornou mais claro o papel dos lobbies. Sócrates não quebrou espinhas, não anulou todas as prepotências existentes na nossa sociedade mas retirou obstáculos a uma reestruturação do Estado. Seria interessante saber o que estes dois propõem.

28 abril 2008

A última cartada de muita gente

O alargamento do tempo de campanha eleitoral para a liderança do PSD pode vir a revelar-se um penoso percurso que os candidatos têm que percorrer. Não se sabe bem o que de novo eles venham a dizer, nem que diferenças vão manifestar durante os debates directos ou indirectos que se seguirão. Mas pelo menos alguns vão-se sentir cansados.
Até João Jardim vai ter tempo para pensar e repensar que não está posta de parte a hipótese de ele avançar, mesmo que à última hora. Aliás retirando um certo fraseado típico de JJ podemos dizer que ele já é candidato embora o seja com fortes possibilidades de desistir à última hora. Tudo dependerá de ele antes querer jogar a sua última cartada agora ou depois das eleições de 2009.
O problema para a maioria deles está mesmo em ser a última cartada. Mesmo que subitamente muitos entenderam que tinham que ir a jogo, que não havia mais hipótese de adiar, como vão ter que dar tudo por tudo, apertados que estão contra a parede. A parede do seu tempo e a parede da ambição do partido de chegar ao poder. João Jardim ao colocar a sua candidatura com os condicionantes que apresenta é o único que pode protelar até depois das eleições de 2009 a última oportunidade da sua vida. E em certo sentido Passos Coelho, neste dependendo dos votos que venha a ter.
Muitos vão ansiar que este período de debate interno passe depressa. JJ é mesmo de opinião que lhe devem entregar tudo a ele que com o povo ele se entende bem. Mas mesmo que o debate se comece por fazer entre figuras, sem curar de saber as suas ideias fundamentais, não haverá dúvida em ninguém que o debate terá que resvalar para coisas sérias. Esperemos.

27 abril 2008

As grandes vítimas nunca se resignam

Há imensa gente a apresentar-se como vítima. Deve haver mais lugares disponíveis para as vítimas do que para as pessoas com sucesso. Mas aqueles que levam a sério a sua vitimização depressa se apercebem que afinal ela não é assim tanta que chegue para satisfazer o seu ego.
Então vá de arriscar de novo, submeter-se a novo processo, arriscar o impossível, se necessário, para que a vítima tenha afinal bons motivos de se queixar, alguma consistência própria. Filipe Meneses e Santana Lopes são pessoas desta estirpe que nunca se quererão sujeitar a ficar para a história como vítimas infelizes de uns amigos traiçoeiros.
Tanto um como o outro virá as vezes que for preciso à luta, não para que o seu nome seja limpo, que não o acham sujo, mas para que mesmo como vítimas apareçam na sua verdadeira grandeza. Uma vítima que se preza não pode ser amesquinhada, tem que ser altiva, dominadora. E tem que dizer presente sempre que se acha solicitada.
João jardim é uma falsa vítima que nunca saiu do seu quintal, que nunca arriscou ser apunhalado pelas costas. Por isso Santana Lopes se acha na obrigação de avançar, ele que dá o corpo ao manifesto, que tem andado por cá, mesmo quando não querem que ele ande por perto.
O Jardim só ganha votos no seu sítio, nunca provou que do lado de cá dessa fronteira natural que é o mar ele conquiste mais votos que os outros para o seu partido. Santana Lopes sabe o que é ganhar tendo que se fazer ao mar alto, nem que as suas viagens sejam só até à Figueira ou a Lisboa, tem que competir com amigos e inimigos e não lhes pode chamar tolos.
Santana Lopes sabe a que nível pode baixar e não há dúvida que não é o mesmo do João Jardim. Pode-nos incomodar muitas vezes, mas Santana Lopes é um político civilizado que, como outros, só condescende com João Jardim porque ele está longe e ainda se não terá posto a jeito para levar uma estocada. Nunca foi tão generalizada a rejeição das suas atitudes folclóricas.

26 abril 2008

À procura de uma nova derrota ou o desejo de renovação

O PSD transporta consigo uma série de questões mal resolvidas entre os seus dirigentes. Alguns odeiam-se, alguns somente se não podem ver, outros toleram-se a contra-gosto, poucos se gostam sem artifícios. Estas questiúnculas continuarão, possivelmente até sempre, maugrado haja já quem faça convites para que alguns se vão embora.
Uma bonança temporária conseguir-se-ia se o PSD resolvesse esta crise com um salto em frente e a eleição de João Jardim. Talvez alguns tivessem vergonha e batessem com a porta, mas não sei porque é que a sarna só os preocuparia se ele viesse para o continente. Talvez fosse um preço caro a pagar mas decerto que o homem adquiriria outra postura e linguagem.
Creio porém que a disputa se ficará entre aqueles que ainda são a favor do controle do deficit e os outros, os mais faladores que se estão a marimbar para ele, o que lhes interessa é alargar o cinto, sejam quais forem as consequências, tenha-se ou não a Comunidade aí à perna, a castigar-nos por esse inacreditável atrevimento.
Com Ferreira Leite na corrida o tema não pode ser escamoteado e só por esse facto a sua candidatura era necessária. É bom que antes da campanha eleitoral nacional este tema seja debatido no PSD. É bom que haja no PSD quem não ande a prometer construir castelos na areia.
Ninguém duvidará que no espaço político do PSD haja técnicos competentes e gente que, se tivesse oportunidade, teria sucesso na política. O problema é que as câmaras só se viram para indivíduos da estirpe de um António Borges, que quer reduzir o seu mau carácter a uma questão de permitir que acreditem nele ou não.
A renovação do PSD ainda se não fará nesta campanha. É evidente que ela só poderá ocorrer se for forçada. É necessário uma nova e boa derrota para que isso aconteça. Também quero contribuir para isso.

20 abril 2008

Em estado de nojo por entre armadinhas e novelos

O homem está em estado de nojo. Vai estar vigilante, não vai andar por aí, mas sim vai estar aí mesmo. E tanto é verdade que já veio dizer: Vai ganhar quem ele apoiar, e quem ele apoiar não vai ser mais do que uma segunda escolha. Isto é, a primeira escolha só pode ser ele.
Filipe Meneses quer ser o pai e colocar na liderança alguém que seja um pau mandado. Normalmente estas coisas são ao contrário. Alguém que marcou um regime e por qualquer impossibilidade delega noutro uma liderança temporária. Mas este Filipe não tem uma herança para deixar, não tem nem um conjunto de ideias, uma ideologia, nem um conjunto de práticas com aplicação comprovada, uma política.
Filipe Meneses quer que alguém faça aquilo que ele não conseguiu fazer, sem que se saiba propriamente o quê. Quem será que se sujeitará a esse papel de ser um joguete na mão de alguém tão inconstante como ele? Ou o seu propósito será mesmo o de que não apareça ninguém que lhe queira agarrar o facho e ele possa ressurgir como a única solução?
O futuro do PSD está cheio de armadilhas destas. Todos se julgam senhores de uma coutada qualquer, mas este agora ultrapassa tudo e julga-se senhor quase do reino. Filipe convence-se que tem as bases na sua mão, isto é, os autarcas. Para isso já lhes deu uns rebuçados, negou-se a apoiar a Lei Eleitoral que o PSD tinha apoiado. Filipe apoia-se na parte mais desregrada, desordenada, empírica e porque não corrupta da política.
Mas além das armadilhas, o PSD está cheio de novelos. O mais famoso é o Santana Lopes/Filipe Meneses. Mas também nesta caso o Filipe parece querer ganhar ascendente, retirando a Santana o seu próprio espaço de manobra. Até que ponto este se conformará a ser aguadeiro de quem é manifestamente mais fraco do que ele mesmo?

03 novembro 2007

O despertar de mais um mágico

Afinal Filipe Meneses não vai ter que se haver com um só, mas se não aparecerem mais, terá que se haver pelo menos com dois concorrentes.
Já não é só aquele que “andava por aí” e que renasceu. Depois de ter recebido o poder inesperadamente, sem o dramatismo de uma transição disputada, como seria o seu desejo, não o soube segurar.
O seu poder não se baseava em nenhum processo de rotura que lhe desse um impulso decisivo. Perdeu ingloriamente a golpes dos seus próprios amigos. Mas não perdeu a esperança de que um dia lhe dêem razão. Afinal o coração conta muito e ele espera que lhe não olhem para o cérebro.
Mas agora para estar à perna do Filipão vai ter a companhia daquele tal de Ribau que, pela amostragem é amigo que não deixa ficar mal os amigos do outro. É bom que haja gente desta, destemida, pronta a dar o seu contributo à Pátria.
Porém da categoria dos que só mostram bravata já cá os havia muitos. Quando eles se encostam a alguém para ter visibilidade e já se querem apresentar como os melhores do mundo, sem terem provado nada de importante, é ridículo.

01 novembro 2007

O património reclamado por quem “andou por aí”

Há quem, depois de escorraçado da “loja”, ainda faça uma afirmação peremptória de que vai continuar a “andar por aí”, só porque se acha herdeiro de ideias partilhadas, mas de que ele se arroga o direito de interpretar.
Nada mais fácil de seguir do que as ideias dos mortos. De entre espírito e letra do legado dos defuntos deixar-nos-ão sempre algo a que nos podemos associar, independentemente de os contextos e as circunstâncias serem diferentes e da prática ter de ser outra.
Não falta pois quem, à falta de ideias próprias, se aproprie dessas. E se elas tiverem passado por um processo dramático para serem postas em prática tanto melhor. E nada mais apelativo que colocar emoção bastante na evocação, mais ou menos a propósito, de fugazes ligações ao autor.
À falta de herdeiro legítimo, facilmente nos associamos àqueles que reclamam uma herança heróica, para a qual estão prontos a arranjar milhentas testemunhas a confirmar o legado, prontas a manter vigilância à porta e ao ferrolho, a serem seus fiéis depositários.
A herança de Sá Carneiro tem para Santana Lopes este significado. Mas não passará de uma simples tentativa de sonegação da propriedade dos seus legítimos herdeiros?
Até não seria descabido que, perante a apatia de todos esses possíveis herdeiros, a herança não tenha já sido apropriada por gente estranha ao próprio P.S.D. Filipe Meneses vai ter um vigilante para uma herança sem dono.

30 outubro 2007

Uma chatice para quem já estava tão habituado a “andar por aí”

A mudança no aparelho de Estado é a mais difícil de operar. Na dúvida deixa-se estar tudo na mesma. A definição, a divisão de poderes estabelecidos para dar estrutura democrática ao Estado já são contestadas desde há muito, mas os perigos de uma outra forma de exercício do poder não estão devidamente sopesados.
A divisão que prevaleceu é basicamente entre três poderes: o legislativo, o executivo e o judicial. Mas a promiscuidade e subalternidade entre eles já é mais do que muita e alarga-se cada vez mais um poder asfixiante: o administrativo. Só que as estruturas internacionais são cada vez mais uma cópia das nacionais. Onde há lugar para quem “andar por aí”?
Para os pouco ambiciosos no administrativo. Para os outro no dócil domínio legislativo. Porque este deixa fugir cada vez mais os seus poderes para o executivo, por impreparação, incapacidade ou pura demissão, tem que arranjar alguma coisa para fazer. E a pergunta vem mesmo a calhar: Porque não “andar por aí”?
O que seria da mais genuína justiça é que esta sublime função de “andar por aí” fosse exercida por todos os deputados e não só por alguns. Porque não libertá-los do poder de iniciativa legislativa e passar a dedicarem-se tão só a fiscalizar e avaliar o trabalho do executivo. De preferência mandando averiguar e solicitando pareceres. E “andando por aí”.
Assim já não seriam necessárias comissões. E o Santana Lopes já não se teria de chatear com isso: Continuava a “andar por aí”.

28 outubro 2007

Que se cuidem os que subestimaram quem “andou por aí”

Sem necessidade de recuar muito no tempo, chegamos ao momento em que se tornou possível que a agricultura libertasse mão-de-obra que permitisse que o comércio, a indústria, os serviços trouxessem progresso à humanidade. Mas também que libertasse pessoas para a religião, a especulação, o ensino, a política e outras liberalidades.
Este conjunto de pessoas foi variando em quantidade e qualidade e nem sempre a qualidade dependeu da quantidade. A sua diferente ocupação na estrutura organizativa do Estado e a natureza deste também fazem variar o papel deste “escol” na vida em sociedade.
Também a prevalência dos diferentes grupos, religiosos, filósofos, políticos ou outros “libertos” mais ou menos intelectuais, andando mais ou menos por aí, é um factor importante na determinação do valor civilizacional de cada período histórico. Nem sempre se consegue que haja quem ande por aí.
Aquele que “anda por aí” não o consegue sem ter um pé dentro e outro fora da estrutura do Estado. Tem que ser político, mas ter algumas qualidades dos outros grupos intelectuais. Tem de ter tempo, não para o ocupar, não dá para brincar, mas para estar sempre em serviço e alerta. Mesmo na discoteca,
Quem “anda por aí” não pode envolver-se no quotidiano, tomar partido imediato, os seus amigos já estão feitos, o seu campo já está bem demarcado, a fronteira já está bem escudada. Tem que ter atenção aos traidores, aqueles que pensam um homem decapitado, como Santana Lopes.

26 outubro 2007

É perigoso deixar de “andar por aí”?

“Andar por aí” é uma actividade assaz louvável, não molesta ninguém, não estorva os outros, não causa distúrbios. O única senão será o quanto custa ao erário público, mas, havendo outro dinheiro tão mal gasto como este, não custa muito aceitar que alguns de "nós" andemos por aí.
O problema é que quem não está habituado, quem gosta de actividade e, acima de tudo de tomar decisões, não suporta esta apatia durante muito tempo, entedia-se e vá de aproveitar a primeira ocasião para dizer quanto está vivo e pronto a enfrentar as piores tempestades.
Ao assumir tão entusiasticamente o lugar de Chefe da sua bancada, Santana Lopes tomou a decisão primeira de varejar dos poleiros comissionais três colegas de partido. Farto também ele próprio de ser corrido, eles não deviam levar-lhe a mal esta desfeita da sua parte. Até porque a sua reentrada, na ribalta ou no lodaçal, conforme a opinião, não podia passar despercebida.
Os parlamentares do P.S.D. deviam aceitar a dispensa do seu próprio contributo extra e simplesmente deixar-se “andar por aí”. Uns virão e outros ir-se-ão embora, para perto é certo, é a vida. Uns têm bom perder e aceitam uma tarimba, outros abespinham-se facilmente, mas, para quem está de fora, o espectáculo é deprimente e sem vergonha. É o lodaçal.
Os políticos são muitas vezes acusados de indecisão, mas, quando decidem, invariavelmente os acusam de o fazerem mal. Os políticos são muitas vezes acusados de ocuparem permanentemente o palco e quando alguém decide fazer alguma renovação é logo acusado de ingrato pelos tais “velhos” que não o querem deixar. Afinal como o Santana estava tão bem quando só “andava por aí”.

24 outubro 2007

Quem deixou de “andar por aí”

Isto de “andar por aí” tem o que se lhe diga. Quantos de nós o gostaríamos de fazer. “Andar por aí” à espera que a história, o tempo, seja lá o que for, nos venha dar razão.
Ou simplesmente “andar por aí” sem grande satisfação, como que cumprindo rituais e preenchendo o tempo com trivialidades, à espera que haja um motivo que nos alegre, nos faça esquecer os dissabores e nos dê novo impulso para fazer algo mais do que “andar por aí”.
E se este facto nos pode servir para nos convencermos que tínhamos razão no que fazíamos antes de “andar por aí” tanto melhor. É o que parece ter acontecido com Santana Lopes para quem esta pequena vitória e por interposta pessoa lhe não podia dar mais satisfação, goze-a ele com mais ou menos privacidade.
No entanto esta desforra interna não lhe dá razão a nível da sua própria actividade política. Isto de uma vitória ser só a derrota dos outros é o que vai alimentando a mesquinhez, as arrufadas, as vaidades balofas.
A razão histórica é outra coisa que Santana Lopes não conseguirá apagar ou subverter, mesmo que, ao que parece, tenha deixado de “andar por aí”.

22 outubro 2007

Andar ou não por aí, eis a diferença

De súbito verificamos que, se parecia que o P.S.D. iria dar uma grande cambalhota, tudo não passou de um susto. Os que perderam e os que ganharam são quase todos políticos que “andam por aí”, uns com direito a escolher lugar, outros nem tanto, aproveitam o que lhes dão.
Na hora da despedida é de louvar o Marques Mendes, se ele levar avante os propósitos que se anunciam de deixar a política para os outros, não que os que ficam sejam melhores ou piores do que ele, mas porque ele deixou de “andar por aí” e merece palmas por isso.
Não sei se irá resistir à tentação de fazer uns remoques quando o novo Filipão perder algumas das quatro eleições que diz querer ganhar. Com uma meta tão alta creio que já pode ir comprando os patins. Que isto de outsourcing só convence os incautos.Mas não é Marques Mendes que acrescentará nada à cultura política se vier dizer que quem tinha razão era ele. Cale-se que assim é que o Senhor dá a melhor resposta. Deixe-os a eles “andar por aí”, até meterem nojo que, no lodaçal em que se meteram, já não conseguem sequer dar cambalhotas.

Aqui pode vir a falar-se de tudo. Renegam-se trivialidades, mas tudo depende da abordagem. Que se não repise o que está por de mais mastigado pelo pensamento redondo dominante. Que se abram perspectivas é o desejo. Que se sustentem pensamentos inovadores. Em Ponte de Lima, como em todo o universo humano, nada nos pode ser estranho.

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Ponte de Lima, Alto Minho, Portugal
múltiplas intervenções no espaço cívico

"Big Man" 1998 (1,83 de altura) - Obra de Mueck

"Big Man" 1998 (1,83 de altura) - Obra de Mueck
O mais perfeito retrato da solidão humana