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15 abril 2010

Será o abandono de uma fixação doentia?

O Congresso do P.S.D. e a eleição de Passos Coelho para líder trouxe à vida política portuguesa um efeito de apaziguamento da truculência que vinha sendo adoptada por todos os actores políticos da oposição. A Impertinência também é característica de Passos Coelho, mas ele usou-a tacticamente para se contrapor aos seus concorrentes e abandonou-a porque decerto tem a consciência que ela não leva a lado algum e era necessário uma clarificação.
Passos Coelho abandonou, pelo menos aparentemente, a fixação cada vez mais doentia que Ferreira Leite vinha manifestando em relação a José Sócrates. Haverá aqui uma clara mudança geracional, com Ferreira Leite a representar o que de pior havia no pretensiosismo de superioridade moral salazarista e Passos Coelho a assumir uma posição mais prática, mais liberal.
Passos Coelho reposicionou o seu partido em favor da clareza das posições. O P.S.D. está agora mais à direita, mas também mais coerente. O P.S.D. ter-se-á apercebido que os ataques cegos a José Sócrates, que eram feitos sem ter em conta o posicionamento de cada partido no panorama político, só ajudavam à confusão e ao favorecimento de um esquerdismo oportunista e demagógico.
Nenhum partido consegue captar apoios provenientes de pessoas que se fixam noutras áreas adoptando uma terminologia, os tiques e a maneira de proceder dos políticos dessa mesma área. As pessoas são atraídas quando se convencerem que devem adoptar uma postura diferente, quando acharem mais atraente outra maneira de agir. Se para muitos políticos é normal pensar à direita fazer política à esquerda, para a população em geral é mais normal pensar e fazer política para o mesmo lado.

09 abril 2010

Uma Ideia Idiota

Um Conselho Superior da República presidido por um ex-Presidente da República e com os Presidentes dos Tribunais Supremos é um aborto saído da boca de Passos Coelho. Por mais grandiosa que seja a tarefa de combate à corrupção parece ser ridículo reduzir aquelas pessoas a policiais do comportamento e avalista do valor de cada um.
Tão mesquinha tarefa, entregue até agora à opinião pública e à inveja social e com pouca intervenção dos partidos políticos, pode ser executada numa qualquer comissão parlamentar a quem podem ser dados poderes para inquirir, fazer perguntas indiscretas e analisar percursos de vida, de estudo e trabalho. Tal trabalho seria miserável se executado pelas ditas pessoas porque seria um atrevimento alguém ditar sentenças morais sem meios de prova capazes. Será mesmo duvidoso que alguma das ditas pessoas viesse a aceitar tão baixo exercício.
A opinião pública deixar-se-á iludir pela aparente relevo da função. Porém a pretensa importância que lhe é dada não se coaduna com a postura que se exige àquelas pessoas. A dignidade dos cargos que já antes exerceram não é compatível com uma função capaz de dar origem a imensas injustiças baseadas em juízos morais voláteis e sem necessidade de provas documentais.
Aquelas pessoas, salvo iniciativa própria, devem manter um certo distanciamento em relação ao borbulhar quotidiano da vida política corrente. Esta faz-se com golpes muitas vezes baixos, de achincalhamento pessoal, de denegrir méritos e desvalorizar capacidades. Passos Coelho começou mal.

26 março 2010

O futuro provável do PSD

O tempo corre a favor de Passos Coelho, sempre se pensou e talvez venha a ser verdade. Alguém que espera pela sua vez mostrando sempre a sua presença é alguém a quem se reconhecem qualidades. Muitas vezes são os seus inimigos mais acirrados que resolvem cerrar fileiras na impossibilidade de o vencer. E é natural que isso volte a acontecer.
O melhor amigo de Passos Coelho foi Ferreira Leite. Deixou-o na reserva para não correr o risco de estar entre os derrotados nas anteriores eleições. É o candidato do PSD que tem o cadastro mais limpo, não tem qualquer responsabilidade nos acontecimentos dos últimos anos, é um anjo cuja inocência lhe dá um carisma que ele nunca teve.
Estamos decerto aguardando as escolhas dos militantes do PSD, mas não com qualquer ansiedade, ninguém espera que ganhe alguém que possa trazer alguma mais valia para o País. Espera-nos é um futuro complicado que se deseja seja o princípio do fim do PSD enquanto saco de gatos que alberga todo o tipo de oportunistas, de gente ansiosa de ter no poder alguém a quem possa ligar o telemóvel sem perigo de escuta.
Pessoas que se dizem liberais e são conservadores, outros que se dizem sociais-democratas e são neo-liberais, outros que se dizem próximos da democracia cristã e são de extrema-direita, outros que se dizem ser do centro e na realidade estão no centro da direita, de tudo há neste PSD. Qualquer federação só será viável depois de um clarificar das águas.
Os candidatos terão contribuído alguma coisa para a clarificação, porém tudo se pode perder se o vencedor enveredar pelo populismo, esquecendo essas tendências que se deviam afirmar com um certo vigor. E o PSD também vai perder se essas tendências se diluírem com o fim de, individualmente, os seus apoiantes poderem colher alguns frutos duma hipotética vitória. Provavelmente este PSD não terá juízo.

25 março 2010

Um partido esfrangalhado e "teso"

Há um lugar garantido para o futuro líder do PSD. Esse lugar é na galeria dos “Ex” que no último congresso adquiriu uma importância acrescida e que poderá vir a constituir mesmo um Senado, uma Assembleia de Anciãos a ser convocada para que tão insignes figuras possam ensinar aos mais novos as suas experiências, talvez para que estes passem a conseguir aguentar-se mais algum tempo na liderança do partido.
Esta ideia, aparentemente sem grande importância, insere-se numa tentativa de manter unido o partido. No entanto este parece não perfilar todo com a mesma batuta, não responde todo em uníssono à voz do líder, seja ele quem for. Unir-se-iam se estivesse em perspectiva o acesso imediato ou próximo ao poder. Porém, por mais que o digam, na realidade não acreditam nisso.
Perante a falência das tentativas de criação do partido da grande direita, que, para a maioria dos sociais-democratas, só seria possível com o apagamento do CDS, está a crescer no PSD a ideia de que o caminho da clarificação passa pela fragmentação, a unidade da direita terá que vir a seguir. O problema actual do PSD, mais do que deste tipo de ideias, é de dinheiro. Falta financiamento, falta que o capital acredite nesta gente, falta que um capitalista resolva investir a sério na política.
Enquanto o PSD for um partido de tesos, em que as pessoas só vêm candidatos a governarem-se, não terão a adesão popular. Não será esta a melhor ideia que as pessoas possam ter, mas a verdade é que este sindroma está aí, e estes candidatos a candidatos do PSD a Primeiro-ministro têm um ar de pelintras que não têm onde cair mortos, sem o ar de respeitabilidade que estamos habituados a ver nessa figura do Estado.

24 março 2010

Um candidato sanguinário

O candidato a candidato do PSD ao cargo de Primeiro-ministro Passos Coelho revela todo o seu populismo na posição que toma em relação ao problema da justiça. Não tendo qualquer ideia a apresentar vira-se para o Procurador-geral da Republica, pretendendo apresentá-lo como a fonte de todos os males. Se há aí alguma verdade será um resquício apenas. No Universo da justiça a sua contribuição para a ineficiência será residual.
Passos Coelho, quando inquerido sobre os graves problemas da justiça, só tem como resposta a demissão do Procurador-geral. Mesmo que tivesse razão seria pouco, mas além disso seria uma grande justiça que se praticaria, seria um gesto gratuito e persecutório.
O populismo reside em que este candidato pretende ver uma ligação deste Procurador com o Primeiro-ministro, acusa-o de favorecimento indevido, sem que mostre qualquer procedimento que tenha sido tomado nesse sentido, qualquer fuga aos preceitos legais que se deveriam aplicar à intervenção que ele teve numa tentativa de um sector judicial avançar com uma queixa contra Sócrates. Passos Coelho está isolado com a sua opinião precipitada mas dá-lhe jeito afrontar desta maneira Sócrates.
O populismo paga-se caro. Ao querer dizer que os problemas da justiça se resumem à interpretação de um caso é falta de honestidade intelectual e um grave erro que pode trazer consequências nefastas se alguma vez esse senhor vier a conseguir os seus objectivos. Uma pessoa que pretende dar um ar de ser capaz de tomar decisões, que não tem medo de usar o poder que lhe pode cair nas mãos quer decerto agradar aos seus correligionários sedentos de sangue, desesperados com tanto tempo de afastamento do poder.

20 março 2010

Os candidatos do PSD são um puro deserto de novas ideias

Os candidatos a candidatos do PSD ao cargo de Primeiro-ministro, têm um outro domínio a que recorrem quando lhes dá jeito para dar exemplo de uma boa aplicação do dinheiro público de forma a incentivar a economia. Esta ideia de canalizar todos os recursos para a indústria social, como outras ideias, não é deles. A ideia de recuperação dos Centros Histórico é do B.E. e a indústria social provém do CDS e dos círculos que lhe são afectos.
Ninguém duvidará da importância cada vez maior da indústria social na sua acepção ampla. Nesta perspectiva é uma indústria do tipo da hotelaria mas vocacionada para a prestação de serviços sociais às pessoas mais dependentes. Pode ter fins lucrativos ou não. Na sua acepção restrita é dito que a indústria social é patrocinada por associações e organismos sem fins lucrativos. Ainda podemos chegar a uma acepção mais restritiva se incluirmos apenas a indústria que é subsidiada pelo Estado.
São pois os interessados nesta indústria que reclamam uma participação cada vez maior do Estado na subsidiação da sua actividade. Quando não há fraudes, muito frequentes nesta área, mas mantidas no desconhecimento da população, é uma actividade de louvar e nunca serão demais os recursos que se possam canalizar para ela. No entanto para isso é necessário que o Estado seja rico, que haja uma actividade económica sólida que canalize para o Estado impostos para manter esta e outras máquinas a funcionar.
O problema será este. O Estado deve estar em condições de subsidiar os investimentos necessários para os equipamentos sociais. Outra coisa diferente é pagar quase integralmente a manutenção dos serviços de apoio social. Quanto mais investimentos maior é a factura a pagar todos os anos pelo Estado, tornando-se assim um encargo permanente. Ora isto só irá agravar os problemas que o Estado já tem.
O problema imediato do Estado não passa pois por aqui, isto é o fim da linha. Conseguir pôr a economia a produzir bens vendáveis, a exportar, a ter inovação e capacidade competitiva seriam domínios em que se esperaria a contribuição deste candidatos a candidatos. Porém sobre isto não têm ideias, é o deserto puro.

18 março 2010

A escolha já está feita e sem surpresa

A presidência do PSD é um lugar de muito poder, ambicionado por muitos, que faz sonhar outros tantos. Tem poder pela herança, pela projecção política que ainda têm, pela projecção social de que ainda desfruta. No entanto o Presidente do PSD tem cada vez menos poder e nenhuma autoridade sobre os seus próprios correligionários. A Presidência do PSD mantém-se como um pedestal alto, mas que balança cada vez mais.
Uma das razões para este facto é a força da corrente liberal dentro do partido que, tendo segundo alguns uma legitimidade histórica, vem corroendo muitos dos alicerces tradicionais do partido. Assim o partido interclassista criado à revelia das correntes políticas tradicionais tem tendência a acabar, nele se vendo já uma clara divisão, uma rotura entre classes cujos interesses vão divergindo.
Outra das doenças de que o PSD sofre é o peso que os autarcas têm num partido cujas bases populares foram substituídas por esta base de interesses instalados. Estes autarcas respondem perante os barões, mas são cada vez mais insubmissos em relação à forma como estes gerem as suas clientelas. Como os barões têm cada vez menos benesses a distribuir, como se tornaram mais egoístas, como deixarem de dispor de tantas empresas públicas, como o Estado está cada vez mais pobre, há menos respeito por eles.
Pedro Passos Coelho é o político que mais agrada aos autarcas do PSD e portanto vai ganhar. Junta a agressividade própria da base actual do PSD, sedenta de manifestar na vida pública o seu poder, com a simplicidade das suas ideias. O que manifestamente não consegue é agradar aos outros barões que se vêm suplantados por um outsider leviano e inseguro. Passos Coelho é aquele sargento que vai subindo na hierarquia à medida que os oficiais se vão queimando nas suas lutas intestinas.

17 março 2010

A fraca prestação da oposição social-democrata

Todos os sociais-democratas acham que ontem já era tarde o seu regresso ao poder. Todos arreganham os dentes ao seu adversário mais temido com a ideia, julgo eu, de desmoralizar os seus apoiantes. Todos afinam pelo mesmo diapasão o seu discurso sobre a crise, atribuindo-a a Sócrates ou quando muito aos últimos quinze anos em que eles próprios estiveram tão pouco tempo no poder e tanto mal fizeram. Todos prometem resolver todos os problemas, mas paradoxalmente falham na recta final.
Naquilo que é património adquirido pelo seu partido nos últimos anos todos, no estilo, na forma, na postura perante os seus parceiros de ocasião, em nada há uma distinção clara entre aqueles que se digladiam pelo obtenção do facho com que liderarão as suas hostes nos próximos tempos. As diferenças não se revelam em termos de discurso oposicionista.
Seria pressuposto que então divergissem em relação ao futuro, em relação ao que pretendem fazer, se acaso chegassem ao poder, principalmente sendo claro que não conseguirão pela sua parte qualquer maioria absoluta e terão que negociar com alguém, que também se pressupõe só pode ser o CDS-PP. Sobre isso dizem generalidades, com o simples intuito de se mostrarem mais ou menos liberais.
É muito pouco para o PSD escolher bem o seu novo líder. Em última instância fá-lo-ão por fé, por acreditarem que seja a melhor pessoa para fazer barulho, não para governar. Acima de tudo pensam que o povo irá atrás do mais desbocado, do que mostrar mais arreganho. O melhor arlequim receberá o voto popular, pensam. Não são decerto actores desta qualidade a merecer palmas, muito menos votos.

15 março 2010

A verdade precisa da Lei da Rolha para se afirmar?

Que o P.S.D. é um saco de gatos já todos sabemos. Que esse facto é preocupação de muita gente também é verdade. Como ninguém sabe como há-de resolver esse problema, nem ninguém acredita que ele se resolva por si brevemente, Santana Lopes entendeu que o melhor seria dotar os estatutos de uma norma que permitisse calar os insubmissos.
À semelhança da suspensão da democracia por um dado período proposta por Ferreira Leite, esta privação de liberdade de expressão no período anterior às eleições é só mais uma tentativa de calar todos aqueles que não concordem com a orientação seguida. Para falarem já lhes chega até aos sessenta dias. Depois deixem que o líder se afirme sozinho com um coro de aplausos.
O mais estranho é que dentro do Congresso e nos seus trabalhos preparatórios todos concordaram com a norma porque não querem ter ruído à sua volta. Porém, quando a imprensa saiu a terreiro invocando esse abuso, todos correram a dizer que não têm qualquer responsabilidade na sua aprovação e até dizem ir propor a sua revogação rápida.
A lei da rolha seria óptima para criar mártires, mas não deve ser essa a intenção dos seus proponentes. De qualquer forma, por mais boas intenções que eles tivessem, mesmo que aceitemos que essas intenções de penalizar alguém por delito de opinião só seriam para pôr em prática em casos de claro excesso, a dimensão dos seus efeitos perversos, não pretendidos, põe em causa a validade da norma.
A lei da rolha foi a pior maneira de acabar um congresso introspectivo. Porém foi revelador que as verdades que alguns alardeiam não são assim tão sólidas e até os seus correligionários se atrevem a pô-las em causa. Afinal há quem pense que a verdade precisa de uns outros apoios mais musculados para se poder afirmar.

14 março 2010

Os líderes já despachados e os pretendentes a novo despacho

Hoje a política desenrola-se a três níveis claramente distintos. São raras as pessoas que se movimentam bem em dois deles, mas todos procuram fazê-lo. Como todos eles pensam que desempenham bem o seu papel de actores raramente desistem e deixam lugar a outros. Os que querem entrar é melhor prepararem-se para mais de um nível antes de entrar.
O nível mediático é o das primeiras figuras. Se não desempenharem qualquer papel a outro nível têm uma grande dificuldade em se afirmarem inicialmente, mas podem ser intransponíveis após a sua afirmação. A fragilidade inicial pode redundar numa dureza de posições subsequentes.
O nível intermédio é o dos técnicos. Estes têm muita dificuldade em se afirmarem e mesmo em se manterem. São eles que respondem pelos resultados quando negativos e são esquecidos quando positivos. É um lugar ingrato e como tal tem tendência a ser bem pago.
O nível de apoio é o dos financeiros, os poderosos, os que alimentam os outros níveis. São eles os apoiantes mais procurados, cujas ideias não precisam de ser escrutinadas e cuja ética não necessita de ser aferida. No entanto, podem não ter influência directa na orientação politica geral, mas não prescindem de ter uma influência directa nas áreas do seu interesse.
Quando se observava um Congresso como o do P.S.D. era vulgar ver as pessoas destes três níveis a expressarem-se, a aparecer ao menos. Neste Congresso quase tudo foi entregue aos mediáticos, não houve rasgos que introduzissem luz naquelas trevas. Só se ouviu a já tradicional competição para saber quem dentre eles diz pior do inimigo.
Para completar e não tornar tão morna a sessão houve a animação inicial entregue aos líderes já despachados, chamados a dar algum ânimo àqueles que agora se metem na carga de trabalhos que é dirigir um partido assim.

05 março 2010

O P.S.D. na sua generosidade tem muito … ainda a dar

O P.S.D, está desesperado por assumir o poder, nunca acredita em que o não merece, antes pelo contrário. Quando lho não dão torna-se birrento e malcriado. Perdeu as eleições, mas acha sempre que foi porque a ocasião não lhe era favorável. Agora sim a situação está madura para uma mudança de governo. No entanto o seu candidato a candidato está ainda em gestação, vão lá governando porque nos convém, dizem.
Porém a possibilidade de o P.S.D. conseguir uma maioria de direita com o C.D.S. não parece ser para os próximos tempos. Tanto faz parece pensarem porque a moção de censura para ter sucesso também precisa do voto da dita esquerda e esta viabilizará com certeza um governo minoritário de direita. Esta crença não é no entanto igual para os três potenciais candidatos.
A avidez é maior da parte de Passos Coelho, moderada em Aguiar Branco e mais realista em Paulo Rangel, aparentemente em contradição com o temperamento de cada um. Também aqui se concluiu que por vezes os políticos tomam atitudes discordantes com aquilo que o seu percurso pressuporia somente porque são arrastados para si pela posição adoptada pelos seus oponentes. A construção de um espaço próprio leva a muitas incoerências e alterações de posição aparentemente inexplicáveis.
É gente pronta a dar o corpo às balas, disso não tenhamos dúvidas, até porque os seus apoiantes não lhes perdoariam que fosse doutra maneira. Se algum morrer na luta, logo se levantará outro, afinal não falta quem queira liderar um partido tão generoso como o P.S.D. andarão ao murro hoje. Mas amanhã ninguém ficará surpreendido se andarem aos beijos. De mulheres é que não gostam. Só escolheram a Ferreira Leite porque era o homem mais duro que tinham na ocasião.

16 fevereiro 2010

O P.S.D. precisa de uma maior cura de oposição

Na escolha do futuro líder do P.S.D. os seus militantes inclinar-se-ão nestas circunstâncias para o mais agressivo, não necessariamente para aquele que tenha mais hipóteses de construir uma alternativa ao P.S., nem sequer talvez para aquele que tenha hipóteses de vir a obter melhores resultados. Os ânimos estão tão acirrados que muitos adeptos do P.S.D. antes querem perder com um candidato truculento do que ganhar com um candidato mais soft, mas mais sério.
Mas também haverá aqueles que acham que um candidato do género bombástico, imediatista, pragmático será o mais adequado numa altura em que se coloca a hipótese de eleições a curto prazo. Assim não seria necessário elaborar grandes programas, justificações consistentes porque não seria preciso convencer ninguém, tão só seria preciso ocupar o vazio. Porém tal estratégia já provou com Ferreira Leite não ser vencedora.
Para quem ainda não retirou todo o crédito a um partido tão volátil como o P.S.D. o desejo seria que elaborasse um programa e uma metodologia que estaria disposto a aplicar na governação do País e não tivesse pressa porque os exemplos anteriores são prejudiciais para si, não tendo levado a resultados positivos também para o País. A situação é porém favorável ao deserto de ideias a que todos nos habituarem.
Para quem faz do P.S.D. a fonte de toda a força da direita neste País e portanto deseja que ele vá definhando, mesmo que com benefício de uma direita mais radical instalada no C.D.S., é natural que deseje para candidato do P.S.D. o pior de todos os que se anunciam. Mas mesmo a estes se deparam duas cambiantes: Podem querer um candidato perdedor ou um candidato que ascenda ao poder pela sua demagogia e se venha a estatelar a curto prazo.
É verdade que sem passar por certas experiências nunca mais as abominaremos. Abominamos o Comunismo porque se mostrou de modo claro a toda a gente o seu carácter perverso. Abominamos o Salazarismo porque sabemos o que ele representou de atraso, sofrimento e apatia. Mais recentemente Santana Lopes foi a vítima do confronto do voluntarismo com a realidade. Outro candidato voluntarista pode ter por esta razão poucas hipóteses.
O P.S.D. não se apresenta em condições de ascender ao poder. Será pois melhor ficar arredado deste por mais uns tempos.

12 fevereiro 2010

Do saco de gatos saiu um zaganeiro

Do saco de gatos que é o P.S.D. saiu um gato assanhado, Paulo Rangel. Este bichano demagogo quis antecipar-se à apresentação da candidatura de Aguiar Branco prevista parar sexta-feira. Uma jogada de antecipação tão evidente que o seu efeito será provavelmente nulo. Hoje já ninguém anda desprevenido para embarcar no primeiro cacilheiro que lhe aparece.
A sua insistência em rotura, rotura e mais rotura só revela que terá sido ele o conselheiro mor de Ferreira Leite que veio logo de início com esse discurso mas teve que inflectir para não ficar desacreditada. Será que este desbocado acredita mesmo que o povo acredita em profetas da desgraça?
Passos Coelho vai ter pois com quem discutir o rumo a tomar pelo P.S.D. Espero que venha a ser definido qual a doutrina política que os anima, em que lado do neo-liberalismo cada um deles se situa, qual a posição de cada um em relação ao sistema de segurança social, particularmente em relação ao sistema de reformas de que as pessoas possam vir a beneficiar na sua velhice.
Estes e muitos outros temas, em que a educação e a saúde são as mais relevantes, são aqueles em que estes candidatos demonstrarão se estão a favor da capitalização total da sociedade ou prevêem poder existir algum espaço para a solidariedade. Isto de se procurar saber qual é o mais anti-Sócrates é uma curiosidade mórbida. O que interessa saber, para o que devemos estar mais atentos é para o grau de anti-socialismo que cada um transporta.
A direita tem um dilema que a tolhe. Se tudo se clarificar, se se mostrar ao povo na sua nudez é natural que perca apoios daqueles que conseguem influenciar enquanto se mantém esta nebulosa sobre as suas reais intenções. Até aqui a direita tem-se visto bem a causar confusão, a sua ambição era chegar ao poder com um cheque em branco, mas vai ter que dizer ao que vem se quer ter hipótese de ser mais do que um estorvo para o País.

04 outubro 2009

Exige-se ao PSD de Ponte de Lima clareza de propósitos

Ponte de Lima é o concelho mais retrógrado do Alto Minho. A direita sempre cá ganhou folgadamente e a esquerda a custo consegue um terço do eleitorado nas eleições legislativas e até já esteve fora do Executivo Municipal. O PS recuperou há oito anos um vereador em sete após uma ausência de 12 anos e resistiu há quatro anos. Desta vez pode deitar outra vez tudo a perder, que é o que acontece quando há uma bipolarização à direita.
Na realidade mesmo sendo à direita Ponte de Lima anseia por uma mudança. Aqui sim há asfixia e não é pouca. Mesmo sabendo do carácter mesquinho de que são possuidores os militantes sociais democratas mais destacados, capazes de fazer chantagem sobre Ponte de Lima quando estão no poder em Lisboa e de pôr em causa os interesses de Ponte de Lima para agradar ao poder de Lisboa quando ele é seu, em Ponte de Lima há a ideia de que valia a pena correr o risco e dar-lhes uma oportunidade.
Infelizmente o PSD local não consegue ver para além da sua cartilha e decerto os seus líderes nacionais mais lúcidos dispensá-los-iam de serem mais papistas que a Papisa. Não consegue ter ideias próprias a que dê mais importância do que as controversas ideias vindas de Lisboa ou, quando muito, vindas, via Paulo Morais, do Porto. Não consegue desenvencilhar o novelo de interesses em que a maioria dos seus homens mais conhecidos está presa.
O PSD local, perante a impossibilidade de unir esforços dos seus, só irá lá se clarificar quais os apoios que aceita ou não, quem fala ou não pelo partido, se afirmar que está disposto a fazer oposição clara seja qual for a evolução politica a nível nacional.
O PSD só lá irá se conseguir fazer um nó cego a todos os que falsamente são seus apoiantes e antes congregar apoios entre todos os desiludidos com a política local, mesmo vindos do CDS. Apoios para o nível nacional como o de Gaspar Martins são perniciosos, apoios para o nível local agradeciam-se porque pensamos ser o cabeça de lista do PSD garante de não haver negócios obscuros através de contrapartidas de qualquer natureza.

20 abril 2008

Em estado de nojo por entre armadinhas e novelos

O homem está em estado de nojo. Vai estar vigilante, não vai andar por aí, mas sim vai estar aí mesmo. E tanto é verdade que já veio dizer: Vai ganhar quem ele apoiar, e quem ele apoiar não vai ser mais do que uma segunda escolha. Isto é, a primeira escolha só pode ser ele.
Filipe Meneses quer ser o pai e colocar na liderança alguém que seja um pau mandado. Normalmente estas coisas são ao contrário. Alguém que marcou um regime e por qualquer impossibilidade delega noutro uma liderança temporária. Mas este Filipe não tem uma herança para deixar, não tem nem um conjunto de ideias, uma ideologia, nem um conjunto de práticas com aplicação comprovada, uma política.
Filipe Meneses quer que alguém faça aquilo que ele não conseguiu fazer, sem que se saiba propriamente o quê. Quem será que se sujeitará a esse papel de ser um joguete na mão de alguém tão inconstante como ele? Ou o seu propósito será mesmo o de que não apareça ninguém que lhe queira agarrar o facho e ele possa ressurgir como a única solução?
O futuro do PSD está cheio de armadilhas destas. Todos se julgam senhores de uma coutada qualquer, mas este agora ultrapassa tudo e julga-se senhor quase do reino. Filipe convence-se que tem as bases na sua mão, isto é, os autarcas. Para isso já lhes deu uns rebuçados, negou-se a apoiar a Lei Eleitoral que o PSD tinha apoiado. Filipe apoia-se na parte mais desregrada, desordenada, empírica e porque não corrupta da política.
Mas além das armadilhas, o PSD está cheio de novelos. O mais famoso é o Santana Lopes/Filipe Meneses. Mas também nesta caso o Filipe parece querer ganhar ascendente, retirando a Santana o seu próprio espaço de manobra. Até que ponto este se conformará a ser aguadeiro de quem é manifestamente mais fraco do que ele mesmo?

19 abril 2008

A ansiedade psicopata do PSD

Não é fácil pôr aquela máquina, o PSD, a trabalhar para aquilo que seria pressuposto ser a razão da sua existência, o interesse nacional. Claro que nem todos podemos ter o mesmo entendimento sobre esse interesse, mas seria expectável que os seus principais dirigentes soubessem o que querem.
O mal do PSD, aquilo que leva muito boa da sua gente a perder as estribeiras, a ir por caminhos ínvios, é a ansiedade com que vêm as próximas eleições legislativas. A maioria dos seus militantes está pronta a vender tudo, inclusive a alma, por ganhar essas eleições.
O afastamento do poder faz perder a cabeça a muito boa gente. A doutrina política do PSD é a gestão corrente dos interesses do Estado, casuisticamente, oportunistamente, clientelarmente. Aleivosamente os seus dirigentes mais aguerridos falam de falta de liberdade de falar quando o seu problema é não saber dizer nada de jeito.
O que incomoda o PSD, todos os seus actuais, possíveis e imagináveis dirigentes é o que lhes mostra o afastamento do poder. Essa falta de liberdade que não existe, a não ser para os malcriados e verbalmente destravados que proliferam nas suas hostes, é um sinal de quem sente que tem uma falta visceral de poder.
A quem não falta poder é ao JJ, súmula de tudo aquilo que no PSD é mais execrável, detestável e odioso. Esse até pode chamar louco ao Aguiar Branco e a qualquer outro que lhe apareça e não pense como ele. E todos se vergam despudoradamente perante tão insolente figura.

18 abril 2008

Que sucessão para estes demagogos do PSD

Inesperadamente Filipe Meneses convocou eleições directas para a direcção do PSD. A sua posição era insustentável face à impossibilidade prática de atingir os seus próprios objectivos. Colocou a fasquia alta mas deixa também para os outros a fasquia à mesma altura.
Filipe Meneses não tinha condições para agregar à sua volta tantos barões quantos os necessários para ofuscar aqueles que se quiseram pôr desde logo em oposição a si. O seu grupo mais próximo de apoiantes era da mais baixa qualidade.
Independentemente de a manutenção de Filipe Meneses poder ser a garantia da vitória de José Sócrates, a verdade é que o País se livrou de viver uma situação de esquizofrenia colectiva, que em nada lhe era favorável. Quem vier a seguir que queira manter este clima de uma ansiedade doentia que destoa com o sentimento mais geral da população, está de igual modo condenado ao fracasso.
A população pode ter razões de queixa, pode sentir que há coisas que poderiam ser feitas de modo um pouco diferente, mas decerto que já não acredita em demagogos da estirpe deste grupo que se congregou à volta de Filipe Meneses.
Pelo que se vê, pelo exemplo de alguns que se colocam na rampa de lançamento como António Borges, parece que não devemos ter esperança. O mesmo afã na tentativa de destruir o trabalho da governação vai continuar. O PSD profundo está refém desta forma primitiva de fazer política.

16 abril 2008

Menos poeira precisa-se!

A vida privada de José Sócrates tem sido motivo de um interesse mórbido, até sem paralelo em Portugal. Sócrates suscita ódios de muitos camafeus e talvez isso justifique tudo para essas pessoas. Numa nova tentativa para denegrir Sócrates veio agora a lume, pela voz verrinosa de um social-democrata, um pretenso favorecimento a uma amiga pessoal do primeiro-ministro.
O caso é apresentado com contornos de um compadrio rebuscado, com a ponta do cordel puxada por uma jornalista do Diário de Notícias e com Sócrates na outra ponta, algures na sombra, por trás da RTP2. Os sociais-democratas sabem bem como estas coisas se fazem, só que neste caso a especulação os conduziu ao erro.
Infelizmente nem que acertassem não lucrariam grande coisa com a denúncia. A nossa sociedade tem o compadrio embrenhado na sua alma. Mete-se cunha para garantir o justo e o legal, como se mete para ultrapassar e prejudicar os outros. Pela impunidade com que isto se faz, passou a ser aceite que se dê aos amigos os bons empregos, até mesmo que se venha a poder utilizar a chantagem para conseguir favores de todo o tipo.
Pela vulgaridade qualquer denúncia há-de beliscar sempre um amigo, um correligionário, um contribuinte para a nossa bolsa pelo que o melhor é deitar poeira para cima. Estas denúncias despropositadas não ajudam nada a alterar este estado de coisas, antes pelo contrário. Teriam que vir de gente acima de qualquer suspeita, mas esses não aparecem na televisão.

15 abril 2008

Menos irascibilidade precisa-se!

João Jardim está a tornar-se de todo irascível. Quando há uns tempos se virava apenas para o continente, insultando-o e acusando-o de todos os males, agora já não tolera muitos daqueles que diz defender. Se paternalmente lhes chamava até aqui ingratos agora chama-lhes loucos.
João Jardim de modo algum aceita que lhe não agradeçam o simples facto de existir. É natural que, quanto mais próximo estiver do seu fim físico se sinta com cada vez maior necessidade de exaltação da sua imagem. Este tipo de pessoas sofre até à urna pela falta de um clone.
Com a oposição mais activa nas suas ilhas, João Jardim tem dificuldade de se abstrair do ruído de fundo, da contestação que atrás de si se desenvolve. Habituado a ocupar todo o palco mediático, deslumbrado com a sua própria obra, maravilhado com a sua possibilidade de dizer tudo, hipnotizado pelo poder que absolutizou, as palavras saem-lhe fluentes com a certeza da impunidade que a sua caricata figura suscita.
Só a seriedade das posições do Primeiro-Ministro e do Presidente da República, e os protestos de quem não é louco como ele, podem ajudar a melhorar este estado de coisas. Pode ser que João Jardim, que está hoje mais perto do burlão do que do palhaço sério, olhe um dia para o espelho e opte por inverter a sua marcha descendente para a degradação.
A comunicação social pode ajudar muito neste aspecto porque por ela passa o que a sociedade coloca na distinção entre o burlesco e a javardice. A comunicação social deveria fazer a clara demarcação entre o que é o riso saudável, comunicativo, que até deve ser incentivado e o riso mórbido, negro, que muitas vezes aceitamos, mesmo a contra-gosto, porque nos não é dirigido, mas que deve ser sempre repudiado.

11 abril 2008

Mais rigor precisa-se!

Em Portugal criou-se uma situação bizarra que permite que os dirigentes sociais-democratas andem a dizer que Sócrates não está a cumprir os seus compromissos. Ora nem os sociais-democratas são os fiéis depositários de quaisquer garantias que o sistema desse a quem vote por compromissos, nem a base social de apoio socialista, a não ser umas franjas, o que é natural, deixou de acreditar em Sócrates.
Embora muitos perguntem para que se faz eleições, não há dúvida em que todos os princípios democráticos dão razão a Sócrates. Seria impensável que, por Sócrates dizer que não iria aumentar os impostos, os não aumentasse quando isso era imperioso pelas mais diferentes razões, incluindo pelos acordos estabelecidos no âmbito da Comunidade Europeia.
Seria impensável também convocar eleições ou um referendo nacional para esse efeito. Ninguém gosta de mais impostos, poucos se convencem da sua imprescindibilidade, mas todos querem apoio do Estado. A base social de apoio de Sócrates poderá é quer mais apoio do Estado, politicas sociais mais activas, pelo que na sua maioria não é propriamente contra a existência de impostos. Pode é contestar a sua distribuição e falta de rigor na sua aplicação.
Se a direita económica, a mais racional e prática, aceita o sistema de impostos, porque é que a esquerda os não há-de aceitar, já que sem eles não há sistema possível de política social e redistributiva. A política de impostos só deve ser contestada pela esquerda quando ela constituir um entrave efectivo ao desenvolvimento económico. Isto é, a direita será a primeira a rejeitá-la quando isso se verificar. Empenhemo-nos antes no rigor da sua aplicação.

Aqui pode vir a falar-se de tudo. Renegam-se trivialidades, mas tudo depende da abordagem. Que se não repise o que está por de mais mastigado pelo pensamento redondo dominante. Que se abram perspectivas é o desejo. Que se sustentem pensamentos inovadores. Em Ponte de Lima, como em todo o universo humano, nada nos pode ser estranho.

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Ponte de Lima, Alto Minho, Portugal
múltiplas intervenções no espaço cívico

"Big Man" 1998 (1,83 de altura) - Obra de Mueck

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O mais perfeito retrato da solidão humana