22 janeiro 2008

Um Serviço Público de Saúde não é uma simples porta aberta

Ser ministro neste País é um acto de coragem, embora constituísse para todos um momento de glória irrenunciável, por mais pequeno que fosse. Valha-nos a televisão que nos vai dando a palavra esporadicamente. Ser ministro tão exposto como o é o nosso Ministro da Saúde é quase uma temeridade, o que, é bom que se diga, também está no espírito de muitos de nós.
Levando grande parte do Orçamento de Estado, estando sujeito ao escrutínio diário da população e ao controle apertado do Ministério das Finanças, gerindo um campo em permanente evolução, cujas soluções de hoje depressa se tornam obsoletas, o Ministro da Saúde mantém a firmeza de quem tem a razão do seu lado e o apoio social que não é manipulado pelas forças ultra-liberais da direita, com a conivência suicidária das forças esquerdistas.
Conseguir estruturar redes de cuidados primários, continuados, de emergência, etc. que possam dar uma cobertura satisfatória ao País e a sujeição aos condicionalismos de pessoal, de orçamento e às resistências naturais e artificiais à mudança, exigem a solidez técnica, humana e política de um homem como Correia de Campos.
Não é fácil a estruturação de um Serviço Público de Saúde em que haja complementaridade, competência e racionalidade. Todas as falsidades têm sido utilizadas para o atacar, que os políticos da oposição têm claramente menos receio de atacar os políticos não profissionais ou não aparelhistas, do que os donos do aparelho adversário.
Já viram como é diferente meterem-se com Correia de Campos e meterem-se com os pesos pesados do P.S.?
Seria péssimo que Sócrates substituísse Correia de Campos por um dinossauro aparentemente mais identificado com o P.S.

21 janeiro 2008

L.F.M. um perigoso cascadeur

Um operador de comunicações via telemóvel, por acaso o mais fraco do mercado, lançou uma campanha que visa alterar a sua imagem e claro ganhar clientes e cujo custo é de 32 milhões de Euros. É a verba estipulada para o orçamento da Câmara Municipal de Ponte de Lima e que permite dizer que é esse o custo, um ano de trabalho, que terá de ser suportado por quem queira mudar a imagem de Ponte de Lima.
Ponte de Lima tem que se desligar urgentemente dessa imagem que nos trás à memória o triste episódio do queijo limiano. Mas creio que não será necessário pagar tanto. Quem vai pagar para que a imagem do seu partido se transforme é o L. F. Meneses. Ele assim o quer e até vai mudar de sede nacional para mostrar que com ele tudo vai ser novo.
A ideologia já a pôs em estilhaços. Vai vigorar o mais puro liberalismo, seja qual for o domínio da acção do Estado. Este vai-se limitar, como nos velhos tempos, a cobrar impostos, fiscalizar a aplicação dos bons princípios e aplicar sanções e correctivos àqueles que se desviam do seu sentido único. O resto é com os patos bravos.
A social-democracia que mesmo assim ainda vai tendo em Cavaco Silva e em mais alguns militantes desse partido uns esforçados resistentes, corre o perigo de levar com o camartelo de Meneses.
Ele já avisou, não quer opositores e porá tudo em cacos em seis meses. Se o deixassem, digo eu. Este saltimbanco, este homem que salta para cima de tudo que mexe, um cascadeur eventualmente será muito fino para ele, ainda se vai estilhaçar em cima de alguma casca de banana.

20 janeiro 2008

L.F.M. só se mete em más companhias

Está visto que as perspectivas de Luís Filipe Meneses não vão além do olhar de um Pato Bravo. Antevendo uma crise mais profunda na construção civil e obras públicas este Sr. preocupou-se logo que passou a liderar o P.S.D. e chegou a propor um “pacto de regime” que determinaria as grandes obras a entregar a estes ditos. Garantir trabalho seria o objectivo.
Agora acha que a estes industriais deveria ser dada oportunidade noutros sectores. Depois de vermos construtores a edificar hospitais, centros de saúde, escolas, L.F.M. quer que os vejamos a gerir estes equipamentos para glória da iniciativa privada.
Assim eles ensinassem ao povo como é possível estar tão bem de saúde como eles e como é possível enriquecer em tão pouco tempo. Mas não seria esse o seu objectivo se é que podemos já aceitar que quando L.F.M. fala e sita tanta gente desde banqueiros, políticos, jornalistas, comentadores, o faz com autorização, reproduz fidedignamente as suas ideias ou quer agradar ou queimar alguém. Nunca saberemos.
Que se cuidem os construtores que com este amigo o seu negócio não ganha clareza, antes parece mais escuro e tenebroso. L.F.M. não apela à iniciativa privada em abstracto para desempenhar funções que estão a ser desempenhadas pelo Estado, não estou a discutir com que qualidade, o que seria legítimo.
Além da sua feroz vontade de tudo privatizar, que será legítimo pôr em causa e discutir, L.F.M. mete uma cunha por um sector específico que, mesmo depois de tanto suborno pago a políticos e intermediários, ainda está pelos vistos disposto a pagar mais com tanto dinheiro que tem para investir.

19 janeiro 2008

O Oeste Europeu – Portugal no Centro da Europa

Esta ideia publicitária do Oeste Europeu é infeliz porque nos põe na margem, afinal no local em que nós nos sentimos em relação à Europa. Mesmo que pretenda remeter para uma simbologia americano do tipo “Costa Oeste”, terra do filme, da informática, de muitas outras manifestações de todo o género que estão na vanguarda das realizações e do pensamento, não se vê onde está a semelhança e onde pode conduzir tal pretensão.
Estando de facto na margem, estamos de certo modo marginalizados, não de facto, mas mais pelo nosso próprio preconceito. Nós da Europa conhecemos mais os Espanhóis, os Ingleses e os Franceses. Pode-se dizer que preenchem 90% dos nossos contactos, somando todos os tempos de aliança, de guerra, de intercâmbio de todos os tipos.
Dos restantes países ainda se poderia destacar a Holanda, a Itália, a Alemanha mas com significados, permanência e relações perfeitamente limitadas. Os outros estão no domínio do perfeitamente esporádico até há anos atrás. O que não quer dizer que nos sejam estranhos, antes pelo contrário, sempre nos preocupamos de longe com o que nesses países se passava.
A nossa ambição deve ser estar no cerne da Europa, participar com estes povos que conhecemos bem na criação de um espaço de paz. Agora que deixamos de desempatar na guerra entre eles, agora que a Alemanha enterrou a sua espada, contribuamos para nos unirmos mais, com justiça e igualdade.
A única maneira de não precisarmos da Inglaterra ou da França é termo-los como aliados comuns, participarmos no núcleo vital da Europa. Se solidificarmos as nossas relações e estabelecermos os laços da paz, esta também vai ser desejada pelo resto do mundo.

18 janeiro 2008

Uma base europeia para um internacionalismo a caminho da paz

Na Europa germinaram ideias monstruosas, mas também ideias generosas. A diversidade de povos, a divergência de percursos, as dificuldades de organização da sociedade, a luta por recursos e por espaço levaram a centrar a orgânica social em núcleos de âmbito limitado a nível continental.
As tentativas de imperialização exacerbaram as diferenças e levaram aos nacionalismos que se foram apresentando como libertação e que acabaram triunfantes e a ser assumidos com uma naturalidade inesperada em tudo contrária à difusão de ideias benévolas e tolerantes.
As ideias mais retrógradas, egoístas e conflituosas associadas àqueles nacionalismos extremos deram lugar a catástrofes humanitárias e civilizacionais imensas. A afirmação própria sempre foi apresentada como derivando da necessidade de antecipação em relação à afirmação alheia e isto só por si permite que as pessoas pensem que tudo é permitido.
Só quando a barbárie foi levada ao seu extremo mais irracional os europeus, que genericamente não cultivavam ideias malévolas, se aperceberam que é necessário transcender a sua irracionalidade “impondo” aos povos uma colaboração vista como contra natura, isto é, na tentativa de alterar o material genético herdado e esquecer o trabalho em séculos de luta feroz.
Só assumindo este passado e consciencializando-nos dos malefícios do nacionalismos estamos em condições de aspirar à paz e ao progresso mais harmonioso. Só centrando a orgânica social num núcleo de base continental construiremos uma base consistente para a paz internacional.

17 janeiro 2008

Uma oportunidade para quem a não merece

Ouvi falar de guerras, de mortandades, de humilhações que se iam sucedendo por essa Europa fora. Uns achavam-se no direito de oprimir outros, outros revoltavam-se contra os vexames a que eram sujeitos. Povos inteiros sofreram por culpa de uns poucos cujo desnorte levou a pôr várias vezes a Europa a ferro e fogo.
Vítimas inocentes foram aos milhões e às vezes só por se encontrarem no caminho entre os que pretensamente queriam fazer justiça sobre nações indefesas. Outros só por se terem integrado durante séculos nos países europeus e alguns megalómanos terem fomentado a sua rejeição.
Na minha juventude havia uma tentação de nos colocarmos ainda de um ou de outro dos lados das várias barricadas que se foram formando na Europa durante os últimos séculos e em particular após a revolução francesa. A última grande guerra tinha sido tão brutal que os seus efeitos ainda se faziam sentir.
Entretanto já tinham sido lançados à terra os alicerces da nova Europa que, devido ao nosso isolamento só fomos conhecendo pelos nossos imigrantes. Essa é a Europa da paz a que vale a pena estarmos associados porque não deseja que se formem novas fronteiras, não quer fomentar desigualdades, superioridades, ressentimentos.
É esta Europa que esta pretensa esquerda agarrada a estereótipos ultrapassados não se cansa de atacar, utilizando todas as oportunidades. O referendo só seria mais uma para poderem dar azo ao seu vanguardismo igualitarista sem nexo e sem senso.

16 janeiro 2008

Um manual de conduta é necessário

Todos os partidos políticos deveriam editar um manual de conduta política para servir de guia aos seus militantes e dirigentes, de garantia para os seus eleitores e de referência para os seus adversários.
Todos os partidos políticos se deveriam pronunciar sobre o manual de conduta política dos membros dos outros partidos para que eles possam saber da sua dignidade, para que os seus eleitores saibam em que tipo de pessoas estão a votar, para que os seus adversários se possam defender quando é posta em causa a sua própria forma de mediar entre os interesses individuais e os da colectividade que duplamente representam.
Todo o manual de conduta política de qualquer partido político deveria incluir todos os valores colectivos que são mais importantes que quaisquer valores individuais para que os candidatos a serem seus membros pudessem avaliar essa hierarquia de valores, os eleitores pudessem partilhar esses valores e os adversários não pudessem vir a fazer declarações de amor ou de ódio fora de tempo.
Todo o manual de conduta política deveria incluir a forma como os partidos podem fazer aos seus membros apelos ou exigências para que defendam esses valores colectivos mesmo em ocasiões em que aparentemente não estão em jogo, a forma como os eleitores podem avaliar os seus representantes, a forma como os adversários podem questionar a dignidade alheia.
Porque, se muito do que se ouve se admite dito por um partido que não inclua pessoas de carne e osso, não se admite dito por quem o é.

15 janeiro 2008

Dos braços acolhedores ao banco dos réus

Periodicamente vemos grande número de moralistas da nossa praça a defender coisas ditas imundas como um Banco, um grupo social dominante, um criminoso mesmo. Com o nosso humanismo temos espaço para todos, basta que alguém suscite a nossa lágrima e vamos lá defender os abusados não habituados a verem beliscadas as suas imagens.
Agora é o BCP, vítima de uma campanha indecente, de uma manipulação desregrada, coitadinho que só nos prestava um serviço tão limpo, tão limpo, mas que na realidade não seguia as regras mínimas legais, muito menos as regras de bom senso. Mas a campanha é indecente e pronto.
Tudo isto será passageiro, só existe enquanto puder ser utilizado para atacar alguém. Não faltarão ocasiões para remeter este magnífico Banco dos braços acolhedores de todos estes moralistas para o banco de réus que será sempre o seu lugar.

14 janeiro 2008

O capital liberal e o pensamento social

O grande mérito de José Sócrates foi ter conseguido convencer grande parte da opinião pública, com penetração em todas as camadas sociais, de que as facilidades de um passado recente tinham dado um mau resultado e que a situação só poderia ser invertida sujeitando-se todos a dificuldades que compensassem o desmazelo reinante.
Houve resistência, outros continuaram a fazer pela sua via e a ignorar o mínimo de solidariedade social, mas criou-se uma nova maneira de penalizar socialmente essas situações, o que favorece o seu combate. Esta chamada de atenção de Cavaco Silva, afinal igual à de tantos líderes mundiais, enquadra-se perfeitamente neste ambiente de denúncia de uma situação insustentável.
Não é legítima a apropriação individual dos bens da humanidade, seja feita ilegalmente, seja utilizando lacunas da Lei. A função dos bancos é permitir a acumulação de capital, repartir os riscos, permitir as grandes obras, manter a propriedade colectiva mas não entregar os bens acumulados em termos de benefício pessoal, seja de quem for.
Sem bancos, sem sociedades anónimas (diferentes de sociedades secretas) não se alcança a dimensão, não se atinge a flexibilidade necessária, o equilíbrio consistente, para que o sistema de crédito funcione. Sem honestidade dos responsáveis não há credibilidade que resista.
O ultra-liberalismo pregado como teoria no geral por quem nunca sentiu o peso de administrar um bem social, como Pacheco Pereira, ou por alguns sociais-democratas e socialistas que não querem molestar o capital e até esperarão por algumas migalhas é uma forma desavergonhada e insana de pensamento social. Será de combater sempre.
Mas o mais engraçado é que muitos destas sanguessugas atrevem-se a aplaudir a política de Sócrates, a qual só faz sentido num panorama de solidariedade social global. È imperioso que a não haver bom senso, haja legislação apropriada a estas situações.

13 janeiro 2008

A controversa estratégia do Ministério da Saúde

É controversa a estratégia adoptada pelo Ministério da Saúde quanto à implementação dum plano nacional que visa a melhoria geral dos cuidados de saúde, o controle do seu peso crescente no orçamento de Estado, o aproveitamento dos recursos humanos, a racionalização dos meios, a complementaridade entre a oferta privada e pública, o controle da qualidade da oferta privada.
Na base da estratégia adoptada está o pressuposto de que seria difícil apresentar um quadro de reforma completo e acabado que não suscitasse mais focos de conflito do que os que estão a aparecer, com o agravante de que seriam todos de uma só vez. E não se poderia esperar que os meios de comunicação social contrabalançassem um eventual prejuízo com o benefício que a reforma implica objectivamente para muitos mais.
A gestão de conflitos a nível sectorial e regional, embora não deixe de contribuir para o som de fundo nacional, tem-se mostrado mais avisado e prudente. Pôr tudo de uma só vez “em pratos limpos em cima da mesa” não está provado ser a estratégia mais certa. Porque o conflito surgiria sempre, mesmo que a nível global as vantagens suplantassem em muito os possíveis e imaginários prejuízos. Em tudo impera a máxima de que o bem dos outros não nos aquece a nós.
Esta política de olhar cirurgicamente para cada pedaço do todo nacional, ponto a descoberto uma organização infeliz é a mais correcta. O contraponto é vermos a direita e a extrema-esquerda numa aliança espúria e venenosa. Quando o líder do P.C. foi dar o seu apoio ao povo da Marinha Grande quando estava na Anadia só diz de quanto é indiferente para estes políticos o estarem ou não a falar para quem falam. O M.S. não foge a identificar bem os problemas e a dialogar com os intervenientes.
Se o povo vier a satisfazer em eleições os propósitos desta gente veremos quanto iníqua é esta luta comum de esquerda e direita unidas circunstancialmente. De Meneses só se vê a tentativa de lançar labaredas onde tem os seus acólitos. De Jerónimo fica-nos o espreita a querer aparecer na fotografia.

12 janeiro 2008

Uma simples espreitadela pelo mundo da finança

Andamos há um ano a ver a conta gotas os sucessivos episódios de uma viagem guiada pela alta finança. De cada vez que se abriu um bocado mais a janela pensou-se em fazê-lo de modo comedido e que não provocasse alguma congestão. O cuidado é tal que nem mesmo aquilo que será legal é mostrado para que nós não nos apercebamos como as regras lhes são benéficas.
Até que o caldo se entornou e alguém achou que era de mais. Os episódios aceleraram, mas logo se procurou colmatar a brecha e acabar com esta exposição pública. As grandes empresas do regime deram-se as mãos para encontrar solução, mas a pressa não terá agradado a alguém que foi posto à margem e estrebuchou.
Cadilhe é uma referência, veja-se a referência mesma que Meneses a ele fez, e estava mal na fotografia. Afinal era uma personagem marginal no processo e vai acabar por se remeter a um prudente refúgio. Cadilhe já teria perdido o comboio há uns anos atrás.
Meneses ainda anda a querer beliscar Constâncio e a ver se lança suspeitas sobre mais alguém. Mas é um aprendiz no alto jogo da finança. As sociedades “semi-secretas”, como diz Campos e Cunha, ex-vice governador e ministro, têm já o problema bem controlado. Este mandato será um interregno para remendar as mazelas. Um dia a Opus Dei voltará ao domínio do B.C.P.

11 janeiro 2008

Referendo – Agarrem-me que eu mato-o

“Agarrem-me que eu mato-o” é a expressão que o ultra-liberal Pacheco Pereira foi buscar para dar uma ideia de que seria simulado o período de análise e ponderação que José Sócrates se deu a si próprio antes de tomar uma decisão sobre a possibilidade de realização de um referendo sobre o tratado de Lisboa.
Segundo ele a decisão já teria sido tomada e esse período só serviu para encenar um espectáculo que visaria criar receio e ansiedade na população e na comunicação social. Estaria assim facilitado, de forma um pouco automática e justificada, um processo de adesão de Sócrates à tese do não referendo. Ter-se-ia gerado um apelo para uma decisão rápida e simples.
O efeito foi realmente este, se é que era o pretendido, com toda a gente a ficar satisfeita, exceptuando os radicais de direita e os fantasistas de esquerda. Afinal só é pena que todas as decisões não sejam tomadas desta maneira mas também é pena que nem sempre seja possível ter um período de reflexão, não de quinze dias ou um mês, mas afinal de duas décadas.
Afinal andamos há duas décadas à espera de participar num acto fundador que só teria sentido se tivesse ocorrido depois de Mário Soares ter aderido e não agora que as decisões de fundo já estão quase todas tomadas e são irreversíveis. Só nos resta fazermos da eleição para o Parlamento Europeu de cinco em cinco anos um sinal claro da nossa adesão.

10 janeiro 2008

Referendo – A morte da vaca sagrada

A vaca há pouco sacralizada morreu. Como terá morrido para um bom número de anos o recurso a qualquer referendo que desresponsabilize os políticos ou plebiscite uma atitude num assunto mais controverso.
No panorama nacional os referendos não têm tido qualquer mérito especial. Seja para plebiscitar a constituição de Salazar, seja em regime democrático para aferir da opinião sobre a regionalização ou o I.V.G.
Além de em democracia nunca terem sido vinculativos, nunca surpreenderam pelas posições tomadas, já claramente concordantes com a opinião dos políticos dominantes.
No panorama internacional têm-se salientado pelo legitimar de situações de facto em que a prepotência a o arbítrio passam a vigorar como Lei. As excepções, como a do referendo à monarquia espanhola, são raras.
No actual panorama europeu podemos dividir a Comunidade entre os Países que são contribuintes líquidos e aqueles que beneficiam do orçamento comunitário. Nos últimos um referendo venceria, nos outros dependeria.
Nós nunca vimos os europeus ricos, os Ingleses, os Holandeses, os Alemães e outros, os populares, os homens que votam, a dar de boa vontade algo de significativo a alguém. No entanto há países cuja força intelectual se faz sentir como força política e não é assim mesquinha, vê mais longe, ultrapassa essa simples contabilidade do deve/haver, é altruísta de pleno.
Na Inglaterra, como caso peculiar, não há intelectualidade politicamente não comprometida. Não tendo a intelectualidade força própria, o governo segue mais directamente a opinião popular, tudo é pesado às mais pequenas vantagens e desvantagens, tudo se vê como estando dentro ou fora dos benefícios. A única diferença é que aqui não se trata de populismo é o cálculo que é feito a longo prazo e com mais factores contra o imediatismo que reina em Países com gestão menos eficaz.
Por estas razões temos simplisticamente os Países ricos a favor, desde que não em referendo, os pobres de qualquer forma, os Ingleses se o vento for de feição, todos a dizer Sim à Europa. Louvemos Sócrates pela clarividência, aliás óbvia.

09 janeiro 2008

Reformas – Os cêntimos da polémica

Desde o governo da Maria de Lourdes Pintassilgo que as reformas são aumentadas a partir de Dezembro. Como ela estava prestes e sair e com a conivência do Presidente da República de então que a tinha nomeado, à revelia de todas as normas democráticas, Pintassilgo entendeu dar essa benesse, que só aparentemente o é.
Mais tarde Cavaco Silva haveria de criar o subsídio de férias para os aposentados, em vez de fazer repercutir o mesmo valor durante o ano. Diz-se que a pessoas gostam de receber assim umas maquias juntas, quando o importante é efectivamente o que se recebe durante os doze meses do ano.
Ora estes acrescentos laterais assim atribuídos não têm a natureza de incrementos efectivos ao valor da pensão. Esgotam-se com o seu pagamento.
Quando o governo acordou com os parceiros sociais no novo esquema de cálculo dos aumentos das pensões, também acordou que eles seriam aplicados a partir de Janeiro e que os retroactivos de Dezembro seriam incorporados na pensão do ano distribuindo-os pelos pagamentos a efectuar, 14, e ficando assim englobados nos valores a pagar nos anos seguintes.
A oposição, mercê de uma imbecilidade quase congénita que ataca estes políticos, saiu à rua, que os reformados estavam a ser roubados, o governo queria beneficiar de uns juros que aquele dinheiro poderia produzir se não fosse pago já. E o governo recuou, estupidamente, porque tinha razão e assim esta gentalha que tem acesso aos meios de comunicação nunca mais aprende. Mas o governo não tem o direito de prejudicar ninguém.
Agora sou eu a dizer que esta oposição, de que o governo se mostra conivente, está-nos a prejudicar e deve ser penalizada por isso. Quem tiver uma pensão de 400 € em 2007 passará a receber 409,6 € em 2008. Recebendo o Dezembro de 2007 e o Subsídio de Natal tem 19.2 € de atrasados a crédito.
Se este valor for pago no próximo mês, ficará com o dinheiro e não mais se fala nisso. Continua no resto do ano a receber 409,6 € e para o ano seguinte receberá uma aumento sobre este valor. Se a opção fosse pagar aquela diferença durante o ano receberia em cada mês mais 1,37 € o que faria 410,97 €, que seria a base para cálculo da pensão dos próximos anos.
Quer dizer que aqueles 1,37 € passariam a fazer parte da sua pensão e recebê-los-ia toda a vida e não só durante um ano e sobre ele acresceriam os aumentos que viessem a ser determinados em anos futuros, aumentos que sendo em percentagem considerarão sempre aquele valor. Se for igual ao deste ano teremos um beneficio de 1,37 € + .03 € =1,4 €.
Como neste caso no caso do subsídio de férias de Cavaco Silva são duas coisas perfeitamente diferentes o acrescentar um valor ou incorporar esse valor na base de cálculo. Infelizmente os nossos políticos são matematicamente uns imbecis e o governo teria aqui uma boa ocasião para brilhar, mandá-los para as novas oportunidades e dar mais um bocado de conhecimentos de matemática a uma população, neste aspecto, quase analfabeta.

08 janeiro 2008

Conhecendo as regras, planeamos melhor o futuro

Todos concordamos que as regras que venham a ser aplicadas a um facto futuro devam ser conhecidos antecipadamente. Tal pode ajudar a um planeamento correcto da nossa vida.
Só este Governo nos convenceu a aceitar alterações às regras de cálculo das pensões de reforma de modo a podermos ter a garantia que elas não necessitarão de grandes alterações futuras.
Determinaram-se quais os factores que devem ser tomados em consideração, a forma como deve ser efectuada a sua medição, os índices que devem ser usados de forma automática nos cálculos a efectuar.
Assim a data da reforma por velhice passou a ser calculada sem intervenção política, tomando em consideração principalmente a esperança de vida. Do mesmo modo o valor das próprias pensões de reforma passou a ter em conta toda a carreira contributiva, colocando em igualdade de circunstâncias todas as pessoas.
Passou a haver maior justiça social e dificultou-se significativamente o recurso a engenharias financeiras, a manipulação dos dados para os pôr a jeito e terem maior ou menor repercussão no resultado final. Deixaram de ter razão de ser os descontos estratégicos.
Os aumentos anuais do valor das pensões passaram a depender da forma como a economia se vai comportando e não da vontade mais ou menos benévola dos governantes.
Estas medidas são de longe as mais significativas tomadas por este ou por qualquer outro governo e são de aplaudir.

07 janeiro 2008

Discuta-se a forma, é o que convém, ignore-se a substância!

Esta discussão à volta do B.C.P. é tudo o que a direita não teria querido que acontecesse e tudo faz para embaralhar agora que ela se tornou inevitável. Assenta no velho princípio de que se não pode defender do ataque pela substância, defende-se pela forma. Ao querer dizer que tudo está mal na forma pretende-se ignorar ou deixar de dar importância à substância.
Claro que este estratagema não é particularmente inteligente, é o usado por todos os criminosos que mataram alguém e acusam as forças da ordem de os terem arranhado na hora da captura. A televisão e outros meios de comunicação não lembram mais da vítima a quem o sangue já de nada serve e logo dão cobertura moral àqueles mostrengos de que mostram o olhar mais indignado a olhar para uma pinga de sangue próprio.
Hipocritamente a direita diz que tanto a C.M.V.M. como o Banco de Portugal já deveriam ter intervido há muito. Mas se tivessem dados para tal e o tivessem feito, tinha caído o Carmo e a Trindade. Alegariam que nenhum motivo teria sido suficiente para lançar abruptamente um banco em crise, denunciando toda a sua direcção. Afinal critica-se por actuar tarde, mas ao mesmo tempo vai-se criticando pela forma de actuar. Alega-se que haveriam sempre outras formas de intervir sem molestar as aparências.
A direita é a favor do segredo no negócio, em especial quando ele tresanda para a ilegalidade. Uns panos quentes também seriam o remédio que daria para abafar este caso. Os órgãos reguladores são afinal responsáveis por não terem resolvido a crise antes de ela transparecer para a opinião pública através de desavenças entre os administradores do Banco. A sua intervenção, desde que secreta, seria bem recebida, caso contrário nunca.
O Edifício caiu de podre, os seus próprios sustentáculos foram-no destruindo, escancararem ao público estupefacto um espectáculo miserável. Os nossos políticos e intelectuais, em vez de procurarem uma moral que não temos para aplicar ao negócio, acham que o assunto está bem entregue nas mãos da Opus Dei e da Maçonaria, que se encarregarão de o resolver.
Se esta organizações não têm gente capaz para resolver estes intrincados problemas da moral nos negócios ou da falta dela, quem mais o fará? Sem uma exemplar punição destes desavergonhados não mais haverá confiança na banca nacional. E o Estado tem que ter uma clara posição sobre a gestão dum negócio que só existe baseado na sua credibilidade. E deitar a mão à obra sem intermediários, cortando a direito, todos são suspeitos.

06 janeiro 2008

Quando o exemplo é a melhor maneira de aplicar uma Lei

A Lei de proibição de fumar em recintos fechados, simplificadamente, haveria de entrar em vigor numa época do ano particularmente fria, o que tem dado lugar a ver os fumadores nos mais inóspitos lugares. Esplanadas, varandas abertas a toda a circulação de ar são o refúgio dos dependentes da nicotina que até merecem uma particular manifestação de solidariedade.
Mas não há qualquer dúvida de que até nunca se viu uma tão grande unanimidade em relação a uma Lei da República. Para tal muito terá contribuído esta jogada magistral de pôr toda a gente a querer que a sua primeira vitima seja mesmo o Presidente da ASAE. Até que enfim há uma Lei para pôr um poderoso a pagar, diremos todos os que partilhamos esta ambição secreta.
Até nem interessa poder ser caricato aplicar qualquer possível rigor da Lei a quem fuma uma cigarrilha naquelas circunstâncias em que se estava a comemorar uma festa começada e já bem fumada no dia 31 de Dezembro e que não se poderia cortar a meio. O tabaco já lá estava, não tinha passado pela cabeça de ninguém que a Lei fosse aplicável a partir de meio da festa.
Claro que o dito Presidente foi apanhado a fumar às tantas da madrugada do dia 1 de Janeiro, altura em que a Lei já tinha as tantas horas de aplicação teórica, o que pôs toda a gente a apoiar uma aplicação radical. Nós gostamos dos preciosismos e, se não a queriam aplicar, tinham escrito que a Lei só se aplicava após o fim das festas que tivessem começado no dia 31 de Dezembro.
Esta chamada aos nossos mais arreigados sentimentos “democráticos”, bem vivos quando a vingança está presente, é mesmo de mestre.

05 janeiro 2008

Ferro Rodrigues lá longe vomita de indignação

Em relação ao passado guterrista despesista não se percebiam as diferenças deste Ferro, ele nunca se preocupou em as estabelecer, o País não mais enfrentaria os problemas que se adivinhavam com a sua prosápia gastadora. Em boa hora foi arredado da direcção do partido socialista.
A maneira pela qual se afastou é da responsabilidade de Jorge Sampaio, mas não resultou de qualquer apreciação deste sobre os acontecimentos que lhe haviam atribuído. O seu ressentimento pode ter alguma razão de ser, mas a forma de o manifestar não é a mais correcta.
Não é de alguém ter vergonha por se sentir indignado por razões pessoais, mas tentar utilizar os nossos sentimentos de solidariedade com os seus para hostilizar a solução adoptada após o seu afastamento da direcção socialista é sinal de mau perder.
Esta questão da arrogância/humildade não é tão simplista como este Ferro mole quer fazer crer. Este Ferro parece uma Passionária que de humilde tem pouco e de arrogante tem bastante. Porque o que parece não é, por outras palavras, não se pode convencer que somos obrigados a aceitar a imagem que nos quer passar, de menino mimado e enxovalhado.
O vómito do exilado de luxo choca mais do que o de qualquer ignorante do nosso Portugal. Porque quer juntar dois vómitos para ter maior repercussão, quando em nenhum deles tem razão.

04 janeiro 2008

João Jardim não dialoga, não consensualiza, não, não e não!

Objectivamente Kadaffi tem razão, os africanos têm sido espoliados de parte significativa da sua riqueza, sujeitos à mais vil escravatura, transportados para fora do seu ambiente natural. João Jardim tem razão, Lisboa, os poderosos tiraram da Madeira parte substancial do seu rendimento. E nós no resto de País não vimos sempre os produtos da terra, do solo, a energia serem canalizados para o Litoral, particularmente do Porto a Lisboa?
O João Jardim não tem razão especial só porque o seu "território" é mais facilmente delimitado, como ilha representa uma unidade mais vincada. Depois porque se não tratou de nada que se parecesse com o caso africano. Ainda porque em grande parte foram movimentos comerciais executados com certa normalidade e em que o que está em causa é a quem eles beneficiaram.
Muitos madeirenses podem achar adequado o seu papel, mas a realidade é que nada de racional permite que João Jardim tome as atitudes que toma, insulte os portugueses da forma como o faz, envergonha os líderes do P.S.D., submetendo-os a incríveis humilhações, vexames. São estes que genuflectidos, mais mal ficam na fotografia. João Jardim não consegue minimamente beliscar a credibilidade, lisura e educação de que os Ministros têm dado mostras e a sua figura cada vez diz menos às pessoas.
João Jardim diz que não quer saber de consenso, porque o senso é precisamente o que lhe falta. Nem sequer quer saber de diálogo porque está habituado a não ouvir ninguém, a decidir por todos, a não ser contestado pela maioria do seu território, também como ele sempre prontos a receber, que dar não é com eles.

03 janeiro 2008

Em cérebros tão brilhantes a perfídia também alastra

O liberalismo viu-se de tal modo atacado pela referência na mensagem presidencial aos rendimentos desproporcionados dos poderosos que se tornou tema da Quadratura do Círculo. Não se deve entrar nesse terreno pantanoso (LX). A culpa do atraso vem do modelo social (PP). Não há gestores com salários altos, há pessoas com salários baixos (JC). Tanta hipocrisia é de mais.
A perversidade da inteligência que levou ao comunismo é igual à daqueles que defendem este regabofe. Se o comunismo assentava numa apropriação colectiva dos bens de produção, estes senhores que por lá passaram e como que a querer demarcar-se, defendem agora a apropriação individual ou de grupo, a modos de conquista. Só LX se fica pela meia tese porque acha que Cavaco só se deveria referir aos gestores públicos.
Hoje que as terras já não são a fonte primordial de riqueza. Hoje que continua a haver trabalho escravo mas sob formas mais sofisticadas. Hoje são os bens de utilidade pública, que são públicos no sentido que ninguém se conseguir apropriar deles, que são a fonte principal de riqueza. O Estado ao regulamentar o uso e partilha desses bens tem que ter em vista o benefício de toda a sociedade e não só de alguns.
Os mais evidentes bens desta natureza são o espectro radioeléctrico, a água, o vento, o mar. Mas podem também ser considerados bens de utilidade pública todos os que possam ser utilizados ou destruídos para dar origem a outros, caso em que o Estado terá sempre uma palavra a dizer sobre a forma da sua utilização. Até o dinheiro, posto pelo Estado à disposição dos cidadãos, não pode ser apropriado por alguém de modo anti-social.
É triste ver que em cérebros tão brilhantes a perversidade, a perfídia e a avareza tenham tanto campo para alastrarem.

02 janeiro 2008

Os poderosos do mundo e as suas alianças

Nunca como agora os poderosos do mundo se terão posto tão a jeito para que as pessoas possam ver quais as suas reais motivações, os valores que defendem, a falta de princípios de que dão mostra.
Cavaco Silva, à semelhança do que havia feito o Presidente Alemão há uns meses, referiu-se na sua mensagem de Ano Novo aos excessos cometidos nas remunerações dos gestores das grandes empresas.
Também não é de hoje a promiscuidade entre a política e a alta finança e os poderosos em geral, mas vai-se vendo melhor. Mas é bom que se veja bem. Cadilhe, citado por Filipe Meneses como o agente político ideal para gerir a C.G.D., aparece agora a denunciar pretensas interferências no B.C.P.
Cadilhe não indicou uma equipa séria para gerir o B.C.P. mas uma equipa propagandística, todos ou quase bem nutridos já com excelentes reformas, opinadores e políticos de direita no activo. Só que parece que querem substituir a Opus Dei por ratos de sacristia.
A Maçonaria tem de certo tido um papel activo neste processo na sequência de uma velha guerra de irmãos desavindos. Todas estas ligações, filiações deviam ser conhecidas, que numa sociedade livre não é de todo admissível que o poder se jogue a nível de sociedades secretas.
Quando nós, vulgo cidadãos, pensamos inocentemente que o poder é exercido por partidos políticos em nossa representação, estamos a ser enganados, que as interferências são mais que muitas. Os poderosos procuram sempre as alianças mais satisfatórias para si.

01 janeiro 2008

Referendo – Não se confunda voto democrático e voto bondoso

A Comunidade pensou em ter um corpo de leis, regulamentos, regras, preceitos coerentes que permitissem a sua própria expansão sem necessidade de, em cada vez que nisso se pensasse, fosse necessário pôr em causa o já anteriormente adquirido.
Submetido o acordado a referendo em dois países fundadores, tal foi rejeitado, baseado sempre no princípio que as pessoas não encaram um referendo de forma isolada em relação às circunstâncias políticas internas e o princípio da bondade está longe de dar forma à intervenção política das pessoas. Afinal esta intervenção é tida como um substituto da guerra.
O voto é efectivamente uma arma e as armas têm a sua lógica própria. Quando se entrega uma arma a alguém nunca se sabe o que lhe passará na cabeça na altura que a utilizar. Por isso a democracia nunca será um domínio de meninos de coro, porque estes não levam a democracia a sério, no coro estão sempre a pedir armas, a querer ir a votos, a querer brincar com explosivos. A democracia não é governo na hora, opinião na hora, voto fora dos momentos apropriados.
De certo que, ao votarem contra, os franceses e holandeses não estavam a pôr em causa a necessidade de prescindir da obrigação de unanimidade para gerir a Comunidade, retirando em alguns questões o direito de veto ao seu governo e ao de todo e qualquer um dos países que à Comunidade vão aderindo.
Também não vou ao cinismo de pensar que eles estão definitivamente esquecidos dos valores europeus e cansados de subsidiar os mais fracos para melhorarem a sua condição. Fiquemo-nos pelos motivos unicamente caseiros, de dispensa, de alcova, de congestionamento da casa de banho.
Na verdade os Europeus dão a imagem de quem se recusa a pensar a sério a Europa. E mesmo que se diga que não são os valores europeus que eles querem pôr em causa, é esse o efeito prático da sua atitude. As pessoas conscientes, que se não deixam enredar em argumentos falaciosos e armadilhados, recusam-se a aceitar esta autofagia dos valores que pareciam mas efectivamente, talvez pela mudança geracional, não estão bem alicerçados.
Novos países querem aderir à Comunidade e para esses este espectáculo não é agradável. São os países que estão e não os que querem entrar que põe obstáculos ao abandono do princípio da unanimidade, justificável a seis mas perfeitamente absurdo a vinte e sete. Exige-se operacionalidade com o fim de alguns bloqueios. Este é o mais importante aspecto que está em causa e nós dizemos sim sem referendo.

31 dezembro 2007

Referendo – A inexcedível superficialidade de alguns

Parece que sete intervenções neste Blog entre 23 de Outubro e 4 de Novembro não foram suficientes para tornar clara a minha posição sobre o Referendo aos tratados europeus. Não quero fazer deste Blog um desfilar de vómitos, não tenho a pretensão de elaborar um tratado que analise a questão até à exaustão, não entro na agenda política de gente desesperada, não respondo a questão insignificantes para mim, mas vou fazer uma excepção para NunoMatos..
Defendo que a questão do referendo nunca se devia ter colocado e quem a colocou deve responder por ela. Não me venha cá dizer que o Sócrates, o P.S.D. e outros vão mudar de opinião. Isso é com eles.
Um referendo tem virtualidades em termos simbólicos, mas tinha que ser feito na altura própria, nos momentos decisivos, quando se tomam atitudes que podem ser irreversíveis. E já lá vão tantos anos. Hoje só seria defensável um referendo radical (31/10/2007).
A tacanhez nacional vinda do passado, e de que o Senhor ainda se não livrou, leva-o a defender um referendo em que se discutiriam uns tostões para cá, uns tostões para lá e se abriria um precedente perigoso, só importante para a esquerda comunista e bloquista sempre prontos a deitar uns grãos de areia para a engrenagem, ou para os preciosistas da direita que querem discutir todas as pequenas percas de soberania, que as grandes já lá vão.
Infelizmente os sociais-democratas só aprendem o que de mal se faz na política em Portugal. No seu afã de fazer oposição servem-se de todas as armas com que os tramam quando estão no poder. Como se pretende moderno, actualizado, gosta de estar presente, convença-se que não o consegue por ser franco-atirador.
Se a luz o não ilumina tanto pior para si. É que a fonte de luz deixou crescer à sua volta muitas teias de aranha. Pode-lhe parecer ser pobre e do passado mas decerto que tem ideias próprias, é perseverante, cansa-se destes rodeios, mas não se vai cansar de lançar luz para o futuro.

30 dezembro 2007

O Oeste Europeu – Um olhar para além do dia a dia

Para quem só vive o dia-a-dia das vantagens/desvantagens, do deve/haver, a Comunidade Europeia é só mais um patamar das preocupações/oportunidades que se nos deparam. O que não são oportunidades, se não são prejuízo, são pelo menos uma preocupação desnecessária. São esses que dizem que estávamos bem sós.
Este discurso simples e redutor é o adoptado pelas forças políticas que não vêm vantagens imediatas em nos chamar a atenção para todo o tipo de responsabilidades que nós temos no mundo. Rendem-se à facilidade que consiste em termos uma ideia generosa sobre nós próprios e em atribuirmos todos os males do mundo a forças que não têm cá raízes, o que é falso.
Sócrates apareceu nesta Presidência da Comunidade aqui e ali, mas para os mais insolentes tudo passa por querer aparecer, por folclore político quando é bem mais do que isso, quando o nosso futuro também se joga aí. Quando Kadaffi exige indemnizações pelo colonialismo não está brincar, nem se dirige só à Itália, também se dirige a nós.
De qualquer modo é problemático estarmos com o passado presente quando ponderamos na nossa perspectiva a conveniência das medidas que são tomadas a nível comunitário. Nem o nosso passado nem o da Comunidade que não conhecemos ou não aceitamos como nosso. Mas ao menos olhemos para o futuro e vejamos quando perigoso é andarmos isolados neste mundo.
Há muitas medidas que podemos entender não serem apropriadas numa perspectiva puramente nacional e de presente, mas sê-lo-ão num perspectiva internacional e de futuro. Um futuro em que já não há paraísos de leste ou até Oestes americanos. O Oeste Europeu agora está aqui. Não é o fim do mundo conhecido, mas é decerto o fim de um projecto único e de paz.

29 dezembro 2007

Intervalo – Um esticar exagerado da corda

Filipe Meneses, mais do que outros políticos de referência na nossa praça, vai tentando dar corpo a uma oposição a toda a largura do campo teórico de batalha e balança continuamente entre uma visão macro, a nível de super-estrutura e uma visão micro, a nível de infra-estrutura que os seus ideólogos não conseguiram tornar coerentes. No mesmo erro não caem outros.
A verdade é que a imprensa aborda as questões sobre os dois prismas, mas político precavido, avisado, como os comunistas e bloquistas, procura suavizar as incoerências em que necessariamente entra se os quiser usar e a todas as armas que eles permitem para desarmar a oposição ou fazer fogo sobre o governo.
Todos os discursos políticos, do governo ou da oposição, enformam do mal de alguma incongruência e, como tal, a imprensa até se não costuma dar ao trabalho de falar delas, a não ser que sejam gritantes ou que esteja em moda bater no ceguinho. Há sempre algum grau de tolerância.
E todos os políticos de hoje se socorrem muito desta inclinação para a moda que é o bater no governo, tratando-o como ceguinho, com o argumento que nada na sua actuação é coerente. Fazem-no desde logo, desde a sua tomada de posse, até antes. Procuram criar um estado de saturação, mantendo sempre a mesma postura, legislatura após legislatura.
Mas desta vez apareceu-lhes José Sócrates criando um estilo novo, uma outra forma de responsabilizar a oposição, um aproveitamento do maneio de ancas que a oposição faz para lhes dar umas vergastadas naquilo que eles, afinal como os outros, também têm atrás das costas. Sócrates criou um sentimento novo que afinal também pode ser moda bater na oposição.
Filipe Meneses põe-se especialmente a jeito, exagerando na tolerância que lhe tem sido dada, esticando a corda para num dia estar a desmantelar o Estado e no outro estar o dar benesses do Orçamento de Estado a propósito de todas as reivindicações que se manifestam. Ao querer usar armamento pesado e metralha ligeira com tanta ligeireza está a criar um balanço tal que se arrisca a cair. Modere-se!

28 dezembro 2007

O Oeste Europeu – O Turismo e o desenvolvimento não sustentado

Portugal, os empresários, o governo, não sabemos bem quem com mais empenho se mostra, têm apostado no turismo com estímulos, empreendimentos, apoios. É um sector altamente produtivo, mas não o é de igual modo para todos. Poderá o País desequilibrar o desenvolvimento e colocar-se em tão grande dependência dum só ramo de negócio?
O turismo, mesmo dado o seu carácter predominantemente sazonal, é muito lucrativo, dado o que está basicamente em jogo: Estadias e serviços de alguma simplicidade. Mas, quanto maior for o sector, mais problemas surgirão se houver uma crise prolongada e mais reflexos terão na restante economia. O turismo não promove qualquer espécie de desenvolvimento sustentado.
Uma vantagem imediata dos empresários é a facilidade de recrutamento de pessoal, mas que constitui um claro prejuízo para os empregados e para o governo. Os empresários não precisam de manter um grande número de trabalhadores efectivos e tem sempre à mão uma grande quantidade de pessoal disponível que se mantém fiel à actividade.
Nos períodos de desemprego a segurança social é que suporta os encargos respectivos e isso passa-se em média durante seis meses no ano. Para além disso a maioria não chega a contribuir com IRS. O subsídio de desemprego não é englobado nos rendimentos e estes assumem assim valores anuais baixos e taxas de IRS reduzidas.
Além do mais, a ver pela reacção da Confederação de Turismo à fixação do salário mínimo, parece que o aumento deste os afectará porque ainda é largamente aplicado no sector. Não é o turismo que nos trará altos salários, a não ser para alguns cargos de gestão. Além disso o turismo será uma das actividades que mais permite a subfacturação e mais sujeita a concorrência.
Uma crise generalizada afectará mais rapidamente e com efeitos mais graves o turismo do que outra actividade. Sendo localizado pode criar o desemprego geral numa dada zona do País. Nunca pode ser a primeira aposta do País.

27 dezembro 2007

O Oeste Europeu – A oportunidade dos ressabiados

O Portugal profundo, que ainda subsiste em quase todos nós, personificado na alma lusitana, faz com que nos sintamos deslocados e atrasados na Europa, sem muitas oportunidades para progredir.
Meticulosamente uma intelectualidade que faz jus ao seu direito à mesquinhez e ao egocentrismo bate num lado e noutro lado, em nós e na Europa, para realçar o que diz ver, sem outras soluções que as que a sua imaginação desligada da realidade vai gerando.
Acarinha-se ou vilipendia-se essa alma ao sabor, já não digo de interesses, mas de visões limitadas e até esquizofrénicas que muita gente transporta, como que se tal fosse a última descoberta da sua mente. Aquilo que aparece da alma lusitana é, para todos os efeitos e para nossa desgraça, aquilo que os intelectuais tecem e dizem e o que eles dizem é pouco.
Há uma grande parte da população que gosta de contribuir com o seu entusiasmo de aparecer, de ser reconhecido com fazendo parte de um todo. Na realidade eles representam a face mais real desse todo, mas que é a mais caricaturada, da maneira mais reles e injusta, como pelo Zé Povinho.
São caricaturas introvertidas que falam de uma realidade passageira mas que alguém pretendeu eternizar. Até através delas não se faz uma actualização, uma modernização, uma adaptação aos novos tempos e a novos relacionamentos. Continuamos fechados, desconfiados num mundo estreito.
A Europa não tem constituído a ambicionada oportunidade para os ressabiados se redimirem, mas antes para se sentirem mais injustiçados, mais vitimados, mas em compensação mais prenhes de satisfação por mais uma justificação para o seu próprio fracasso. A Europa é magnânima.

26 dezembro 2007

O Oeste Europeu – Um ensimesmamento fatalista

Quando seis países se juntaram para formar a Comunidade Europeia partiram duma base sólida, não económica, mas sabiam que tinham potencialidades, que se canalizassem as energias e os conhecimentos que haviam tão mal aplicado na sua destruição mútua para um sentido de colaboração e progresso, construiriam uma fortaleza em que a justiça e os direitos sociais poderiam ter uma outra expressão.
Tinham razões para acreditar, razões que, por esses tempos, os portugueses no geral desconheciam, no seu atavismo ancestral. Noutras gerações anteriores tínhamos sido capazes de alguns rasgos sempre que alguém ia lá fora com olhos para ver e trazia alguma refrescadela ao nosso panorama de ideias, imagens e valores.
Mas quanto a aplicação prática nunca atingimos o ponto crítico porque uma árvore não faz a floresta. Nesta altura, já nos anos cinquenta, quem teve o rasgo foi Humberto Delgado, talvez porque era um homem da aeronáutica militar e civil e estivera na América. O mal foi ter-se agarrado a ramos decrépitos que se partiram facilmente e o deixaram cair desamparado.
O nosso atraso manteve-se, ultrapassou a guerra colonial, as forças económicas menos exigentes criaram algum desenvolvimento, sem necessidade de grandes investimentos no ensino. Veiga Simão tentou em dois regimes diferentes, mas continuamos com aquela falta de potencial em quantidade para fazer coisas grandes.
Periodicamente é isto que acontece: Chama-se a atenção para a nossa falta de formação, tenta-se avançar, mas parece faltar-nos a vontade, tudo são dificuldades, escolhos. Nem as novas oportunidades entusiasmam um povo que parece definitivamente ensimesmado. À espera talvez que o Filipe Meneses seja o salvador.

25 dezembro 2007

Intervalo – A diferença entre o estudo e a esperteza

José Sócrates herdou um processo em andamento, o da Ota. Alcochete nunca se havia colocado como opção porque desempenhava no seio do exército, e não só português, um papel na altura considerado insubstituível. Também neste campo as coisas mudam e a questão está em saber se foi ou não a tempo e quem deveria ter tido conhecimento a tempo dessa mudança.
A horas ou fora de horas, mas na minha opinião de certo que ainda a tempo de, caso a opção seja outra, sarar as feridas que uma mudança de opção acarreta. Neste aspecto não duvidemos que o Oeste vai sair gravemente prejudicado e em Alcochete não há vozes para pôr a questão nestes termos. A economia local não tem para já relevância, nem expectativas.
Mas entregou-se ao L.N.E.C. a feitura de um estudo sobre todos os aspectos importantes para avaliar a questão, na altura resultado de um consenso alargado que até incluiu o P.R.. No entanto há sempre quem tenha segundas intenções, ideias feitas e queira fazer o seu jogo à margem dos acordos estabelecidos. Este caso é todavia peculiar.
Lembram-se daquelas crianças espertinhas que, tendo tomado a opção errada e, vendo o erro porque olharam para o vizinho, logo se aprestam a mudar de opinião e a serem as primeiras a gritar pelo triunfo da opção certa, antes que o vizinho ou o próprio professor a anunciem.
Filipe Meneses já não esperou pelas conclusões do LNEC para botar sentença. Como a criança vai dizer depois: Quem tinha razão era EU! Para receber ainda alguns dividendos se esquecermos a opção inicial de Meneses, diferente da defendida por Marques Mendes. Tem direito a mudar mas não a fazer estes malabarismos de menino que não enjeita alterar as regras, não precisa de estudos sérios, chega-lhe ser o menino esperto.

Intervalo – Dividamos os tachos!

Este Filipão surpreende-nos todos os dias. Se lhe quiséssemos seguir os passos tínhamos sempre para registar umas afirmações caricatas, umas sentenças contraditórias, uns humores antagónicos. No entanto é perder tempo, é como ver o mesmo filme pela vigésima vez.
Filipão acusa o P.S. de interferências na gestão do B.C.P., sabendo nós que os órgãos de regulação e fiscalização tardaram a actuar, agiram fora de tempo. Ao menos parece que intervieram bem, de tal modo que os accionistas terão agradecido por se verem enfim livres de um bando de crápulas que aproveitaram a sua posição para enriquecer indevidamente e mostrar quanta baixeza moral prolifera em organizações como a Opus Dei.
Concordo que o pior que poderia acontecer para o B.C.P. era passar a ser dominado pela Maçonaria, por exemplo. Mas agora os accionistas, e só estes, têm uma ocasião única para porem na administração do seu banco as pessoas mais competentes, mais leais e honestas que encontrem.
Não é correcto, é perfeitamente inadequado falar em equilíbrios políticos quando estão em jogo forças económicas, entre as quais e a política transita inevitavelmente muita gente, mas que quando lá está, e ninguém os pode proibir de lá estar, deve defender os seus interesses e quando na política se deve tornar deles independente.
Querer utilizar a C.G.D. como moeda de troca, exigir a atribuição do seu poder a um homem de mão do P.S.D. é a mais vergonhosa, despudorada maneira de favorecer o bloco central de interesses, é a divisão da gamela pelos mesmos taxistas de sempre. Tenha vergonha!

24 dezembro 2007

Intervalo – Desmantelemos o peso do Estado!... É já!

Desmantelemos o peso do Estado? É já! Por onde vamos começar?
Primeiro é melhor ver que mesmo que transferidos para o sector privado, muitos serviços não podem deixar de ser financiados pelo erário público, pelos nossos impostos existentes ou pelas tarifas, pelas taxas moderadores, chamem-lhe lá como quiserem, que pagamos. Para quem não quer decerto¿ que paguemos mais, a preocupação deveria ser outra.
Para haver um serviço tem que haver pessoal, instalações, equipamentos, organização e quem pague, decerto porque precisa dele. Se as pessoas não precisam, e o Estado também não, extinga-se o serviço, mas era bom não generalizar. No Estado há serviços essenciais e outros que nem tanto, é certo, mas que não podem ser abandonados duma hora para a outra.
Uma forma de entregar a gestão mas não o financiamento é contratualizar serviços que tenham que continuar a existir. Mas o que é que o Estado ganha em troca, a não ser em vez de se responsabilizar pela gestão passar a responsabilizar-se pela regulação e fiscalização?
Se as pessoas não pagarem mais, o Estado pagar menos e os serviços ganharem em qualidade é aceitável ou até recomendável, na perspectiva do Estado, que se mudasse a responsabilidade do serviço. Desde que se encontre uma solução para os empregados, encargo que não é alienável.
Experiências já houveram bastantes, mas nem sempre as conclusões têm sido favoráveis a esta solução. Que um candidato a primeiro diga que tudo fará para que o melhor serviço seja prestado ao menor preço para o Estado e directa ou indirectamente para o contribuinte é de louvar. Mas após estudos e soluções apropriadas.
Arremessar bombas a um edifício que bem, ou menos bem, tem prestado os serviços que, na maior parte dos casos, os privados nunca quiseram ou nunca tiveram condições financeiras para prestar é abominável. Com os privados, liderados por este liberal aventureiro, ávidos por avançar, os seus interesses sobrepõem-se desavergonhadamente à consideração dos interesses da população, dos empregados e do Estado.

23 dezembro 2007

O Oeste Europeu – O nosso lugar é aqui na Europa

Quando seis países se juntaram para formar a Comunidade Europeia pensarem em vir a agregar mercados para agregar países. Por isso o nome primordial da Comunidade Europeia foi de Mercado Comum Europeu, o que estava longe de dar a ideia das intenções que lhe eram subjacentes e só revelavam o primeiro objectivo a atingir.
Diversos pensadores, ideólogos e políticos de todos os países europeus mais envolvidos nos conflitos fratricidas que se desenrolaram no século vinte desenvolveram um plano que partindo da miséria e quase humilhação a que as suas pátrias haviam sido submetidas assentava nos mais sublimes ideais alguma vez postos em prática na Europa, onde a retórica tinha suplantado sempre a eficácia das ideias.
Em Portugal sempre ouve alguns europeístas mas a sua voz estava abafada pela cultura isolacionista promovida por Salazar e a que também não faltava a retórica. Reconhecer-se-á que houve uma fase em que, só pelo facto de se não repetir o desastre da primeira guerra mundial, teve o apoio incondicional do povo. A guerra colonial haveria de reforçar o isolamento e a imigração para França não chegou a contribuir para trazer novas ideias.
Após o 25 de Abril foram as necessidades mais imediatas que mais se fizeram ouvir e que condicionaram a discussão de qualquer posição de fundo. A retórica nunca teve tanta preponderância mas a discussão não saía dos velhos temas do socialismo, do comunismo, de vários tipos de democracias vistos por quem, apressadamente, tinha lido cartilhas até aí estranhas.
Colocada um pouco de água na fervura que uns meses de agitação criaram, sem meios, num processo de reposicionamento no mundo livre, batemos à porta da Europa e tivemos o seu apoio e compreensão. O nosso lugar é na Europa, nesta rocha de princípios cada vez mais firmes, nesta Comunidade que, sendo imperfeita, ambiciona melhorar constantemente.

22 dezembro 2007

O Oeste Europeu – Uns ingratos é o que nós somos

Quando seis países se juntaram para formar a Comunidade Europeia pensarem em vir a agregar à sua volta outros Estados, mesmo que tivessem níveis de desenvolvimento mais fracos. As negociações para a adesão sempre foram um estudo de como se iria processar a integração de um país novo numa orgânica que já tinha uma certa credibilidade e estabilidade.
Cada país tem o seu passado, os seus hábitos e tem dificuldades próprias para se adaptar a novos métodos, alguns dos quais tiveram origem em países de muito diferente tradição. A própria maneira como cada país vê o seu papel em relação à economia é diferente. Mas o intervencionismo é sempre visto como negativo quando não respeita as regras da concorrência.
A nossa herança foi fraca em termos absolutos mas também em questões metodológicas, dada a nossa tradicional desenrascanço, uma fuga desordenada a tudo que é norma e regulamento. E quando enveredamos pela disciplina é com tanto rigor que quase ficamos manietados. Deixamo-nos mover facilmente entre extremos.
Além do mais a nossa escolaridade para pouco nos dava, quase nem para escrever aerogramas às madrinhas de guerra, o nosso know-how era mais do que deficitário, quase nada sabíamos fazer além de sachar a terra e assentar tijolo. Com uma economia tão incipiente e tão fracos índices em todos os domínios pessoais quase é de perguntar: Para que nos quiseram?
No entanto não tivemos que pagar qualquer jóia à entrada na Comunidade. Aceitaram-nos tal qual somos com todos os problemas conjunturais que fomos acumulando. Tínhamos vivido um período de permanente ebulição, de instabilidade, dita revolução em curso, de regresso dos militares, de integração de retornados das ex-colónias.
Passamos de um império anquilosado a uma república incipiente. Por sorte ficamos à mercê destes “hoje” bem intencionados europeus que tiveram pena de nós, nos encheram de oxigénio, e nós, ansiosos no interior, tornamo-nos quase insuportáveis (pelo menos de paleio, mas ninguém nos ouve) no exterior. Ainda nos tornamos, mercê das nossas dificuldades, mais reivindicativos por aquilo que alguma vez merecemos ter.

21 dezembro 2007

O Oeste Europeu – Heróis perdidos e sempre reencontrados

Quando seis países se juntaram para formar a Comunidade Europeia procuraram um caminho diferente de tudo o que havia sido experimentado no passado e não tinha resultado. Por isso assumiram todo esse terrível passado, todas as culpas dos seus aspectos miseráveis e tentaram aproveitar todos os ensinamentos que ele pudesse conter.
Nada podia ser posto de lado, como se tivesse havido fenómenos da responsabilidade de extra-terrestres ou outro género de seres esporádicos que não terão hipóteses de se repetir. Por isso era necessário submeter a aturado estudo esses fenómenos que nos envergonham de modo a ir ao encontro das suas razões mais profundas.
Mas era imprescindível avançar de imediato e por um caminho difícil e com muitos adversários externos, e isso só era possível com os países que mais tinham sofrido, mais sensibilizados estavam para unir esforços, para não hostilizar ninguém, para compreender aqueles que ficaram temporariamente de fora, mas que se tinha por objectivo virem a ingressar nas mesmas fileiras.
Como eles, também nós não podemos pôr de lado o nosso passado, aquilo de tenebroso de que fomos capazes, aquilo de heróico de que nos honramos, aquilo de mesquinho de que ainda padecemos. Não somos marginais a quem foi dada a oportunidade de se redimirem. Tendo sido algumas vezes heróis, perdemo-nos constantemente para nos reencontrarmos mais tarde, mais fracos mas prontos a surpreendermos todos.
Temos de deixar de pensar que teremos sempre sorte, que temos que mudar de rumo e dedicarmo-nos efectivamente a um trabalho duro e persistente para competirmos com os mais fortes. Se a Europa nunca nos desprezou é altura de sermos gratos com tudo aquilo que ela nos tem dado.

20 dezembro 2007

O Oeste Europeu – A dimensão e a localização como des/vantagem

Quando seis países se juntaram para formar a Comunidade Europeia pensarem em criar um espaço que proporcionasse trabalho e não pusesse os trabalhadores dum Estado contra os trabalhadores de outro. As possibilidades de cada um se desenvolver seriam idênticas porque deixavam de existir barreiras no acesso aos bens essenciais determinantes para esse fim.
Cada Estado tem os seus problemas internos, a sua estrutura social, os seus conflitos entre empregadores e empregados, a sua maneira de abordar as questões sociais e isso só lentamente pode mudar. O que logo mudou, porque remetido para o baú da história, foram as invejas entre Estados, as conflitualidades violentas, as guerras de rapina à moda antiga.
Esta forma de organização não corrige porém um problema que só surgiu depois de a Comunidade ter assumido uma dimensão muito superior à original. A divisão internacional do trabalho, que foi feita entre os seis países iniciais com base num princípio de complementaridade e sem grandes atropelos, impõe agora uma outra lógica, dependente em muito da pouca intervenção da generalidade dos Estados na economia.
Não é mais possível pensar em certas influências que, mesmo sem economia estatizada, os governos iam exercendo para suavizar a competição e para levar mesmo à tal complementaridade. Quantos mais Estados pertencerem à Comunidade mais difícil se torna não deixar entregue às forças brutas da economia a divisão internacional do trabalho.
Só o conhecimento de quais são ou virão a ser os sectores económicos mais determinantes no desenvolvimento poderá permitir-nos concluir se a nossa dimensão e a nossa localização só por si, sem a consideração de outros factores negativos, que também os há, não formarão uma forte desvantagem para nós.

19 dezembro 2007

O Oeste Europeu – Uns agricultores nem ouvidos nem achados

Quando seis países se juntaram para formar a Comunidade Europeia pensarem em criar um espaço de paz e liberdade. E foi tal o seu sucesso que logo outros países quiseram aderir, mesmo colocando sérias reservas a algumas políticas comuns, de que o caso mais saliente é a politica agrícola.
A política de garantir um abastecimento sem problemas das cidades industriais e de serviços, daqueles que se dedicam a outros ramos de actividade essenciais para o desenvolvimento de todos, levou a que se atingisse uma produção excedentária, que a Comunidade optou por pagar, mesmo sem utilidade ou mantendo as terras em pousio.
Houve muitos países que nunca aceitaram este estado de coisas optando por, não conseguindo impor os seus pontos de vista, obter outras compensações. Portugal entrou na Comunidade sabendo que estava a condenar quase toda a agricultura que ainda se fazia e a obrigar a mudar de vida uma parte significativa da sua população. Como esta parte era a mais iletrada, mais crente e levou uns tostões anestesiantes a mudança foi-se processando sem grandes sobressaltos.
Se as coisas tivessem sido ditas com clareza, teria havido nos meios agrícolas não euforia mas desassossego. Todos se esqueceram da dimensão das nossas explorações agrícolas. Deliberadamente porque falar em reestruturação fundiária sempre foi um tema incómodo e repudiado. Os nossos agricultores ficaram com certeza mais satisfeitos em caírem mas de pé.
A reconversão fez-se sem plano, sem preparação. Imensas pessoas foram trabalhar nas confecções, no calçado, na construção civil. Permaneceram no mesmo ponto da escala social, não houve progressão alguma. Toda a economia haveria de sofrer com a baixa habilitação desta remessa de mão-de-obra.

18 dezembro 2007

O Oeste Europeu – A defesa dos valores europeus

Quando seis países se juntaram para formar a Comunidade Europeia pensarem em se defenderem e aos seus vizinhos da barbárie. Não foi sua ideia construir um império, dominar o mundo. Para sermos justos temos que reconhecer este facto, independentemente de reconhecermos ou não iguais ideais e objectivos às potências dominantes no mundo, como os E.U.A., a China, a Rússia, a Índia, ou ao mundo islâmico.
Não concebo que se qualifique alguém como um homem culto, se não defender os princípios básicos que presidiram à criação da Comunidade Europeia, independentemente de outros princípios mais genéricos ou mais particulares que se enquadrem com estes. Os desvios ocorridos, as alianças espúrias podem e devem ser analisados enquanto deficiências de funcionamento deste Europa ainda dependente de forças de base exterior.
A luta para que os outros blocos políticos partilhem os mesmos valores e consigam conviver e serem solidários na busca de um desenvolvimento mais equilibrado, deve ser também a nossa luta. Isto porque, caso não ocorram progressos neste domínio, só podemos ter um papel mais determinante no contexto internacional se investirmos na nossa defesa, que o mesmo é dizer na criação de um exército europeu e no desenvolvimento do armamento.
O falhanço reconhecido de Barroso, que tão mal representou o espírito europeu e que foi o representante da ala mais integralista, mais temerosa do “mal” islâmico, mais manipulada pela direita americana, deve-nos fazer pensar em corrigirmos de vez o nosso posicionamento subserviente e seguidor em relação ao velho, e por vezes nefasto, aliado inglês e deve pôr a Europa de sobreaviso para com o farisaísmo inglês.

17 dezembro 2007

O Oeste Europeu – O nosso ritmo de desenvolvimento

Quando seis países se juntaram para formar a Comunidade Europeia fizeram-no por razões bem diferentes das que hoje levam às novas adesões. Os sábios da época constataram que as diferenças de condições de vida dos diferentes povos europeus sempre foram utilizadas por reis e republicanos, políticos sem escrúpulos, para os pôr em guerra.
A única forma de obstar ao recurso à satisfação dos instintos mais primários do homem, concluiu-se, foi caminhar no sentido da criação de condições de vida semelhantes, do acesso em igualdade aos bens naturais, da criação de mercados únicos e sem protecção unilateral. Só assim se obstaria ao aparecimento de políticos demagógicos e, no extremo, loucos, como os que no passado haviam posto a Europa a ferro e fogo.
No geral não são estes novos Estados aderentes que poderiam lançar uma guerra como as do passado, a não ser umas guerrilhas entre eles, mas que, como se vê nos Balcãs, não são menos brutais e animalescas. Se porém a Comunidade entendesse fechar-se dentro das fronteiras dos Estado aderentes podê-lo-ia ter feito.
Diferente é o entendimento estabelecido desde que se resolveu orientar a política europeia para a criação de uma largo espaço de cooperação e solidariedade. A Europa é para todos os europeus e até para os que querem prosseguir objectivos idênticos pelo que a ninguém deve ser negado o direito de adesão, associação ou a outra forma de colaboração.
É porém perfeitamente estúpido, de atrasados mentais, mentecaptos e de chulos querer que nos ponham de uma hora para a outra aos pés dos mais ricos. Com que diabo de direito? Com que base económica? A única garantia que nos pode ser dada é que devemos exigir a igualdade competitiva, baseada em primeiro lugar na igualdade de oportunidades, para que vão melhorando, ao ritmo a que formos capazes, as nossas condições de vida.

16 dezembro 2007

O Oeste Europeu – Terra de sonhos e frustrações

Sempre sonhamos alto. Os nossos reizinhos de opereta sempre se julgaram com direito ao sacro império romano germânico. Tudo que seja menos que o primeiro lugar é desprezível, equivalente ao último. Quando este nos calha em sorte, abrenúncio que é o diabo.
Na verdade, descontadas as desvantagens naturais, nós temos o que merecemos. A sorte não nos deu poços de petróleo e talvez ainda bem, senão tínhamos de aturar algum macaco armado em imperador. No fundo somos uns ingratos, não agradecemos aquilo que temos.
Esta mania dos grandes desafios tem-nos postos várias vezes eufóricos, logo de seguida desesperados. Meteu-se-nos na cabeça que devíamos viver tão bem como os alemães, que devíamos estar na cabeça da Comunidade. Fora assim e eles haviam de ver como nós gozaríamos ainda melhor que eles, esses alemães tão frios e distantes, que só sabem trabalhar, o prémio em dinheiro do primeiro lugar. E político que se preze, que não tenha isso como exigência primeira, que vá pastar anzóis.
Só o partido comunista e outros esquerdistas, disfarçados ou não, não precisam de prometer nada. Basta-lhes dizer aos incautos que pressionem o governo para lhes dar o céu na terra. Se prometem, que cumpram. Esta barbaridade repetida até à exaustão até para eles já soa a verdade, tão inebriados estão com a maneira como a sua cabeça funciona, pela inércia que o Cunhal já lhes deu gás bastante.

15 dezembro 2007

O Oeste Europeu – Não podemos dar oportunidade à frustração

A euforia instalou-se de novo. Aquilo que outros levaram décadas a conseguir, que houvessem pessoas suficientemente habilitadas e em razoável número para acompanharem as novas tecnologias e estarem aptas a desenvolver trabalho especializado, estamos nós prontos a obter em poucos dias.
Não faltará muito para que não haja analfabetos, iletrados, ineptos, desadaptados, marginalizados. Todos ou quase todos, mesmo quase todos estaremos aptos a ler, a interpretar, a falar, até mesmo a coligir, a analisar, a sintetizar. E a exercer uma qualquer profissão, seja velha ou nova.
Falsas expectativas temos já tido muitas pelos séculos fora. Os falsos profetas vão abundando. A salvação já nos tem sido tão prometida mas tarda a aparecer. Será este povo capaz de dar um salto tão grande em tão pouco tempo? Custa a acreditar.
As pessoas são atraídas às novas oportunidades com exageradas expectativas. Cuidado que a frustração pode ser maior que as expectativas que se criam. Se as novas oportunidades levantam o moral por uns tempos, que não tornem a recaída mais grave no futuro.
È necessário que em simultâneo se criem oportunidades para quem vem com tanta esperança às novas oportunidades.

14 dezembro 2007

O Oeste Europeu – a oportunidade das oportunidades

Convencemo-nos enfim que a agricultura de subsistência é residual, que a agricultura em geral é economicamente irrelevante, que não podemos assentar a nossa economia em indústrias de mão-de-obra intensiva, que temos que puxar pela nossa cabecinha para injectar nos nossos produtos umas mais valias provenientes dos nossos neurónios.
Aí apareceram as novas oportunidades, enfim, a última hipótese de, com dinheiros da Comunidade Europeia, darmos genica, elasticidade, a ginástica necessária às tais cabeças para que sejam capazes de fazer mais alguma coisa do que rolhas e sardinhas em conserva e ter algo para oferecer além do mar e do sol.
Até os velhinhos apareceram à chamada para que não tenham que ir para o outro mundo sem levarem o certificado de habilitações que lá lhes permita um bom lugar. Com o certificado nas mãos já todos teremos acesso às melhores Universidades e Institutos (da Terceira Idade), que nós gostamos de dar valor a quem o tem, mesmo que seja só para untar o ego.
Os nossos cílios cerebrais fervilham de actividade. Agora somos o Oeste, estamos logo à frente do Oeste Americano, não do farwest, mas da célebre Costa Oeste, do Silicon Valley. Aqui se formam profissionais de todos os sectores, estamos prontos a servir nem que seja na hotelaria. Venham os euros.
È esta a nossa oportunidade?

13 dezembro 2007

O Oeste Europeu – a oportunidade dos oportunistas

A euforia provocada pelos subsídios foi para muitos de curta duração. O diferencial de rendimentos agudizou-se. As classes com mais poderes reivindicativos foram amealhando benesses. Em vez de chegarem nos previstos vinte anos aos rendimentos médias da Europa conseguiram-no nuns quatro ou cinco. Os mais necessitados receberam as migalhas, até se contentaram com uns rendimentos mínimos.
A dinâmica criada leva-nos a arriscar que estes nunca lá chegarão. As carruagens de primeira são dum luxo nunca visto. Os favorecidos habituaram-se às mordomias a que nunca tinham tido acesso, que no tempo de Salazar havia mais modéstia. E tivessem eles conhecido Cunhal, que haveriam de ver. Mas também este dinheiro não é elástico. Para uns terem muito, há quem pouco tenha. Continua-se a trabalhar em sótãos, caves, pavilhões imundos.
E continua-se a sonhar com bons carros, boas moradias, boas férias num paraíso tropical à escolha. Quando a Comunidade entendeu que esse género de trabalho devia ser entregue a povos ainda mais pobres do que nós, foi a catástrofe. Deslocalizados o calçado, as confecções e outras miudezas ficamos com o nosso cérebro tão vazio como os campos abandonados. Temos neurónios mas falta-nos imaginação.
Depois do que fizemos pela pátria há quinhentos anos, é certo, fomos bravos marinheiros mas merecíamos melhor. Contemplamos com nostalgia o mar agora cheio de chineses que esses estão por demais habituados a isso e o mar a nós já nos enjoa. Perdemo-nos nas noites e dormimos quando devíamos estar acordados.
Venha de lá alguma luz…

12 dezembro 2007

O Oeste Europeu – a oportunidade dos subsidiados

No Oeste da Europa vimo-nos Gregos para nos vermos livres de tanta cobardia, tanto fardeta. Votos em branco, cheques sem destinatário, fomos franqueando-lhes tudo, que com tão fraca herança não tínhamos muito para oferecer. Não mostraram nada de novo que não fosse quererem enfiar-nos em comboios já superlotados e sem abastecimento.
Aparecerem toda a espécie de “arautos” grotescos prenhes de promessas de mundos novos. Experiências houveram algumas, aprouvera que não deixamos nunca que nos comprometessem o futuro. A questão verdadeiramente nunca saiu da escolha do modelo.
O caminho acabou por se fazer por um centro que sempre será o menos perigoso para um povo habituado somente a copiar os outros. Afinal nós já somos velhos nisto e há séculos andamos à procura da salvação. Se sempre soubemos aquilo que não queríamos, a verdade é que também levamos com muitas charutadas.
Feita a escolha, deixamos de fugir e esperávamos a salvação. Aceitamos confrontarmo-nos economicamente com a Europa, que nós somos fortes, valentes e não nos vamos deixar ficar para trás. Mandaram-nos uns bons subsídios e a coisa lá foi andando, o PIB a crescer, as expectativas a dispararem.
Como somos bons a pedir! Só que ao primeiro tremor na Europa aqui ocorreu um terramoto. Não é que nós tenhamos má memória deles, salvem-se os que morreram na baixa de Lisboa. Mas a verdade é que hoje há televisão, telejornais e isto é um choradinho pegado, já ninguém pode analisar os acontecimentos senão com aquele ar pesaroso de gatos-pingados em velórios de ricos.
Venham mais subsídios…

11 dezembro 2007

O Oeste Europeu – a oportunidade dos cobardes

Andamos há séculos à procura da nossa salvação, não como homens, que essa andança tem milénios, mas como portugueses, essa miscelânea particular de raças que vai sobrevivendo no Oeste Europeu.
Remédios foram aparecendo como a expulsão dos mouros, a plantação do pinhal de Leiria, a leis das sesmarias, as descobertas, o comércio das especiaria da Índia, a expulsão dos judeus, a invasão de Ceuta, e não fora a derrota da Armada Invencível, o definitivo remédio estaria encontrado dentro do Império Espanhol.
Restauramo-nos e ainda fomos a tempo de sacar o ouro do Brasil, mandar para lá escravos para trabalhar nos engenhos de açúcar, de sonhar com o Marquês, com o liberalismo que nos deixaram, com as colónias que não perdemos no ultimato inglês e sacrificadamente defendemos na Primeira Guerra Mundial.
O temor que já nos assustava tomou conta de nós, entregamos o nosso destino a um sacripanta miserável e hipocondríaco. Empastelamo-nos em África nas bolanhas do nosso desgosto. Andamos fugidos do mundo, acusando sempre os outros de serem piores do que nós, autênticos pilares da virtude. Assumimos o ensimesmamento de Salazar.
Tentamos recuperar a realidade, vir ao encontro dela numa noite de Abril, mas fizemo-lo como um exército de maltrapilhos comandado por gente sem bússola, ao sabor do vento de ocasião. Empenhamos quase aleatoriamente em vários fardetas um futuro que era tudo menos fácil, mas que nos deslumbrou.
Demos oportunidade aos cobardes...

04 novembro 2007

Retirem a política da superficialidade

A conversa acerca da manutenção ou não da palavra “dada” é uma velha pecha da política portuguesa. Os que hoje solicitam o dito “respeito” amanhã serão solicitados e deviam saber que assim é. Absurdamente cada vez mais alinham ao lado daqueles partidos que, alheios às contingências da política, fazem finca-pé neste tipo de questão.
Aqueles que são visceralmente contra a Comunidade Europeia, afinal uma das entidades que mais contribuiu para a queda do muro de Berlim, também se fazem alheios às alterações verificadas que os contradizem, referindo até à exaustão aquelas que não correram tão bem. A Comunidade Europeia está sempre, para eles, a faltar à palavra sobre o paraíso prometido.
Filipão tomou a atitude correcta. Esperemos que Sócrates assuma igualmente uma postura não demagógica nesta questão, contra a vontade dos que querem criar um episódio para aparecerem a fazer alarde da sua inexcedível superficialidade.

03 novembro 2007

O despertar de mais um mágico

Afinal Filipe Meneses não vai ter que se haver com um só, mas se não aparecerem mais, terá que se haver pelo menos com dois concorrentes.
Já não é só aquele que “andava por aí” e que renasceu. Depois de ter recebido o poder inesperadamente, sem o dramatismo de uma transição disputada, como seria o seu desejo, não o soube segurar.
O seu poder não se baseava em nenhum processo de rotura que lhe desse um impulso decisivo. Perdeu ingloriamente a golpes dos seus próprios amigos. Mas não perdeu a esperança de que um dia lhe dêem razão. Afinal o coração conta muito e ele espera que lhe não olhem para o cérebro.
Mas agora para estar à perna do Filipão vai ter a companhia daquele tal de Ribau que, pela amostragem é amigo que não deixa ficar mal os amigos do outro. É bom que haja gente desta, destemida, pronta a dar o seu contributo à Pátria.
Porém da categoria dos que só mostram bravata já cá os havia muitos. Quando eles se encostam a alguém para ter visibilidade e já se querem apresentar como os melhores do mundo, sem terem provado nada de importante, é ridículo.

02 novembro 2007

A importância de um acto simbólico

O P.S.D. não é a favor do referendo às alterações aos tratados da Comunidade Europeia. Filipão manteve-se firme, o P.S.D. cambalhotou.
Filipão terá percebido muitas das razões que tornam inoportuno tal referendo e, como apoia a aceitação daquelas alterações, depara-se-lhe a inutilidade de discutir tudo a propósito de pouco, como muitos pretendem.
Os poderes necessários para aquela aceitação cabem perfeitamente nos já conferidos pelo eleitorado aos nossos órgãos de soberania: Presidência, Assembleia, Governo.
Alguns não perdoarão a Filipão ter feito que o seu partido desse o dito por não dito, tão agarrados agora se mostram a coerências, tão lestos a ocultar que esta e outras incoerências que vão surgir serão a rectificação de erros cometidos no passado.
Não se pode exigir coerência entre factos de natureza diversa, até entre factos da mesma natureza suficientemente separados no tempo. O próprio eleitorado, pelo menos em certas das suas franjas, não votaria agora do mesmo modo que o teria feito no acto de adesão.
Nessa altura teria sido cometido erro grave porque todos se preocuparam em dar pompa e circunstância ao acto e não curaram de lhe dar a substância que actos simbólicos como um refendo representam.
Será uma lacuna que perdurará, mas se a queremos suprir escolhamos um momento de maior significado que ele surgirá de certo no futuro. Então já serão netos ou bisnetos dos que, há anos, implicitamente disseram Sim que vão ser chamados a se pronunciarem.As nossas responsabilidades estão por demais assumidas.

01 novembro 2007

O património reclamado por quem “andou por aí”

Há quem, depois de escorraçado da “loja”, ainda faça uma afirmação peremptória de que vai continuar a “andar por aí”, só porque se acha herdeiro de ideias partilhadas, mas de que ele se arroga o direito de interpretar.
Nada mais fácil de seguir do que as ideias dos mortos. De entre espírito e letra do legado dos defuntos deixar-nos-ão sempre algo a que nos podemos associar, independentemente de os contextos e as circunstâncias serem diferentes e da prática ter de ser outra.
Não falta pois quem, à falta de ideias próprias, se aproprie dessas. E se elas tiverem passado por um processo dramático para serem postas em prática tanto melhor. E nada mais apelativo que colocar emoção bastante na evocação, mais ou menos a propósito, de fugazes ligações ao autor.
À falta de herdeiro legítimo, facilmente nos associamos àqueles que reclamam uma herança heróica, para a qual estão prontos a arranjar milhentas testemunhas a confirmar o legado, prontas a manter vigilância à porta e ao ferrolho, a serem seus fiéis depositários.
A herança de Sá Carneiro tem para Santana Lopes este significado. Mas não passará de uma simples tentativa de sonegação da propriedade dos seus legítimos herdeiros?
Até não seria descabido que, perante a apatia de todos esses possíveis herdeiros, a herança não tenha já sido apropriada por gente estranha ao próprio P.S.D. Filipe Meneses vai ter um vigilante para uma herança sem dono.

31 outubro 2007

Uma proposta de Governo Europeu na Hora?

A constituição europeia, assim nomeada sem o ser, seria a refundação da Comunidade Europeia, realidade mutante porque tem como suprema ambição aproximar-se cada vez mais da Europa, entidade a que é atribuído um núcleo sólido de ideias e valores e a que se quer dar desde já um esqueleto de órgãos supranacionais.
No entanto uns referendos negativos, e para agravar em Países Fundadores, deitaram por terra qualquer veleidade de a implementar. Se sobre ela se tinha construído um consenso político que envolvia as mais representativas forças políticas europeias, onde se pode encontrar a razão desta rejeição? Será que podemos supor não haver rejeição do seu espírito?
O problema está mesmo por aí. A compreensão deste fenómeno passa fundamentalmente pelo sentimento de impotência que invade o espírito democrático europeu. As estruturas supranacionais, uma vez implantadas, assumem perante os eleitores um carácter estático, inamovível, adjectivos a que, com o desgaste, se somarão outros.
A ideia de que a maioria do eleitorado apoiaria um poder forte e centralizado, porque ele seria a garantia de mais estabilidade e segurança, é errónea. As pessoas são a favor mas não apoiam nos momentos decisivos porque não estão seguras de que esse poder lhes será sempre favorável e na maioria das vezes não lhes agrada.
As pessoas querem ter a liberdade e a possibilidade de descartarem um poder que se lhes torne obsessivo. Umas são mais apressadas do que outras mas quase todas querem mais oportunidades para cambiar. As pessoas estão mais receptivas a mudar de ideias do que se pensa. O desejo das pessoas caminha no sentido do “Governo na Hora”.
Os meios mediáticos exaltam estas contradições e o que é moda torna-se quase uma inevitabilidade. As alterações agora propostas não incluem modelos na moda e as pessoas envolvidas não têm perfil de passerelle. Ter-se-á perdido a oportunidade e deixado que novas forças se movimentassem e dilacerassem o espírito democrático.
A haver este referendo sobre uma questão tão empolada, o voto “Não” ganhará ao nível europeu e em todos os países para os quais a “excelência” europeia não suplante a “tacanhez” nacional. Quanto a nós, se nos julgam mais espertos do que os outros, podemos ter uma surpresa. Só com a chantagem dos milhões nos livraremos do espectáculo indecoroso do “Não”.

30 outubro 2007

Uma chatice para quem já estava tão habituado a “andar por aí”

A mudança no aparelho de Estado é a mais difícil de operar. Na dúvida deixa-se estar tudo na mesma. A definição, a divisão de poderes estabelecidos para dar estrutura democrática ao Estado já são contestadas desde há muito, mas os perigos de uma outra forma de exercício do poder não estão devidamente sopesados.
A divisão que prevaleceu é basicamente entre três poderes: o legislativo, o executivo e o judicial. Mas a promiscuidade e subalternidade entre eles já é mais do que muita e alarga-se cada vez mais um poder asfixiante: o administrativo. Só que as estruturas internacionais são cada vez mais uma cópia das nacionais. Onde há lugar para quem “andar por aí”?
Para os pouco ambiciosos no administrativo. Para os outro no dócil domínio legislativo. Porque este deixa fugir cada vez mais os seus poderes para o executivo, por impreparação, incapacidade ou pura demissão, tem que arranjar alguma coisa para fazer. E a pergunta vem mesmo a calhar: Porque não “andar por aí”?
O que seria da mais genuína justiça é que esta sublime função de “andar por aí” fosse exercida por todos os deputados e não só por alguns. Porque não libertá-los do poder de iniciativa legislativa e passar a dedicarem-se tão só a fiscalizar e avaliar o trabalho do executivo. De preferência mandando averiguar e solicitando pareceres. E “andando por aí”.
Assim já não seriam necessárias comissões. E o Santana Lopes já não se teria de chatear com isso: Continuava a “andar por aí”.

29 outubro 2007

Uma proposta académica: Um referendo radical

As análises académicas nem sempre dão boas receitas. A Academia ainda não abarca a essência do saber político. Faltam-lhe meios, vivência, proximidade. Mas, como políticos, os académicos devem pronunciar-se.
Vital Moreira deixou os livros e propôs um referendo sobre a nossa permanência/saída da Comunidade Europeia, à posteriori de uma aprovação parlamentar das alterações aos tratados. Quer que um tal referendo legitime tudo o que está feito a nível da construção europeia.
Como tivemos uma falta de comparência ao acto fundador, propôs a sua substituição por esta forma radical de o avalizarmos ou não: Ou tudo ou nada. Ou nos comprometemos definitivamente com a Europa ou abandonamos o barco. Tudo parece claro, mas o processo é enviesado.
Estaremos dispostos a pôr o problema em termos de escolha entre a estabilidade e o aventureirismo? Ou vamos tratar esta proposta como um simples exercício académico? Um voto positivo num referendo deste tipo seria decerto um marco importante no campo simbólico. Tudo depende do preço que estamos dispostos a pagar por este símbolo.
Pacheco Pereira pensa ser possível discutir as alterações sem tornar indiscutível o corpo institucional em que elas se fazem. Ele é pela bondade das instituições existentes, mas vê-a de um maneira tão redutora que também podia ser pela maldade. Parece que secretamente ambiciona ver tudo discutido de uma outra forma e fora do seu tempo.
No seu afã de intelectual incontornável, detectou como Vital Moreira uma grave lacuna no nosso património simbólico e propõe o seu preenchimento através de um acto, depois de uma discussão aberta, que institucionalizaria o passado, embora lançando incertezas sobre o futuro. Implicitamente quem rejeita/aceita as alterações confirma o instituído.

28 outubro 2007

Que se cuidem os que subestimaram quem “andou por aí”

Sem necessidade de recuar muito no tempo, chegamos ao momento em que se tornou possível que a agricultura libertasse mão-de-obra que permitisse que o comércio, a indústria, os serviços trouxessem progresso à humanidade. Mas também que libertasse pessoas para a religião, a especulação, o ensino, a política e outras liberalidades.
Este conjunto de pessoas foi variando em quantidade e qualidade e nem sempre a qualidade dependeu da quantidade. A sua diferente ocupação na estrutura organizativa do Estado e a natureza deste também fazem variar o papel deste “escol” na vida em sociedade.
Também a prevalência dos diferentes grupos, religiosos, filósofos, políticos ou outros “libertos” mais ou menos intelectuais, andando mais ou menos por aí, é um factor importante na determinação do valor civilizacional de cada período histórico. Nem sempre se consegue que haja quem ande por aí.
Aquele que “anda por aí” não o consegue sem ter um pé dentro e outro fora da estrutura do Estado. Tem que ser político, mas ter algumas qualidades dos outros grupos intelectuais. Tem de ter tempo, não para o ocupar, não dá para brincar, mas para estar sempre em serviço e alerta. Mesmo na discoteca,
Quem “anda por aí” não pode envolver-se no quotidiano, tomar partido imediato, os seus amigos já estão feitos, o seu campo já está bem demarcado, a fronteira já está bem escudada. Tem que ter atenção aos traidores, aqueles que pensam um homem decapitado, como Santana Lopes.

27 outubro 2007

O referendo aos tratados da C.E.: Uma falsidade

Um referendo sobre as alterações aos tratados que instituíram a Comunidade Europeia seria uma falsidade. Primeiro porque os que lhes servem de base nunca foram referendados. Segundo porque as alterações de natureza política nos tratados não são suficientemente drásticas para o justificar.
O que hoje, a nossa adesão, alguns põem em causa, já o ponham antes dela ocorrer, mas não podem procurar com o seu voto neste eventual referendo produzir o mesmo efeito de então. A nossa adesão só pode ser posta em causa com um referendo em que o que estivesse em causa fosse a nossa própria saída.
As alterações propostas também ou estavam anteriormente implícitas ou derivam tão só dos alargamentos que entretanto ocorreram. Instituído o direito de outros aderirem, estão legitimadas as alterações funcionais necessárias que não ponham em causa o fundamental dos princípios, mas que derivem tão só do bom senso.
As alterações propostas não retiram mais soberania do que aquela que já tínhamos perdido. O único senão é que o caminho aponta para que no futuro tal venha a ocorrer. Até lá teremos porém tempo para reflectir. Não podemos estar a referendar intenções e suposições.
Sabemos quanto incomoda a alguns de nós o nosso papel de pedintes. Mal agradecidos, querem que nos armemos em valentes. Falta força para não aceitar que a C.E nos impinja tudo. Falta fortaleza para lhe não atribuir a culpa de todos os nossos males e reconhecer o quanto ela nos tem ajudado.
Um balanço honesto das permutas, ajudas e desajudas entre nós e a C.E. seria bom que se fizesse mas não em ambiente referendário em que a confusão suplanta o discernimento quando o seu objecto não é preciso, conciso, nem os seus efeitos estão perfeitamente delimitados, definidos.

26 outubro 2007

É perigoso deixar de “andar por aí”?

“Andar por aí” é uma actividade assaz louvável, não molesta ninguém, não estorva os outros, não causa distúrbios. O única senão será o quanto custa ao erário público, mas, havendo outro dinheiro tão mal gasto como este, não custa muito aceitar que alguns de "nós" andemos por aí.
O problema é que quem não está habituado, quem gosta de actividade e, acima de tudo de tomar decisões, não suporta esta apatia durante muito tempo, entedia-se e vá de aproveitar a primeira ocasião para dizer quanto está vivo e pronto a enfrentar as piores tempestades.
Ao assumir tão entusiasticamente o lugar de Chefe da sua bancada, Santana Lopes tomou a decisão primeira de varejar dos poleiros comissionais três colegas de partido. Farto também ele próprio de ser corrido, eles não deviam levar-lhe a mal esta desfeita da sua parte. Até porque a sua reentrada, na ribalta ou no lodaçal, conforme a opinião, não podia passar despercebida.
Os parlamentares do P.S.D. deviam aceitar a dispensa do seu próprio contributo extra e simplesmente deixar-se “andar por aí”. Uns virão e outros ir-se-ão embora, para perto é certo, é a vida. Uns têm bom perder e aceitam uma tarimba, outros abespinham-se facilmente, mas, para quem está de fora, o espectáculo é deprimente e sem vergonha. É o lodaçal.
Os políticos são muitas vezes acusados de indecisão, mas, quando decidem, invariavelmente os acusam de o fazerem mal. Os políticos são muitas vezes acusados de ocuparem permanentemente o palco e quando alguém decide fazer alguma renovação é logo acusado de ingrato pelos tais “velhos” que não o querem deixar. Afinal como o Santana estava tão bem quando só “andava por aí”.

25 outubro 2007

O referendo aos tratados da C.E.: Um acto frustrado

O Estado Português sabia que ao aderir à Comunidade Europeia perdia uma larga fatia de soberania. Não fizemos nada de desprezível, nem tão pouco de heróico. Muitos anos antes a Alemanha e a França, os impulsionadores da Comunidade foram os primeiros a concretizar o objectivo de obter mais segurança com maior interdependência.
Quando Portugal entrou na Comunidade já ela estava dotada de uma velocidade, de uma organização, de uma finalidade que se dava maior consistência aos objectivos primordiais, ultrapassava, na opinião de alguns sectores, as necessidades de uma associação política dos Estados. No entanto, em Portugal pensou-se que seria despiciendo utilizar o referendo para dar uma legitimidade acrescida à nossa adesão.
Hoje, que forças políticas à direita se renderam politicamente e outras à esquerda se renderam economicamente, utilizar o referendo para legitimar alterações funcionais e de pormenor a uma situação irreversível, instituída pelo acto fundador, que foi a nossa adesão implicitamente consentida, é tão só um acto irresponsável, frustrador, inglório.

24 outubro 2007

Quem deixou de “andar por aí”

Isto de “andar por aí” tem o que se lhe diga. Quantos de nós o gostaríamos de fazer. “Andar por aí” à espera que a história, o tempo, seja lá o que for, nos venha dar razão.
Ou simplesmente “andar por aí” sem grande satisfação, como que cumprindo rituais e preenchendo o tempo com trivialidades, à espera que haja um motivo que nos alegre, nos faça esquecer os dissabores e nos dê novo impulso para fazer algo mais do que “andar por aí”.
E se este facto nos pode servir para nos convencermos que tínhamos razão no que fazíamos antes de “andar por aí” tanto melhor. É o que parece ter acontecido com Santana Lopes para quem esta pequena vitória e por interposta pessoa lhe não podia dar mais satisfação, goze-a ele com mais ou menos privacidade.
No entanto esta desforra interna não lhe dá razão a nível da sua própria actividade política. Isto de uma vitória ser só a derrota dos outros é o que vai alimentando a mesquinhez, as arrufadas, as vaidades balofas.
A razão histórica é outra coisa que Santana Lopes não conseguirá apagar ou subverter, mesmo que, ao que parece, tenha deixado de “andar por aí”.

23 outubro 2007

Uma cambalhota anunciada no referendo europeu

Para o P.S.D. é uma cambalhota, para o Filipão, honra lhe seja, não.
Existem actos a que nós queremos muito justamente dar o valor que eles merecem. Então só os devemos praticar quando as circunstâncias os dignifiquem.
O referendo é dos actos que devem ser valorizados e as circunstâncias em que tem sido convocado não lhe retiraram dignidade, até porque os seus resultados não foram vinculativos, mas foram respeitados como deviam ser.
Diferente é se viéssemos a ter um referendo para legitimar umas alterações aos tratados da C.E., mais funcionais do que de natureza política.
Não se convocou um referendo para a nossa adesão à C.E., nem para a nossa adesão ao Euro, o acontecimento que mais condiciona a nossa vida depois do 25 de Abril. Não se convocou o povo antes de termos fundos europeus, quando a esperança se visualizava para lá da fronteira.
Agora que ninguém rejeita os fundos, não falta quem ache pouco e arranje todos os pretextos para denegrir a imagem da Comunidade Europeia, cujos objectivos são bem mais nobres do que os assuntos em discussão.
Seria caricato que agora que o fundamental não pode ser posto em causa e ninguém quer isso, as alterações fossem rejeitadas e os tratados postos em causa a destempo só para chatear e dar uma pequena satisfação a grupelhos minoritários.
O referendo não deve ser caricaturado e só deve ser utilizado quando se justificar, quando a sua oportunidade coincidir com a importância do assunto que é o seu objecto.

22 outubro 2007

Andar ou não por aí, eis a diferença

De súbito verificamos que, se parecia que o P.S.D. iria dar uma grande cambalhota, tudo não passou de um susto. Os que perderam e os que ganharam são quase todos políticos que “andam por aí”, uns com direito a escolher lugar, outros nem tanto, aproveitam o que lhes dão.
Na hora da despedida é de louvar o Marques Mendes, se ele levar avante os propósitos que se anunciam de deixar a política para os outros, não que os que ficam sejam melhores ou piores do que ele, mas porque ele deixou de “andar por aí” e merece palmas por isso.
Não sei se irá resistir à tentação de fazer uns remoques quando o novo Filipão perder algumas das quatro eleições que diz querer ganhar. Com uma meta tão alta creio que já pode ir comprando os patins. Que isto de outsourcing só convence os incautos.Mas não é Marques Mendes que acrescentará nada à cultura política se vier dizer que quem tinha razão era ele. Cale-se que assim é que o Senhor dá a melhor resposta. Deixe-os a eles “andar por aí”, até meterem nojo que, no lodaçal em que se meteram, já não conseguem sequer dar cambalhotas.

Aqui pode vir a falar-se de tudo. Renegam-se trivialidades, mas tudo depende da abordagem. Que se não repise o que está por de mais mastigado pelo pensamento redondo dominante. Que se abram perspectivas é o desejo. Que se sustentem pensamentos inovadores. Em Ponte de Lima, como em todo o universo humano, nada nos pode ser estranho.

Acerca de mim

A minha foto
Ponte de Lima, Alto Minho, Portugal
múltiplas intervenções no espaço cívico

"Big Man" 1998 (1,83 de altura) - Obra de Mueck

"Big Man" 1998 (1,83 de altura) - Obra de Mueck
O mais perfeito retrato da solidão humana