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27 janeiro 2010

Teríamos sido enganados pela pandemia?

Já se diz com uma certa certeza que a pandemia de gripe A que se anunciava teria abortado. Há mesmo quem diga que foi um grande embuste, de que não haverá muitas dúvidas. Alguns sugerem mesmo que houve interesses que teriam influenciado a declaração pela OMS da ocorrência da pandemia. De que não haverá dúvidas é da precipitação que ocorreu. Esperemos que um dia tudo se esclareça para que não nos deixemos embarcar num fenómeno semelhante.
Ainda não lidamos bem com a pressão da comunicação social, não controlamos bem as dissemelhanças entre alerta e alarmismo, não distinguimos entre política e politiquice. O perigo, real ou eventual, levou os poderes instituídos a correr à frente de qualquer suspeita, não fosse vir a ser verdadeira a, desde o início, anunciada pandemia. E um facto, uma vez anunciado, até quem anuncia vem a perder o controle da sua enunciação. Há sempre quem empole a gravidade duma catástrofe, principalmente quando se pretendem obter dividendos políticos.
O medo, os interesses económicos, os interesses políticos criam facilmente o alarmismo quando era suficiente estarmos em alerta. Há casos em que se pode ter uma certa ligeireza, mas a saúde é um bem geral e fundamental para todas as sociedades. Os políticos não a deviam aproveitar como moeda de arremesso, os laboratórios não deviam recorrer a estratagemas que levam ao lucro fácil, infelizmente não estamos num mundo assim e temos de desconfiar de todos.
O negócio da saúde é o negócio do futuro. Ninguém quer morrer, a não ser aqueles a quem prometem 60 virgens no paraíso. Neste negócio das vacinas gastaram-se milhões sem qualquer proveito aparente. Muita gente já renunciou a ser vacinada. Os Estados já aparecem a querer despachar as compras excessivas. Ficamos sem saber se a vacina normal seria suficiente para deter a progressão desta gripe. Ficamos a acreditar menos na Ciência e pouco nos cientistas. Ficamos alarmados com o futuro deste negócio.
Teríamos sido enganados pela pandemia?
Ainda bem, mas o preço foi exorbitante.

21 janeiro 2010

O que podemos esperar de Obama

Obama foi a esperança de uma nação e do mundo. A condução de um super potência, envolvida em múltiplos conflitos e chamada a intervir em praticamente todo o mundo, mas também com graves problemas internos é uma tarefa grandiosa e complexa. Uma inversão tão drástica como a proposta por Obama trouxe tantas implicações, colocou tantas forças de direita em alerta, que a sua tarefa tem sido obstaculizada ao máximo, mas também seria sempre de grande dificuldade.
Há que continuar a ter esperança. Em primeiro lugar porque a desesperança não nos leva agora a lado nenhum. Em segundo lugar porque colocar a questão num ponto de criticismo tão elevado só revelaria uma ignorância nossa, insuportável e cínica. Nestas situações é normal ser a direita a colocar as pessoas a criticar quem propôs uma politica claramente oposta á sua e esta não tem êxito imediato. Antes de haver tempo para esse êxito há que destruir logo as expectativas das pessoas, é a teoria da direita.
Obama merece ter êxito e acima de tudo merece o nosso mais franco e reforçado apoio. No entanto nos Estados Unidos é prática comum esta politica de sinais que extravasam em muito aquilo que seria sensato. Eleger um Senador republicano num Estado democrata há décadas foge em muito à nossa capacidade de entendimento. Se os americanos querem dar um sinal, para nós fazem um clarão que só reforça na nossa mente a necessidade de derrotar a direita americana, um dos grandes obstáculos à paz mundial.
De Obama esperamos que se mantenha no rumo traçado. Os percalços são normais, mas exige-se têmpera para os vender. Se nem todos os objectivos forem vencidos, restar-nos-á decerto prosseguir em próximos mandatos a defesa do seu património moral e a busca dessa paz de que, infelizmente, custa vislumbrar um começo seguro.

20 janeiro 2010

O exemplo negativo do Haiti, de tão mau, pode ser aproveitado como tal

O medo faz regredir um povo a um estado civilizacional anterior. Numa primeira fase o medo paralisa, quem sobreviveu ao drama do Haiti ficou atónito, desorientado. Seguiu-se a anarquia dos procedimentos desconexos. Numa sociedade tão desorganizada como aquela, quem pode mexe-se, procura, tenta sobreviver. A maneira como o faz não é a que nos parece mais adequada, possivelmente, se nos víssemos numa situação semelhante, tentaríamos contribuir para organizar melhor a ajuda à sobrevivência.
No entanto a nossa sociedade é muito desigual. Haveria decerto pessoas capazes de estruturar e liderar formas organizadas de responder a uma catástrofe destas. Mas haveria decerto também quem se furtasse a ser parte do lado positivo da resposta e tenderia a contribuir para participar e mesmo organizar grupos de malfeitores que espalhariam a confusão.
Outrora os laços de vizinhança eram suficientes para dar uma resposta primária a uma catástrofe deste tipo. Hoje muitos desses laços estão perdidos e nas grandes cidades nem sempre se chegaram a criar ou ficam tão só pela organização de grupos juvenis de orientação variada, mas quase sempre pouco virados para a exemplaridade da participação cívica.
As crianças e os jovens são hoje educados fora dos parâmetros do medo que eram brandidos no nosso tempo e ainda bem. No entanto tem que haver uma compensação consciente para essa forma irracional de agir. Os jovens têm que ser educados incentivando a cultura dos sentimentos de partilha, solidariedade, de todos os que ajudem à coesão social.
O medo, o desespero subsequente, são os piores conselheiros. É necessário que tenhamos na nossa mente instrumentos de organização capazes de vencer o medo. Se os não possuímos somos tentados a tentar as respostas mais imediatas, mais à mão, e não nos apercebemos que, ao agir assim, estamos a dificultar a resposta que outros queiram dar. Mas quem é que numa situação desesperada vai confiar em hipotéticas ajudas?

17 janeiro 2010

O Haiti é o exemplo mais evidente da necessidade de organização

A tragédia do Haiti, de tão dramática, sem paralelo noutras tragédias do género, chama a então para a desigualdade extrema existente na humanidade. A miséria não é endémica, os irmãos do habitantes do Haiti que conseguiram lugar no vizinho do Norte são pessoas de sucesso, a começar pelo desporto em que têm apresentado resultados surpreendentes.
Na divisão internacional do trabalho não coube a este povo qualquer naco substancial. Qual seria a razão pela qual o capital americano se não direccionou para este país? A ditadura já acabou há anos naquele país. Afinal a miséria actual é apenas a continuação de um processo de que o mundo há muito se alheou.
Este drama chama a atenção para a necessidade de um país ter uma estrutura produtiva própria, mas também para a necessidade de uma organização estatal sólida, que possa resistir à instabilidade política e também a esta instabilidade natural a que por uma razão ou outra todos estamos sujeitos.
Na ausência de autoridade é problemática a distribuição de alimentos, os socorros imediatos. Mas a face mais terrível ainda estará para vir se os grupos marginais tomarem conta do espaço público e se a recolha dos mortos se mantiver inoperante.
O Haiti tem que ser ajudado maciçamente e tudo indica que o vai ser. Porém não pode continuar a ter os mesmos problemas no futuro. Não pode existir aqui uma questão de regime político. Tem que haver uma estrutura que consiga resistir a todos os abalos futuros. Essa estrutura, contrariamente ao que pensa a direita radical, não necessita de ser muito agressiva, precisa é de ser resistente e economicamente suportada.

15 janeiro 2010

O que está em causa no Haiti é toda a civilização ocidental

Não tinham nada senão a vida. Já não tinham terra que desse alimento para o seu sustento. Já não tinham floresta que desse combustível para cozinharem o pouco que conseguiam angariar. Já não tinham organização de Estado ou qualquer outra que o substituísse. Só tinham tido uma ditadura de décadas que aniquilou todas as linhas possíveis de desenvolvimento deste País a que se seguiu um regime sem força e inoperante.
O Haiti está agora à espera do apoio maciço de todo o mundo para ocorrer ao desastre que foi o terramoto do dia 12 passado. Pode ser a sorte para os que sobreviverem, depois da catástrofe para centenas de milhar de pessoas. Será uma sorte paga com muito sangue, mas não pode ser de outra forma. O mundo não pode abandonar outra vez aquele povo cuja capacidade de organização se vê quando o seu Presidente, por não ter onde dormir, vai para o estrangeiro e deixa o seu povo desamparado.
A ONU já se encontrava no Haiti para dar um pouco de consistência a um Estado totalmente desorganizado. Mas faltava-lhe tudo, a começar talvez pela auto-estima da gente do Haiti. Este País, maioritariamente constituído por indivíduos de raça negra, foi durante muitos anos um entreposto de escravos oriundos de Africa e cujo destino era os Estados Unidos.
No fundo quem lá ficou é porque não foi vendido como escravo e nos anos mais recentes não conseguiu emigrar para o grande vizinho do Norte. Retiraram-se milhões do seu ambiente natural em África para ficarem ancorados numa ilha perdida das Antilhas sem condições, sem meios, sem apoios. O desastre do Haiti já começou há muitos anos.
O Haiti, antes do terramoto, já estava no limite mínimo quanto às condições que oferecia aos seus habitantes. Hoje está abaixo de qualquer patamar de que se anteveja um saída desta catástrofe em termos minimamente satisfatórios e dignos no quadro da condição humana. O que está em causa no Haiti é toda uma civilização que, para ter o sucesso que teve noutras áreas, criou estas terríveis e inumanas reservas.

Aqui pode vir a falar-se de tudo. Renegam-se trivialidades, mas tudo depende da abordagem. Que se não repise o que está por de mais mastigado pelo pensamento redondo dominante. Que se abram perspectivas é o desejo. Que se sustentem pensamentos inovadores. Em Ponte de Lima, como em todo o universo humano, nada nos pode ser estranho.

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"Big Man" 1998 (1,83 de altura) - Obra de Mueck

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O mais perfeito retrato da solidão humana