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13 dezembro 2009

Uma Cimeira de Paz toldada pelas manifestações violentas

A dinâmica das manifestações sempre me levantou interrogações a que nunca encontrei resposta. A contradição existente numa manifestação violenta inserida numa luta pela paz deixou-me sempre perplexo.
Sabemos, antes de Obama o dizer, que, muitas vezes, não se consegue a paz sem guerra. A cedência para evitar uma guerra no imediato traz, muitas vezes, muitos mais prejuízos do que uma atitude frontal que, por antecipação, evite uma inevitável guerra posterior mais feroz e sanguinária.
Porém uma manifestação a favor da paz não necessita de entrar por via violenta. Se quem é a favor da paz não seja necessariamente um pacifista é uma verdade insofismável. Se quem é a favor da paz quer dizer que, no caso extremo de não haver cedência de quem quer fazer a guerra, também será capaz de a fazer parece razoável. Mas manifestar essa disposição, aliás teórica, atacando os bens públicos e privados é excessivo.
Copenhaga está cheia desta gente que abraça uma causa justa, mas utiliza métodos que depreciam a causa. Se esta depreciação não é nada que preocupe essa gente é uma das perplexidades que sempre se me puseram. Guerra à guerra a qualquer preço parece ser a sua lógica.
Movimentos de muita natureza advogaram essa lógica totalitária com objectivos diversos. Há décadas os movimentos comunistas do Ocidente entraram nessa lógica e nada ganharam com isso. Muitas vezes apercebiam-se do carácter contraproducente dessas manifestações ou de algumas das ocorrências mais violentas durante a sua realização, e atribuíam-nas a infiltrações de agentes inimigos.
A paz exige manifestações de paz. Se o ambiente da Terra já está numa situação prejudicial à humanidade, mas é ainda reversível, tudo devemos fazer por isso. Não faltam movimentos nesse sentido em vários quadrantes políticos. Só a necessidade de protagonismo destes aventureiros de Copenhaga dá uma justificação para o que se tem passado. Gente desta era dispensável neste cenário de progresso nesta área decisiva do Ambiente.

08 dezembro 2009

Um Rio que era um parceiro de toda a vida

Touvedo abriu uma goela, o Vez encheu-se de brios, o Cabrão deu um ar da sua graça e eis que tivemos o Lima a ocupar o seu leito natural em Ponte de Lima. Claro que o nível a que as águas do Lima chegaram, se fosse na minha juventude, alcançar-se-ia ao fim de meio-dia de chuva. Naquele tempo era frequente que esta feira, as feiras do mel, fosse efectuada pela avenida António Feijó acima. O mel vendia-se no topo superior da actual paragem dos táxis, ao virar da esquina de quem vai para os Bombeiros.
Naqueles tempos, anos cinquenta e sessenta em especial, não havia ano que o Rio não viesse uma boa dúzia de vezes ao passeio 25 de Abril, das quais em metade a água vinha à esquina da Torre da Expectação e uma vez ou duas ao Largo de Camões. Dentro da Vila o mais espectacular era a saída da Rua Beato Francisco Pacheco para o Largo de S. José. Só que, embora já estivessem prevenidos, os moradores não achavam graça nenhuma.
“Ainda te cantam versos, filha da mãe!” é uma célebre frase disparada por um comerciante limiano particularmente agastado com tanta invasão da água suja da cheia. E nem sempre os comerciantes acertavam na dimensão do perigo. Colocavam os seus produtos num patamar aonde pensavam que a água não chegava, mas esta às vezes pregava-lhes uma partida e obrigava-os a mudar tudo à última da hora. Mesmo assim era raro isso acontecer.
Havia uma relação íntima com o rio, uma amizade intensa, uma grande cumplicidade. Como ser objecto de adoração, no Lima víamos a força da natureza, mas também a força da vida, um ser que podíamos compreender, com que nos podíamos relacionar e partilhar os dias quentes de Verão e o vento temperado do sudoeste de Inverno. A barragem do Lindoso amansou o Rio mas afastou-o das nossas vidas. Os areeiros e a poluição fizeram o resto.

25 janeiro 2008

Se ao gosto se acrescentar saber é mais valiosa a análise

Os néscios dirão sempre que não há razão para nos preocuparmos com os pormenores se a imagem geral é boa e agradável. A verdade é que ninguém é obrigado a ir atrás da falta de gosto reinante quando se fala nos aspectos de ordenamento urbano e arquitectura na nossa Vila.
Além disso o conhecimento existe e embora não possa impor um gosto uniforme a toda a gente para contribuir muito para o seu desenvolvimento, o seu aprimoramento, o seu refinamento. Poderá haver uma queda natural para apreciar mais as questões do gosto mas já ninguém duvida que ele pode ser trabalhado de modo a ter um maior valor no modo de fruição da realidade.
Aliás a cultura do gosto tem a ver com novas formas de abordar a vida, a nossa relação com a paisagem natural e construída, com os outros. Haverá coisas em que nós nem reparamos que se forem vistas de uma forma a integrar os vários saberes passam a ter uma valoração acrescida.
A grande maioria de nós não está receptivo a aceitar que se veja como um grave erro algo que tenha sido feito com uma intenção louvável. Se é verdade que quando se fala em intenção se revela uma certa forma de desvalorização do gosto, além de muitas vezes até a própria funcionalidade se relativiza. E aqui o ideal é juntar gosto e funcionalidade.
Mas muito teremos a prender se formos acompanhando as observações que no seu blog http://arquitecturaepontedelima.blogspot.com/ André Rocha nos vai dando.

21 junho 2007

Apresentação do Programa e Cartaz das Feiras Novas

Independentemente de eventualmente podermos estar em desacordo com certas alterações ao programa ou podermos formular outras e justificadas considerações críticas as Feiras Novas não sofrem da nossa parte qualquer contestação na sua substância. Alias quem faz a verdadeira Festa é o Povo.

Programa:

Sexta-feira, 14
19,00 – Bandinha da Alegria
21,00 – Tuna Académica da Universidade de Coimbra
22,00 – Euro Canção
23,00 – Estudantuna e Spestuna da U.F.P. e Tesa e Tunesa da E.S.A.
00,30 – Fogo se Artifício
01,00 – Bandas de Música de Moreira do Lima e se Souto

Sábado, 15
08,00 – Alvorada
08,30 – Concurso Pecuário
08,30 – Zés Pereiras e Gaiteiros
09,00 – Bandas de Música de Ponte de Lima e de Melres
12,00 – Concentração de Zés Pereiras
15,00 – Corrida de Garranos
15,15 – Desfile de Fanfarras
16,00 – Cortejo Etnográfico
22,30 – Rusgas, Concertinas e Folclore
01,00 – Fogo se Artifício

Domingo, 16
08,00 – Salva de Morteiros
08,30 – Zés Pereiras e Gaiteiros Espanhóis
09,00 – Banda de Música de Tarouquela e Nova de Fermentelos
12,00 - Concentração de Zés Pereiras
15,00 – Desfile Taurófilo
16,30 – Tourada
21,00 – Festival Folclórico com dois palcos simultâneos
00,30 - Fogo de Artifício – Sessão espectacular

Segunda-Feira, 17
08,00 – Salva de morteiros
09,00 – Bandas de Música: S. Martinho da Gandra e Moreira do Lima
10,30 – Missa solene
16,30 – Procissão
20,30 – Grupo Santa Cruz – Música popular portuguesa
22,00 – Grupo Roconorte

Agora venha à festa e se não traz alegria vai ver que a leva daqui.

09 maio 2007

Vamos à Vaca - Augusto Canário


Velhinha Ponte de Lima
Terra de festas e borgas
Mantém tradição antiga
A famosa Vaca das Cordas.
Na véspera do Corpo de Deus
Dia Santo e Feriado
A “Vaca” em Ponte de Lima
Tem o seu dia marcado

Lá vai velho, lá vai novo
É tamanha a xinfrineira
Escuta-se a voz do povo
Cantando desta maneira

(Refrão)

Vamos à Vaca, vamos à Vaca
Vamos à Vaca
Que é dia de muitas borgas…
Vamos à Vaca, vamos à Vaca
Vamos à Vaca
Mas é à Vaca das Cordas

Antes do toque das Trindades
Dos curros da Casa D’Aurora
Com foguetes a estourar
A “Vaca” sai cá p’ra fora

Duas cordas amarradas
Prendem a cabeça ao macho
Há pegas e gargalhadas
Rua acima, rua abaixo…

Entre olés e correrias
Dá três voltas à Matriz
Rega-se a Vaca com vinho
E o povo canta feliz.

(Refrão)

No areal junto ao rio
A Vaca é toureada
Há quem a pegue com brio
E quem leve uma cornada…

Quando a Bichinha é recolhida
É hora de encher o bandulho
Vai tudo dar ao “serrote”
Tudo vai ao sarrabulho…

A noitada continua
A alegria nunca falta
E alguns dos mais atrevidos
Vão cantando em voz alta

(Refrão)

Vamos à Vaca, que bela Vaca
Vamos à Vaca
Que é dia de muitas borgas…
Vamos à Vaca, que bela Vaca
Vamos à Vaca
Mas é à Vaca das Cordas

Onde estava no original Conde troquei por Casa por duas razões: Na Républica não há condes, depois porque efectivamente os curros são da Casa que admiro e respeito.
Sobre a minha relação com a Vaca leia em http://trigalfa-publicado.blogspot.com/search/label/Pessoal

08 maio 2007

Espalhemos esta beleza pelo universo

Há quatro grandes pedreiras no Concelho de Ponte de Lima mas só uma dá nas vistas, preocupa os políticos do Largo do Zarolho. Vitorino das Donas está longe, Fornelos e Ribeira estão nas costas.
A pedreira do Monte de Antelas está de caras. E é isso que incomoda. Não interessa as pessoas que vivem da sua actividade. Não interessa a necessidade dessa matéria-prima para obras escultórias e de construção civil.
A alma dói? Há almas que se condoem mas não me parece que sejam as de Gondomar. Não é por isso que eles deixarão de cá vir. Para mim é maior dor de alma ver quintas inteiras com as vinhas destruídas, cheias de silvas e matos, nem uma vaca, quando muito umas ovelhas mirradas.
Nós não estamos numa zona de paisagem passiva, numa área de reversa integral. A nossa paisagem tem que bulir, é preciso que na paisagem haja sinais de vida. A paisagem não é uma natureza morta.
As agressões ambientais silenciosas são bem mais perigosas sem que não deixemos de pugnar para que aqui se cumprem as boas práticas ambientais. Não é por se extraírem umas toneladas de pedra que devemos estar alerta. É pelo destino do pó das serras que nos devemos preocupar.
Não é por haverem manchas brancas na paisagem. É pela desflorestação sistemática que se está operando em todo o lado. Não é por haver detritos de pedra abandonados. É por se continuar a trabalhar sem condições.
A estruturação e regulação destas actividades de extracção e transformação de granitos estão em curso e é pela sua perfeita integração no ambiente e pelo seu controle legal que devemos pugnar.
Que os nossos granitos, duma terra de canteiros afamados e de escultores da pedra, vão cada vez mais longe, sejam transformados de natureza bruta em beleza esculpida. O deficit que cá se criar será largamente compensado pelo colorido e esplendor das obras de que está na origem.

23 março 2007

Só evoluímos sem saudade mas com ternura

Ponte de Lima está de bem com o seu passado? Aparentemente todos estamos de bem. Mesmo se quem mais se revolta com a sua condição não deixa de valorizar o que o rodeia.
Passamos ao lado de tudo, da velha revolução industrial, do trabalho manufactureiro, da proletarização. Temos muita dificuldade em pensar sequer em termos que nos são estranhos na vivência e mais aversão nos causam no pensamento.
Sentimos afinidades emotivas mas não compreendemos os raciocínios e conclusões de quem sempre viveu de forma diferente. Devido àquela afinidade se dizia, no tempo de Salazar, que estávamos prontos para o comunismo, mas aconteceu que para o compreendemos nos falta a frieza dum qualquer ditador.
Hoje, aliás, ninguém já compreende o comunismo, ninguém o consegue encaixar na natureza humana. Em Ponte de Lima, não alheados, mas sim descomprometidos com as realidades que nos transcendem, continuamos a viver no bucolismo, na contemplação, no suave remanso.
Enfim o mundo começou a meter-se connosco. Tardiamente buscamos um trabalho diferente do habitual. O homem emigrou, percorreu mundo O mundo trouxe-nos confecções e sapataria. Já não é só o homem que se despega das raízes milenares, a mulher também.
Mas o passado está sempre lá para não nos deixar perdidos no universo. Regressamos e vemos tudo como era, semelhante, poético, deslumbrante, mas já nem tudo é igual. A coluna já não está habituada à enxada, o apelo já se não satisfaz com uma vida ao sabor do tempo universal.
Os homens já criaram outros tempos, outros ritmos, reinventaram novas alegrias para conseguirem estar vivos. Não podemos ficar sempre à espera do eterno retorno. Temos de nos despegar enfim e partir. Como sempre, os que cá ficam providenciarão por nós.
Na nossa mente conservar-se-ão os velhos caminhos, as lindas quintas com seus altos muros, os frondosos bosques, os campos multicolores, as vacas pachorrentas, as rebeldes cabras. Tudo aquilo que nos recusamos a entregar mesmo perante a voragem do progresso.
Mas quando regressarmos talvez vejamos tudo devorado pelo fogo regenerador. Ou as tenebrosas labaredas, que a tão necessária biomassa consomem, já se terão transformado em novos tufos num outro ordenamento.
A parte que levamos, a que nos consome com a saudade, é a parte que, na nossa ilusão de eternidade, mesmo assim não vamos entregar. É isto que nos separa, não das gerações que nos seguiram, mas daquela que estará hoje no berço, mais desprendida que ela será.
Só talvez essa possa vir a viver com ternura o que é de viver com ternura, a recordação de uma vida difícil, mas poética, em que a saudade estará arredada, para poder percorrer livremente os novos caminhos do futuro.

11 março 2007

Pessegueiros, cerejeiras e ameixieiras em flor

Quatro dias de Sol foram suficientes para retirar a roupa mais pesada, para sair de casa e procurar o prodígio que na natureza constitui o florir das árvores, para já as mais prematuras.
Nesta época em que ainda não há folhas, as flores que desabrocham de algumas árvores brilham mais do que nunca. Mas lastimosamente não temos por cá amendoeiras, árvores cuja floração se deve fazer nos dias frios e cuja maturação dos frutos se faz nos dias quentes. Isto que só se consegue no Alto Douro e nas serranias do Algarve também nunca se sabe se virá para cá.
Valha-nos para já as ameixieiras, as cerejeiras e os pessegueiros, tão ou mais bonitos, que o contra é não sobressaírem tanto na paisagem. Mas têm mais tonalidades de cor, são mais esplendorosas, na sua modéstia influência nesta rica e variegada paisagem, tão depressa ficará repleta de verde.
Também fora daqui ninguém comerá dos seus frutos, que neste domínio ainda estamos na época da auto-subsistência. Muitos frutos não terão sequer a qualidade indispensável para entrar na nossa alimentação. Infelizmente não é por aqui que se construirá o nosso futuro.

18 fevereiro 2007

Sarrabulho, o manjar dos Deuses - 1º. Dia – os preparos

(Publicado na Revista do Jornal AltoMinho de 05-05-2006) Ver sarrabulhada completa em http://trigalfa-publicado.blogspot.com/search/label/AltoMinho-Revista Passados os maus cheiros, pica-se muito miudinhas várias cebolas, uns alhos, uns ramos de salsa e rodenho quanto baste. Tudo bem picado, juntam-se a estes elementos sal, pimenta, e algum sangue e mistura-se bem.
Ata-se uma ponta de uma tripa fina e a mistura atrás obtida é nela metida, apertando-se levemente a massa de modo a não forçar, que se não quer que a tripa rebente nessa ocasião, nem mais tarde ao cozer. Guardam-se então estas chouriças de verde porque estão quase prontas.
Deita-se uma quantidade substancial de farinha de milho com algum sal, pimenta e cominhos na maceira de amassar o pão e mistura-se bem. Enfarinham-se algumas tripas nessa mistura. Viram-se depois com a ajuda de uma varinha de loureiro. Já estão preparados os farinhotos.
Chouriças de verde, farinhotos e o bucho deita-se tudo junto para cozer numa panela com água já a ferver.
À farinha milha da maceira junta-se alguma farinha centeia, um pouco de cebola e salsa cortadas miudinhas, pimenta e cominhos e mistura-se bem. Junta-se-lhes água da panela que cozeu as chouriças, escaldando a farinha e amassando como quem faz pão.
À massa assim obtida junta-se sangue, amassando sempre. Obtida uma massa homogénea, enrola-se com as duas mãos em pequenos cilindros que se passam em farinha de milho seca e vão para cozerem na mesma panela em que se cozeram as chouriças. Estão prontas as belouras ou boletos.
O sangue coalhado, dito verde, que está num alguidar é cortado à faca e é introduzido com algum sal na água a ferver de uma outra panela. Para que este verde fique bem poroso, introduz-se um ferro, previamente em brasa, nessa água e mexe-se chamando pelo dito porco: russo, russo, russo …
(Esta será mesmo crendice, mas não faz mal a ninguém acreditar nela).
Estando pronto e devidamente cozido é tudo posto a arrefecer na maceira em cima de ramos de loureiro, e à espera das cozinheiras do dia seguinte.

28 janeiro 2007

Os benefícios do micro crédito solidário

(Publicado jornal AltoMinho de 28-12-2006)
Esta história também podia ter como titulo “O azar de uns é a sorte de outros”. Efectivamente foi após o nosso amigo António Melo ter sido espoliado do seu instrumento de trabalho, a caixa de engraxador, que houve logo quem se lembrasse de que esse negócio, de certo modo desaproveitado pelo António, podia ser interessante para fazer uns trocados.
Que com certeza se o António vier a recuperar a sua caixa terá igualmente lugar. O episódio do desencaminhamento da caixa serviu sim para que certas pessoas, que nada tinham a ver com ele, soltassem a célebre palavra “Eureka”.
Juntou-se um grupo, cada qual contribuiu com o que pôde e eis que surgiu uma caixa nova, brilhante, esmerada, apetrechada com o que de mais moderno há nesta arte milenar de engraxar os sapatos dos outros que, lembrem-se, é bem diferente daquela outra em que alguns são artistas: o lamber das botas a alguém.
Ver Atigo completo em http://trigalfa-publicado.blogspot.com/search/label/AltoMinho

22 janeiro 2007

A Feira dos Ciganos

(Publicado Revista jornal AltoMinho de 04-09-2006)
http://trigalfa-publicado.blogspot.com/search/label/AltoMinho-Revista
Povo nómada, poucos de nós se lembrarão e não muitos deles talvez, do seu passado ainda recente. Com a sua carroça, puxada a uma azémola ou a um burrito fracote, os cães a trás, os filhos em cima e eles ao lado, se o terreno dos caminhos não eram propícios para irem também em cima.
Mas os tempos mudam e eles, os ciganos, foram aderindo ao sedentarismo, assentando arraiais, ora em barracas, ora em bairros sociais, alguns também já em casa própria.
O seu ofício é o mesmo de sempre, é o ganha-pão dos que nós por cá conhecemos: o comércio. Antes vendiam pelas portas bonitas colchas e roupas vistosas. Hoje alguns já têm lojas mas a maioria ainda anda de feira em feira. A Feira de Ponte é uma das suas preferidas.
Têm um espaço e vendem um pouco de tudo, de preferência, claro, roupa. Logo pela manhã a maioria das mulheres que vêm à feira não deixa de visitar, em primeiro lugar, a Feira dos Ciganos, à procura das últimas novidades.
Aqui por pouco dinheiro se compra muita roupa. Roupa interior, roupa para as crianças, mas também muitas “senhoras” cá se vestem. A Feira dos Ciganos é o supermercado mais fornecido e divertido para comprar aquilo que se usa todos os dias e em casa tem de estar mais à mão.
Aqui tudo é a preço fixo, não se regateia. Há roupa para todas as carteiras e para todas as freguesas. É só escolher. È pró menino e prá menina. Para a senhora bem e menos bem.
A qualidade está à prova e ninguém é enganado. Todos podem pegar nas peças de roupa, virar e revirar para comprovar a valia dos tecidos. E todos vão satisfeitos porque para a feira cá voltarão.

10 janeiro 2007

Poupança e beleza na estrada

Os sinais de trânsito têm de cumprir determinadas regras quanto ao formato, ao tamanho, ao feitio, às cores, ao posicionamento. Só respeitando esse padrão nós somos obrigados a cumpri-los.
Mas tratando-se de sinais indicativos da localização de lugares e freguesias, eles podem ser colocados por entidades que não sejam obrigados a respeitar as normas da D.G.V. porque também não são obrigatórios.
As juntas de freguesias, seguindo decerto algum bom conselho doutros órgãos, têm colocado em todos os cruzamentos sinais diferentes, evidentemente conforme a firma que os fabrica, mas que com certeza não sairão baratos.
Naquele pequeno espaço entre as freguesias de Cendufe, Rio Cabrão e Miranda do concelho de Arcos de Valdevez, pelo que não sei a quem atribuir a autoria, existe esta placa, que além de ser mais barata tratando-se de material reciclado, tem muitas outras vantagens:
Entre elas é muito mais apelativa, mais artística, mais bela, mais contrastante, mais inovadora.

Aqui pode vir a falar-se de tudo. Renegam-se trivialidades, mas tudo depende da abordagem. Que se não repise o que está por de mais mastigado pelo pensamento redondo dominante. Que se abram perspectivas é o desejo. Que se sustentem pensamentos inovadores. Em Ponte de Lima, como em todo o universo humano, nada nos pode ser estranho.

Acerca de mim

A minha foto
Ponte de Lima, Alto Minho, Portugal
múltiplas intervenções no espaço cívico

"Big Man" 1998 (1,83 de altura) - Obra de Mueck

"Big Man" 1998 (1,83 de altura) - Obra de Mueck
O mais perfeito retrato da solidão humana